Mircea Eliade, personagem polémico, singular, mas incontornável para quem gosta e se dedica a estudar os fenómenos atinentes às religiões, enquanto "escrúpulo",à mitologia, ao verbo, enquanto signo, terá dito: "A religião é a moral dos povos".
Hoje, apetece-me discorrer um pedaço sobre os 10 Mandamentos, não os da vulgata católica, mas sobre os originais, os hebraicos, entregues a Moisés e que serviram para estabelecer a Aliança entre YHVH e as tribos de Israel na fuga da diáspora no Egipto.
Estes Mandamentos estão vertidos no livro biblico do Êxodo 20:2-17 e repetidos no Deuterónimo 5:6-21.
Moisés "recebeu" as Tábuas no monte Horebe, na peninsula do Sinai quando encaminhava as tribos para a terra prometida d'Israel.
Aqui ficam:
"1- Eu sou YHVH, teu Deus [Elo.hím], que te fez sair da terra do Egipto, da casa dos escravos. Não terás outros deuses que ME [o Deus de Abraão]desafiem.
2-Não farás imagem esculpida [em hebraico péshel, equivalente a ídolos],que se pareça com o que há em cima nos céus, nem na terra, nem na águas por debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes prestarás culto, porque eu, YHVH, teu deus, sou Deus zeloso "Deus que exige devoção exclusiva" ou "Deus ciumento"; em hebraico El qan,ná e em grego Theós zelotes], e que pune o erro dos pais nos filhos até à terceira geração e ainda sobre a quarta geração dos que me odeiam, mas que uso da benevolência até à milésima geração dos que me amam e que cumprem os meus Mandamentos.
3-Não usarás o nome de YHVH, teu Deus, em vão [ou "de modo fítil", blasfémia] pois YHVH não considerará impunes os que usarem o seu nome em vão.
4-Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o Sábado [em hebraico, shab.báth]de YHVH, teu Deus.Nesse dia não farás trabalho algum. Nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está adentro das tuas portas. Porque em seis dias fez YHV o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há e ao sétimo dia descansou. Por isso o YHVH abençoou o dia do Sábado e o santificou."
Fico-me por aqui.
Amanhã continuarei até ao décimo.
Só YVHV é que laborou seis dias seguidos! Eu não posso tanto.
José Albergaria
quinta-feira, abril 10, 2008
quarta-feira, abril 09, 2008
O visual
Os blogs semelham muito cada um de nós.
Por vezes, ao acordar, mirando o espelho, não gostámos do que vemos.
Hoje, o Aqueduto Livre não gostou de se ver ao espelho.
Foi recauchutar-se e, com a promessa de, hoje em diante, discorrer, todos os dias, como soe dizer-se em "blogês": sobre o que lhe der na veneta.
José Albergaria
Por vezes, ao acordar, mirando o espelho, não gostámos do que vemos.
Hoje, o Aqueduto Livre não gostou de se ver ao espelho.
Foi recauchutar-se e, com a promessa de, hoje em diante, discorrer, todos os dias, como soe dizer-se em "blogês": sobre o que lhe der na veneta.
José Albergaria
segunda-feira, março 31, 2008
Frases & poemitas
"Sou amigo de Platão, mas amo a verdade!" Aristóteles.
"Só sei que nada sei." Sócrates
"Eu, nem isso sei." Pirro de Eleia
POETA MAIOR
A António Machado, poeta, maçon, sevilhano, andaluz, 26 de Julho de 1875, Sevilha a 22 de Fevereiro de 1939, Collioune/França.
Poeta, irmão
A tua terra,
Feita de mar,
Cerzida de verdes,
Paleta d’ocres,
Bordada a branco,
Pontilhada de negro,
Desenhou-te!
Impressiva, marcou teu “poemar”!
Pela campina,
Andaluza,
Ruminam toiros pelos pastos,
Para,
Soberbos, telúricos,
Estrelarem,
Quais actores circenses,
Em tardes,
Humanas,
D’heroísmo gratuito!
A tua poesia,
Luzeira,
Préclara,
Solar,
Semelha uma tarde d’Estio!
António,
Viveste o sonho republicano.
Partiste, destroçado,
À deriva,
Pelos trilhos funestos
Do amargo exílio.
Carregando a dor,
No colo de tua mãe,
Sucumbiste
De tristeza e saudade,
Nos caminhos parados
De “Collioune” a francesa.
António, meu irmão,
A tua memória atravessa
O arco-Íris da Espanha
Toda!
A tua poesia, poeta, essa
Vive no coração da humanidade
Toda!
António Machado,
Em teu louvor,
Seja esse o meu fado,
Eu, caminheiro audaz e sem pudor,
Hei-de reverdecer os antigos trilhos,
Caminhando,
Incipiente e inseguro,
Em silêncio, pela tua poesia
Toda!
Agosto 2006
José Albergaria
"Só sei que nada sei." Sócrates
"Eu, nem isso sei." Pirro de Eleia
POETA MAIOR
A António Machado, poeta, maçon, sevilhano, andaluz, 26 de Julho de 1875, Sevilha a 22 de Fevereiro de 1939, Collioune/França.
Poeta, irmão
A tua terra,
Feita de mar,
Cerzida de verdes,
Paleta d’ocres,
Bordada a branco,
Pontilhada de negro,
Desenhou-te!
Impressiva, marcou teu “poemar”!
Pela campina,
Andaluza,
Ruminam toiros pelos pastos,
Para,
Soberbos, telúricos,
Estrelarem,
Quais actores circenses,
Em tardes,
Humanas,
D’heroísmo gratuito!
A tua poesia,
Luzeira,
Préclara,
Solar,
Semelha uma tarde d’Estio!
António,
Viveste o sonho republicano.
Partiste, destroçado,
À deriva,
Pelos trilhos funestos
Do amargo exílio.
Carregando a dor,
No colo de tua mãe,
Sucumbiste
De tristeza e saudade,
Nos caminhos parados
De “Collioune” a francesa.
António, meu irmão,
A tua memória atravessa
O arco-Íris da Espanha
Toda!
A tua poesia, poeta, essa
Vive no coração da humanidade
Toda!
António Machado,
Em teu louvor,
Seja esse o meu fado,
Eu, caminheiro audaz e sem pudor,
Hei-de reverdecer os antigos trilhos,
Caminhando,
Incipiente e inseguro,
Em silêncio, pela tua poesia
Toda!
Agosto 2006
José Albergaria
terça-feira, março 25, 2008
segunda-feira, março 17, 2008
liberdades
sou a favor das manifestações quando elas pretendem que algo se mude, para melhor, ou melhor dito, para uma melhoria. Sou a favor das manifestações que tudo recusam, rejeitam e reivindicam liberdades individuais e comportamentais, como proibido proibir, a praia no asfalto, a avaliação pelo sotaque.
Sou a favor das manifestações que querem mudar. Custa-me a compreender as manifestações que querem manter o que está, sabendo que o que está não está certo estar e que há anos atrás combateram por estar. Lembro-me das decisões do Cardia, enquanto ministro da educação e que agora são defendidas, 20 anos depois, depois de tão criticadas, na rua, nas paredes, no parlamento e nos jornais. L'air du temps dá destas coisas.
Lembro-me da "geração rasca" que foi adulterada neste modelo educativo.
