"Pode esta censura ser rejeitada na Assembleia da República, mas sem dúvida é aprovada no País".
Palavras foram ditas por Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, no passado dia 8, no debate sobre a moção de censura.
Não fiquei perplexo nem apoplético. O Bernardino, de uma vez para sempre, abdicou da Revolução; prefere a Profecia. Trocou Marx pela Sibila.
É um homem sem dúvidas -- ele sabe de ciência certa ( da sua ciência da qual não se vislumbram os fundamentos, as investigações, os resultados eleitorais, a representação política), o Bernardino sabe, de ciência certa, que o País aprovaria a moção de censura que os seus representantes eleitos ( do país) na maioria reprovaram. O Bernardio sabe mais do Povo do que o Povo sabe do Bernardino. O Povo é essa identidade mítica e tão abstracta que se engana sempre: nunca se lembra que o PCP é também um partido, o melhor partido, o que lhe dá melhores garantias. Mas o Povo, essa nebulosa que inquieta os bernardinos, nunca escolhe o PCP como o seu representante mais confiável. Vá-se lá saber porquê.
Em Bernardino,o dogma e a fé falaram mais alto que o voto. Eu bem sei que dizem que a fé move montanhas, ainda que até hoje se desconheça por inteiro que qualquer fé, seja de que credo for, tenha movido montanhas. Mas o Bernardino sabe, e, sem dúvida, que o país aprovaria a sua moção de censura Há melhor argumento do que este: não ter dúvidas e ter o país inteiro por ele?
O Bernardino é assim: venham os amanhãs que a fé já cá canta.
Um acrescento: andam por aí línguas maledicentes a rumorejar que esta moção de censura foi um gesto público de aviso à CGTP para não ser conciliadora, nada conciliadora, na concertação social. O respeito é muito bonito e a autoridade do Bernardino é inquestionável.
Pedro Castelhano
sábado, maio 10, 2008
quinta-feira, maio 08, 2008
Ó Catilina...
O antigo, ou melhor, o demissionário presidente do PSD, Luis Filipe Menezes, conseguiu criar um conjunto de ilusões aos presidentes de juntas de freguesia, aos seccionistas de futebol, aos irmãos da Santa Casa da Misericórdia, aos operários já sem fábricas, aos professores ainda não avaliados, tentando a simbiose, ainda não conseguida, do azeite com o vinagre.
Acabou por avinagrar tudo e fazer subir os azeites às tolas mais consideradas como tolas ( o problema do acordo ortográfico: não sei quando é o ó ou quando se utiliza o ô).
O Pacheco Pereira não gostou que o plantador de couves não discutisse com ele as altas e pequenas instâncias de Fuerbach; o Santana Lopes teve arrepios de repentino cosmopolitismo, exacerbados pela infância na Avenida de Roma, quando as devotas e os devotantes militantes queriam que comesse carapau de escabeche no exacto tempo que se preparava perfumado e vagamente blasé, para uma directa na Lux; a Ferreira Leite, arrancada ao dormitar do seu tricot de números em ponto cruz, não gostou que a obrigassem a fazer contas em papel de embrulho, em feiras onde encontrava sempre o Paulo Portas, a vender enxadas, o último modelo, que este homem gosta de estar sempre " à último modelo" ( não fosse seu lema o provérbio popular: cada enxada cada minhoca).
Quanto ao Passos Coelho, também conhecido pelo PPC, anda à procura da juventude perdida, um Obama de saldo, com um pregador de ilusões e muitos perdigotos, tal qual Ângelo Correia.
Por Júpiter, não há índio para tanto Custer.
Não é que esteja muito interessado, à semelhança, aliás, do País.
Mas não há tanta tensão para tanta ilusão.
Estou a vê-los na televisão: a avozinha com voz de bruxa má; o menino-guerreiro com ademanes de gigolo de datado filme italiano; o ex-jovem com o pensamento engravatado de um bancário do BCP.
E como eles correm, discorrem e se socorrem do que há de mais comum no lugar!
Como os padres já não contam, que as homilias já pagam IVA ( e, se não pagam, deviam pagar) o melhor é contratar o Tony Carreira para uma sessão na Aula Magna da Reitoria, e o Marco Paulo para uma erudita reflexão, numa entremeada com Pacheco Pereira e Vasco Graçça Moura, para o S. Carlos.
A Gulbenkian já está reservada, há muito tempo, para um concerto de violinos de Santana Lopes.
E se não acreditam que isto pode ser real, porque é que hão-de acreditar que Ferreira Leite, Santana Lopes e Passos Coelho são reais?
Dizem-me, amigos avisados, que são hologramas do PSD.
Pedro Castelhano.
Acabou por avinagrar tudo e fazer subir os azeites às tolas mais consideradas como tolas ( o problema do acordo ortográfico: não sei quando é o ó ou quando se utiliza o ô).
O Pacheco Pereira não gostou que o plantador de couves não discutisse com ele as altas e pequenas instâncias de Fuerbach; o Santana Lopes teve arrepios de repentino cosmopolitismo, exacerbados pela infância na Avenida de Roma, quando as devotas e os devotantes militantes queriam que comesse carapau de escabeche no exacto tempo que se preparava perfumado e vagamente blasé, para uma directa na Lux; a Ferreira Leite, arrancada ao dormitar do seu tricot de números em ponto cruz, não gostou que a obrigassem a fazer contas em papel de embrulho, em feiras onde encontrava sempre o Paulo Portas, a vender enxadas, o último modelo, que este homem gosta de estar sempre " à último modelo" ( não fosse seu lema o provérbio popular: cada enxada cada minhoca).
Quanto ao Passos Coelho, também conhecido pelo PPC, anda à procura da juventude perdida, um Obama de saldo, com um pregador de ilusões e muitos perdigotos, tal qual Ângelo Correia.
Por Júpiter, não há índio para tanto Custer.
Não é que esteja muito interessado, à semelhança, aliás, do País.
Mas não há tanta tensão para tanta ilusão.
Estou a vê-los na televisão: a avozinha com voz de bruxa má; o menino-guerreiro com ademanes de gigolo de datado filme italiano; o ex-jovem com o pensamento engravatado de um bancário do BCP.
E como eles correm, discorrem e se socorrem do que há de mais comum no lugar!
Como os padres já não contam, que as homilias já pagam IVA ( e, se não pagam, deviam pagar) o melhor é contratar o Tony Carreira para uma sessão na Aula Magna da Reitoria, e o Marco Paulo para uma erudita reflexão, numa entremeada com Pacheco Pereira e Vasco Graçça Moura, para o S. Carlos.
A Gulbenkian já está reservada, há muito tempo, para um concerto de violinos de Santana Lopes.
E se não acreditam que isto pode ser real, porque é que hão-de acreditar que Ferreira Leite, Santana Lopes e Passos Coelho são reais?
Dizem-me, amigos avisados, que são hologramas do PSD.
Pedro Castelhano.
terça-feira, maio 06, 2008
De elo em elo até à "cadeia" final!
Pois. A amizade tem destas coisas...e ainda bem que assim é.
Há quem nos "mime" e, esses, são os amigos.
Há, ainda, quem nos tenha mimado no tempo certo e faz muito tempo: ao João Tunes nada lhe recuso.
Se fiz o caminho, este meu caminho, que ainda percorro, pelas veredas agrestes da vida, a ele o devo.
Ele sabe pouco disto que p'rá aqui estou a discorrer, mas é assim mesmo.
Portanto, aqui vai:
Há quem nos "mime" e, esses, são os amigos.
Há, ainda, quem nos tenha mimado no tempo certo e faz muito tempo: ao João Tunes nada lhe recuso.
Se fiz o caminho, este meu caminho, que ainda percorro, pelas veredas agrestes da vida, a ele o devo.
