O velho e sábio Césare Pavese sustentava que a vida devia ser considerada como uma profissão e para a qual era urgente e necessário carrear enormes competências!
Cada vez mais corroboro essa acepção!
A vida é mesmo muito dificil de viver. É mérito dela? É incompetência minha? Provavelmente, será uma e outra coisa.
Contudo há situações perante as quais não me conformo.
Os meus amigos, os meus fraternos companheiros, alguns deles, não valorizam a substância das iniciativas, das posições e preferem ajuizar e valorar o modo, o tempo em que elas se desenrolam. E isto, porquê?...
A "alma" dos homens é deveras desconcertante. As motivações dos homens é algo de particularmente "sinuoso".
O que é que nos faz correr, a cada um de nós, no tempo que nos foi dado viver? Às vezes corremos atrás de sombras, de miragens, de coisas virtuais, de poderes enixestitentes, de vaidades, de "panache"!
Por vezes sinto-me desvalido e em desconcerto perante estas situações .
Contudo, começo a vislumbrar uma luz para estas singulares situações.
Hoje estou mais exigente, comigo e, por mor disso, com os outros.
Ele houve tempos em que tanto me fazia.
Hoje, sendo mais tolerante e humilde, tornei-me mais sagaz e arguto na apreciação das situações e dos homens.
Isto é bom, ou é mau? Nem uma coisa, nem outra.
A vida é como ela se dispõe e não como nós sonhámos.
O que me parece necessário, urgente mesmo, é retirar, com prudência e alguma mestria, as devidas ilações e conclusões daquilo que vou vivenciando.
Ele há pessoas que não nos merecem (não na direcção pesporrente ou vaidosa que pode sugerir esta formulação) no sentido que são pura perda de tempo e não nos acrescentam nada, nem como homens, nem como cidadãos, nem como seres munidos de inteligência e sensibilidade.
Le metier de vivre é deveras exigente e não aceita férias ou dispensa: é para ser vivido às mãos cheias e com imensa alegria!
Albergaria
quinta-feira, maio 17, 2007
terça-feira, abril 03, 2007
Lluis Argemí d'Abadal (1945-2007)

Catedrático do Departament d’Història i Institucions Econòmiques de la Universitat de Barcelona, Lluis Argemí foi um dos maiores especialistas de História do Pensamento Económico das Universidades catalã e espanhola. Homem de elevada coerência cívica e intelectual, era um democrata, movido por profundas concepções solidárias e fraternas. Ingressou no PSUC, nos anos 70, resistindo à ditadura na clandestinidade.
Com Ernest Lluch, já falecido, publicou, em 1985, o livro Agronomía y Fisiocracia en España, obra de referência da história do pensamento económico espanhol. Posteriormente, daria à estampa Agricultura e Ilustración, em 1988, e La revolución agrícola, em 1993, obras que o consagrariam como um académico de invulgar qualidade. Colaborou em várias revistas científicas, de que se destacam a History of Political Economy e a Économies et Societés.
Companheiro inseparável de Ernest Lluch, que viria a morrer assassinado pela ETA, em 2000, viria a publicar com este autor um conjunto notável de textos abordando a difusão na Europa, na Espanha e na Catalunha do pensamento fisiovrático, da Ilustração, do Enciclopedismo, do industrialismo e do Krausismo.
Para ele o trabalho científico tinha necessariamente uma dimensão universal, o que o levava a partilhar as suas informações com os seus pares e discípulos. Leitor compulsivo, analisava ao detalhe os textos que lhe entregavam, não se coibindo de os criticar, sempre com um sentido pedagógico, fraterno e formativo.
Esperava que ele pudesse vir a integrar o júri das minhas provas de doutoramento. Infelizmente um tumor cerebral, impediu-me de concretizar este desejo.
Até sempre, Lluis
Alcino Pedrosa
sexta-feira, março 23, 2007
Ainda a "velha" senhora: A Amizade!

Esta senhora, de quando em vez, tropeça, ensarilha-se, enrola-se e, por vezes, coloca-nos embaraços quase metafisicos.
Isto vem a pretexto de situações,que ocorrem, quando menos esperámos e que são, por surpreendentes - deveras singulares.
Dum modo geral, os meus amigos pautam-se por um muito razoável despojamento em relação aos bens materiais, uma serenidade de "velhos" sábios quando às grandezas e misérias das humanas gentes, uma relativização absoluta quanto a variabilidade das "verdades" e, sobretudo um enorme apaziguamento quanto às CAUSAS DOS POVOS!
Têm,contudo, um outro enorme "defeito": já não cultuam vaidades pessoais, nem fisicas nem intelectuais.
Ora isto é verdade para quase todos eles, mas, de quando em vez, lá tropeçámos NUM que descarrila, que se deixa adormecer nos braços da vaidade e de algum quase adormecimento intelectual.
A pretexto de quê? Vá-se lá saber!...
Outro dia recebemos, tivemos entre nós, um notável "velho", dum imenso saber e de um despojamento duma vida inteira: o Edmundo Pedro.