Já me custa a compreender manifestações com o gato escondido com o rabo de fora. Manifestações de conteudo de classe ou casta, mnifestações reclamadas de reivindicações meramente profissionais, expressam-se nas palavras de ordem, na expressão mediática como meras manisfestações políticas, do inclemente bota-abaixo, sem uma alternativa, um aceno do bota-acima.
Já muitas vezes, em 30 anos de Democracia ( quase sempre mais formal que participativa, mas sufragada no voto secreto, muitas vezes em contramão ao voto da rua) assistimos a este paradoxo: a ilusão do poder acreditar-se poder real.
O PCP, por exemplo,domina a Fenprof, tem capacidade organizativa, alimenta-se do resentimento, bajula a facilidade, apela ao estômago mais do que à cabeça e ao coração, o PCP, hoje um "produto menor" --nas suas propostas e não no seu direito-- da Democracia ( e não se esquecem os seus contributos para uma resistência ao fascismo, mas que nós, que saibamos, não vivemos no fascismo e as gerações mais novas já foram criadas nos vícios e virtudes da democracia), tem sempre combatido mais os governos de esquerda que os governos de direita, sejam eles liderados por Soares, Guterres ou Sócrates.
Tentar alguém dizer que o PCP, por ele próprio, e pela CGTP não manipulou a manifestação dos professores ou é ingenuidade ou condição de avestruz. Nenhuma organização de classe poderia colocar no Terreiro do Paço 100 mil pessoas. Para o PCP terá sido uma espécie de Festa do Avante! para docentes e afins.
Os professores querem ser avaliados mas ainda não agora. As vitórias de Pirro são proclamadas como grandes vitórias e nem sequer se lemram da célebre frase do aristoircrat latifundiário siciliano de "O Leopardo" de Tommasi Lampedusa, quando diz: " `E preciso mudar qualquer coisa para que tudo fique na mesma".
O que é que a Fenprof e o PCP conseguiram mudar? A qualidade do ensino? A qualidade dos professores? A sua dignificação pedagógica? A sua maior intervenção na comunidade? Ou tratou-se de uma mera reivindicação laboral escondida numa não muito trasparente reivindicação à avaliação, híbrida nas suas vertentes pedagógica e salarial?
( Zé, não sei como é que isto vai chegar ao blogue, pois perdi a primeira versão e não sei se esta chega emcondições. Coisas de aprendiz de blogue. Com o treino vamos lá).
Pedro Castelhano
Sou a favor das manifestações que querem mudar. Custa-me a compreender as manifestações que querem manter o que está, sabendo que o que está não está certo estar e que há anos atrás combateram por estar. Lembro-me das decisões do Cardia, enquanto ministro da educação e que agora são defendidas, 20 anos depois, depois de tão criticadas, na rua, nas paredes, no parlamento e nos jornais. L'air du temps dá destas coisas.
Lembro-me da "geração rasca" que foi adulterada neste modelo educativo.
Já me custa a compreender manifestações com o gato escondido com o rabo de fora. Manifestações de conteudo de classe ou casta, mnifestações reclamadas de reivindicações meramente profissionais, expressam-se nas palavras de ordem, na expressão mediática como meras manisfestações políticas, do inclemente bota-abaixo, sem uma alternativa, um aceno do bota-acima.
Já muitas vezes, em 30 anos de Democracia ( quase sempre mais formal que participativa, mas sufragada no voto secreto, muitas vezes em contramão ao voto da rua) assistimos a este paradoxo: a ilusão do poder acreditar-se poder real.
O PCP, por exemplo,domina a Fenprof, tem capacidade organizativa, alimenta-se do resentimento, bajula a facilidade, apela ao estômago mais do que à cabeça e ao coração, o PCP, hoje um "produto menor" --nas suas propostas e não no seu direito-- da Democracia ( e não se esquecem os seus contributos para uma resistência ao fascismo, mas que nós, que saibamos, não vivemos no fascismo e as gerações mais novas já foram criadas nos vícios e virtudes da democracia), tem sempre combatido mais os governos de esquerda que os governos de direita, sejam eles liderados por Soares, Guterres ou Sócrates.
Tentar alguém dizer que o PCP, por ele próprio, e pela CGTP não manipulou a manifestação dos professores ou é ingenuidade ou condição de avestruz. Nenhuma organização de classe poderia colocar no Terreiro do Paço 100 mil pessoas. Para o PCP terá sido uma espécie de Festa do Avante! para docentes e afins.
Os professores querem ser avaliados mas ainda não agora. As vitórias de Pirro são proclamadas como grandes vitórias e nem sequer se lemram da célebre frase do aristoircrat latifundiário siciliano de "O Leopardo" de Tommasi Lampedusa, quando diz: " `E preciso mudar qualquer coisa para que tudo fique na mesma".
O que é que a Fenprof e o PCP conseguiram mudar? A qualidade do ensino? A qualidade dos professores? A sua dignificação pedagógica? A sua maior intervenção na comunidade? Ou tratou-se de uma mera reivindicação laboral escondida numa não muito trasparente reivindicação à avaliação, híbrida nas suas vertentes pedagógica e salarial?
( Zé, não sei como é que isto vai chegar ao blogue, pois perdi a primeira versão e não sei se esta chega emcondições. Coisas de aprendiz de blogue. Com o treino vamos lá).
Pedro Castelhano
quarta-feira, março 12, 2008
O sal e a pimenta
Contrariamente a um mito instalado, o sal e a pimenta não têm, ab initio, a intenção de fornecer sabores acrescidos aos alimentos. A sua importância situava-se, antes da congelação e dos frigorificos, na necessária, quanto vital, urgência na preservação dos alimentos.
Daqui decorreu, durante anos, décadas, séculos mesmo, o enorme papel que o sal teve na nossa economia, nas nossas exportações, na nossa balança comercial.
A epopeia dos Mares, as descobertas, a Expansão marítima, assentou, precisamente, na demanda das especiarias, não para temperar, mas, ao invés, para preservar.
Hoje, o significado virou significante, alterou-se a qualidade da coisa.
Ao misturar o sal, a pimenta, nos produtos alimentares, naqueles idos do medievo, iniciou-se um processo de alteração nos sabores, na textura e no modo de degustar as comidas.
Hoje tem-se em conta o sal nas doenças do século: as hipertensões, os AVC, as maleitas das coronárias, o colesterol e tuti et quanti!
Mas este post não visa, longe disso, circundar a alimentação, os gostos e sabores e, menos ainda, perorar sobre saúde.
As relações humanas carecem, como aprendi nas teorias sobre comunicação e relações interpessoais, de uma dose de tensão, de conflitualidade, de algum sal e pimenta, que renovam e trasmutam as qualidades do próprio relacionamento, de amizade, de companheirismo, de camaradagem, de amor, até.
Quando a relação está confusa ou até mortiça, acrescenta-se um pouco de sal, pimenta a gosto e deixa-se (por vezes é aconselhável, em lume brando, para não se perderem os sucos e as propriedades das matérias primas...
Mas ele há casos, em que já não basta o sal e a pimenta. É necessário outro tipo de condimentos: humildade, frontalidade, lealdade, e, sobretudo, um entendimento universal sobre categorias que são "absolutos", sendo a AMIZADE um deles.
Basta de gastronomia!
José Albergaria
terça-feira, março 11, 2008
E, uma vez mais, a AMIZADE...
