domingo, abril 13, 2008

A Senhora Ministra da Educação

Digo, desde logo, que detesto a palavra "educação", prefiro-lhe "escola" e acho graça a "instrução".

O simpático latinório ajuda-nos a perceber estes meus estados d'alma em relação a conceitos em relação aos quais, de tão usados, já quase ninguém se atarda neles.

Este meu discorrer vem a "despropósito" da presença da actual Ministra da Educação, na passada quinta-feira, 10 de Abril, na Brandoa (não na mítica dos Gatos Fedorentos...), mas na actual e bonita freguesia da Amadora, para inaugurar uma Feira do Emprego, organizada e promovida pela empresa municipal, Escola Intercultural, das Profissões e do Desporto.

O que quero destacar é:

1- A ausência dos grandes meios de comunicação social. Isto não é sequer uma critica, mas uma constatação;
2- A entrega de diplomas de 12.º ano, a adultos que aproveitaram "As novas oportunidades";
3- A ministra sublinhou a importância das autarquias no sucesso escolar, como agentes fundamentais da comunidade educativa (continuo a não gostar da expressão...) e das empresas (falararam, no acto inaugural, entre outros, o Director de Recursos Humanos da Siemens...);
4- A ministra, sublinhou a importância do Programa, pioneiro na Amadora (único no país...)de Formação Profissional para jovens, entre os 12 e os 15 anos, jovens que tinham abandonado o sistema oficial e obrigatório de ensino.

Hoje, lendo a reportagem da UNICA, sobre a Casa Pia ,percebi, finalmente, o interesse da ministra por este programa: ela foi casapiana, ganso!

E isto faz toda a diferença.

A ausência da comunicação social?...ponham-se no lugar deles: trocariamos uma atoarda, um ribombo, um foguetório do escuteiro Màrio Nogueira da FENPROF por um programa de sucesso, que visa "recuperar" jovens para o sistema de ensino e tirá-los da marginalidade e da deliquência? Claro que não.

Mas este programa de formação profissional, 12 - 15, aprovado pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues, apoiado pelo Ministério, com professores, com curricula validados, teria ido p'ra a frente se, a Senhora Ministra da Educação, não tivesse sido casapiana?

Tenho a certeza que não!

Sempre me vem à cabeça, nestas, como noutras circunstâncias, o meu poema preferido, do sevilhano António Machado:"Caminante, son tus huellas/el camino, y nada más;/caminante, no hay camino,/se hace camino al andar./Al andar se hace camino,/ y al volver la vista atrás/se ve la senda que nunca/se ha de volver a pisar/Caminante, no hay camino,/sino estelas en la mar."

Não se pode ter medo dos caminhos nunca percorridos. O desafio é sempre o mesmo: demandar Indias por haver, sempre, esse é o destino e o desafio estratégico!

JA

sábado, abril 12, 2008

"Entre as brumas da memória"


Dum campo de nenúfares, d'entre as brumas da história, do passado,, emergem, poderosas, impressivas, as memórias duma lutadora, católica, que, nessa trincheira travou as lutas que entendeu dever cumprir, nas circunstâncias e no tempo que lhe foram dados viver.

Amigo comum chamou-me a atenção para o percurso civico da Joana Lopes, para o seu Blog e para o seu livro.

No Blog, tenho vindo a navegar faz tempo.

Do livro, que comprei ontem (encontrei-o na FNAC de Alfragide) já quase o devorei.

É um testemunho rico, valioso e que, para a historiografia do século XX, do Salazarismo, particularmente da década de 60 até ao 25 de Abril de 1974, deixa-nos vislumbrar que houve mais resistência ao fascismo para além da do PCP (que, de resto, como a própria autora o faz, TODA a gente reconhece...).

É, para mim, particularmente, interessante a deriva de muitos intelectuais portugueses, católicos militantes, empenhados, comprometidos com a Igreja Católica, que acreditaram, num primeiro momento, que podiam lutar contra o fascismo do próprio interior da Igreja Católica e das suas organizações de leigos: e fizeram-no com argúcia, inteligência e rigor taticisa.

Depois, o afastamento e a procura incessante duma solução "mistica", a partir de múltiplos exemplos de vida, em que não faltou mesmo a do padre guerrelheiro Camilo Torrres (nascido em Bogotá em 3/2/1929 e morto pelo exército colombiano em Santander, a 15/2/1996).

Ainda vou a meio do livro, mas já recordei bastante e aprendi outro tanto.

A "mitografia" dos comunistas, do "Partido", como única força organizada na resistência ao fascismo começa a ruir. Não vem mal, nem ao mundo, nem aos comunistas, que tal aconteça: é a VERDADE acontecimental no seu melhor que começa a esburacar os paredões da mistificação.

Ainda bem que a Joana Lopes conseguiu "roubar" tempo ao seu, dela, tempo, para nos brindar com o seu "testemunho". Que outros, até doutras áreas "ideologicas" o possam fazer.

Estou a gostar muito de a ler. Quando acabar voltarei ele, aqui neste Blog.

Agora, outra questão que me trouxe aqui, hoje, no 1.º Aniversário do Blog da Joana Lopes.

Quando o Professor Emidio Guerreio festejou os seus 100 anos, fizeram-lhe um homenagem, na sua Guimarães natal.

Quando o Edmudo Pedro (o mais jovem comunista a malhar no Campo de Concentração do Tarrafal) festejou os seus oitenta anos, fizeram-lhe uma homenagem na sua Lisboa de adopção.

Quando o antifascista e luareiro Herminio da Palma Inácio, fez oitenta décadas de vida, outra homenagem nacional estralejou.

Quando o médico, Fernando Valle, comemorou o seu centenário, outra homenagem nacional arrebentou.

E já nem estou a falar das homenagens e honrarias que o Estado e a Chancelaria das Comendas e Ordens lhes atribuiu, a cada um deles, pelas causas da Liberdade que abraçaram!