Sempre que a sua consciência lho ditava, lá deixava tudo para trás: mulher, filhas, emprego, negócio, o que fosse.
Esta "destemperança" pagou-a, não raras vezes, no tempo do fascismo, com a prisão, com a tortura, com a perda da liberdade, da sua liberdade.
O convivio que com ele tivemos, na tertúlia de geometria variável, foi de mor satisfação: pessoas reencontraram-se, afectos andaram no ar, memórias alegres e bisonhas cruzaram-se para alegrarem a "velha" senhora, a Amizade!
É por estas coisas aconteceram que, cada vez mais, insistentemente, acredito no VALOR absoluto da AMIZADE e dos AMIGOS que, como mo disse um, recentemente: "Os amigos são como as árvores: se andarmos em torno duma árvore, ela encará-nos sempre de frente. Tal e qual os amigos e a amizade".
Albergaria
quinta-feira, março 01, 2007
Pequenina crónica de tempos revoltos

Há momentos em que nos assalta um sentimento estranho de perplexidade, de estupefacção, de perturbação, face a comportamentos, a silêncios, a atitudes, a actos, a acções e/ou omissões, aparentes ou reais, a situações difusas, mal percebidas, apenas entreabertas ou claramente perceptíveis.
Isto vem a propósito duma experiência recente, vivida entre amigos, construtores numa mesma "fraternitas".
Uma decisão, insuficientemente explicada e explicitada, provocou-me uma imensa vontade, necessidade e urgência de provocar uma ruptura, não só epistemológica, mas consistente, substantiva, funcional e, porventura, sem eu me dar conta de tal, até organizacional.
Isto foi construido, por mim, a partir dum certo ângulo de visão, numa perspectiva racional, assente em pressupostos quase inabaláveis e desenvolvido com uma lógica interna coesa, irreductível e quse inatacável.
Mas, e os "mas", no processo histórico, são, de quando em vez,decisivos e determinantes, olvidei-me da dimensão dos "afectos" que incorporam, SEMPRE, as "fraternitas". Erro grosseiro e sem remédio.
Os afectos, os de sinal positivo e os outros, de sinal contrário, quase que submergiram, por completo, a iniciativa "oposicionista".
Lição n.º 1
Nunca, nas "fraternitas" se deve olvidar os afectos, o calor dos sentimentos e a sua eficiência nas dinâmicas grupais;
Lição n.º 2
Nunca devemos assumir "absolutos". A nossa "verdade" nunca deve ser confundidda com a VERDADE.
Lição n.º 3
A humildade nunca fez mal a ninguém, nem à saúde, nem à psique.
Lição n.º4
Deve-se SEMPRE considerar e ter em conta as lições n.ºs 1, 2 e 3.
Contudo, mesmo quando, por impossibilidade material e espiritual, não detemos, nem TODA a verdade, nem a VERDADE, sabe MUITO bem tropeçármos na AMIZADE dos amigos!
Albergaria
quinta-feira, janeiro 25, 2007
há dias
Há dias em que apetece
anoitecer mais cedo
por recear o brilho
dos olhos dos gatos.
Há dias em que não apetece morrer
de tão cansados da vida
que até nem importa viver.
Há dias sem um sorriso
apenas o mudo sinal da pedra
em que te recolhes
como gota de névoa
em manhã de montanha.
Há dias sem palavras contadas
com rosas de murmúrios
nos lábios feridos
com luzes e lumes
e fogos fátuos
aquecendo a nudez do teu corpo
na cama branca
dos silêncis mais antigos.
Há dias de vozes estranhas
envoltas no musgo do mal.
Mas há aquele sorriso que liberta
a criança presa no sótão da memória.
E então não há deuses nem palavras~
de soar longo
que nos prendam as mãos brtancas
e nos confundam os caminhos
que serenos não soubemos encontrar.
Pedro Castelhano
anoitecer mais cedo
por recear o brilho
dos olhos dos gatos.
Há dias em que não apetece morrer
de tão cansados da vida
que até nem importa viver.
Há dias sem um sorriso
apenas o mudo sinal da pedra
em que te recolhes
como gota de névoa
em manhã de montanha.
Há dias sem palavras contadas
com rosas de murmúrios
nos lábios feridos
com luzes e lumes
e fogos fátuos
aquecendo a nudez do teu corpo
na cama branca
dos silêncis mais antigos.
Há dias de vozes estranhas
envoltas no musgo do mal.
Mas há aquele sorriso que liberta
a criança presa no sótão da memória.
E então não há deuses nem palavras~
de soar longo
que nos prendam as mãos brtancas
e nos confundam os caminhos
que serenos não soubemos encontrar.
Pedro Castelhano
Reflexões destemperadas
*Já fui o maior do Mundo porque não sabia que o mundo era tão pequeno
#Já fui o maior ridículo porque pensava que as pessoas me levavam a sério
#Já fui jovem quando ainda não sabia que estava a envelhecer.