Ele sabe pouco disto que p'rá aqui estou a discorrer, mas é assim mesmo.
Portanto, aqui vai:
- Não me importo nunca de dizer a verdade;
- Não me importo nunca de "questionar" o falso;
- Não me importo nunca de assumir compromissos com a minha consciência;
- Não me importo nunca de dizer que não sou sábio, porque estou, sempre, a aprender;
- Não me importo de assumir, sempre, que a Liberdade, a Amizade, a verdade, são Absolutos;
- Não me importo nunca de assumir que as minhas certezas...estão prenhes de relatividade;
Aqui ficam 6 desafios:
- Dizer 6 coisas que não se importe de fazer ou de ter.
- Colocar o link da pessoa que o "mimou".
- Colocar as regras no blog.
- Desafiar 6 pessoas.
sexta-feira, maio 02, 2008
Ainda Musil: De La Bêtise IV
Com as devidas distâncias e remetendo-a para o seu contexto histórico, mais uma pérola de Musil, filósofo e pensador (e ainda, e sempre, para festejar o meu Maio 68, na lingua de Voltaire!):
"On parle beucoup aujourd'hui d'une crise de confiance de l'humanisme, d'une crise qui menacerait la confiance que l'on a mise em l'homme jusqu'ici; on pourrait aussi parler d'une sorte de panique sur le point de succéder à l'assurance où nous étions de pouvoir mener notre barque sous le signe de la liberté et de la raison. Et nous ne devons pas nous dissimuler que ces deux concepts moraux - qui s´etendent à la morale de la création artistique: liberté et raison, concepts que l'âge classique du cosmopolitisme allemand nous avait légués comme critères de la dignité humaine, ont commencé,dès le milieu du XIXe siécle, ou un peu plus tard, à montrer des signes de décrepitude."
Robert Musil
De La Bêtise
Éditions Allia
JA
"On parle beucoup aujourd'hui d'une crise de confiance de l'humanisme, d'une crise qui menacerait la confiance que l'on a mise em l'homme jusqu'ici; on pourrait aussi parler d'une sorte de panique sur le point de succéder à l'assurance où nous étions de pouvoir mener notre barque sous le signe de la liberté et de la raison. Et nous ne devons pas nous dissimuler que ces deux concepts moraux - qui s´etendent à la morale de la création artistique: liberté et raison, concepts que l'âge classique du cosmopolitisme allemand nous avait légués comme critères de la dignité humaine, ont commencé,dès le milieu du XIXe siécle, ou un peu plus tard, à montrer des signes de décrepitude."
Robert Musil
De La Bêtise
Éditions Allia
JA
quinta-feira, maio 01, 2008
TOLERÂNCIA vs INTOLERÂNCIA no mundo da blogoesfera
A sua etimologia, vem do grego e do latim.
Numa e noutra linguas, o significante e o significado são próximos. Do significado diz-se: suportar a dor, suportar algo de imaterial, intelectual, de espiritual.
É uma dor que se sofre e que está, sempre, no dominio do espirito.
Portanto, uma pessoa tolerante é aquela que consegue, provavelmente, com estoicismo "suportar" a dor... O intolerante, obviamente, é o que se encontra nos antípodas desta capacidade.
É, pois, por isso que os "bons" cristãos, os bons "maçons", os bons "políticos", os "bons" clérigos (de qualquer igreja que consideremos...), os "bons" mestres, os "bons" professores...os "bons" qualquer profissão e/ou estatuto social que tenham são, SEMPRE, tolerantes.
Ultimamente, tenho frequentado muito BLOGUE, muito escrevinhador, comentador, arguentes de causas, ficcionistas, opinadores, comentadores, ajustadores de contas (próprias ou alheias...), que andam pela blogoesfera e o que tenho encontrado (na maioria dos casos...) é uma enorme intolerância.
Às vezes a roçar a campanha ad hominem ou até ad nauseam!
Isso desconforta-me? Claro que sim.
Hoje, neste patamar da minha vida em que me encontro (como diz o Mario de Carvalho do personagem da Sala Magenta: "Ele está está já na fase dos balanços. O que fez e aquilo que deixou de fazer; os afectos que não consumou; uma boémia inconsequente que praticou...em detrimento duma ocupação do tempo mais consistente..."), além dos balanços que me recuso a fazer (tenho muitos projectos para o futuro...), sinto-me apaziguado, bem de familia, mal de dinheiros (é um estado recorrente), tranquilo, conseguindo olhar o mundo com realismo, mas ainda assim com pragmatismo e, HOJE, como uma capacidade de historiador ISENTO, só me interessando a VERDADE e nunca procurando que a REALIDADE se ajuste á minha IDEOLOGIA ou à minha OPINIÃO, construida, sabe-se lá como. Olho o mundo sem cinismo, com optimismo (partindo do pressuposto que o optimista é, nem mais nem menos, que um pessimista bem informado...).
Há muitos bloguistas com preocupações em terem RAZÃO, incapazes de ouvir o outro, incompetentes para integrarem, no seu próprio pensamento, ou até nos seus afectos - a verdade do outro e o sentir do outro.
Neste MUNDO, na TERRA, na HUMANIDADE, onde impera o principio da incerteza, neste outro território, a blogoesfera encontrámos (encontro eu...) cada vez mais gente CONVENCIDA, sabendo TUDO e...sobre TUDO!
Têm opinião definitiva sobre a ECONOMIA, sobre os CONFLITOS REGIONAIS, sobre os USA, sobre ISRAEL, sobre o IRÃO...e tuti et quanti...
E sobre Portugal?! Sobre este tópico, então, é de nos levarem às lágrimas: têm opinião sobre, absolutamente, TUDO. Emerge uma crise no PPD/PSD...antecipam logo tudo o que vai acontecer e, sobretudo, como vai acontecer...
E a ética?! Ui!, Ui! Neste território é o deserto completo e, a má-fé, muitas das vezes, campeia de modo impúdico e delirante.
Veja-se o que ocorreu, faz pouco tempo com um "incidente" em que foi protagonista maior o colunista (publicista, como gosto de escrever e dizer) António Barreto.
O homem utilizou um documento apócrifo, propaganda "negra" pura, cujo "autor" seria o vice almirante Rosa Coutinho, datado de 1974.... e de Angola. "Milhares" de bloguistas exigiram que AB se retratasse, que pedisse desculpas. AB demorou a fazê-lo e, nesse interime, bloguistas houve que o enforcaram, o despacharam para as profundezas do inferno...Entretanto o homem, AB, pediu desculpas, em primeiro lugar ao Almirante Rosa Coutinho e, depois, no mesmo espaço que utilizou para argumentar a partir do documento apócrifo, pediu desculpas aos leitores do Público!
Quem, na blogoesfera, sublinhou esta atitude?! Sobram os dedos duma das minhas mãos para contar os que tal fizeram. Mesmo aqueles que apoiaram AB, considerando que a "carta" do vice almirante Rosa Coutinho só podia ser verdadeira, porque....porque sim, se excusaram a fazê-lo.
Pouca gente sublinhou este facto, que eu reputei de importante e em linha com os saudáveis principios da democracia, da nossa democracia ocidental e liberal!
Sustento eu que, uma boa polémica (mesmo até uma má...) é sempre saudável: faz bem aos neurónios e obriga-nos (ao modo do filósofo Sócrates...) a treinar o nosso argumentário. Não é por aqui que se faz a minha critica. É, outrossim, pelo lado da impunidade, da ausência de pudor, da vaidade, da estupidez e da humildade.
Quando alguém comete um erro, ou faz um disparate ( e se esse alguém tem o estatuto de AB, mais grave a coisa se torna) deve ser zurzido e vergastado. Mas, logo que esse alguém corrige, emenda a mão e se auto-critica, deve ser saudado e aplaudido. Eu fi-lo.