AMIZADE
Na vida, nos seus sobressaltos,
Tropeçámos, a cada passo;
No amor, nos seus solavancos,
Tropeçámos, a cada curva;
Na política, nos seus ziguezagues,
Tropeçámos, em cada ciclo;
Na fé, nas suas igrejas,
Tropeçámos, por cada conversão;
Na guerra, nas suas funestas misérias,
Tropeçámos, malgrado o nosso não querer;
Na amizade, amor fraterno,
Tropeçámos, é certo, mas
Nos alevantámos
Sempre!
Agosto 2006
Na vida, nos seus sobressaltos,
Tropeçámos, a cada passo;
No amor, nos seus solavancos,
Tropeçámos, a cada curva;
Na política, nos seus ziguezagues,
Tropeçámos, em cada ciclo;
Na fé, nas suas igrejas,
Tropeçámos, por cada conversão;
Na guerra, nas suas funestas misérias,
Tropeçámos, malgrado o nosso não querer;
Na amizade, amor fraterno,
Tropeçámos, é certo, mas
Nos alevantámos
Sempre!
Agosto 2006
José Albergaria
E porque hoje é terça-feira (dia em que festejamos a amizade) apetece-me falar de Escola Pública...
Pelas terças-feiras, festejamos a amizade em luzidia tertúlia.
Na tertúlia tudo se questiona, tudo se discute, todas as certezas se tornam relativas.
Respeitamos TODAS as singularidades, TODAS as opiniões, todas as sensibilidades.
Falámos do Sócrates, falámos da Saúde, da Educação, da Segurança.
Não gostámos deste Ministro, daquele Secretário de Estado, daquele Director Geral.
Gostámos de literatura, de cinema, de história e, também, de "gajas", de bom vinho, de boa comida e de viagens.
Discutimos, bastas vezes, como salvar a Pátria.
Mas, como dizia o outro, só nos falta mesmo é "salvá-la!"
Mas, na NOSSA tertúlia, como aqui, neste blog, que agora se recentrou, exclusivamente, para os seus "fundadores", há coisas que não têm discussão, que são ABSOLUTOS:
1/ A LIBERDADE!
2/ A AMIZADE!
É por amor a estes dois princípios indiscutíveis e incontornáveis que temos a LIBERDADE (e o fazemos consistentemente) de escolher os NOSSOS amigos!...
José Albergaria
PS - Não falei de Escola Pública?...impúdico esquecimento!
Hoje já não me calha.
A amizade é SEMPRE mais importante do que TUDO o resto e, mesmo, a SOMA da vida.
Na tertúlia tudo se questiona, tudo se discute, todas as certezas se tornam relativas.
Respeitamos TODAS as singularidades, TODAS as opiniões, todas as sensibilidades.
Falámos do Sócrates, falámos da Saúde, da Educação, da Segurança.
Não gostámos deste Ministro, daquele Secretário de Estado, daquele Director Geral.
Gostámos de literatura, de cinema, de história e, também, de "gajas", de bom vinho, de boa comida e de viagens.
Discutimos, bastas vezes, como salvar a Pátria.
Mas, como dizia o outro, só nos falta mesmo é "salvá-la!"
Mas, na NOSSA tertúlia, como aqui, neste blog, que agora se recentrou, exclusivamente, para os seus "fundadores", há coisas que não têm discussão, que são ABSOLUTOS:
1/ A LIBERDADE!
2/ A AMIZADE!
É por amor a estes dois princípios indiscutíveis e incontornáveis que temos a LIBERDADE (e o fazemos consistentemente) de escolher os NOSSOS amigos!...
José Albergaria
PS - Não falei de Escola Pública?...impúdico esquecimento!
Hoje já não me calha.
A amizade é SEMPRE mais importante do que TUDO o resto e, mesmo, a SOMA da vida.
sexta-feira, março 07, 2008
Uma ladainha que eu muito gosto
"Chi vó non pó
Chi pó non vó
Chi fá non sá
Chi sá non fá
E cosi vá il
Mondo molto male..."
De autor que eu desconheço.
José Albergaria
Chi pó non vó
Chi fá non sá
Chi sá non fá
E cosi vá il
Mondo molto male..."
De autor que eu desconheço.
José Albergaria
Pessimismo versus optimismo
Nestes tempos em que o principio da incerteza e as insanidades dominam os povos, os estados e apoderam-se muitas das vezes dos líderes nacionais, este confronto dual, entre optimistas e pessimistas, adquire contornos impressivos.
Há até aquele trocadilho que vem sempre a calhar nesta disputa entre a qualidade do PESSIMISTA e a bondade do OPTIMISTA:
1- O optimista é um pessimista bem informado;
2- O pessimista não passa dum optimista bem informado.
As abordagens à realidade mutante e actual, podem fazer-se de modos vários.
É, sempre, possível falar e/ou escrever sobre qualquer assunto a partir de sensações, sentimentos, insuficiência de informação. No entanto, em temas de melindre, polémicos, em torno dos quais se foram segregando demasiados preconceitos, é de todo aconselhável prudência e, sobretudo, bom senso.
Ele há entusiasmos que nos levam, quando confrontados, por exemplo, com a História e a historiografia existente sobre o TEMA, a becos sem saída e, às vezes, nos empurram mesmo para uma certa impertinência e agressividade gratuíta.
A questão israelo-arabe, ou, mais precisamente, o confronto belicista israelo-palestino (os antigos filisteus da Biblia)é um desses casos, em torno do qual, recorrentemente, se dizem e fazem muitos disparates...
Quando nos remetemos ao nosso silêncio de incompetência e ignorância...tudo bem! Mas quando falámos, sem termos medo do ridículo,ou de modo irresponsável, aí já a porca torce o rabo.
Como dizia o romântico alemão, que tão bem versificou o "demónio", na alegoria do Dr. Faustus: "Nada é mais terrível que uma ignorância activa", Johann Wolfgang von Goethe.
Com pessimismo me despeço (porque o futuro futurável não se recomenda..)e com optimismo me subscrevo (porque acredito na humana Humanidade...),
José Albergaria
Há até aquele trocadilho que vem sempre a calhar nesta disputa entre a qualidade do PESSIMISTA e a bondade do OPTIMISTA:
1- O optimista é um pessimista bem informado;
2- O pessimista não passa dum optimista bem informado.
As abordagens à realidade mutante e actual, podem fazer-se de modos vários.
É, sempre, possível falar e/ou escrever sobre qualquer assunto a partir de sensações, sentimentos, insuficiência de informação. No entanto, em temas de melindre, polémicos, em torno dos quais se foram segregando demasiados preconceitos, é de todo aconselhável prudência e, sobretudo, bom senso.
Ele há entusiasmos que nos levam, quando confrontados, por exemplo, com a História e a historiografia existente sobre o TEMA, a becos sem saída e, às vezes, nos empurram mesmo para uma certa impertinência e agressividade gratuíta.
A questão israelo-arabe, ou, mais precisamente, o confronto belicista israelo-palestino (os antigos filisteus da Biblia)é um desses casos, em torno do qual, recorrentemente, se dizem e fazem muitos disparates...
Quando nos remetemos ao nosso silêncio de incompetência e ignorância...tudo bem! Mas quando falámos, sem termos medo do ridículo,ou de modo irresponsável, aí já a porca torce o rabo.
Como dizia o romântico alemão, que tão bem versificou o "demónio", na alegoria do Dr. Faustus: "Nada é mais terrível que uma ignorância activa", Johann Wolfgang von Goethe.