*Já tive amigos que se perderam porque se enganaram nos caminhos da amizade
*Quando toca um piano lembro-me sempre do sino da minha aldeia. Nunca ouvi o sino da minha aldeia. Mas lembro-me. Um dia quando não ouvir o piano, hei-de ouvir o sino da minha aldeia.
*Quando alguém morrer fico à porta do cemitério sempre na esperança de ser o último a entrar.
*Não há palavras para tanto sofrimento quando há tanto sofrimento sem palavras.
*Se os deuses soubessem o que se passa entre os humanos, não seriam deuses mas também não
quereriam ser humanos.
*Soldado de Esparta vai dizer aos teus chefes que o Continente já abriu. Perdeste a guerra.
*Um adjectivo agrediu um substantivo. A TLBS está a dirimir há tanto tempo o combate que tudo vai acabar num advérbio de modo.
*Não há nada como um assobio quando um surdo-mudo tenta desvendar os nossos lábios.
Pedro Castelhano em hora de pecado sem castigo.
#Já fui o maior ridículo porque pensava que as pessoas me levavam a sério
#Já fui jovem quando ainda não sabia que estava a envelhecer.
*Já tive amigos que se perderam porque se enganaram nos caminhos da amizade
*Quando toca um piano lembro-me sempre do sino da minha aldeia. Nunca ouvi o sino da minha aldeia. Mas lembro-me. Um dia quando não ouvir o piano, hei-de ouvir o sino da minha aldeia.
*Quando alguém morrer fico à porta do cemitério sempre na esperança de ser o último a entrar.
*Não há palavras para tanto sofrimento quando há tanto sofrimento sem palavras.
*Se os deuses soubessem o que se passa entre os humanos, não seriam deuses mas também não
quereriam ser humanos.
*Soldado de Esparta vai dizer aos teus chefes que o Continente já abriu. Perdeste a guerra.
*Um adjectivo agrediu um substantivo. A TLBS está a dirimir há tanto tempo o combate que tudo vai acabar num advérbio de modo.
*Não há nada como um assobio quando um surdo-mudo tenta desvendar os nossos lábios.
Pedro Castelhano em hora de pecado sem castigo.
domingo, janeiro 21, 2007
As Memórias de Edmundo Pedros

Edmundo Pedro, homem de elevada coerência cívica e intelectual, com uma vida inteira dedicada à luta pela liberdade e democracia, apresentou, dia 18 de Janeiro, o primeiro volume do seu seu livro de memórias "Um Combate pela Liberdade". Obra de referência para todos os que se interessam pela história contemporânea portuguesa, este livro vale também pelo exemplo de vida, que constitui a biografia do seu autor.
Preso pelo regime Salazarista quando tinha apenas 17 anos, foi deportado para o Tarrafal, juntamente com o seu pai . Ainda tentou, por várias vezes, fugir da prisão mas nunca conseguiu, só abandonando o campo de concentração, com o fim da II Grande Guerra, na sequência da amnistia de 1945. Regressou a Portugal com 27 anos, minado pela tuberculose, mas a sua vontade de lutar contra o Estado Novo não esmoreceu.
Participou nas revoltas de 1959 e do quartel de Beja, na sequência da qual foi preso e condenado a três anos e oito meses de prisão. Já, depois do 25 de Abril, desempenhou um papel importante na defesa da democracia, tendo sido a ele que, em nome do PS, o general Ramalho Eanes mandou entregar um lote de armas para defender as sedes do partido que estavam a ser alvo dos ataques da esquerda radical . A história não terminaria aí, valendo posteriormente a Edmundo algumas agruras e injustiças, que ele não mereceia. Hoje, tal como nesses tempos, Edmundo prefere manter o silêncio, que, np entanto, não esconde as mágoas que ainda sente: " o mal que me fizeram não tem remédio”, relembra amíude.
Não pude estar presente, por motivos profissionais, no lançamento do livro. Orgulho-me que ele o tenha feito. E mais do que isso, orgulho-me de ser Amigo deste Homem, que considero (e me considera) Irmão
Alcino Pedrosa
terça-feira, janeiro 16, 2007
Armando de Castro (1918-199)

Por aqui se tem falado de obras de referência. Aproveito o mote para falar de autores referência. Homens exemplares, paradigma de um modelo de cidadania, que ultrapassa em muito os constrangimentos políticos e ideológicos. Armando de Castro: anti-fascista, democrata, académico notável, investigador de créditos firmados; cidadão do mundo; exemplo de tolerância. Atributos que não são excessivos para qualificar este militante do PCP, que se assumiu como um homem de elevada coerência cívica e intelectual.
Na Universidade obteve uma formação histórica e jurídica e aprendeu a reflectir criticamente sobre a sociedade e o conhecimento. Estas linhas de rumo marcaram todo o seu percurso de cidadão e de cientista. Não teve outro objectivo, na sua investigação, que não fosse partilhar o seu saber, os resultados das suas investigações e as conclusões a que chegava.