JA
Numa e noutra linguas, o significante e o significado são próximos. Do significado diz-se: suportar a dor, suportar algo de imaterial, intelectual, de espiritual.
É uma dor que se sofre e que está, sempre, no dominio do espirito.
Portanto, uma pessoa tolerante é aquela que consegue, provavelmente, com estoicismo "suportar" a dor... O intolerante, obviamente, é o que se encontra nos antípodas desta capacidade.
É, pois, por isso que os "bons" cristãos, os bons "maçons", os bons "políticos", os "bons" clérigos (de qualquer igreja que consideremos...), os "bons" mestres, os "bons" professores...os "bons" qualquer profissão e/ou estatuto social que tenham são, SEMPRE, tolerantes.
Ultimamente, tenho frequentado muito BLOGUE, muito escrevinhador, comentador, arguentes de causas, ficcionistas, opinadores, comentadores, ajustadores de contas (próprias ou alheias...), que andam pela blogoesfera e o que tenho encontrado (na maioria dos casos...) é uma enorme intolerância.
Às vezes a roçar a campanha ad hominem ou até ad nauseam!
Isso desconforta-me? Claro que sim.
Hoje, neste patamar da minha vida em que me encontro (como diz o Mario de Carvalho do personagem da Sala Magenta: "Ele está está já na fase dos balanços. O que fez e aquilo que deixou de fazer; os afectos que não consumou; uma boémia inconsequente que praticou...em detrimento duma ocupação do tempo mais consistente..."), além dos balanços que me recuso a fazer (tenho muitos projectos para o futuro...), sinto-me apaziguado, bem de familia, mal de dinheiros (é um estado recorrente), tranquilo, conseguindo olhar o mundo com realismo, mas ainda assim com pragmatismo e, HOJE, como uma capacidade de historiador ISENTO, só me interessando a VERDADE e nunca procurando que a REALIDADE se ajuste á minha IDEOLOGIA ou à minha OPINIÃO, construida, sabe-se lá como. Olho o mundo sem cinismo, com optimismo (partindo do pressuposto que o optimista é, nem mais nem menos, que um pessimista bem informado...).
Há muitos bloguistas com preocupações em terem RAZÃO, incapazes de ouvir o outro, incompetentes para integrarem, no seu próprio pensamento, ou até nos seus afectos - a verdade do outro e o sentir do outro.
Neste MUNDO, na TERRA, na HUMANIDADE, onde impera o principio da incerteza, neste outro território, a blogoesfera encontrámos (encontro eu...) cada vez mais gente CONVENCIDA, sabendo TUDO e...sobre TUDO!
Têm opinião definitiva sobre a ECONOMIA, sobre os CONFLITOS REGIONAIS, sobre os USA, sobre ISRAEL, sobre o IRÃO...e tuti et quanti...
E sobre Portugal?! Sobre este tópico, então, é de nos levarem às lágrimas: têm opinião sobre, absolutamente, TUDO. Emerge uma crise no PPD/PSD...antecipam logo tudo o que vai acontecer e, sobretudo, como vai acontecer...
E a ética?! Ui!, Ui! Neste território é o deserto completo e, a má-fé, muitas das vezes, campeia de modo impúdico e delirante.
Veja-se o que ocorreu, faz pouco tempo com um "incidente" em que foi protagonista maior o colunista (publicista, como gosto de escrever e dizer) António Barreto.
O homem utilizou um documento apócrifo, propaganda "negra" pura, cujo "autor" seria o vice almirante Rosa Coutinho, datado de 1974.... e de Angola. "Milhares" de bloguistas exigiram que AB se retratasse, que pedisse desculpas. AB demorou a fazê-lo e, nesse interime, bloguistas houve que o enforcaram, o despacharam para as profundezas do inferno...Entretanto o homem, AB, pediu desculpas, em primeiro lugar ao Almirante Rosa Coutinho e, depois, no mesmo espaço que utilizou para argumentar a partir do documento apócrifo, pediu desculpas aos leitores do Público!
Quem, na blogoesfera, sublinhou esta atitude?! Sobram os dedos duma das minhas mãos para contar os que tal fizeram. Mesmo aqueles que apoiaram AB, considerando que a "carta" do vice almirante Rosa Coutinho só podia ser verdadeira, porque....porque sim, se excusaram a fazê-lo.
Pouca gente sublinhou este facto, que eu reputei de importante e em linha com os saudáveis principios da democracia, da nossa democracia ocidental e liberal!
Sustento eu que, uma boa polémica (mesmo até uma má...) é sempre saudável: faz bem aos neurónios e obriga-nos (ao modo do filósofo Sócrates...) a treinar o nosso argumentário. Não é por aqui que se faz a minha critica. É, outrossim, pelo lado da impunidade, da ausência de pudor, da vaidade, da estupidez e da humildade.
Quando alguém comete um erro, ou faz um disparate ( e se esse alguém tem o estatuto de AB, mais grave a coisa se torna) deve ser zurzido e vergastado. Mas, logo que esse alguém corrige, emenda a mão e se auto-critica, deve ser saudado e aplaudido. Eu fi-lo.
JA
quarta-feira, abril 30, 2008
Ainda Musil: De La Bêtise III
Para festejar a minha "francofília" mantenho Musil em francês que, malgré tout, é uma muito bonita lingua.
"Le vieil adage:'Vanité et bêtisse poussent sur la même tige'. Ce que nous associons à la notion de vanité est bien l'attente d'une production moindre, l'autre sens du mot 'vain' étant proche 'd'inutile'".
Robert Musil
JA
"Le vieil adage:'Vanité et bêtisse poussent sur la même tige'. Ce que nous associons à la notion de vanité est bien l'attente d'une production moindre, l'autre sens du mot 'vain' étant proche 'd'inutile'".
Robert Musil
JA
terça-feira, abril 29, 2008
Porque hoje é DIA MUNDIAL DA DANÇA
CANÇÃO
dançamos com a garça trigueira,
dançamos como a garçota,
dançamos como a garça-real,
pessoas e garças dançam,
pelo remanso andamos
arrancando verbasco, dançando.
(Guaíbos)
Poemas Ameríndios, mudados para português por Herberto Helder
JA
dançamos com a garça trigueira,
dançamos como a garçota,
dançamos como a garça-real,
pessoas e garças dançam,
pelo remanso andamos
arrancando verbasco, dançando.
(Guaíbos)
Poemas Ameríndios, mudados para português por Herberto Helder
JA
domingo, abril 27, 2008
Da teologia e da laicidade
O frade dominicano, Bento Domingues, demolidor, afirmou sem tibiezas, ou sofismas enganadores (vidé Público de 27 de Abril p.p.):
"O culto da personalidade vive dessa preguiça. Ainda há bem poucos anos, era inimaginável um Papa melhor do que João Paulo II. Qualquer discordância era vista como uma infidelidade à igreja. Neste momento, não se perde nenhuma ocasião para exaltar o Papa teólogo e receber, como palavra divina, tudo quanto sai da sua boca ou da sua pena. Já não é suficiente que seja um bom teólogo, com uma boa carreira académica, entre muitos outros teólogos e académicos de várias correntes. A propaganda tenta fazer dele o teólogo, o único, no meio do deserto."
Como se percebe, Frei Domingues está a falar de Ratzinger, o cardeal, agora Bispo de Roma, o que gosta pouco de falar da sua juventude e do convivio de então com as hordas hitlerianas...
Mas é neste caldo que medram os totalitarismos e as suficiências das infalibilidades; é neste caldo que nascem as aberrações históricas associadas á Igreja Católica (universal!...) e ao Comunismo (também unversal!...) e a outras agremiações com a mesma tentação visionária...