O que aqui quero deixar sugerido é:

1- Porque não aproveitar-se a efeméride próxima, de vida, da cidadã Joana Lopes e organizar-se-lhe uma homenagem, pública e, porque não?, nacional;

2- Nesta homenagem, simbolicamente, seriam honrados as élites católicas que, nos anos de brasa da década de 60 do século XX deram o corpo ao manifesto na luta contrra o fascismo lusitano.

E mais não digo.

JA

PS - Ainda não fui à bruxa nem, por pudor, lá irei...

Andoche Junot

Andoche Junot, maçon, entrou com as suas tropas em Lisboa. Vai fazer ou já fez 200 anos. Napoleão tinha sido coroado imperador pelo Papa da Igreja Católica, Apostólica e Romana. Maçon, Junot quis ser grão-mestre da maçonaria portuguesa, o que lhe foi recusado pelos maçons portugueses. Futuro rei de Portugal, como esperava e declara vir a ser, quis que na Maçonaria o retrato de D. João VI fosse substituído pelo retrato de Napoleão. A maçonaria portuguesa recusou. E que fez a Igreja Católica, Apostólica e Romana, perante este jacobino? Deu-lhe laudas e em pastorais dos seus bispos, aconselhou os fiéis a aclamaram-no, ajudando-o, denunciando e o mais que aprouvesse à hierarquia da Igreja. É Luz Soriano, na sua lucidez e rigor, que regista para o futuro as pastorais da ignomínia dos bispos-chave da hieraquia da Igreja Católica em Portugal. Recordemos alguns extractos. O cardeal patriarca de Lisboa, José Francisco de Mendonça, apela, na sua pastoral, a ler em todas as igrejas da cidade de Lisboa: "Não temais, amados filhos, vivei seguros em vossas casas e fora delas; lembrai-vos de que este exército é de sua majestade o imperador dos franceses e rei de Itália, Napoleão o Grande, que Deus tem destinado para amparar e proteger a religião e fazer a felicidade dos povos: vós sabeis, o mundo todo sabe. Confiai com segurança inalterável neste homem prodigioso, desconhecido a todos os séculos; ele derramará sobre nós as felicidades da paz, se vós respeitardes as suas determinações, se vos amardes todos mutuamente, nacionais e estrangeiros, com fraternal caridade".
É raro ler um texto com tanta hipocrisia, quando todo um povo começava a ser violado e violentado e as igrejas saqueadas.
Também o bispo do Porto, António José de Castro ( embora mais tarde se arrependa da pastoral da ignomínia e adira à Junta Patriótica do Porto), divulga entre os fiéis do seu rebanho: "Estas tropas que aqui vedes entrar, são nossas aliadas e pacíficas, e quam as manda entrar tem sido prevenido e armado por Deus de poder e sabedoria para as fazer entrar e para as saber dirigir a fim da nossa felicidade, e devemos seguramente confiar no mesmo Senhor que não seja outro o seu destino. Sim, o Immperador dos franceses e Rei de Itália, o Grande Napoleão, não poderia de outro modo servir-se de nós para aumentar a sua glória verdadeira, senão fazendo-nos felizes. Não é crível que na grandeza sem igual do seu coração, no ardente desejo da sua glória, pudesse entrar em Portugal para outro fim. Este grande imperador, elevado sobre o trono dos seus triunfos, tem unido a eles a glória de fazer dominar a nossa santa religião nos seus estados (...)
Os templos estão cheios destes militares que edificam, e que por tudo nos poem interiormente na necessidade de os amarmos como próprios filhos, e exteriormente na obrigação de darmos este testemunho público da nossa satisfação e do seu merecimento. Esperamos que este testemunho fundado já na experiência e conhecimento destas tropas religiosas, pacíficas e bem disciplinadas, vá servir não só para desvanecer aos vossos ânimos qualquer receio que vos pudesse causar a sua entrada, mas também para mostrar a obrigação em que estamos todos de praticar com elas todos os bons ofícios da caridade e de hospitalidade, como se fossem nossas próprias, e ainda mais por se acharem fora do seu país".

Trata-se é certo de uma encomneda de Roma, vinda do Papa que consagrara Napoleão como Imperador. Mas também não era necessário tanto exagero...
Por último, leiamos a pastoral de inconsútil patriotismo do bispo titular do Algarve, José Mátia de Melo, confessor privativo da louca D. Maria I : " É necessário ser fiel aos imutáveis decretos da divina providência e, para o ser, devemos, primeiro que tudo, com coração contrito e humilhado, agradecer-lhes e tantos e tão contínuos benefícios que da sua liberal mão temos recebido, sendo um deles a boa ordem e quietação com que neste reino tem sido recebido um grande exército, o qual, vindo em nosso socorro, nos dá bem fundadas esperanças de felicidade.
Este benefício igualmenmte o devemos à actividade e boa direcção do general em chefe que o comanda, cujas virtudes são por ele há muito tempo conhecidas. Lembrem-se que este exército é de sua majestade o imperador dos franceses e rei de Itália, Napoleão o Grande, que Deus tem destinado para amparar e proteger a religião e fazer a felicidade dos povos. Confiai com segurança neste homem prodigioso, desconhecido de todos os séculos; ele derramará a felicidade da paz, se respeitarem as suas determinações, e se amarem todos, nacionais e estrangeiros, com fraternal caridade. Deste modo a religião e os seus ministros serão respeitados, não serão violadas as clausuras de esposas do Senhor, e todo o povo será feliz, merecendo tão alta protecção".

O bispo do Algarve estava preocupadíssimo com a virtude das 'esposas do senhor' ( freiras em linguagem corrente). A subtância das três homilias tem uma raiz comum: a directriz do Papado para não molestar Napoleão, mesmo que Napoleão molestasse nações inteiras. A real politik do Vaticano consegue conciliar a conciliação com o Poder profano à hipocrisia da justificação do poder sagrado. Hoje como ontem...
Rogério Rodrigues

sexta-feira, abril 11, 2008

O cotejo do Decálogo hebraico com o da vulgata católica

Na actualidade, como se transmutaram os Mandamentos biblicos?