Os seus trabalhos mais notáveis desdobram-se por três áreas científicas: a História, sobretudo a História Económica, a Economia Política e a Gnoseologia e Epistemologia.
Na história, ainda hoje constituem referência obrigatória a mais de uma dezena de volumes em que sistematizous os séculos XII a XV, bem como muitos outros trabalhos sobre o período restante, com particular destaque para os séculos XIX e XX, deixando em aberto o sonho de fazer uma história económica Portugal.
Na Economia Política, trabalhou alguns dos temas mais árduos dos seus fundamentos teóricos, tendo sido um dos pioneiros em Portugal no tratamento sistemático da teoria do valor, marcando, além do mais, uma época com os seus estudos sobre a inflação.
A Epistemologia, entendida como ciência do conhecimento científico, esteve sempre presente nos seus trabalhos de investigação. Ao fazer a história da Idade Média interroga-se sobre os rumos da investigação a fazer; ao estudar o fundamentos da Economia Política encontra as mesmas problemáticas. Em todos estes caminhos sempre esteve a par do que em Portugal e no Mundo se fazia sobre as problemáticas em que trabalhava, estando sempre aberto ao novo. Ou não tivesse sido Ele um cidadão com uma dimensão Universal
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Em louvor do Rogério Rodrigues

"Gibbon
Se há livro de cabeceira - porque, em muitos sítios já não há cabeceira, nem mesinha-de-cabeceira - que me acompanha e que leio e releio ao acaso, sempre com enorme prazer, é a obra de Gibbon Declínio e Queda do Império Romano.
Há neste livro, obra magna de um académico e parlamentar inglês do século XVII (eu creio que é XVIII, mas...), uma escrita sobre a história, as suas personalidades e ventos, tão diferente no que se vê e considera importante que o livro imediatamente - à primeira frase - me retira com proveito do século XX. Flutuando por uma das escritas mais fascinantes da lingua inglesa, transportando-me para a história, ou seja, para o que não é do meu tempo. Há nas suas personagens - porque não se trata verdadeiramente de um livro de história, mas de um livro sobre o teatro da humanidade - uma dignidade antiga, que pode ser o teatro da humanidade -, uma dignidade antiga, que pode ser de todos os tempos, menos do nosso. Nós sabemos que é mais feita de ficção do que de realidade, porque também sabemos como já para o olhar de Gibbon também tudo aquilo pareciam «antiguidades».
É verdade que Gibbon estava no século XVIII (cá está, o século correcto...)a falar sobre os «Romanos», ou seja, sobre cerca de dois mil anos de história ocidental, e a nossa cabeça actualmente vive em 30 ou 40, e a nossa cultura mediática vive quanto muito ao ano, quando não é à semana. É verdade que, escrevendo essencialmente sobre o período do «declínio», Gibbon fala dos últimos mais de míl anos que vão dos Antoninos à queda de Bizâncio.
Mas já repararam que, habituados que estamos à precaridade do nosso tempo e à sua rapidez, é muito tempo? Que ainda havia «romanos», que por acaso eram gregos, quando se iniciaram os Descobrimentos? E que só passaram seiscentos anos - quase nada - desde que Constantino Paleólogo participou na última missa na Catedral de Santa Sofia, um ou dois dias antes de se tornar mesquita e ele desaparecer para sempre, talvez adormecido numa das muralhas da cidade? E já repararam que menos tempo nos separa da entrada triunfante de Maomé II - de quem Gibbon diz que, para além do turco, falava árabe, persa, caldeu, latim e grego - na cidade de Constantino do que os mil anos que tinham passado desde que os bárbaros entraram em Roma?
Em muitas páginas do Declínio e Queda, a nostalgia pelo passado, não com saudade - porque Gibbon sabia que esse passado era pior do que o seu presente -, mas como meditação sobre o tempo, é o principal pano de fundo onde se movem as personae. Mas o tempo, ou a história, se se quiser, é o principal actor quando Gibbon relata um diálogo ocorrido, no século XV, entre o «douto Poggio» e um amigo, dois romanos modernos, membros da cúria papal, que sobem ao monte Capitolino e contemplam as «ruínas de Roma». No meio do matagal estavam as velhas glórias de Roma, cobertas de vinhas, cercadas por quintais, já parcialmente integradas em construções modernas, para que as sólidas pedras de mármore eram roubadas. Porcos e bois passeavam no Fórum e o lixo cobria os bancos dos senadores. O tempo também a eles pregava partidas: tinham já passado mais de novecentos anos desde a «queda», e eles olhavam o fim do império com maior distância do que a que hoje nos separa deles.
O tempo é enganador quando ultrapassa as nossas vidas, e prega-nos partidas na memória. E nos tempos de «queda» ainda é mais enganador, misturando vencidos e vencedores, locais e batalhas, gente do seu tempo e anacronismos. Gente perdida pelo declínio, fora da sua terra e do seu tempo, resistindo a uma história impiedosa, como essas mulheres bizantinas, parentes da melhor nobreza imperial, vagamente recolhidas nos conventos quando escapavam de ir parar a algum hárem, tentando publicar livros em grego, manter a sua fé ortodoxa, salvar as relíquias de uma opulência passada, quando não resgatar os filhos e parentes, reféns do sultão ou de qualquer potentado menor da Sérvia ou na Trebizonda.