Com pessimismo me despeço (porque o futuro futurável não se recomenda..)e com optimismo me subscrevo (porque acredito na humana Humanidade...),
José Albergaria
quarta-feira, março 05, 2008
Cruzeiro Seixas: poeta & pintor
Cruzeiro,
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.
Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.
Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Labirinto da Saudade »,
Mínima figura,
Zero Moldura.
Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.
Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em campina d’ameixas.
José Albergaria
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.
Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.
Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Labirinto da Saudade »,
Mínima figura,
Zero Moldura.
Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.
Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em campina d’ameixas.
José Albergaria
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
experiência
josé, penso ter descoberto o caminho das pedras. E já agora começarei a escrever com maior assiduidade. Não vou revelar sequer que o Pina Moura foi cativado (agradável eufemismo) para o PCP , em 1972, pelo Arnaldo Mesquita do Público, antigo jornalista do Diário e que era profundamente sectário. Que eu o diga que tive de o aturar a chamar-me anti-comunista numa campanha eleitoral, creio que em 1983, em que o Vasco Gonçalves, apoiado pelo Borges Coelho ( este bom homem estava fazer o seu papel, sem acreditar no papel que fazia) defendia a independência portuguesa do 1385,como uma revolução marxista. Como o comício foi montado numa gigantesca tenda, creio que na Fernão Magalhães, no Porto, eu titulei a minha peça como "A História foi ao circo". Não gostaram.
Mais tarde, zangaram-se também comigo, porque em "O Jornal" de boa memória, que sendo jornal era semanário, eu fiz um perfil de Alváro Cunhal, intitulando-o de "ABC dos comunistas". O ABC não passava das iniciais do nome do Cunhal: Álvaro Barreirinhas Cunhal.
Agora, que entrei definitivamente no grupo etário daqueles que não têm nome quando são atropelados, os sexagenários dos bares que vão morrendo, desencantados com o futuro, que já relêem mais do que lêem, avessos aos acordos ortográficos, mal sabemos o que havemos de fazer com o nosso passado. Torná-lo futuro? Ou dizermos que a história é a memória do futuro?
São tantas as presenças como os dias que me faltam. As tardes longínquas e melancólicas com o Assis Pacheco no Fim de Século e no Hotel Britânia, as noites longas e sem cansaço, tão só de nostalgia transmontana, de uma ruralidade que não perdíamos, com o Afonso Praça, esse sólido mais líquido que me foi dado conhecer, esse odre de ternura, que passou de mansinho pela vida como se tivesse sempre a pedir desculpa pelo talento que tinha. As noites, longas, muito longas, em que o álcool corria como um regato de afectos contidos, mas sem fim, com o Cardoso Pires, entre o colérico, o iconoclasta, mas o melhor contador de histórias dos bas-fonds desta cidade ( leia-se Lisboa) que tanto amava. O Cardoso Pires, era de ódios e amores. E tinha muito mau perder, como ele próprio confessava.
E depois o Luís, o Sttau Monteiro, o mais admirável e generoso mentiroso que me foi dado conhecer. Escrevia à minha frente a Guidinha, numa Hermes pesada, a correr, que tinha que ir a algum lado. Efabulador, grande cozinheiro na sua casa de Campo de Ourique, inveterado bebedor de gin, homem de muitos encantos, de um charme muito britânico, de uma ironia corrosiva, era, porém, tansbordante nos afectos para os seus amigos. Morreu ainda as últimas rosas não tinham florido.
Hoje, proclamam-se os best-sellers de aeroporto, lidos enquanto se mascam pastilhas; os jornais são economicamente obedientes, reverentes e pouco venerandos; a mediocridade, mas com boas maneiras, é um bom princípio para o sucesso. O país é apenas o reflexo do país, não a sua realidade. Utiliza-se o espelho como se fosse a verdadeira face. A imagem do rosto secundariza o rosto. Querem-nos impôr uma clandestinidade ética, tornar a norma da virtude como um desvio. Um perigoso desvio que deve ser tratado ou combatido.
Querem-nos sem ideologia, assépticos, flor artifical, sem cheiro, mesmo do suor, sem tabaco ( se no céu não se pode fumar, eu não quero ir para o céu, escreveu Mark Twain), tão limpos que querem transformar a cidade num imenso hospital com multidões saudáveis mas proibidas de transgredir.
Querem proibir a transgressão; são os inquisidores do interdito; os que definem a liberdade dos outros, como se a liberdade não fosse um valor individual; que tentam pôr um chip na nossa alma e controlar os nossos sonhos, e isto tudo para que vivamos mais anos a criar mais problemas à Segurança Social.Querem-nos clonados, sejamos novos ou velhos, querem-nos tão iguazinhos a ponto de um dia conseguirem que nós não saibamos quem somos. Apenas eles sabem, nos seus arquivos, o que nós fomos.
Já cá não estarei por certo, quando algumas liberdades e indignações utópicas não passarem de mero estudo académico para teses de doutoramento, tão bem comportadas que até Júlio Dantas vai ser considerado, a par de José Rodrigues dos Santos, um génio injustamente ignorado por esses libertinos cuja memória é proibido recordar...
Pedro Castelhano
Mais tarde, zangaram-se também comigo, porque em "O Jornal" de boa memória, que sendo jornal era semanário, eu fiz um perfil de Alváro Cunhal, intitulando-o de "ABC dos comunistas". O ABC não passava das iniciais do nome do Cunhal: Álvaro Barreirinhas Cunhal.
Agora, que entrei definitivamente no grupo etário daqueles que não têm nome quando são atropelados, os sexagenários dos bares que vão morrendo, desencantados com o futuro, que já relêem mais do que lêem, avessos aos acordos ortográficos, mal sabemos o que havemos de fazer com o nosso passado. Torná-lo futuro? Ou dizermos que a história é a memória do futuro?
São tantas as presenças como os dias que me faltam. As tardes longínquas e melancólicas com o Assis Pacheco no Fim de Século e no Hotel Britânia, as noites longas e sem cansaço, tão só de nostalgia transmontana, de uma ruralidade que não perdíamos, com o Afonso Praça, esse sólido mais líquido que me foi dado conhecer, esse odre de ternura, que passou de mansinho pela vida como se tivesse sempre a pedir desculpa pelo talento que tinha. As noites, longas, muito longas, em que o álcool corria como um regato de afectos contidos, mas sem fim, com o Cardoso Pires, entre o colérico, o iconoclasta, mas o melhor contador de histórias dos bas-fonds desta cidade ( leia-se Lisboa) que tanto amava. O Cardoso Pires, era de ódios e amores. E tinha muito mau perder, como ele próprio confessava.
E depois o Luís, o Sttau Monteiro, o mais admirável e generoso mentiroso que me foi dado conhecer. Escrevia à minha frente a Guidinha, numa Hermes pesada, a correr, que tinha que ir a algum lado. Efabulador, grande cozinheiro na sua casa de Campo de Ourique, inveterado bebedor de gin, homem de muitos encantos, de um charme muito britânico, de uma ironia corrosiva, era, porém, tansbordante nos afectos para os seus amigos. Morreu ainda as últimas rosas não tinham florido.
Hoje, proclamam-se os best-sellers de aeroporto, lidos enquanto se mascam pastilhas; os jornais são economicamente obedientes, reverentes e pouco venerandos; a mediocridade, mas com boas maneiras, é um bom princípio para o sucesso. O país é apenas o reflexo do país, não a sua realidade. Utiliza-se o espelho como se fosse a verdadeira face. A imagem do rosto secundariza o rosto. Querem-nos impôr uma clandestinidade ética, tornar a norma da virtude como um desvio. Um perigoso desvio que deve ser tratado ou combatido.