No Catecismo canónico, aprovado pelo Sinodo dos Bispos, assim se encontram eles:

"1 - Primeiro: Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
2- Segundo: Não invocar o Seu santo nome em vão.
3- Terceiro: Guardar os domingos e festas.
4- Quarto:Honrar pai e mãe (e os outros legitimos superiores).
Quinto: Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).
Sexto: Não pecar contra a castidade (em palavras ou em obras).
Sétimo: Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
Oitavo: Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo).
Nono: Não desejarás a a mulher do próximo.
Décimo: Não cobiçarás as coisas alheias."

Cá estamos nós.

Observe-se,por exemplo,a "misogenia", desajustada aos nossos tempos, do Nono mandamento.

Se se consegue perceber o mandamento fundador, o hebraico, que inclui a mulher num listing determinante para a sobrevivência da comunidade, por inteiro, naqueles tempos de deserto,hoje não se consegue alcançar o objecto deste preceito.

JA

Os 10 Mandamentos...hebraicos, II.

Continuemos, pois,a "publicação" dos 10 Mandamentos, não os canónicos, mas os fundadores, fonte viçosa, em meu entender, de utilidade maior para os nossos dias e pedra angular para a "refundação" urgente da corrente cristica e salvifica que se transmutou, sobranceiramente em religião de estado e, ainda, CATÒLICA!

Tinhamos parado no 4.º.

Retomemos, então, a partir do 5.º.

"5- Honra o teu pai e a tua mãe, de modo que os teus dias se prolonguem sobre a terra que YHVH, teu Deus, te deu.

6- Não assassinarás [ou cometer homicídio, em hebraico lo tir cá.vit].

7- Não cometerás adultério [em hebraico lo tin-àf]

8- Não furtarás.

9 Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.

10 - Não cobiçarás [em hebraico, lo thahh.módh] a casa do próximo, nem a mulher do teu próximo, nem o seu escravo, nem a sua escrava, nem o seu touro, nem o seu jumento, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo..."

Fim de edição.

Um nota singular: os 10 Mandamentos, recebidos por Moisés, foram entregues no Monte Sinai ao povo hebreu, às tribos d'Israel, por Du's, através de Moshé, mas separadamente do restante da TORÁ (ensinamentos).

Em hebraico, o número de letras dos 10 Mandamentos (os originais) é igual a 613, igualando o número de ensinamentos da TORÁ e, somados entre si, 6+3+1=10!

Quem se interesse pela numerologia e pela simbólica dos números...tem aqui um imenso campo de especulação e de interpelações!

Os 10 Mandamentos estruturam-se e dividem-se em versículos. Flávio Josefo, o grande historiador do Povo Judeu, é o primeiro a dividir, a arrumar os versículos e, de certo modo, é o "inventor" do Decálogo Biblico. A sua proposta vai ser "revista" por outros, nomeadamente pelo futuro doutor da Igreja Cristica: Santo Agostinho. É esta divisão que há-de ser "canonizada" e presidirá, depois, à criação da vulgata católica, que, muitos de nós, aprendemos na "catequese"!

J.A.

quinta-feira, abril 10, 2008

Os 10 Mandamentos...hebraicos.

Mircea Eliade, personagem polémico, singular, mas incontornável para quem gosta e se dedica a estudar os fenómenos atinentes às religiões, enquanto "escrúpulo",à mitologia, ao verbo, enquanto signo, terá dito: "A religião é a moral dos povos".

Hoje, apetece-me discorrer um pedaço sobre os 10 Mandamentos, não os da vulgata católica, mas sobre os originais, os hebraicos, entregues a Moisés e que serviram para estabelecer a Aliança entre YHVH e as tribos de Israel na fuga da diáspora no Egipto.

Estes Mandamentos estão vertidos no livro biblico do Êxodo 20:2-17 e repetidos no Deuterónimo 5:6-21.

Moisés "recebeu" as Tábuas no monte Horebe, na peninsula do Sinai quando encaminhava as tribos para a terra prometida d'Israel.

Aqui ficam:
"1- Eu sou YHVH, teu Deus [Elo.hím], que te fez sair da terra do Egipto, da casa dos escravos. Não terás outros deuses que ME [o Deus de Abraão]desafiem.

2-Não farás imagem esculpida [em hebraico péshel, equivalente a ídolos],que se pareça com o que há em cima nos céus, nem na terra, nem na águas por debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes prestarás culto, porque eu, YHVH, teu deus, sou Deus zeloso "Deus que exige devoção exclusiva" ou "Deus ciumento"; em hebraico El qan,ná e em grego Theós zelotes], e que pune o erro dos pais nos filhos até à terceira geração e ainda sobre a quarta geração dos que me odeiam, mas que uso da benevolência até à milésima geração dos que me amam e que cumprem os meus Mandamentos.

3-Não usarás o nome de YHVH, teu Deus, em vão [ou "de modo fítil", blasfémia] pois YHVH não considerará impunes os que usarem o seu nome em vão.

4-Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o Sábado [em hebraico, shab.báth]de YHVH, teu Deus.Nesse dia não farás trabalho algum. Nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está adentro das tuas portas. Porque em seis dias fez YHV o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há e ao sétimo dia descansou. Por isso o YHVH abençoou o dia do Sábado e o santificou."

Fico-me por aqui.

Amanhã continuarei até ao décimo.

Só YVHV é que laborou seis dias seguidos! Eu não posso tanto.

José Albergaria

quarta-feira, abril 09, 2008

O visual

Os blogs semelham muito cada um de nós.

Por vezes, ao acordar, mirando o espelho, não gostámos do que vemos.

Hoje, o Aqueduto Livre não gostou de se ver ao espelho.

Foi recauchutar-se e, com a promessa de, hoje em diante, discorrer, todos os dias, como soe dizer-se em "blogês": sobre o que lhe der na veneta.