No Declínio e Queda são o tempo e a dignitas que me atraem, a maneira nobre e desprendida, com todas as qualidades, defeitos e paixões, como esses homens feitos em pó, sepultados não se sabe onde, passearam o seu amor pelos homens, pela história, pelas letras, pela lei, pelo vinho, pelas mulheres, pelos rapazes, pela música, ou mais comummente pela crueldade. Porque aqui a dignitas é também o tempo, porque a gente percebe logo que se trata de virtudes dos «antigos», que também já não há hoje, porque todos os tempos, menos o nosso, são clássicos. E era certamente o que Gibbon também desejava: em plenas luzes, descreveu uma história com demasiadas trevas, as do tempo que já passou."
Notabilissimo texto de José Pacheco Pereira, retirado sem autorização, mas com a devida vénia, de "Desesperada Esperança e outros textos", dado à estampa pela notícias editorial, no ano de 1999.
Em louvor do Rogério Rodrigues?...porque sei, de fonte segurissima, que aquele livro, o do Gibbon é também um dos seus livros de cabeceira.
Este post é uma espécie de prenda de ano novo para o
Rogério, com a suave esperança de:
1- O poder ler amiúde, na versão Pedro Castelhano ou na do próprio, neste Blog, que lhe deve o nome;
2- Que, um dia, me possa também assumir como leitor apaixonado, dleitado e agradecido da «Queda».
Albergaria
quinta-feira, novembro 30, 2006
O teatro do mundo

Hoje, pela tarde velada
uma mulher, velha
foi cremada.
Há pouco, poucochinho,
nasceu um menino.
Os pais, premunidos
nomeram-no "Salvador"!
Desígnios (in)sensatos
carregam os nomes!
O poeta dixit:
-"Morrer é só deixar de ser visto."
Tempestiva exactidão
encerrou o poeta
nesta humana asserção!
A mulher cremada
que se foi
não mais será vista.
O "neno"
o nasciturno
será mostrado
redentor da humana espécie!
E assim figurámos
na morte
e no nascer,
o teatro do mundo
e da Humanidade!
Albergaria
terça-feira, novembro 28, 2006
Hoje apeteceu-me!

"Canto as armas e o varão que nos primórdios veio das costas de Tróia para Itália e para as praias de Lavínio, fugitivo por força do destino, e muito padeceu na terra e no mar por violência dos deuses supernos, devido ao ressentimento da cruel Juno; muito também sofreu na guerra, até fundar uma cidade e introduzir os deuses no Lácio; daqui provêm a raça Latina, os antepassados albanos e as muralhas da grandiosa Roma."
E já está. Assim começa a aventura de Eneias, em debandada de Tróia, escapando aos ditames da Guerra e aos percalços da viagem...
No tempo do Imperador Octávio Augusto, um notabilissimo poeta, Virgilio, decide "construir" (ao modo futuro de Camões para a epopeia maritima de quinhentos)uma poema para narrar o nascimento de Roma, a imperial, a bela, a sumptuosa, a imensa e, depois, a decadente.
Os mitos fundadores são persistentes e, quando contados à maneira de Homero, vivem eternamente e permitem recordar, por milénios, a memória do heróis, dos pusilânimes, dos eruditos, dos poetas, dos filósofos, dos deuses e da galeria mitológica persitentes.
Hoje, num tempo voraz, veloz,onde se consome TUDO e tudo é descartável, que conforto e que apaziguamento encontrámos nestas imorredouras ´páginas de Virgilio: voltem em elas, às de Homero tambem e às de Cicero, e porque não às de Ovidio e ao sentencioso Horácio.
Não vos pareça pretensão descabelada esta diatribe literária, mas sabe tão bem voltar às fontes primordiais!
Albergaria
quarta-feira, novembro 08, 2006
Que bom ler o amigos!

Gostei desse grito: salvem o blog. Ou, citando:"não deixem morrer o blog".
É verdade que, todos os dias, nascem e morrem blog's.
É exacto que campeia, hoje em dia, uma discussão brava sobre o espaço da blogoesfera: é um espaço de cidadania activa?...é um território de democracia directa?...é um terreno pantanoso, onde impera a irresponsabilidade, a sordidez do anonimato, a ininputabilidade dos cobardes?...
Eu creio que é tudo isto - e ao mesmo tempo.
Contudo, pelos nossos blog's posso eu discorrer, a nossa experiência bloguista é um pedaço mais do que tudo aquilo que referi.
Nós cultivámos aquele espirito de meados do século passado, a tertúlia de café, de bairro, de rua, de prédio,literária, política, cultural e cultual. O blog permite-nos, quando o queremos, manter a tertúlia viva, refrescada e quase on-line.