Ainda nesta edição do Público, Faranaz Keshavjee, investigadora de estudos islâmicos, insurge-se, e bem, contra a decisão do Bispo de Cantuária ao permitir que os muçulmanos adoptem a sharia em países ocidentais "principalmente, porque, na eventualidade de haver várias doutrinas de aplicação da din e da dunya, é preciso, antes do mais, que os muçulmanos integrem a laicidade, partilhando e construindo sociedades de bem-estar e de prosperidade, partindo exactamente de valores religiosos que fundaram a sua própria fé, e que podem ser partilhados por outros grupos na sociedade."
Touché.
Este artigo, em minha opinião, é de leitura obrigatória para se considerar que é possível um pensamento plural do Islão e do Corão, mas...somente em sociedades ocidentais.
Nunca tal seria possível e/ou aceitável em países muçulmanos, penso eu e, muito menos, um aggiornamento da religião de Alá.
JA
"O culto da personalidade vive dessa preguiça. Ainda há bem poucos anos, era inimaginável um Papa melhor do que João Paulo II. Qualquer discordância era vista como uma infidelidade à igreja. Neste momento, não se perde nenhuma ocasião para exaltar o Papa teólogo e receber, como palavra divina, tudo quanto sai da sua boca ou da sua pena. Já não é suficiente que seja um bom teólogo, com uma boa carreira académica, entre muitos outros teólogos e académicos de várias correntes. A propaganda tenta fazer dele o teólogo, o único, no meio do deserto."
Como se percebe, Frei Domingues está a falar de Ratzinger, o cardeal, agora Bispo de Roma, o que gosta pouco de falar da sua juventude e do convivio de então com as hordas hitlerianas...
Mas é neste caldo que medram os totalitarismos e as suficiências das infalibilidades; é neste caldo que nascem as aberrações históricas associadas á Igreja Católica (universal!...) e ao Comunismo (também unversal!...) e a outras agremiações com a mesma tentação visionária...
Ainda nesta edição do Público, Faranaz Keshavjee, investigadora de estudos islâmicos, insurge-se, e bem, contra a decisão do Bispo de Cantuária ao permitir que os muçulmanos adoptem a sharia em países ocidentais "principalmente, porque, na eventualidade de haver várias doutrinas de aplicação da din e da dunya, é preciso, antes do mais, que os muçulmanos integrem a laicidade, partilhando e construindo sociedades de bem-estar e de prosperidade, partindo exactamente de valores religiosos que fundaram a sua própria fé, e que podem ser partilhados por outros grupos na sociedade."
Touché.
Este artigo, em minha opinião, é de leitura obrigatória para se considerar que é possível um pensamento plural do Islão e do Corão, mas...somente em sociedades ocidentais.
Nunca tal seria possível e/ou aceitável em países muçulmanos, penso eu e, muito menos, um aggiornamento da religião de Alá.
JA
"Esta foi a semana"
António Barreto, na sua crónica dominical andou bem nos quatro temas que escolheu. No quarto já falei.
Destacarei dois outros:
1-Diz o "cronista" (eu prefiro a velha expressão "publicista"...)sobre a crise do PPD/PSD: "Esta foi a semana em que as lutas no PSD atingiram a cor e a temperatura do ferro em brasa. A fazer lembrar a família Adams, mas com menos ternura e graça. Ou será a família Soprano, noutro ramo de negócios? Nunca, em mais de trinta anos, o debate dentro de um partido atingiu um tão baixo nível de educação e inteligência. (...)Ninguém diz ao que vem. Ninguém anuncia programas ou estratégias. Uns desgrenhados, outros arrumados. Uns bem-falantes, outros a vociferar. Uns básicos, outros sofisticados. Parecem bandos à solta, grupos esfomeados á procura de poder e poleiro. É possível que a luta entre famílias do PSD venha ajudar Sócrates e os socialistas. Mas esse é o menor dos males. Grave é o mal que faz ao país."
2- Ainda A. Barreto e sobre um tema sobre o qual já perorei aqui: a liberdade de imprensa versus honra e bom nome dos políticos. Diz o publicista: "Esta foi a semana em que, mais uma vez, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o estado português e os seus tribunais por tere considerado um jornalista culpado de comportamento impróprio e ilegal. O jornalista eduardo Dâmaso teria infringido a lei do segredo de justiça. O Tribunal Europeu considerou, novamente, que os tribunais portugueses têm uma comcepção limitada das liberdades de imprensa e de expressão e uma noção restrita do interesses público."
Já o Procurador Geral da Républica Adjunto(não consigo recordar-lhe o nome...) na revista da mesma Procuradoria sustentava a mesma tese: os nossos Juízes, os nossos tribunais, nos pleitos que opõem políticos a jornalistas e ou OCS, tendencialmente, condenam estes em favor da honra e do bom nome daqueles, restringindo assim a liberdade de expressão e de imprensa!
JA
Destacarei dois outros:
1-Diz o "cronista" (eu prefiro a velha expressão "publicista"...)sobre a crise do PPD/PSD: "Esta foi a semana em que as lutas no PSD atingiram a cor e a temperatura do ferro em brasa. A fazer lembrar a família Adams, mas com menos ternura e graça. Ou será a família Soprano, noutro ramo de negócios? Nunca, em mais de trinta anos, o debate dentro de um partido atingiu um tão baixo nível de educação e inteligência. (...)Ninguém diz ao que vem. Ninguém anuncia programas ou estratégias. Uns desgrenhados, outros arrumados. Uns bem-falantes, outros a vociferar. Uns básicos, outros sofisticados. Parecem bandos à solta, grupos esfomeados á procura de poder e poleiro. É possível que a luta entre famílias do PSD venha ajudar Sócrates e os socialistas. Mas esse é o menor dos males. Grave é o mal que faz ao país."
2- Ainda A. Barreto e sobre um tema sobre o qual já perorei aqui: a liberdade de imprensa versus honra e bom nome dos políticos. Diz o publicista: "Esta foi a semana em que, mais uma vez, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o estado português e os seus tribunais por tere considerado um jornalista culpado de comportamento impróprio e ilegal. O jornalista eduardo Dâmaso teria infringido a lei do segredo de justiça. O Tribunal Europeu considerou, novamente, que os tribunais portugueses têm uma comcepção limitada das liberdades de imprensa e de expressão e uma noção restrita do interesses público."
Já o Procurador Geral da Républica Adjunto(não consigo recordar-lhe o nome...) na revista da mesma Procuradoria sustentava a mesma tese: os nossos Juízes, os nossos tribunais, nos pleitos que opõem políticos a jornalistas e ou OCS, tendencialmente, condenam estes em favor da honra e do bom nome daqueles, restringindo assim a liberdade de expressão e de imprensa!
JA
A ética e a moral: o Público d'hoje esteve muito bem.
A minha vida, pretendo que assim seja sempre, assenta numa ética da responsabilidade e numa moral de convicções.
É no cotejo desta legenda que apreciei, sobremaneira, o que ocorreu hoje no Público de 27 de Abril.
1- António Barreto, como eu esperei, faz uma correcção ao texto que dedicou ao livro de Américo Botelho, Holocausto em Angola de 2007. Diz o académico: (...) "O almirante Rosa Coutinho acaba de negar, na revista Visão, a autoria da tal carta. Lamento ter utilizado como argumento esse documento apócrifo. As minhas desculpas ao senhor almirante e aos leitores."
Para mim, pessoalmente - chega.