José Albergaria

segunda-feira, março 31, 2008

Frases & poemitas

"Sou amigo de Platão, mas amo a verdade!" Aristóteles.
"Só sei que nada sei." Sócrates
"Eu, nem isso sei." Pirro de Eleia


POETA MAIOR
A António Machado, poeta, maçon, sevilhano, andaluz, 26 de Julho de 1875, Sevilha a 22 de Fevereiro de 1939, Collioune/França.

Poeta, irmão
A tua terra,
Feita de mar,
Cerzida de verdes,
Paleta d’ocres,
Bordada a branco,
Pontilhada de negro,
Desenhou-te!

Impressiva, marcou teu “poemar”!

Pela campina,
Andaluza,
Ruminam toiros pelos pastos,
Para,
Soberbos, telúricos,
Estrelarem,
Quais actores circenses,
Em tardes,
Humanas,
D’heroísmo gratuito!

A tua poesia,
Luzeira,
Préclara,
Solar,
Semelha uma tarde d’Estio!


António,
Viveste o sonho republicano.
Partiste, destroçado,
À deriva,
Pelos trilhos funestos
Do amargo exílio.


Carregando a dor,
No colo de tua mãe,
Sucumbiste
De tristeza e saudade,
Nos caminhos parados
De “Collioune” a francesa.

António, meu irmão,
A tua memória atravessa
O arco-Íris da Espanha
Toda!

A tua poesia, poeta, essa
Vive no coração da humanidade

Toda!

António Machado,
Em teu louvor,
Seja esse o meu fado,
Eu, caminheiro audaz e sem pudor,
Hei-de reverdecer os antigos trilhos,
Caminhando,
Incipiente e inseguro,
Em silêncio, pela tua poesia

Toda!


Agosto 2006

José Albergaria

terça-feira, março 25, 2008

A beleza

la belleza
solo está
en los ojos
de quiem mira.

(CampoAmor)

segunda-feira, março 17, 2008

liberdades

sou a favor das manifestações quando elas pretendem que algo se mude, para melhor, ou melhor dito, para uma melhoria. Sou a favor das manifestações que tudo recusam, rejeitam e reivindicam liberdades individuais e comportamentais, como proibido proibir, a praia no asfalto, a avaliação pelo sotaque.

Sou a favor das manifestações que querem mudar. Custa-me a compreender as manifestações que querem manter o que está, sabendo que o que está não está certo estar e que há anos atrás combateram por estar. Lembro-me das decisões do Cardia, enquanto ministro da educação e que agora são defendidas, 20 anos depois, depois de tão criticadas, na rua, nas paredes, no parlamento e nos jornais. L'air du temps dá destas coisas.

Lembro-me da "geração rasca" que foi adulterada neste modelo educativo.

Já me custa a compreender manifestações com o gato escondido com o rabo de fora. Manifestações de conteudo de classe ou casta, mnifestações reclamadas de reivindicações meramente profissionais, expressam-se nas palavras de ordem, na expressão mediática como meras manisfestações políticas, do inclemente bota-abaixo, sem uma alternativa, um aceno do bota-acima.

Já muitas vezes, em 30 anos de Democracia ( quase sempre mais formal que participativa, mas sufragada no voto secreto, muitas vezes em contramão ao voto da rua) assistimos a este paradoxo: a ilusão do poder acreditar-se poder real.

O PCP, por exemplo,domina a Fenprof, tem capacidade organizativa, alimenta-se do resentimento, bajula a facilidade, apela ao estômago mais do que à cabeça e ao coração, o PCP, hoje um "produto menor" --nas suas propostas e não no seu direito-- da Democracia ( e não se esquecem os seus contributos para uma resistência ao fascismo, mas que nós, que saibamos, não vivemos no fascismo e as gerações mais novas já foram criadas nos vícios e virtudes da democracia), tem sempre combatido mais os governos de esquerda que os governos de direita, sejam eles liderados por Soares, Guterres ou Sócrates.

Tentar alguém dizer que o PCP, por ele próprio, e pela CGTP não manipulou a manifestação dos professores ou é ingenuidade ou condição de avestruz. Nenhuma organização de classe poderia colocar no Terreiro do Paço 100 mil pessoas. Para o PCP terá sido uma espécie de Festa do Avante! para docentes e afins.

Os professores querem ser avaliados mas ainda não agora. As vitórias de Pirro são proclamadas como grandes vitórias e nem sequer se lemram da célebre frase do aristoircrat latifundiário siciliano de "O Leopardo" de Tommasi Lampedusa, quando diz: " `E preciso mudar qualquer coisa para que tudo fique na mesma".
O que é que a Fenprof e o PCP conseguiram mudar? A qualidade do ensino? A qualidade dos professores? A sua dignificação pedagógica? A sua maior intervenção na comunidade? Ou tratou-se de uma mera reivindicação laboral escondida numa não muito trasparente reivindicação à avaliação, híbrida nas suas vertentes pedagógica e salarial?

( Zé, não sei como é que isto vai chegar ao blogue, pois perdi a primeira versão e não sei se esta chega emcondições. Coisas de aprendiz de blogue. Com o treino vamos lá).
Pedro Castelhano




quarta-feira, março 12, 2008

O sal e a pimenta

Contrariamente a um mito instalado, o sal e a pimenta não têm, ab initio, a intenção de fornecer sabores acrescidos aos alimentos.


A sua importância situava-se, antes da congelação e dos frigorificos, na necessária, quanto vital, urgência na preservação dos alimentos.


Daqui decorreu, durante anos, décadas, séculos mesmo, o enorme papel que o sal teve na nossa economia, nas nossas exportações, na nossa balança comercial.


A epopeia dos Mares, as descobertas, a Expansão marítima, assentou, precisamente, na demanda das especiarias, não para temperar, mas, ao invés, para preservar.


Hoje, o significado virou significante, alterou-se a qualidade da coisa.