Querem-nos sem ideologia, assépticos, flor artifical, sem cheiro, mesmo do suor, sem tabaco ( se no céu não se pode fumar, eu não quero ir para o céu, escreveu Mark Twain), tão limpos que querem transformar a cidade num imenso hospital com multidões saudáveis mas proibidas de transgredir.
Querem proibir a transgressão; são os inquisidores do interdito; os que definem a liberdade dos outros, como se a liberdade não fosse um valor individual; que tentam pôr um chip na nossa alma e controlar os nossos sonhos, e isto tudo para que vivamos mais anos a criar mais problemas à Segurança Social.Querem-nos clonados, sejamos novos ou velhos, querem-nos tão iguazinhos a ponto de um dia conseguirem que nós não saibamos quem somos. Apenas eles sabem, nos seus arquivos, o que nós fomos.
Já cá não estarei por certo, quando algumas liberdades e indignações utópicas não passarem de mero estudo académico para teses de doutoramento, tão bem comportadas que até Júlio Dantas vai ser considerado, a par de José Rodrigues dos Santos, um génio injustamente ignorado por esses libertinos cuja memória é proibido recordar...
Pedro Castelhano
terça-feira, fevereiro 19, 2008
E mesmo assim a terra move-se...
O maravilhoso mundo novo da blogosfera está, cada vez mais, mexido e em turbulência histriónica.
A erudição, o pluralismo, o bom-gosto, a qualidade gráfica, as competências técnicas que por aí perpassam - não estão, no entanto, em linha com o necessário bom-senso que um MUNDO como este (libérrimo, sem constrangimentos, sem censuras...)deveria aconselhar.
Na nossa doméstica blogosfera campeia, actualmente, creio mesmo ser lidere d'audiências o "mistério", embrulhado em vários anátemas e confusões ( de conceitos, de categorias, de mundividências, mesmo até de préconceitos e etc.)de: quem s'esconde por trás do nome do bloger Miguel Abrantes que "controla" o Câmara Corporativa.
Portanto, senti-me na ingente necessidade e no urgente dever de cidadania de intervir nesta polémica, não para ajudar quem quer que seja ou contribuir para o que fosse, mas para complicar.
Sim, porque cada um de nós nasceu com uma missão bem definida: enfernizar a vida ao seu semelhante e, quando as coisas estiveram a andar menos mal,é curial inventarmos um drama, quiçá uma tragédia!
Continuamos, em meu entendimento, com aquela velha muleta: eu, je, moi, penso bem; os governos, dum modo geral, não prestam e, em Portugal, é necessário ter linhagem para ir a Ministro (secretário de estado não conta e, menos ainda Director-geral, excepto o "defunto" Paulo Macedo porque pertencia ao Opus Dei!...e era muito competente, tinha mau feitio e trabalhava durante as férias.)
A direita travestida, reciclada, transmutada, bem adaptada à Nova Democracia, produto da "Abrilada de 1974", entende, hoje, que um rapazinho vindo da Covilhã, de Castelo Branco, de Trás-os-Montes (não se sabe bem donde!...), sem curriculo que se apresente, com um percurso académico/profissional um pedaço confuso, com um nome grego, tenha chegado a Primeiro-Ministro de Portugal.
E, espantamento espantoso, o rapazinho trabalha, dedica-se à causa pública, trata do corpo, é determinado, ataca o que está mal em Portugal (nem sempre da melhor maneira...), quer reformar o País e introduzir novos paradigmas (há quem ainda cultue os velhos...)em Portugal e nos portugueses!
Ora bem!, se eu percebo que para a direita isto não seja bem entendido (por que lhe estraga o negócio e lhe rouba os clientes), já para as esquerdas não consigo mesmo perceber a sanha, a ausência de vontade de diálogo, de intenção de alianças (tirando a interrupção da gravidez e, mesmo nesse caso o PCP esteve em desacordo sobre o modus operandi: referendo e/ou votação em sede do Parlamento...) etc.
Os criticos mais descabelados, mais contundentes, mais acérrimos: a esquerdas. As perguntas que se podem fazer: e alternativas? e modo diverso de fazer? e soluções estratégicas? e quem está, neste momento, em Portugal a produzir pensamento para demandar "novas Indias a haver"?
Ora bem, cá estou eu a complicar.
É mesmo de propósito.
Mas estávamos a tentar resolver o mistério, não da estrada de Sintra, mas quem é o gábiru que se esconde atrás do Miguel Abrantes?!
Aqui é que bate o ponto e este ponto é determinente não só para Portugal como destino, mas para o futuro dos portugueses nas próximas, pelo menos, cinco gerações!
Deixo aqui algumas pistas.
Atrás (ou à frente tanto monta...) do tal NOME podem estar:
Hipótese 1 - Domingos Abrantes (dirigente do PCP);
Hipótese 2 - Abrantes Mendes, Juíz e antigo dirigente do futebol;
Hipótese 3- José Manuel Abrantes, antigo administrador da Valorsul;
Hipótese 4- Marquês de Abrantes, Marechal Junot (agora que estamos em tempo de bicentenário das invasões francesas vinha mesmo a calhar...);
Hipótese 5- Marquesa de Abrantes;
Hipótese 6- Abilio Abrantes, antigo patrão da Agenda da RTP;
Hipótese 7- É a que me parece mais provável, José Arantes,que retira um b por timidez e desfaçatez (para quem não se recordar é jornalista e foi assessor de...Cavaco Silva!).
O sete, que é o número dos Mestres, a hipótese, entenda-se, tem toda a probabilidade de ser o gajo que se esconde atrás do dito facinora Miguel Abrantes!É jornalista e foi/é assessor!
Pensando ter dado um contributo decisivo para pensar como salvar a Pátria ...agora só falta mesmo é salvá-la!Mas hoje não me calha tamanha tarefa! Talvez amanhã...
Com o sentimento do dever pátrio cumprido e sustentando que, nesta linha botabaixista,estamos a caminho do V Império, estamos a vislumbrar o futuro radioso e os amanhãs que cantam (admite-se a possibilidade de virem a desafinar...), me subscrevo com os protestos (ou sem...) da minha mais elevada preocupação pelo estado de sitio em que se encontra a blogoesfera,
José Albergaria
A erudição, o pluralismo, o bom-gosto, a qualidade gráfica, as competências técnicas que por aí perpassam - não estão, no entanto, em linha com o necessário bom-senso que um MUNDO como este (libérrimo, sem constrangimentos, sem censuras...)deveria aconselhar.
Na nossa doméstica blogosfera campeia, actualmente, creio mesmo ser lidere d'audiências o "mistério", embrulhado em vários anátemas e confusões ( de conceitos, de categorias, de mundividências, mesmo até de préconceitos e etc.)de: quem s'esconde por trás do nome do bloger Miguel Abrantes que "controla" o Câmara Corporativa.
Portanto, senti-me na ingente necessidade e no urgente dever de cidadania de intervir nesta polémica, não para ajudar quem quer que seja ou contribuir para o que fosse, mas para complicar.
Sim, porque cada um de nós nasceu com uma missão bem definida: enfernizar a vida ao seu semelhante e, quando as coisas estiveram a andar menos mal,é curial inventarmos um drama, quiçá uma tragédia!