2- O Provedor do Leitor, o jornalista Joaquim Viera, na mesma edição, dedica uma página inteira ao tema, intitulando a sua "peça" de "Os cronistas também se enganam". O que é de relevar, em meu entender, na prosa do provedor é a critica explicita ao Director do matutino, José Manuel Fernandes e invocação do Livro de Estilo do Público: eu já o tinha feito em post anterior.
3-Mas, tanto António Barreto, como Joaquim Vieira continuam a "enganar-se" e, com eles, a induzir os leitores do Público no mesmo erro. Já esclareci, em post anterior que o vice-almirante Rosa Coutinho nunca foi alto-comissário em Angola. Foi, isso sim, Presidente da Junta Governativa de Angola, entre julho de 1974 e Janeiro de 1975.O cargo de alto comissário para Angola - foi criado na sequência dos Acordos de Alvor, em 15 de janeiro de 1975...
JA
É no cotejo desta legenda que apreciei, sobremaneira, o que ocorreu hoje no Público de 27 de Abril.
1- António Barreto, como eu esperei, faz uma correcção ao texto que dedicou ao livro de Américo Botelho, Holocausto em Angola de 2007. Diz o académico: (...) "O almirante Rosa Coutinho acaba de negar, na revista Visão, a autoria da tal carta. Lamento ter utilizado como argumento esse documento apócrifo. As minhas desculpas ao senhor almirante e aos leitores."
Para mim, pessoalmente - chega.
2- O Provedor do Leitor, o jornalista Joaquim Viera, na mesma edição, dedica uma página inteira ao tema, intitulando a sua "peça" de "Os cronistas também se enganam". O que é de relevar, em meu entender, na prosa do provedor é a critica explicita ao Director do matutino, José Manuel Fernandes e invocação do Livro de Estilo do Público: eu já o tinha feito em post anterior.
3-Mas, tanto António Barreto, como Joaquim Vieira continuam a "enganar-se" e, com eles, a induzir os leitores do Público no mesmo erro. Já esclareci, em post anterior que o vice-almirante Rosa Coutinho nunca foi alto-comissário em Angola. Foi, isso sim, Presidente da Junta Governativa de Angola, entre julho de 1974 e Janeiro de 1975.O cargo de alto comissário para Angola - foi criado na sequência dos Acordos de Alvor, em 15 de janeiro de 1975...
JA
sábado, abril 26, 2008
A favor do ambiente
faltando só mais um monte para chegar a casa. O meu avô trazia-me bolachas Maria e uma bola listrada de borracha de Ceilão.
Outras vzes tomávamos a barca do Douro para a outra margem do rio. "Ó da barca" era o grito vicentino para a barca chegar puxada por uma corda que unia as duas margens e era manejada pelo barqueiro. Cabiam vacas e homens, todos junto na barca.
Agora em Maio ofrecia-se, como uma benção, um gesto de apaziguamento e boa vontade, um ramo enfeitado de cerejas, as primícias.
As mulhres já mondavam as ervas daninhas no esplendor das papoilas vermelhas, com o trigo já alto e grado.
E as jovens solteirs, por honra e vergonha, quando falhava o açafrão abortivo, apareiam a flutuar num poço, com os longos cabelos espalhados como se foram nenúnufares negros.
//////////////////////////////////////////////////////////////////
Pode haver liberdade sem justiça, mas nãopode haver justiça sem liberdade.
às vezes, apenas instantes de felicidade, tamanha a intensidade e a incandescência, que nais oarece um momento de eternidade.
///////////////////////////////////////////
25 de Abril outro ------A minha experiência como professor. A tomada da Câmara pelos meus alunos. Iminância de ser preso.Amargos eram os dias que antecederam ABRIL. A cobardia colectiva.Mas é no estrume que nasce, por vezes, o crisântemos mais belo.O ARNALDO, UM HOMEM CONSERVADOR,NUMA DEIXOU DE SE SENTAR À MINHA MESA , não pensando sequer os prejuízos que daí lhe podiam advir. E hoje estou farto de tentos democratas.
É aqui quer regresso. Tão sofrido que as cicatrizes reabrem em ferida que ainda não consegui curar.
E vem-me àmemória um episódio de nojo. Um aluno, informou, como se tivesse feito um acto heróico: "O R. é filho de um pide".Não consegui responder. Dei un grito que se ouviu em toda a escola. E pela primeira e única vez expulsei um aluno da sala da aulas.
O episódio perturbou-me durante muito tempo. A denúncia, a bufaria, ESTÃO NO NOSSO ADN POLÍTICO E SOCIAL há séculos. Não há nada a fazer.
///////////////////////////////////////////////
O sábio não é o que já muito sabe. É o que continua a aprender.
//////////////////
Palavras-------por vezes pedre ointadas de ternura.
Outras vzes tomávamos a barca do Douro para a outra margem do rio. "Ó da barca" era o grito vicentino para a barca chegar puxada por uma corda que unia as duas margens e era manejada pelo barqueiro. Cabiam vacas e homens, todos junto na barca.
Agora em Maio ofrecia-se, como uma benção, um gesto de apaziguamento e boa vontade, um ramo enfeitado de cerejas, as primícias.
As mulhres já mondavam as ervas daninhas no esplendor das papoilas vermelhas, com o trigo já alto e grado.
E as jovens solteirs, por honra e vergonha, quando falhava o açafrão abortivo, apareiam a flutuar num poço, com os longos cabelos espalhados como se foram nenúnufares negros.
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Pode haver liberdade sem justiça, mas nãopode haver justiça sem liberdade.
às vezes, apenas instantes de felicidade, tamanha a intensidade e a incandescência, que nais oarece um momento de eternidade.
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25 de Abril outro ------A minha experiência como professor. A tomada da Câmara pelos meus alunos. Iminância de ser preso.Amargos eram os dias que antecederam ABRIL. A cobardia colectiva.Mas é no estrume que nasce, por vezes, o crisântemos mais belo.O ARNALDO, UM HOMEM CONSERVADOR,NUMA DEIXOU DE SE SENTAR À MINHA MESA , não pensando sequer os prejuízos que daí lhe podiam advir. E hoje estou farto de tentos democratas.
É aqui quer regresso. Tão sofrido que as cicatrizes reabrem em ferida que ainda não consegui curar.
E vem-me àmemória um episódio de nojo. Um aluno, informou, como se tivesse feito um acto heróico: "O R. é filho de um pide".Não consegui responder. Dei un grito que se ouviu em toda a escola. E pela primeira e única vez expulsei um aluno da sala da aulas.
O episódio perturbou-me durante muito tempo. A denúncia, a bufaria, ESTÃO NO NOSSO ADN POLÍTICO E SOCIAL há séculos. Não há nada a fazer.
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O sábio não é o que já muito sabe. É o que continua a aprender.
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Palavras-------por vezes pedre ointadas de ternura.
E porque hoje é 26 de Abril...
O dia 25 de Abril de 1974 é uma marca na nossa história contemporânea e é, para citar uma vez mais Paul Veyne (prócere des Annalles e um dos mais brilhantes historiadores da Nouvelle Histoire...) um fenómeno ACONTECIMENTAL!
O que decorreu depois dessa data - alterou, definitivamente, o curso da História de Portugal e reformatou o País. Foi uma "revolução imperfeita", no sentido que lhe atribui José Medeiros Ferreira, dado que "tocou" pouco no Aparelho de Estado e pouco nos Aparelhos Ideológicos (veja-se o caso da Igreja Católica...).Mas foi-o revolução em muitos e impressivos, aspectos da nossa organização administrativa e política, dos direitos e, sobretudo, das LIBERDADES!
Há coisas que poderiam TER sido feitas de outro modo?...Pois há, mas a história não é feita de suponhamos, ou de hipóteses para o passado, mas de factos (aqueles factos questionáveis, interpeláveis, mas, sempre, incontornáveis...).