Ao misturar o sal, a pimenta, nos produtos alimentares, naqueles idos do medievo, iniciou-se um processo de alteração nos sabores, na textura e no modo de degustar as comidas.


Hoje tem-se em conta o sal nas doenças do século: as hipertensões, os AVC, as maleitas das coronárias, o colesterol e tuti et quanti!


Mas este post não visa, longe disso, circundar a alimentação, os gostos e sabores e, menos ainda, perorar sobre saúde.


As relações humanas carecem, como aprendi nas teorias sobre comunicação e relações interpessoais, de uma dose de tensão, de conflitualidade, de algum sal e pimenta, que renovam e trasmutam as qualidades do próprio relacionamento, de amizade, de companheirismo, de camaradagem, de amor, até.


Quando a relação está confusa ou até mortiça, acrescenta-se um pouco de sal, pimenta a gosto e deixa-se (por vezes é aconselhável, em lume brando, para não se perderem os sucos e as propriedades das matérias primas...


Mas ele há casos, em que já não basta o sal e a pimenta. É necessário outro tipo de condimentos: humildade, frontalidade, lealdade, e, sobretudo, um entendimento universal sobre categorias que são "absolutos", sendo a AMIZADE um deles.


Basta de gastronomia!


José Albergaria

terça-feira, março 11, 2008

E, uma vez mais, a AMIZADE...


AMIZADE

Na vida, nos seus sobressaltos,
Tropeçámos, a cada passo;

No amor, nos seus solavancos,
Tropeçámos, a cada curva;

Na política, nos seus ziguezagues,
Tropeçámos, em cada ciclo;

Na fé, nas suas igrejas,
Tropeçámos, por cada conversão;

Na guerra, nas suas funestas misérias,
Tropeçámos, malgrado o nosso não querer;

Na amizade, amor fraterno,
Tropeçámos, é certo, mas
Nos alevantámos
Sempre!


Agosto 2006


José Albergaria

E porque hoje é terça-feira (dia em que festejamos a amizade) apetece-me falar de Escola Pública...

Pelas terças-feiras, festejamos a amizade em luzidia tertúlia.

Na tertúlia tudo se questiona, tudo se discute, todas as certezas se tornam relativas.

Respeitamos TODAS as singularidades, TODAS as opiniões, todas as sensibilidades.

Falámos do Sócrates, falámos da Saúde, da Educação, da Segurança.

Não gostámos deste Ministro, daquele Secretário de Estado, daquele Director Geral.

Gostámos de literatura, de cinema, de história e, também, de "gajas", de bom vinho, de boa comida e de viagens.

Discutimos, bastas vezes, como salvar a Pátria.

Mas, como dizia o outro, só nos falta mesmo é "salvá-la!"

Mas, na NOSSA tertúlia, como aqui, neste blog, que agora se recentrou, exclusivamente, para os seus "fundadores", há coisas que não têm discussão, que são ABSOLUTOS:

1/ A LIBERDADE!

2/ A AMIZADE!

É por amor a estes dois princípios indiscutíveis e incontornáveis que temos a LIBERDADE (e o fazemos consistentemente) de escolher os NOSSOS amigos!...

José Albergaria

PS - Não falei de Escola Pública?...impúdico esquecimento!

Hoje já não me calha.

A amizade é SEMPRE mais importante do que TUDO o resto e, mesmo, a SOMA da vida.

sexta-feira, março 07, 2008

Uma ladainha que eu muito gosto

"Chi vó non pó
Chi pó non vó
Chi fá non sá
Chi sá non fá
E cosi vá il
Mondo molto male..."


De autor que eu desconheço.

José Albergaria

Pessimismo versus optimismo

Nestes tempos em que o principio da incerteza e as insanidades dominam os povos, os estados e apoderam-se muitas das vezes dos líderes nacionais, este confronto dual, entre optimistas e pessimistas, adquire contornos impressivos.

Há até aquele trocadilho que vem sempre a calhar nesta disputa entre a qualidade do PESSIMISTA e a bondade do OPTIMISTA:

1- O optimista é um pessimista bem informado;
2- O pessimista não passa dum optimista bem informado.

As abordagens à realidade mutante e actual, podem fazer-se de modos vários.

É, sempre, possível falar e/ou escrever sobre qualquer assunto a partir de sensações, sentimentos, insuficiência de informação. No entanto, em temas de melindre, polémicos, em torno dos quais se foram segregando demasiados preconceitos, é de todo aconselhável prudência e, sobretudo, bom senso.

Ele há entusiasmos que nos levam, quando confrontados, por exemplo, com a História e a historiografia existente sobre o TEMA, a becos sem saída e, às vezes, nos empurram mesmo para uma certa impertinência e agressividade gratuíta.

A questão israelo-arabe, ou, mais precisamente, o confronto belicista israelo-palestino (os antigos filisteus da Biblia)é um desses casos, em torno do qual, recorrentemente, se dizem e fazem muitos disparates...

Quando nos remetemos ao nosso silêncio de incompetência e ignorância...tudo bem! Mas quando falámos, sem termos medo do ridículo,ou de modo irresponsável, aí já a porca torce o rabo.

Como dizia o romântico alemão, que tão bem versificou o "demónio", na alegoria do Dr. Faustus: "Nada é mais terrível que uma ignorância activa", Johann Wolfgang von Goethe.

Com pessimismo me despeço (porque o futuro futurável não se recomenda..)e com optimismo me subscrevo (porque acredito na humana Humanidade...),

José Albergaria

quarta-feira, março 05, 2008

Cruzeiro Seixas: poeta & pintor

Cruzeiro,
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.

Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.

Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Labirinto da Saudade »,
Mínima figura,
Zero Moldura.

Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.

Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em campina d’ameixas.