Continuamos, em meu entendimento, com aquela velha muleta: eu, je, moi, penso bem; os governos, dum modo geral, não prestam e, em Portugal, é necessário ter linhagem para ir a Ministro (secretário de estado não conta e, menos ainda Director-geral, excepto o "defunto" Paulo Macedo porque pertencia ao Opus Dei!...e era muito competente, tinha mau feitio e trabalhava durante as férias.)
A direita travestida, reciclada, transmutada, bem adaptada à Nova Democracia, produto da "Abrilada de 1974", entende, hoje, que um rapazinho vindo da Covilhã, de Castelo Branco, de Trás-os-Montes (não se sabe bem donde!...), sem curriculo que se apresente, com um percurso académico/profissional um pedaço confuso, com um nome grego, tenha chegado a Primeiro-Ministro de Portugal.
E, espantamento espantoso, o rapazinho trabalha, dedica-se à causa pública, trata do corpo, é determinado, ataca o que está mal em Portugal (nem sempre da melhor maneira...), quer reformar o País e introduzir novos paradigmas (há quem ainda cultue os velhos...)em Portugal e nos portugueses!
Ora bem!, se eu percebo que para a direita isto não seja bem entendido (por que lhe estraga o negócio e lhe rouba os clientes), já para as esquerdas não consigo mesmo perceber a sanha, a ausência de vontade de diálogo, de intenção de alianças (tirando a interrupção da gravidez e, mesmo nesse caso o PCP esteve em desacordo sobre o modus operandi: referendo e/ou votação em sede do Parlamento...) etc.
Os criticos mais descabelados, mais contundentes, mais acérrimos: a esquerdas. As perguntas que se podem fazer: e alternativas? e modo diverso de fazer? e soluções estratégicas? e quem está, neste momento, em Portugal a produzir pensamento para demandar "novas Indias a haver"?
Ora bem, cá estou eu a complicar.
É mesmo de propósito.
Mas estávamos a tentar resolver o mistério, não da estrada de Sintra, mas quem é o gábiru que se esconde atrás do Miguel Abrantes?!
Aqui é que bate o ponto e este ponto é determinente não só para Portugal como destino, mas para o futuro dos portugueses nas próximas, pelo menos, cinco gerações!
Deixo aqui algumas pistas.
Atrás (ou à frente tanto monta...) do tal NOME podem estar:
Hipótese 1 - Domingos Abrantes (dirigente do PCP);
Hipótese 2 - Abrantes Mendes, Juíz e antigo dirigente do futebol;
Hipótese 3- José Manuel Abrantes, antigo administrador da Valorsul;
Hipótese 4- Marquês de Abrantes, Marechal Junot (agora que estamos em tempo de bicentenário das invasões francesas vinha mesmo a calhar...);
Hipótese 5- Marquesa de Abrantes;
Hipótese 6- Abilio Abrantes, antigo patrão da Agenda da RTP;
Hipótese 7- É a que me parece mais provável, José Arantes,que retira um b por timidez e desfaçatez (para quem não se recordar é jornalista e foi assessor de...Cavaco Silva!).
O sete, que é o número dos Mestres, a hipótese, entenda-se, tem toda a probabilidade de ser o gajo que se esconde atrás do dito facinora Miguel Abrantes!É jornalista e foi/é assessor!
Pensando ter dado um contributo decisivo para pensar como salvar a Pátria ...agora só falta mesmo é salvá-la!Mas hoje não me calha tamanha tarefa! Talvez amanhã...
Com o sentimento do dever pátrio cumprido e sustentando que, nesta linha botabaixista,estamos a caminho do V Império, estamos a vislumbrar o futuro radioso e os amanhãs que cantam (admite-se a possibilidade de virem a desafinar...), me subscrevo com os protestos (ou sem...) da minha mais elevada preocupação pelo estado de sitio em que se encontra a blogoesfera,
José Albergaria
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
O mundo novo da blogoesfera...

Por estes dias, meses, quiçá anos, a blogoesfera ganhou uma dimensão, uma qualidade e uma efervescência que condiciona costumes, pensamentos, comportamentos e ainda agendas...culturais, políticas, informativas e opinativas.
Ultimamente, além da nossa, modesta, política portuguesa e aquela que é suposta estar sedeada no Governo, vidé Sócrates (Lei do tabaco, reformas na saúde e no ensino, remodelação governamental...), temos as Primárias nos USA (sobre as quais os bloguistas recorrem, profusamente, a textos e imagens oriundas, no original, dos USA, sem legendas nem dobragem...), temos as efemérides (regícidio, Vieira e etc...), temos o folhetim Carvalho da Silva (fica, ou não fica à frente da CGTP) e, nos últimos dias tivemos o folhetim da "censura" do Expresso em relação a um texto indigente duma presunta colaboradora daquele Semanário - que ninguém conhece.
Em tudo isto vemos emergir, como lama viscosa que se nos cola ao corpo, de modo impressivo, a nossa "alma" nacional, os nossos mitemas, os nossos traumas, as nossas misérias, os nossos sonhos, os "fumos das Indias", o sebastianismo, o Vº Império e quejandos.
Creio que, nestes tempos de desconcerto, faz sentido recuperar o "emblema" do Abrupto do JPP, roubado ao Sá de Miranda "... M'espanto às vezes, outras m'avergonho...".
Releia-se "As Farpas" e percebemos que o patriotismo criticista dos de 70 vale, hoje, o que valia naqueles idos finiseculares (talvez até mais, com a inflação!...): releiam e, depois, ponderem onde estamos como Povo, como comunidade!...
Jorge de Sena (hoje, um mal amado, mas de obrigatória e sã leitura) disse uma coisa espantosa, daquelas mesmo de espantar!:"Camões soube transformar em obra d'arte o povo mais anárquico do mundo...".
Do Padre Vieira, dizem os comentadores encartados que foi um enorme cultor da nossa lingua ( e do latinório, já agora que aqui estamos), que foi travesso, que brigou nos brasís contra a Santa Inquisição e mais blá, blá e blá...Mas Vieira era, também, Jesuita (Companhia que foi inventada para dar combate à Reforma de Martinho Lutero e para demandar os Orientes civilizados, e nasceu na nossa muito amada Espanha/Castela...), e era mestiço, e era cultor duma certa "doudice".
Esta nossa mania de só dizer bem - dos defuntos! Este nosso jeito de pintar os defuntos às cores e, os vivos, sempre a P&B!
Disse Vieira: "Todos os que na matéria de Portugal se guiaram pelo discurso erraram e se perderam". Guilherme d'Oliveira Martins disse de Vieira (fora deste afã festeiro..):"A força argumentativa da razão (que tão bem cultivou) havia de se alcançar «com mistura de doudice»."
Alguém disse (creio que é um aforismo popular):"Depois de mim virá quem bem de mim dirá".
Nós, portugueses (dum modo geral...), temos um jeito muito peculiar para a intriga, para o maldizer, para a opinião gratuita (sem sustentação, nem argumentário, nem competência, nem informação que nos valha...)- só porque nos apetece, para cavalgarmos a onda,para, como a gaivota, apontarmos, sempre, para onde sopram os ventos.
Os anarquistas espanhóis, creio que ao tempo da República, nos anos 30 do século passado, tinham um dito, que era todo um programa: "Hay gobierno, soy contra!"
Neste dito, a nossa costela anarquista aí poderia estar plasmada.