É óbvio que tal TEMA mereceria um dabate danado...mas fico-me pela enunciação.
Entretanto está em curso um pequeno "debate" na blogoesfera assente num terreno, para os historiadores, deveras "desconcertante" e escorregadio: a memória de protagonistas dos acontecimentos, a memória de testemunhas dos acontecimentos.
Quaisquer destas "fontes" são úteis, mas têm de ser cotejadas com o que os jornais escreveram, o que as Notas e os planos dos revoltosos do MFA contêm, alguns documentos, poucos, dos sediados e dos alvos a "abater, a controlar ou neutralizar, por estes: o Governo de Caetano e dos poucos apoios militares e policiais. E etc...
Adrede neste debate blogoesférico, pulam afectos, recordações dramáticas, pungentes episódios do foro pessoalíssimo de MUITOS bloguistas e, do lado dos antifascistas uma enormérrima vontade de fazer a DEMONSTRAÇÃO do valor absoluto da DATA que, este ano, comemorou 34 anos!
Nada mais legitimo e óbvio para os que vivenciaram a dita manhã. Como tão bem disse a nossa poeta maior (como Jorge de Sena o reconhecia: maior do que ele.) Sophia de Mello Breyner:
"Esta é a madrugada que eu esperava/O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo."
Deixo uma pergunta: quando nenhum dos protagonistas do 25 de Abril de 1974 cá estiver, quando não sobrarem testemunhas presenciais dos acontecimentos, como se irá comemorar o 25 de Abril? Como se explicarão os acontecimentos de então? Com os instrumentos que os Historiadores utilizam: as fontes, os documentos e a qualidade narrativa para a historigrafia que cada um deles há-de produzir!
Daqui a 50 anos a efeméride será "comemorada" com um desfile de "abrilistas" a saír do Marquês de Pombal até ao Rossio? Não faço a mínima ideia, mas parece pouco plausível que tal venha a ocorrer!...
Até porque, neste interime, poderá acontecer outro fenómeno de MAIOR grandeza que ofusque aqueloutro!
Porque não comemoramos a Constituição de 1820?
Alguém sabe o Hino da Carta, com letra e música do nosso rei D.Pedro IV? Alguém venera, o coração deste rei, que se encontra na Igreja da Lapa, no Porto?
Não pretendo ser "desmancha-prazeres", mas dizer, prudentemente, que TUDO É RELATIVO....mesmo até as NOSSAS CERTEZAS! As minhas também, claro está.
JA
O que decorreu depois dessa data - alterou, definitivamente, o curso da História de Portugal e reformatou o País. Foi uma "revolução imperfeita", no sentido que lhe atribui José Medeiros Ferreira, dado que "tocou" pouco no Aparelho de Estado e pouco nos Aparelhos Ideológicos (veja-se o caso da Igreja Católica...).Mas foi-o revolução em muitos e impressivos, aspectos da nossa organização administrativa e política, dos direitos e, sobretudo, das LIBERDADES!
Há coisas que poderiam TER sido feitas de outro modo?...Pois há, mas a história não é feita de suponhamos, ou de hipóteses para o passado, mas de factos (aqueles factos questionáveis, interpeláveis, mas, sempre, incontornáveis...).
É óbvio que tal TEMA mereceria um dabate danado...mas fico-me pela enunciação.
Entretanto está em curso um pequeno "debate" na blogoesfera assente num terreno, para os historiadores, deveras "desconcertante" e escorregadio: a memória de protagonistas dos acontecimentos, a memória de testemunhas dos acontecimentos.
Quaisquer destas "fontes" são úteis, mas têm de ser cotejadas com o que os jornais escreveram, o que as Notas e os planos dos revoltosos do MFA contêm, alguns documentos, poucos, dos sediados e dos alvos a "abater, a controlar ou neutralizar, por estes: o Governo de Caetano e dos poucos apoios militares e policiais. E etc...
Adrede neste debate blogoesférico, pulam afectos, recordações dramáticas, pungentes episódios do foro pessoalíssimo de MUITOS bloguistas e, do lado dos antifascistas uma enormérrima vontade de fazer a DEMONSTRAÇÃO do valor absoluto da DATA que, este ano, comemorou 34 anos!
Nada mais legitimo e óbvio para os que vivenciaram a dita manhã. Como tão bem disse a nossa poeta maior (como Jorge de Sena o reconhecia: maior do que ele.) Sophia de Mello Breyner:
"Esta é a madrugada que eu esperava/O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo."
Deixo uma pergunta: quando nenhum dos protagonistas do 25 de Abril de 1974 cá estiver, quando não sobrarem testemunhas presenciais dos acontecimentos, como se irá comemorar o 25 de Abril? Como se explicarão os acontecimentos de então? Com os instrumentos que os Historiadores utilizam: as fontes, os documentos e a qualidade narrativa para a historigrafia que cada um deles há-de produzir!
Daqui a 50 anos a efeméride será "comemorada" com um desfile de "abrilistas" a saír do Marquês de Pombal até ao Rossio? Não faço a mínima ideia, mas parece pouco plausível que tal venha a ocorrer!...
Até porque, neste interime, poderá acontecer outro fenómeno de MAIOR grandeza que ofusque aqueloutro!
Porque não comemoramos a Constituição de 1820?
Alguém sabe o Hino da Carta, com letra e música do nosso rei D.Pedro IV? Alguém venera, o coração deste rei, que se encontra na Igreja da Lapa, no Porto?
Não pretendo ser "desmancha-prazeres", mas dizer, prudentemente, que TUDO É RELATIVO....mesmo até as NOSSAS CERTEZAS! As minhas também, claro está.
JA
sexta-feira, abril 25, 2008
E porque hoje é 25 de Abril: a liberdade de imprensa
A "revolução imperfeita" de Abril de 1974, incluiu vários direitos. Um deles, central, na nossa democracia liberal e ocidental, é o da LIBERDADE DE IMPRENSA.
O exercício desta liberdade (como o das outras correlativas...) trouxe quadros normativos, regulamentação e até a ERC (!...).
Os jornais, alguns, excederam-se e criaram para uso editorial próprio o chamado LIVRO DE ESTILO.
O Público é um destes matutinos que possui um LIVRO DE ESTILO e... desde 1997!
Na origem deste LIVRO estiveram o então Director, Vicente Jorge Silva e José Mário Costa a que se juntaram, mais tarde, Jorge Wemans e Nuno Pacheco. A actualização do Livro até à última versão de 2005, fez-se com o apport de jornalistas da casa e de especialistas convidados.
Mas o que me importa reler é o que diz o LIVRO sobre os colaboradores, nos quais se incluem vários NOMES importantes, e de diversas áreas de competência, com estatutos editoriais complexos e distintos.
Nessa lista de colaboradores inclui-se o nosso famoso (na actualidade, por más razões...) António Barreto. Passo a citar o Livro de Estilo, do capitúlo "Critérios, géneros e técnicas":
"6-Os espaços de opinião
a. Informação e opinião têm espaços claramente demarcados no PÚBLICO
b- A opinião em sintonia com a actualidade diária divide-se em três géneros: o editorial, assinado por elemento da Direcção editorial; o comentário, assinado por um director, editor ou jornalista; e a opinião, assinada por um convidado.
Estes três géneros têm como denominador comum a interpretação clara e incisiva dos factos e, naturalmente, a opinião do autor sobre a matéria em causa. Essa opinião deverá ser sempre fundamentada, não se inspirando em razões exteriores ao objecto do comentário. Não há quaisquer restrições ao teor das opiniões expressas desde que elas se enquadrem nos preceitos de isenção ética e rigor de escrita que identificam o estilo do PÚBLICO. A independência de espírito, a irreverência e o desassombro polémico são necessários à vitalidade do jornal, mas não é admissível a utilização de uma linguagem panfletária ou insultuosa."