José Albergaria

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

experiência

josé, penso ter descoberto o caminho das pedras. E já agora começarei a escrever com maior assiduidade. Não vou revelar sequer que o Pina Moura foi cativado (agradável eufemismo) para o PCP , em 1972, pelo Arnaldo Mesquita do Público, antigo jornalista do Diário e que era profundamente sectário. Que eu o diga que tive de o aturar a chamar-me anti-comunista numa campanha eleitoral, creio que em 1983, em que o Vasco Gonçalves, apoiado pelo Borges Coelho ( este bom homem estava fazer o seu papel, sem acreditar no papel que fazia) defendia a independência portuguesa do 1385,como uma revolução marxista. Como o comício foi montado numa gigantesca tenda, creio que na Fernão Magalhães, no Porto, eu titulei a minha peça como "A História foi ao circo". Não gostaram.
Mais tarde, zangaram-se também comigo, porque em "O Jornal" de boa memória, que sendo jornal era semanário, eu fiz um perfil de Alváro Cunhal, intitulando-o de "ABC dos comunistas". O ABC não passava das iniciais do nome do Cunhal: Álvaro Barreirinhas Cunhal.
Agora, que entrei definitivamente no grupo etário daqueles que não têm nome quando são atropelados, os sexagenários dos bares que vão morrendo, desencantados com o futuro, que já relêem mais do que lêem, avessos aos acordos ortográficos, mal sabemos o que havemos de fazer com o nosso passado. Torná-lo futuro? Ou dizermos que a história é a memória do futuro?
São tantas as presenças como os dias que me faltam. As tardes longínquas e melancólicas com o Assis Pacheco no Fim de Século e no Hotel Britânia, as noites longas e sem cansaço, tão só de nostalgia transmontana, de uma ruralidade que não perdíamos, com o Afonso Praça, esse sólido mais líquido que me foi dado conhecer, esse odre de ternura, que passou de mansinho pela vida como se tivesse sempre a pedir desculpa pelo talento que tinha. As noites, longas, muito longas, em que o álcool corria como um regato de afectos contidos, mas sem fim, com o Cardoso Pires, entre o colérico, o iconoclasta, mas o melhor contador de histórias dos bas-fonds desta cidade ( leia-se Lisboa) que tanto amava. O Cardoso Pires, era de ódios e amores. E tinha muito mau perder, como ele próprio confessava.
E depois o Luís, o Sttau Monteiro, o mais admirável e generoso mentiroso que me foi dado conhecer. Escrevia à minha frente a Guidinha, numa Hermes pesada, a correr, que tinha que ir a algum lado. Efabulador, grande cozinheiro na sua casa de Campo de Ourique, inveterado bebedor de gin, homem de muitos encantos, de um charme muito britânico, de uma ironia corrosiva, era, porém, tansbordante nos afectos para os seus amigos. Morreu ainda as últimas rosas não tinham florido.
Hoje, proclamam-se os best-sellers de aeroporto, lidos enquanto se mascam pastilhas; os jornais são economicamente obedientes, reverentes e pouco venerandos; a mediocridade, mas com boas maneiras, é um bom princípio para o sucesso. O país é apenas o reflexo do país, não a sua realidade. Utiliza-se o espelho como se fosse a verdadeira face. A imagem do rosto secundariza o rosto. Querem-nos impôr uma clandestinidade ética, tornar a norma da virtude como um desvio. Um perigoso desvio que deve ser tratado ou combatido.
Querem-nos sem ideologia, assépticos, flor artifical, sem cheiro, mesmo do suor, sem tabaco ( se no céu não se pode fumar, eu não quero ir para o céu, escreveu Mark Twain), tão limpos que querem transformar a cidade num imenso hospital com multidões saudáveis mas proibidas de transgredir.
Querem proibir a transgressão; são os inquisidores do interdito; os que definem a liberdade dos outros, como se a liberdade não fosse um valor individual; que tentam pôr um chip na nossa alma e controlar os nossos sonhos, e isto tudo para que vivamos mais anos a criar mais problemas à Segurança Social.Querem-nos clonados, sejamos novos ou velhos, querem-nos tão iguazinhos a ponto de um dia conseguirem que nós não saibamos quem somos. Apenas eles sabem, nos seus arquivos, o que nós fomos.
Já cá não estarei por certo, quando algumas liberdades e indignações utópicas não passarem de mero estudo académico para teses de doutoramento, tão bem comportadas que até Júlio Dantas vai ser considerado, a par de José Rodrigues dos Santos, um génio injustamente ignorado por esses libertinos cuja memória é proibido recordar...

Pedro Castelhano

terça-feira, fevereiro 19, 2008

E mesmo assim a terra move-se...

O maravilhoso mundo novo da blogosfera está, cada vez mais, mexido e em turbulência histriónica.

A erudição, o pluralismo, o bom-gosto, a qualidade gráfica, as competências técnicas que por aí perpassam - não estão, no entanto, em linha com o necessário bom-senso que um MUNDO como este (libérrimo, sem constrangimentos, sem censuras...)deveria aconselhar.

Na nossa doméstica blogosfera campeia, actualmente, creio mesmo ser lidere d'audiências o "mistério", embrulhado em vários anátemas e confusões ( de conceitos, de categorias, de mundividências, mesmo até de préconceitos e etc.)de: quem s'esconde por trás do nome do bloger Miguel Abrantes que "controla" o Câmara Corporativa.

Portanto, senti-me na ingente necessidade e no urgente dever de cidadania de intervir nesta polémica, não para ajudar quem quer que seja ou contribuir para o que fosse, mas para complicar.

Sim, porque cada um de nós nasceu com uma missão bem definida: enfernizar a vida ao seu semelhante e, quando as coisas estiveram a andar menos mal,é curial inventarmos um drama, quiçá uma tragédia!

Continuamos, em meu entendimento, com aquela velha muleta: eu, je, moi, penso bem; os governos, dum modo geral, não prestam e, em Portugal, é necessário ter linhagem para ir a Ministro (secretário de estado não conta e, menos ainda Director-geral, excepto o "defunto" Paulo Macedo porque pertencia ao Opus Dei!...e era muito competente, tinha mau feitio e trabalhava durante as férias.)