Somos, todos,assim? Em demanda do Messias, à espera de D. Sebastião, maldizentes, invejosos, vaidosos, incompetentes,videirinhos, malandros, intriguistas,desconcertantes...Claro que não.
Há notáveis vultos, de antanho e coevos que tinham/têm um outro olhar sobre Portugal e os portugueses: D. Dinis, o Infante D.Pedro (filho de D.João I. Releiam a sua espantosa carta de Bruges...), D.João II, Afonso de Albuquerque, Damião de Góis, o Marquês de Pombal, Almeida Garrett, Alexandre Herculano,D. Pedro V, Oliveira Martins (quase toda a geração de 70)e, mais recentemente, José Mattoso e Eduardo Lourenço.
Na ciência e na tecnologia actuais, temos gigantes (Sobrinho Simões, Professor Quintanilha, Lobo Antunes, Casal Damásio, etc). Temos quase 50 investigadores no CERN, na Suiça. Tesmo tecnologia NOSSA nas aeronaves da NASA e no Programa GPS/Galileu da UE...
Muitos mais NOMES poderia listar, mas estes, poucos, servem só para ilustrar a minha "intenção"...
Estamos bem, como País?
Estamos mal, como Povo?
Depende, do que colocarmos antes, como pressupostos, destas perguntas.
Estamos melhor que no tempo de Salazar? Estamos melhor do que antes de termos aderido à CEE?
Sem sombra de dúvidas e em todos os itenes que utilizarmos. Então, ele há um que é mesmo um absoluto: a Liberdade! Eu sou daqueles que não discuto, nem negoceio, este Bem impressivo, inquestionável e de valor inestimável!
Estamos numa curva apertada do nosso devir como Povo e como Nação? Claro que sim.
O que se está a fazer, em nosso nome, está bem feito? Não sei.
O futuro (uma vez mais, o futuro...) no-lo dirá. A história nos há-de julgar (não só aos governantes,aos actores principais...)a TODOS.
Nestes tempos, em que o principio da incerteza, por todas as razões (e mais uma, que não estamos a ter em conta...)domina todos os tabuleiros - da política até às belas-artes, sustento e defendo com genuina crença - que há razões para ter confiança e acreditarmos que, "amanhã" o mundo poderá ser melhor.
Esta crença, paraliza-me?
Nem um pouco.
Dá-me, outrossim, o ensejo e a vontade de ir a contra-corrente, de não me deixar enredar em sonhos por cumprir, ou em projectos oportunistas, ou em derivas de enriquecimento fácil, ou em carreiras políticas ou de poder, sempre coisa éfemera, para justificar escolhas de passado mal feitas, derrotadas ou mal avaliadas.
Hoje, agora mesmo, quero tentar entender, quero saber,quero experimentar compreender, sem preconceitos, sem vendas para...para, singela ambição, SER MELHOR COMO HOMEM, e em cada dia que passa.
Quero procurar a VERDADE, em qualquer situação (coisa pequena!...) e a luz que ilumina e nos guia pelos trilhos da Humanidade.
José Albergaria
quinta-feira, outubro 04, 2007
Para a ex-Birmânia com amor....

Hoje acordei ao "som" metálico emitido há 50 anos pelo Sputnik, enviado pelas autoridades espaciais soviéticas , da ex-URSS, para a Lua, assinalando então, uma vitória tremenda destes sobre os USA.
Dizem-me que a emergência da Internet, sistema multipolar de envio e recepção de informação, terá sido "inventado" e agilizado pelos USA, como resposta a esta enorme vitória soviética!
Hoje estámos perante um feito notável da Humanidade,histórico, impressivo, que permitio aos astronautas americanos, anos mais tarde, quando alunaram, afirmarem: "Um pequeno passo para o homem, um imenso passo para a Humanidade!".
Pois, deveria ser neste terreno que as humanas criaturas se deveriam situar, trabalhar, procurar, descobrir e, sobretudo, cooperar! Infelizmente assim não é.
O que quero deixar, hoje, aqui, neste modestisssimo blog é uma mensagem, não tão importante quanto aquele som metálico da Sputnik, mas ainda assim merecedor de ser ouvido e em direcção ao povo da ex-Birmânia (Myanamar...parece que é assim que se escreve....), de desejos de Paz, de democracia, de direitos humanos plenos e do fim da ditadura sanguinária, militar e desumana.
Quero ainda desejar que a resposta internacional se mantenha activa e fulgurante, mas que bata onde é fundamental que ocorra: nas autoridades chinesas, que sustentam há décadas este regime inominável, medieval, que carrega milhares de assassinatos, torturas inenarráveis e sem pinga de vergonha!
Que as nossa "preces" bloguistas se cumpra, nesta data fantástica para a Humanidade!
José Albergaria
sexta-feira, setembro 28, 2007
versilibrismo versus surrealismo
Cruzeiro,
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.
Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.
Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Canto do signo »,
Mínima figura,
Zero Moldura.
Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.
Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em ceira d’ameixas.
José Albergaria
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.
Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.
Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Canto do signo »,
Mínima figura,
Zero Moldura.
Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.
Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em ceira d’ameixas.
José Albergaria
quinta-feira, maio 17, 2007
Le metier de vivre
O velho e sábio Césare Pavese sustentava que a vida devia ser considerada como uma profissão e para a qual era urgente e necessário carrear enormes competências!
Cada vez mais corroboro essa acepção!
A vida é mesmo muito dificil de viver. É mérito dela? É incompetência minha? Provavelmente, será uma e outra coisa.
Contudo há situações perante as quais não me conformo.
Os meus amigos, os meus fraternos companheiros, alguns deles, não valorizam a substância das iniciativas, das posições e preferem ajuizar e valorar o modo, o tempo em que elas se desenrolam. E isto, porquê?...
A "alma" dos homens é deveras desconcertante. As motivações dos homens é algo de particularmente "sinuoso".
O que é que nos faz correr, a cada um de nós, no tempo que nos foi dado viver? Às vezes corremos atrás de sombras, de miragens, de coisas virtuais, de poderes enixestitentes, de vaidades, de "panache"!
Por vezes sinto-me desvalido e em desconcerto perante estas situações .
Contudo, começo a vislumbrar uma luz para estas singulares situações.
Hoje estou mais exigente, comigo e, por mor disso, com os outros.
Ele houve tempos em que tanto me fazia.
Hoje, sendo mais tolerante e humilde, tornei-me mais sagaz e arguto na apreciação das situações e dos homens.
Isto é bom, ou é mau? Nem uma coisa, nem outra.
A vida é como ela se dispõe e não como nós sonhámos.
O que me parece necessário, urgente mesmo, é retirar, com prudência e alguma mestria, as devidas ilações e conclusões daquilo que vou vivenciando.
Ele há pessoas que não nos merecem (não na direcção pesporrente ou vaidosa que pode sugerir esta formulação) no sentido que são pura perda de tempo e não nos acrescentam nada, nem como homens, nem como cidadãos, nem como seres munidos de inteligência e sensibilidade.
Le metier de vivre é deveras exigente e não aceita férias ou dispensa: é para ser vivido às mãos cheias e com imensa alegria!
Albergaria
Cada vez mais corroboro essa acepção!
A vida é mesmo muito dificil de viver. É mérito dela? É incompetência minha? Provavelmente, será uma e outra coisa.
Contudo há situações perante as quais não me conformo.