Permite-nos ainda partilhar gostos e desgostos, opiniões e palpites, preconceitos e ingenuidades, generosidades e alguma maldicência e cultuar o saber, o fino trato, a elegância da frase e do poema...e do chiste!
Assim tem sido e assim há-de continuar a ser, por muito tempo!
Eu tenho-o assumido pelo gosto da amizade fraterna, pelas cumplicidades literárias e do saber e, sobretudo pelo sabor da escrita e, ainda e também, pelo prazer de me ver "publicado"! É um pequenissimo prazer, mas saborei-o, sempre, com mor deleite.
Por aqui me quedo, com o firme propósito de continuar a escrever nesta casa que é nossa e, não por acaso, se nomeia Aqueduto Livre!
Albergaria
terça-feira, novembro 07, 2006
para reflectir:o desemprego da população juvenil

Em todo o mundo, 300 milhões de jovens vivem abaixo do limiar de pobreza
Um em cada quatro jovens em todo o mundo, cerca de 300 milhões de pessoas, vive abaixo do limiar da pobreza, segundo um relatório da Organização Internacional de Trabalho. O número de jovens entre 15 e 24 anos que estão desempregados aumentou de 74 milhões, em 1995, para 85 milhões, no ano passado, o que representa um crescimento de 14,8 por cento. Segundo a OIT, as taxas de desemprego nos jovens são apenas a ponta do iceberg dos problemas que os jovens enfrentam no mercado laboral e não oferecem uma imagem completa dos desafios por enfrentar. A população juvenil cresceu 13,2 por cento entre 1995 e 2005, enquanto a disponibilidade de empregos para este segmento da população só registou um crescimento de 3,8 por cento. Como consequência, os jovens desempregados representam 44 por cento do total de desempregados no mundo.
O documento regista também "um preocupante" aumento no número de jovens que não trabalha nem estuda. Na verdade, o acesso à educação continua a ser um problema para muitos jovens e o analfabetismo ainda é um desafio importante em muitos países em desenvolvimento.
AP
PS. NÃO DEIXEM MORRER O BLOG
quarta-feira, outubro 04, 2006
Ainda e sempre...a RELIGIÂO!

Em veneração a José Leite de Vasconcelos e como modo de intervir neste necessário diálogo e urgente aliança entre civilizações, mas também nesta "disputa" entre religiões, deixo-vos aqui uma notável transcrição do livro, daquele autor, "Religiões da Lusitânia":
"Ninguém duvida que, no viver de um povo, um dos elementos mais importantes é a religião.
Domina os actos mais simples, como os mais complicados; tanto leva ao heroísmo como ao aviltamento; por ela se luta, e por ela se morre.
Limitada ao que nela há de poético, é como um luar que alumia a consciência dos crentes, e os mantém em paz; transformada em fanatismo, origina todos os horrores, e infunde aos que a abraçam instintos de feras.
Medianeira entre o natural e o sobrenatural, produz nos homens uma espécie de abstração da realidade, em que eles, pelo misticismo, se tornam loucos, ou se julgam inspirados.
Quantos bens podem atribuir-se à religião!
Quantos males a não têm por causa!"
Fim de citação.
Albergaria
terça-feira, outubro 03, 2006
Se um Arsenal incomoda...dois arsenalistas!?...
É com um misto de ternura e de algum egoismo clubístico que me lanço nesta "brincadeira".
Agora o que é de "espantação", mesmo de ficarmos boquiabertos: 2 derrotas seguidas do fequepê, e logo de dois arsenalistas...não passaria pela cabeça do mais do empedernido benfiquista.
Mas aquilo que é (que foi) tem muita força e não há volta a dar!
Aos portistas, convictos e menos militantes, desejo bons resultados europeus e...menos bons nas lides nacionais.
Albergaria
Agora o que é de "espantação", mesmo de ficarmos boquiabertos: 2 derrotas seguidas do fequepê, e logo de dois arsenalistas...não passaria pela cabeça do mais do empedernido benfiquista.
Mas aquilo que é (que foi) tem muita força e não há volta a dar!
Aos portistas, convictos e menos militantes, desejo bons resultados europeus e...menos bons nas lides nacionais.
Albergaria
sexta-feira, setembro 22, 2006
O Fernando Carneiro, desta vez, PASSOU-SE...completamente!

Eu, porventura, deverei ser o mais recente amigo do Fernando.
Talvez seja o que em menos boas condições estarei para dele falar.
Não é esse o exercício que me proponho.
Quero antes "exorcizar" o facto de nunca mais poder ver o Fernando e ouvi-lo, tremendista, zurzir nos que andavam mal na Maçonaria.
O Rogério trouxe-o (assim como ao Grego e ao Bandarra) à nossa tertúlia Mapriliana, ainda.
O pouco convivio que com ele tive bastou para perceber duas coisas fundamentais:
A-Que ele gostava de mim e que me honrou com a sua amizade;
B-Que eu muito gostei dele.