A direita travestida, reciclada, transmutada, bem adaptada à Nova Democracia, produto da "Abrilada de 1974", entende, hoje, que um rapazinho vindo da Covilhã, de Castelo Branco, de Trás-os-Montes (não se sabe bem donde!...), sem curriculo que se apresente, com um percurso académico/profissional um pedaço confuso, com um nome grego, tenha chegado a Primeiro-Ministro de Portugal.

E, espantamento espantoso, o rapazinho trabalha, dedica-se à causa pública, trata do corpo, é determinado, ataca o que está mal em Portugal (nem sempre da melhor maneira...), quer reformar o País e introduzir novos paradigmas (há quem ainda cultue os velhos...)em Portugal e nos portugueses!

Ora bem!, se eu percebo que para a direita isto não seja bem entendido (por que lhe estraga o negócio e lhe rouba os clientes), já para as esquerdas não consigo mesmo perceber a sanha, a ausência de vontade de diálogo, de intenção de alianças (tirando a interrupção da gravidez e, mesmo nesse caso o PCP esteve em desacordo sobre o modus operandi: referendo e/ou votação em sede do Parlamento...) etc.

Os criticos mais descabelados, mais contundentes, mais acérrimos: a esquerdas. As perguntas que se podem fazer: e alternativas? e modo diverso de fazer? e soluções estratégicas? e quem está, neste momento, em Portugal a produzir pensamento para demandar "novas Indias a haver"?

Ora bem, cá estou eu a complicar.

É mesmo de propósito.

Mas estávamos a tentar resolver o mistério, não da estrada de Sintra, mas quem é o gábiru que se esconde atrás do Miguel Abrantes?!

Aqui é que bate o ponto e este ponto é determinente não só para Portugal como destino, mas para o futuro dos portugueses nas próximas, pelo menos, cinco gerações!

Deixo aqui algumas pistas.

Atrás (ou à frente tanto monta...) do tal NOME podem estar:

Hipótese 1 - Domingos Abrantes (dirigente do PCP);
Hipótese 2 - Abrantes Mendes, Juíz e antigo dirigente do futebol;
Hipótese 3- José Manuel Abrantes, antigo administrador da Valorsul;
Hipótese 4- Marquês de Abrantes, Marechal Junot (agora que estamos em tempo de bicentenário das invasões francesas vinha mesmo a calhar...);
Hipótese 5- Marquesa de Abrantes;
Hipótese 6- Abilio Abrantes, antigo patrão da Agenda da RTP;
Hipótese 7- É a que me parece mais provável, José Arantes,que retira um b por timidez e desfaçatez (para quem não se recordar é jornalista e foi assessor de...Cavaco Silva!).

O sete, que é o número dos Mestres, a hipótese, entenda-se, tem toda a probabilidade de ser o gajo que se esconde atrás do dito facinora Miguel Abrantes!É jornalista e foi/é assessor!

Pensando ter dado um contributo decisivo para pensar como salvar a Pátria ...agora só falta mesmo é salvá-la!Mas hoje não me calha tamanha tarefa! Talvez amanhã...


Com o sentimento do dever pátrio cumprido e sustentando que, nesta linha botabaixista,estamos a caminho do V Império, estamos a vislumbrar o futuro radioso e os amanhãs que cantam (admite-se a possibilidade de virem a desafinar...), me subscrevo com os protestos (ou sem...) da minha mais elevada preocupação pelo estado de sitio em que se encontra a blogoesfera,

José Albergaria

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

O mundo novo da blogoesfera...


Por estes dias, meses, quiçá anos, a blogoesfera ganhou uma dimensão, uma qualidade e uma efervescência que condiciona costumes, pensamentos, comportamentos e ainda agendas...culturais, políticas, informativas e opinativas.


Ultimamente, além da nossa, modesta, política portuguesa e aquela que é suposta estar sedeada no Governo, vidé Sócrates (Lei do tabaco, reformas na saúde e no ensino, remodelação governamental...), temos as Primárias nos USA (sobre as quais os bloguistas recorrem, profusamente, a textos e imagens oriundas, no original, dos USA, sem legendas nem dobragem...), temos as efemérides (regícidio, Vieira e etc...), temos o folhetim Carvalho da Silva (fica, ou não fica à frente da CGTP) e, nos últimos dias tivemos o folhetim da "censura" do Expresso em relação a um texto indigente duma presunta colaboradora daquele Semanário - que ninguém conhece.


Em tudo isto vemos emergir, como lama viscosa que se nos cola ao corpo, de modo impressivo, a nossa "alma" nacional, os nossos mitemas, os nossos traumas, as nossas misérias, os nossos sonhos, os "fumos das Indias", o sebastianismo, o Vº Império e quejandos.


Creio que, nestes tempos de desconcerto, faz sentido recuperar o "emblema" do Abrupto do JPP, roubado ao Sá de Miranda "... M'espanto às vezes, outras m'avergonho...".


Releia-se "As Farpas" e percebemos que o patriotismo criticista dos de 70 vale, hoje, o que valia naqueles idos finiseculares (talvez até mais, com a inflação!...): releiam e, depois, ponderem onde estamos como Povo, como comunidade!...


Jorge de Sena (hoje, um mal amado, mas de obrigatória e sã leitura) disse uma coisa espantosa, daquelas mesmo de espantar!:"Camões soube transformar em obra d'arte o povo mais anárquico do mundo...".


Do Padre Vieira, dizem os comentadores encartados que foi um enorme cultor da nossa lingua ( e do latinório, já agora que aqui estamos), que foi travesso, que brigou nos brasís contra a Santa Inquisição e mais blá, blá e blá...Mas Vieira era, também, Jesuita (Companhia que foi inventada para dar combate à Reforma de Martinho Lutero e para demandar os Orientes civilizados, e nasceu na nossa muito amada Espanha/Castela...), e era mestiço, e era cultor duma certa "doudice".
Esta nossa mania de só dizer bem - dos defuntos! Este nosso jeito de pintar os defuntos às cores e, os vivos, sempre a P&B!