Este tema é tratado, exaustivamente, no Livro de Estilo, mas, para o efeito esta parte é-nos suficiente de modo a enquadrar a gravidade da situação e a responsabilidade do Director do Público, JMF.
E mais não digo sobre esta polémica com AB, na qual o douto académico -se mantem silencioso e imune às injunções feitas de vários pontos, pessoas, quadrantes e sensibilidades político-ideológicas, para que se pronuncie sobre a "carta falsamente atribuida ao Presidente da Junta Governativa de Angola de Julho de 1974 a Janeiro de 1975, o Vice Almirante Rosa Coutinho").
Disse.
Zé Albergaria
NB - Viva o 25 de Abril de 1974 e os seus heróis, os trezentos oficiais do quadro permanente.
O exercício desta liberdade (como o das outras correlativas...) trouxe quadros normativos, regulamentação e até a ERC (!...).
Os jornais, alguns, excederam-se e criaram para uso editorial próprio o chamado LIVRO DE ESTILO.
O Público é um destes matutinos que possui um LIVRO DE ESTILO e... desde 1997!
Na origem deste LIVRO estiveram o então Director, Vicente Jorge Silva e José Mário Costa a que se juntaram, mais tarde, Jorge Wemans e Nuno Pacheco. A actualização do Livro até à última versão de 2005, fez-se com o apport de jornalistas da casa e de especialistas convidados.
Mas o que me importa reler é o que diz o LIVRO sobre os colaboradores, nos quais se incluem vários NOMES importantes, e de diversas áreas de competência, com estatutos editoriais complexos e distintos.
Nessa lista de colaboradores inclui-se o nosso famoso (na actualidade, por más razões...) António Barreto. Passo a citar o Livro de Estilo, do capitúlo "Critérios, géneros e técnicas":
"6-Os espaços de opinião
a. Informação e opinião têm espaços claramente demarcados no PÚBLICO
b- A opinião em sintonia com a actualidade diária divide-se em três géneros: o editorial, assinado por elemento da Direcção editorial; o comentário, assinado por um director, editor ou jornalista; e a opinião, assinada por um convidado.
Estes três géneros têm como denominador comum a interpretação clara e incisiva dos factos e, naturalmente, a opinião do autor sobre a matéria em causa. Essa opinião deverá ser sempre fundamentada, não se inspirando em razões exteriores ao objecto do comentário. Não há quaisquer restrições ao teor das opiniões expressas desde que elas se enquadrem nos preceitos de isenção ética e rigor de escrita que identificam o estilo do PÚBLICO. A independência de espírito, a irreverência e o desassombro polémico são necessários à vitalidade do jornal, mas não é admissível a utilização de uma linguagem panfletária ou insultuosa."
Este tema é tratado, exaustivamente, no Livro de Estilo, mas, para o efeito esta parte é-nos suficiente de modo a enquadrar a gravidade da situação e a responsabilidade do Director do Público, JMF.
E mais não digo sobre esta polémica com AB, na qual o douto académico -se mantem silencioso e imune às injunções feitas de vários pontos, pessoas, quadrantes e sensibilidades político-ideológicas, para que se pronuncie sobre a "carta falsamente atribuida ao Presidente da Junta Governativa de Angola de Julho de 1974 a Janeiro de 1975, o Vice Almirante Rosa Coutinho").
Disse.
Zé Albergaria
NB - Viva o 25 de Abril de 1974 e os seus heróis, os trezentos oficiais do quadro permanente.
quinta-feira, abril 24, 2008
Liberdade de imprensa versus direito ao bom nome e à honra
Hoje, pela manhã, a Antena 1, e também o RCP, noticiavam que, um Procurador Geral da Républica Adjunto (não me recordo o nome...) publicou um artigo, na revista da Procuradoria sobre as sentenças (a tendência...) determinadas em Tribunal e pelos Juízes portugueses nos pleitos que opõem Políticos a jornalistas e/ou órgãos de comunicação social.
Diz o senhor Procurador Adjunto que, tendencialmente, é o bom nome e a honra dos políticos que prevalece, em detrimento da liberdade de expressão. As condenações vão, quase sempre, nessa direcção e ao arrepio do direito comunitário que, esse, salvaguarda, quase como um absoluto, a liberdade de expressão.
Ouvi ainda, hoje, também pela manhã, alguém sustentar que a liberdade de expressão e de imprensa é um dos pilares mais robustos da Democracia. Sem ela, resvalamos para o autoritarismo, para o respeitinho e para o varrimento, para debaixo do tapete, das mazelas da política e dos políticos.
Não poderia estar mais de acordo.
JA
Diz o senhor Procurador Adjunto que, tendencialmente, é o bom nome e a honra dos políticos que prevalece, em detrimento da liberdade de expressão. As condenações vão, quase sempre, nessa direcção e ao arrepio do direito comunitário que, esse, salvaguarda, quase como um absoluto, a liberdade de expressão.
Ouvi ainda, hoje, também pela manhã, alguém sustentar que a liberdade de expressão e de imprensa é um dos pilares mais robustos da Democracia. Sem ela, resvalamos para o autoritarismo, para o respeitinho e para o varrimento, para debaixo do tapete, das mazelas da política e dos políticos.
Não poderia estar mais de acordo.
JA
quarta-feira, abril 23, 2008
Quando não fazemos os trabalhos de casa...espalhamo-nos ao comprido. Ainda a carta de Rosa Coutinho.
Eu meti água, aqui, no Aqueduto.
O Água Lisa 6 também.
O sizudo e científico O Tempo das Cerejas, deixou-se arrastar pela imprecisão.
E, o que, de nós todos, se torna mais gravoso é o Ferreira Fernandes, angolano, creio eu que teve responsabilidades governamentais em Angola... no DN e no Sorumbático.
Pois:
O Vice Almirante Rosa Coutinho NUNCA foi Alto Comissário em Angola.
E sabem, todos, porquê? Porque o cargo só foi criado depois dos Acordos do Alvor, assinados em 15 de Janeiro de 1975, entre Portugal, a FNLA, a UNITA e o MPLA.
Foi então que se acordou, entre outras coisas que, para o Governo de Transição, até à Independência, marcada para 11 de Novembro de 1975, se criava o cargo de Alto Comissário em representação de Portugal e para o qual foi nomeado o general da Força Aérea Silva Cardoso. O último Alto Comissário, que abandonou Luanda a 11 de Novembro de 1975 foi o Vice Almirante...Leonel Cardoso.
O Vice Almirante Rosa Coutinho foi, de facto, Presidente da Junta Governatia de Angola de Julho de 1974 até aos Acordos de Alvor, que foram assinados , como já se disse, em 15 de Janeiro de 1975.
Sugestão:
Leia-se a cuidada, quanto rigorosa, obra de José Medeiros Ferreira, que integra o Oitavo Volume da História de Portugal, dirigida por José Mattoso e publicada pelo Circulo dos Leitores.
Está lá quase tudo sobre este período, que ajuda a perceber ainda melhor - a perfídia e a "incompetência" de quem forjou a "carta", não do Alto Comissário (cargo inexistente á época), mas saída, supostamente, do Palácio do Presidente da Junta Governativa.
JA
O Água Lisa 6 também.
O sizudo e científico O Tempo das Cerejas, deixou-se arrastar pela imprecisão.
E, o que, de nós todos, se torna mais gravoso é o Ferreira Fernandes, angolano, creio eu que teve responsabilidades governamentais em Angola... no DN e no Sorumbático.
Pois:
O Vice Almirante Rosa Coutinho NUNCA foi Alto Comissário em Angola.