O Fernando tinha características que o fizeram único no seu vivenciar e que eu cedo me apercebi:
1- Era um homem de enorme carácter e mau feitio;
2- Sempre, amigo de seu amigo;
3- Sem vaidades mundanas e dum despojamento total;
4- Duma enorme coragem fisica, associada, sempre, a uma moral impoluta;
5- Duma honradez e probidade únicas;
6- Duma lealdade que roçava a perfeição;
7- Tremendista e de constantes rupturas...;
8- Duma fraternidade perfeita, sempre praticada, na perspectiva que o António Arnaut sublinhava: "Fraternidade é a solidariedade com amor!"
Guardo dele a memória duma aura de tranquilidade,de alegria primaveril e de preocupação com a "casa", como ele dizia do Palácio do Grémio Lusitano.
O Rogério, uma vez mais, levou-me, de surpresa, a almoçar com o Fernando. Fomos a uma esplanada, ali para Belèm. Comemos sardinhas e bebemos um belo tinto. O Fernado ainda bebeu um Whisk. Era Abril e os pólens andavam em desatino, o que nos fazia espirrar em ridiculo frenesim!
Fui sabendo dele, do seu fenecimento fisico, mas sempre preocupado com a "casa".
As noticias que o Rogério nos trazia - anunciavam o desfecho que ocorreu a 16 de Setembro de 2006: o Fernando iniciava o caminho para o Oriente Eterno,lugar onde a luz nunca esmorece!
Para nós, maçons, acreditámos que o Fernando começou um novo caminho, caminhando em direcção ao absoluto, através duma heuristica perfeita que permite a descoberta da verdade absoluta, da palavra perdida,do Santo Graal da Humanidade.
Desta vez, o Fernando PASSOU-SE completamente.
Como disse o Fernando Pessoa "morrer é só deixar de ser visto".
Nunca mais veremos o Fernando Carneiro, mas pelas recentes experiências, o Fernando merece estar SEMPRE entre nós. Terça-feira, no Porcalho, lá esteve ele na tertúlia amadorense. Soube que o viram, quinta-feira passada, na tertúlia moçambicana, na Tia Matilde...
Os homens, como o Fernando Carneiro,não morrem, não se esquecem...são perenes...como a Maçonaria a quem ele tanto venerou e a quem ele tanto deu (sem nunca nada dela requisitar...).
Lá, no Oriente Eterno onde, de certeza, já te recompuzestes do cansaço que, recentemente, te abalou já participas em animadas discussões...espero que bebas uns quantos copos à saúde dos teus amigos, nos quais modestamente me incluo.
Bem hajas, meu Ir:.pelo que contigo aprendi e pela amizade com que me honrástes.
Um triplo abraço fraterno,
Albergaria
quarta-feira, setembro 13, 2006
A morte do Senhor MAPRIL
Por um dia de Verão, de um qualquer ano passado, deambulavámos, eu e o António, em demanda dum lugar para refeiçoar.
Tropeçamos, nesta demanda, numa cave esconsa, aonde se acedia por escada vetusta. O lugar era meio lúgubre, semeado de mesas, dalguns armários, de balcão antigo e uma Registadora saída da década de sessenta do Século XX.
Amesendamo-nos e, no tempo dum ai, prantou-se, garboso, ao nosso lado, sujeito um pedaço untuoso (mais gordo de carnes, de andar cansado, arrastado...), propondo-nos uma suculenta ementa. Comemos, bebemos, gostámos e voltámos...um sem fim de vezes.
Entretanto, construimos uma tertúlia, de geometria variável, com um núcleo duro, mas ao qual se vieram, ao longo das semanas, acrescentando gente de imensa qualidade intelectual e, alguns, poucos, de enorme humanidade (de muito carácter e de moral impoluta).
O dia da refrega era às quartas-feiras (isto antes do nosso praeclaro edil se comprometer com a cidade e reunir nesse dia - quase em todas as semanas), passando, depois, para as terças-feiras.
Desta tertúlia resultaram muitas e importantes coisas. Virou mesmo Blog - o qual foi crismado de Sr. MAPRIL, em honra do dono daquele lugar de amesendação requintada e de comeres e beberes de muita qualidade.
Ao longo dos tempos fomo-nos afeiçoando ao Senhor (acima designado de untuoso...). Umas vezes zangados com os preços e com as distrações do Senhor, que nos tratava como se fossemos gente de enormes cabedais, mas que não nos perdoava nem um seitil!
Um sábado, igual a qualquer um destes dias, soubemos que tinha, o Senhor MAPRIL, vendido o BONDE.
De repente ficámos orfãos do lugar tertuliano.
Dias inteiros percorremos a cidade em demanda de lugar tertuliano, que nos merececesse. Hoje estamos apaziguados e temos já lugar agradável, de qualidade mastigatória.
Mas, ao que vem esta prosa, descozida, sem prosódia minima que a mereça aos olhos dos prováveis leitores?
No outro dia, o Rogério, apanhado de supetão, soube que: - O Mapril morreu!
Como dizia, e bem, o poeta:- Morrer é só não ser visto!
Pois, nunca mais poremos os olhos em cima do Sr. Mapril.