Disse Vieira: "Todos os que na matéria de Portugal se guiaram pelo discurso erraram e se perderam". Guilherme d'Oliveira Martins disse de Vieira (fora deste afã festeiro..):"A força argumentativa da razão (que tão bem cultivou) havia de se alcançar «com mistura de doudice»."


Alguém disse (creio que é um aforismo popular):"Depois de mim virá quem bem de mim dirá".


Nós, portugueses (dum modo geral...), temos um jeito muito peculiar para a intriga, para o maldizer, para a opinião gratuita (sem sustentação, nem argumentário, nem competência, nem informação que nos valha...)- só porque nos apetece, para cavalgarmos a onda,para, como a gaivota, apontarmos, sempre, para onde sopram os ventos.


Os anarquistas espanhóis, creio que ao tempo da República, nos anos 30 do século passado, tinham um dito, que era todo um programa: "Hay gobierno, soy contra!"


Neste dito, a nossa costela anarquista aí poderia estar plasmada.


Somos, todos,assim? Em demanda do Messias, à espera de D. Sebastião, maldizentes, invejosos, vaidosos, incompetentes,videirinhos, malandros, intriguistas,desconcertantes...Claro que não.


Há notáveis vultos, de antanho e coevos que tinham/têm um outro olhar sobre Portugal e os portugueses: D. Dinis, o Infante D.Pedro (filho de D.João I. Releiam a sua espantosa carta de Bruges...), D.João II, Afonso de Albuquerque, Damião de Góis, o Marquês de Pombal, Almeida Garrett, Alexandre Herculano,D. Pedro V, Oliveira Martins (quase toda a geração de 70)e, mais recentemente, José Mattoso e Eduardo Lourenço.


Na ciência e na tecnologia actuais, temos gigantes (Sobrinho Simões, Professor Quintanilha, Lobo Antunes, Casal Damásio, etc). Temos quase 50 investigadores no CERN, na Suiça. Tesmo tecnologia NOSSA nas aeronaves da NASA e no Programa GPS/Galileu da UE...


Muitos mais NOMES poderia listar, mas estes, poucos, servem só para ilustrar a minha "intenção"...


Estamos bem, como País?

Estamos mal, como Povo?


Depende, do que colocarmos antes, como pressupostos, destas perguntas.


Estamos melhor que no tempo de Salazar? Estamos melhor do que antes de termos aderido à CEE?


Sem sombra de dúvidas e em todos os itenes que utilizarmos. Então, ele há um que é mesmo um absoluto: a Liberdade! Eu sou daqueles que não discuto, nem negoceio, este Bem impressivo, inquestionável e de valor inestimável!


Estamos numa curva apertada do nosso devir como Povo e como Nação? Claro que sim.


O que se está a fazer, em nosso nome, está bem feito? Não sei.


O futuro (uma vez mais, o futuro...) no-lo dirá. A história nos há-de julgar (não só aos governantes,aos actores principais...)a TODOS.


Nestes tempos, em que o principio da incerteza, por todas as razões (e mais uma, que não estamos a ter em conta...)domina todos os tabuleiros - da política até às belas-artes, sustento e defendo com genuina crença - que há razões para ter confiança e acreditarmos que, "amanhã" o mundo poderá ser melhor.


Esta crença, paraliza-me?

Nem um pouco.

Dá-me, outrossim, o ensejo e a vontade de ir a contra-corrente, de não me deixar enredar em sonhos por cumprir, ou em projectos oportunistas, ou em derivas de enriquecimento fácil, ou em carreiras políticas ou de poder, sempre coisa éfemera, para justificar escolhas de passado mal feitas, derrotadas ou mal avaliadas.


Hoje, agora mesmo, quero tentar entender, quero saber,quero experimentar compreender, sem preconceitos, sem vendas para...para, singela ambição, SER MELHOR COMO HOMEM, e em cada dia que passa.


Quero procurar a VERDADE, em qualquer situação (coisa pequena!...) e a luz que ilumina e nos guia pelos trilhos da Humanidade.


José Albergaria


quinta-feira, outubro 04, 2007

Para a ex-Birmânia com amor....


Hoje acordei ao "som" metálico emitido há 50 anos pelo Sputnik, enviado pelas autoridades espaciais soviéticas , da ex-URSS, para a Lua, assinalando então, uma vitória tremenda destes sobre os USA.


Dizem-me que a emergência da Internet, sistema multipolar de envio e recepção de informação, terá sido "inventado" e agilizado pelos USA, como resposta a esta enorme vitória soviética!


Hoje estámos perante um feito notável da Humanidade,histórico, impressivo, que permitio aos astronautas americanos, anos mais tarde, quando alunaram, afirmarem: "Um pequeno passo para o homem, um imenso passo para a Humanidade!".


Pois, deveria ser neste terreno que as humanas criaturas se deveriam situar, trabalhar, procurar, descobrir e, sobretudo, cooperar! Infelizmente assim não é.


O que quero deixar, hoje, aqui, neste modestisssimo blog é uma mensagem, não tão importante quanto aquele som metálico da Sputnik, mas ainda assim merecedor de ser ouvido e em direcção ao povo da ex-Birmânia (Myanamar...parece que é assim que se escreve....), de desejos de Paz, de democracia, de direitos humanos plenos e do fim da ditadura sanguinária, militar e desumana.


Quero ainda desejar que a resposta internacional se mantenha activa e fulgurante, mas que bata onde é fundamental que ocorra: nas autoridades chinesas, que sustentam há décadas este regime inominável, medieval, que carrega milhares de assassinatos, torturas inenarráveis e sem pinga de vergonha!


Que as nossa "preces" bloguistas se cumpra, nesta data fantástica para a Humanidade!


José Albergaria