Os meus amigos, os meus fraternos companheiros, alguns deles, não valorizam a substância das iniciativas, das posições e preferem ajuizar e valorar o modo, o tempo em que elas se desenrolam. E isto, porquê?...
A "alma" dos homens é deveras desconcertante. As motivações dos homens é algo de particularmente "sinuoso".
O que é que nos faz correr, a cada um de nós, no tempo que nos foi dado viver? Às vezes corremos atrás de sombras, de miragens, de coisas virtuais, de poderes enixestitentes, de vaidades, de "panache"!
Por vezes sinto-me desvalido e em desconcerto perante estas situações .
Contudo, começo a vislumbrar uma luz para estas singulares situações.
Hoje estou mais exigente, comigo e, por mor disso, com os outros.
Ele houve tempos em que tanto me fazia.
Hoje, sendo mais tolerante e humilde, tornei-me mais sagaz e arguto na apreciação das situações e dos homens.
Isto é bom, ou é mau? Nem uma coisa, nem outra.
A vida é como ela se dispõe e não como nós sonhámos.
O que me parece necessário, urgente mesmo, é retirar, com prudência e alguma mestria, as devidas ilações e conclusões daquilo que vou vivenciando.
Ele há pessoas que não nos merecem (não na direcção pesporrente ou vaidosa que pode sugerir esta formulação) no sentido que são pura perda de tempo e não nos acrescentam nada, nem como homens, nem como cidadãos, nem como seres munidos de inteligência e sensibilidade.
Le metier de vivre é deveras exigente e não aceita férias ou dispensa: é para ser vivido às mãos cheias e com imensa alegria!
Albergaria
terça-feira, abril 03, 2007
Lluis Argemí d'Abadal (1945-2007)

Catedrático do Departament d’Història i Institucions Econòmiques de la Universitat de Barcelona, Lluis Argemí foi um dos maiores especialistas de História do Pensamento Económico das Universidades catalã e espanhola. Homem de elevada coerência cívica e intelectual, era um democrata, movido por profundas concepções solidárias e fraternas. Ingressou no PSUC, nos anos 70, resistindo à ditadura na clandestinidade.
Com Ernest Lluch, já falecido, publicou, em 1985, o livro Agronomía y Fisiocracia en España, obra de referência da história do pensamento económico espanhol. Posteriormente, daria à estampa Agricultura e Ilustración, em 1988, e La revolución agrícola, em 1993, obras que o consagrariam como um académico de invulgar qualidade. Colaborou em várias revistas científicas, de que se destacam a History of Political Economy e a Économies et Societés.
Companheiro inseparável de Ernest Lluch, que viria a morrer assassinado pela ETA, em 2000, viria a publicar com este autor um conjunto notável de textos abordando a difusão na Europa, na Espanha e na Catalunha do pensamento fisiovrático, da Ilustração, do Enciclopedismo, do industrialismo e do Krausismo.
Para ele o trabalho científico tinha necessariamente uma dimensão universal, o que o levava a partilhar as suas informações com os seus pares e discípulos. Leitor compulsivo, analisava ao detalhe os textos que lhe entregavam, não se coibindo de os criticar, sempre com um sentido pedagógico, fraterno e formativo.
Esperava que ele pudesse vir a integrar o júri das minhas provas de doutoramento. Infelizmente um tumor cerebral, impediu-me de concretizar este desejo.
Até sempre, Lluis
Alcino Pedrosa
sexta-feira, março 23, 2007
Ainda a "velha" senhora: A Amizade!

Esta senhora, de quando em vez, tropeça, ensarilha-se, enrola-se e, por vezes, coloca-nos embaraços quase metafisicos.
Isto vem a pretexto de situações,que ocorrem, quando menos esperámos e que são, por surpreendentes - deveras singulares.
Dum modo geral, os meus amigos pautam-se por um muito razoável despojamento em relação aos bens materiais, uma serenidade de "velhos" sábios quando às grandezas e misérias das humanas gentes, uma relativização absoluta quanto a variabilidade das "verdades" e, sobretudo um enorme apaziguamento quanto às CAUSAS DOS POVOS!
Têm,contudo, um outro enorme "defeito": já não cultuam vaidades pessoais, nem fisicas nem intelectuais.
Ora isto é verdade para quase todos eles, mas, de quando em vez, lá tropeçámos NUM que descarrila, que se deixa adormecer nos braços da vaidade e de algum quase adormecimento intelectual.
A pretexto de quê? Vá-se lá saber!...
Outro dia recebemos, tivemos entre nós, um notável "velho", dum imenso saber e de um despojamento duma vida inteira: o Edmundo Pedro.
Sempre que a sua consciência lho ditava, lá deixava tudo para trás: mulher, filhas, emprego, negócio, o que fosse.
Esta "destemperança" pagou-a, não raras vezes, no tempo do fascismo, com a prisão, com a tortura, com a perda da liberdade, da sua liberdade.
O convivio que com ele tivemos, na tertúlia de geometria variável, foi de mor satisfação: pessoas reencontraram-se, afectos andaram no ar, memórias alegres e bisonhas cruzaram-se para alegrarem a "velha" senhora, a Amizade!
É por estas coisas aconteceram que, cada vez mais, insistentemente, acredito no VALOR absoluto da AMIZADE e dos AMIGOS que, como mo disse um, recentemente: "Os amigos são como as árvores: se andarmos em torno duma árvore, ela encará-nos sempre de frente. Tal e qual os amigos e a amizade".
Albergaria
quinta-feira, março 01, 2007
Pequenina crónica de tempos revoltos

Há momentos em que nos assalta um sentimento estranho de perplexidade, de estupefacção, de perturbação, face a comportamentos, a silêncios, a atitudes, a actos, a acções e/ou omissões, aparentes ou reais, a situações difusas, mal percebidas, apenas entreabertas ou claramente perceptíveis.
Isto vem a propósito duma experiência recente, vivida entre amigos, construtores numa mesma "fraternitas".
Uma decisão, insuficientemente explicada e explicitada, provocou-me uma imensa vontade, necessidade e urgência de provocar uma ruptura, não só epistemológica, mas consistente, substantiva, funcional e, porventura, sem eu me dar conta de tal, até organizacional.
Isto foi construido, por mim, a partir dum certo ângulo de visão, numa perspectiva racional, assente em pressupostos quase inabaláveis e desenvolvido com uma lógica interna coesa, irreductível e quse inatacável.
Mas, e os "mas", no processo histórico, são, de quando em vez,decisivos e determinantes, olvidei-me da dimensão dos "afectos" que incorporam, SEMPRE, as "fraternitas". Erro grosseiro e sem remédio.
Os afectos, os de sinal positivo e os outros, de sinal contrário, quase que submergiram, por completo, a iniciativa "oposicionista".
Lição n.º 1
Nunca, nas "fraternitas" se deve olvidar os afectos, o calor dos sentimentos e a sua eficiência nas dinâmicas grupais;
Lição n.º 2
Nunca devemos assumir "absolutos". A nossa "verdade" nunca deve ser confundidda com a VERDADE.
Lição n.º 3
A humildade nunca fez mal a ninguém, nem à saúde, nem à psique.
Lição n.º4
Deve-se SEMPRE considerar e ter em conta as lições n.ºs 1, 2 e 3.
Contudo, mesmo quando, por impossibilidade material e espiritual, não detemos, nem TODA a verdade, nem a VERDADE, sabe MUITO bem tropeçármos na AMIZADE dos amigos!
Albergaria
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