Quero, pois, terminando este prosear, dizer ao Sr. Mapril, lá onde estiver, que muito lhe agradeço aquele contentamento que resultava sempre da deglutição daquele cozido que nunca mais iremos saborear; aquele bola de coelho que era simplesmente divina; aquele rosbife, com alcaparras, que fazia o contentamento do Rogério; aquele leite creme, que fazia o meu contentamento...e aquele espectáculo de luz e sabores - que se derretiam daqueles impantes crépes Suzette!
Tudo isto e o mais que não recordo já - lho agradeço do fundo do coração, Senhor Mapril.
José Albergaria
Tropeçamos, nesta demanda, numa cave esconsa, aonde se acedia por escada vetusta. O lugar era meio lúgubre, semeado de mesas, dalguns armários, de balcão antigo e uma Registadora saída da década de sessenta do Século XX.
Amesendamo-nos e, no tempo dum ai, prantou-se, garboso, ao nosso lado, sujeito um pedaço untuoso (mais gordo de carnes, de andar cansado, arrastado...), propondo-nos uma suculenta ementa. Comemos, bebemos, gostámos e voltámos...um sem fim de vezes.
Entretanto, construimos uma tertúlia, de geometria variável, com um núcleo duro, mas ao qual se vieram, ao longo das semanas, acrescentando gente de imensa qualidade intelectual e, alguns, poucos, de enorme humanidade (de muito carácter e de moral impoluta).
O dia da refrega era às quartas-feiras (isto antes do nosso praeclaro edil se comprometer com a cidade e reunir nesse dia - quase em todas as semanas), passando, depois, para as terças-feiras.
Desta tertúlia resultaram muitas e importantes coisas. Virou mesmo Blog - o qual foi crismado de Sr. MAPRIL, em honra do dono daquele lugar de amesendação requintada e de comeres e beberes de muita qualidade.
Ao longo dos tempos fomo-nos afeiçoando ao Senhor (acima designado de untuoso...). Umas vezes zangados com os preços e com as distrações do Senhor, que nos tratava como se fossemos gente de enormes cabedais, mas que não nos perdoava nem um seitil!
Um sábado, igual a qualquer um destes dias, soubemos que tinha, o Senhor MAPRIL, vendido o BONDE.
De repente ficámos orfãos do lugar tertuliano.
Dias inteiros percorremos a cidade em demanda de lugar tertuliano, que nos merececesse. Hoje estamos apaziguados e temos já lugar agradável, de qualidade mastigatória.
Mas, ao que vem esta prosa, descozida, sem prosódia minima que a mereça aos olhos dos prováveis leitores?
No outro dia, o Rogério, apanhado de supetão, soube que: - O Mapril morreu!
Como dizia, e bem, o poeta:- Morrer é só não ser visto!
Pois, nunca mais poremos os olhos em cima do Sr. Mapril.
Quero, pois, terminando este prosear, dizer ao Sr. Mapril, lá onde estiver, que muito lhe agradeço aquele contentamento que resultava sempre da deglutição daquele cozido que nunca mais iremos saborear; aquele bola de coelho que era simplesmente divina; aquele rosbife, com alcaparras, que fazia o contentamento do Rogério; aquele leite creme, que fazia o meu contentamento...e aquele espectáculo de luz e sabores - que se derretiam daqueles impantes crépes Suzette!
Tudo isto e o mais que não recordo já - lho agradeço do fundo do coração, Senhor Mapril.
José Albergaria
domingo, agosto 20, 2006
Leitura de férias
sexta-feira, agosto 18, 2006
The invisble pink unicorn
The Invisible Pink Unicorn (blessed be her holy hooves) is a fictional female deity in the form of a unicorn. The goddess was invented at the usenet discussion group alt.atheism as an alternative to other parody deities like Church of the SubGenius "J.R. Bob Dobbs" or Eris of the Discordianism. Quoting from the alt.atheism FAQ:
Like most Goddesses, she's invisible and highly unlikely to exist. However, there is much argument as to her exact colour, her shape and size, and other properties of her nonexistence. She burns with anger against theists, and allegedly grinds them beneath her holy hooves.
The "believers" famous sayings about faith in the invisible pink unicorn is that, like other religions, it is founded in science and faith. Science - that states that she must be invisible, since we cannot see her. Faith - because we know in our heart that the invisible pink unicorn exists. This is of course a parody of the theological reasoning of other religions
in Wilkipedia
por AP
Like most Goddesses, she's invisible and highly unlikely to exist. However, there is much argument as to her exact colour, her shape and size, and other properties of her nonexistence. She burns with anger against theists, and allegedly grinds them beneath her holy hooves.
The "believers" famous sayings about faith in the invisible pink unicorn is that, like other religions, it is founded in science and faith. Science - that states that she must be invisible, since we cannot see her. Faith - because we know in our heart that the invisible pink unicorn exists. This is of course a parody of the theological reasoning of other religions
in Wilkipedia
por AP
Subscrever:
Mensagens (Atom)