E sabem, todos, porquê? Porque o cargo só foi criado depois dos Acordos do Alvor, assinados em 15 de Janeiro de 1975, entre Portugal, a FNLA, a UNITA e o MPLA.
Foi então que se acordou, entre outras coisas que, para o Governo de Transição, até à Independência, marcada para 11 de Novembro de 1975, se criava o cargo de Alto Comissário em representação de Portugal e para o qual foi nomeado o general da Força Aérea Silva Cardoso. O último Alto Comissário, que abandonou Luanda a 11 de Novembro de 1975 foi o Vice Almirante...Leonel Cardoso.
O Vice Almirante Rosa Coutinho foi, de facto, Presidente da Junta Governatia de Angola de Julho de 1974 até aos Acordos de Alvor, que foram assinados , como já se disse, em 15 de Janeiro de 1975.
Sugestão:
Leia-se a cuidada, quanto rigorosa, obra de José Medeiros Ferreira, que integra o Oitavo Volume da História de Portugal, dirigida por José Mattoso e publicada pelo Circulo dos Leitores.
Está lá quase tudo sobre este período, que ajuda a perceber ainda melhor - a perfídia e a "incompetência" de quem forjou a "carta", não do Alto Comissário (cargo inexistente á época), mas saída, supostamente, do Palácio do Presidente da Junta Governativa.
JA
Porque hoje é dia Mundial do Livro
O livro que quero oferecer:
A Loja dos Suicídios
Romance
Jean Teulé
Editora: Guerra & Paz
Tradução: Suzana Ferrão
"Uma pérola de humor negro", Le Parisien
Ofereci este livro ao meu filho, de 15 anos, pouco assíduo no convivio dos livros. Ontem, quase o devorou, depois das aulas!
JA
A Loja dos Suicídios
Romance
Jean Teulé
Editora: Guerra & Paz
Tradução: Suzana Ferrão
"Uma pérola de humor negro", Le Parisien
Ofereci este livro ao meu filho, de 15 anos, pouco assíduo no convivio dos livros. Ontem, quase o devorou, depois das aulas!
JA
José Saramago: critico?!
José Saramago, o nosso, vivo, único, Prémio Nobel da Literatura (e isto é prova de qualidade literária, ou ética, ou da análise que ele produza sobre o quer que seja?...) disse, ontem, na inauguração duma exposição, comissariada por um cidadão espanhol, sobre a sua vida, sonhos e obra, que se encontra no Palácio da Ajuda, e cito:
"Em Portugal não temos espirito crítico: estamos aborregados."
Eu acho que, como dizia Goethe, a "ignorância activa" é do pior que há e é muito perigosa!
Saramago, desde que eu o recordo, sempre foi convencido,snob,e sustentando, sem nunca o enunciar, que a "humildade" faz mal à saúde.
Mas, em meu entender, desta vez, espalhou-se ao comprido!
Quem é o "sujeito" que Saramago esconde atrás de "temos"? e o sujeito que ele sugere, mas não lhe atribui nome, na vizinhança de "aborregados"?
Saramago, por puro marketing editorial e comercial "pirou-se" para Lanzarote (não o fez como o nosso Teixeira Gomes, que desistiu de ser presidente da Républica e foi para a Argélia, onde morreu; não o fez como António Machado, que se exilou em França,onde veio a morrer,na enxurrada provocada pela derrota da Républica Espanhola às mãos das hordas assassinas da Falange franquista.)
Não. Saramago foi para Lanzarote...porque sim! E ninguém tem nada a ver com tal decisão pessoal, do foro intimo do senhor.
Contudo, já sobre as suas invectivas perorantes, no espaço público, sobre essas "posso" e "quero" falar.
Lanzarote fica longe? Portugal, o de 2008, é inacessível? É dificil ter notícias rigorosas da Pátria?
Quantas manifestações se realizaram nos últimos meses, em Portugal, nos vários sectores, sociais e profissionais (professores, função pública, policias, militares, antigos combatentes, industria automóvel, textéis e etc.)criticando o Governo, os empresários, as chefias militares e policiais?
No Parlamento, as várias oposições quantas e reiteradas vezes, criticaram o governo, os Ministros e os Secretários de Estado? Os jornais, as Rádios, as cadeias televisivas, quantas vezes criticaram a Justiça, os governantes, os políticos? Os criticos literários, asseguraram as recensões dos livros, mas quem critica, séria e qualificadamente aqueles? Poucos, mas a excepção encontra-se representada por António Guerreiro de O Expresso, que muito prezo!
A democracia portuguesa, tirante alguns aspectos menos edificantes, está a funcionar e não se porta mal, mesmo em confronto com as democracias europeias mais antigas e consolidadas.
Então onde é que Saramago foi descobrir o déficite de critica e o aborregamento?
Depois de pouco pensar (Saramago, para mim, não vale sequer uns sapatos de defunto...)descobri: no Partido Socialista e, claramente, no Partido Comunista Português, seu partido de sempre...
Diga-se, por amor à verdade que, no PS sempre se consegue descobrir umas vozes, mais ou menos criticas (Alegre, Ana Gomes, Cravinho, o Neto dos moldes, Mário Soares e mais uns quantos). Mas, aqui, o facto do PS estar no poder, com maioria absoluta, leva outros putativos criticos (António José Seguro, Manuel Maria Carilho e ou até joão Soares...) a deixarem-se silenciar, mas lá estão à espera da "oportunidade". Sim, porque, a critica, também carece de circunstâncias.
E o PCP? Onde está a critica e os criticos? Será que foi para este grémio que Saramago escolheu o "estamos aborregados"? Talvez. Quem sabe?...
Saramago saberá quem são os "sujeitos" que se escondem atrás da critica que fez,mas que, por via disso, ficam sem objecto!
Uma tentativa mais: será o Povo português?!...
Bem dizia Óscar Lopes, o linguista do Porto, militante, de sempre, do PCP, que não gostava muito da ficção de Saramago, porque ela denotava, nomeadamente, uma enorme incultura filosófica.
Estará aqui a explicação para a boutade, para a pesporrência de Dom Saramago? Talvez.
Glosando o Rei de Lanzarote, sempre digo : "Porque no te callas?!
Glosando Almada Negreiros, no seu manifesto anti-Dantas:
" O senhor Saramago não é português. Pum!
O senhor Saramago é espanhol. Pum! Pimba!"
JA
PS - O senhor Saramago conhece a blogoesfera portuguesa?
E, já agora, en passant, conhece o espantoso blog cubano Generacion Y?
Quer mais espirito crítico, quer mais desalinhamento do que neste espaço de liberdade e pluralismo?!Quer menos "aborregamento" do que neste território de confronto, ácido, às vezes, aqui e acolá, insultuoso, mas sempre crítico, sempre a fustigar quem se escolhe para alvo!
Hoje calhou-me em sorte, e com vontade o faço, escolher Dom Saramago para o fustigar, CRITICAR: então não foi usted que pediu um "Porto Ferreira"? Que se pôs a jeito para ser criticado?
Eu tenho espirito critico e não estou aborregado. Não lhe parece, Dom Saramago?!
"Em Portugal não temos espirito crítico: estamos aborregados."
Eu acho que, como dizia Goethe, a "ignorância activa" é do pior que há e é muito perigosa!
Saramago, desde que eu o recordo, sempre foi convencido,snob,e sustentando, sem nunca o enunciar, que a "humildade" faz mal à saúde.
Mas, em meu entender, desta vez, espalhou-se ao comprido!
Quem é o "sujeito" que Saramago esconde atrás de "temos"? e o sujeito que ele sugere, mas não lhe atribui nome, na vizinhança de "aborregados"?
Saramago, por puro marketing editorial e comercial "pirou-se" para Lanzarote (não o fez como o nosso Teixeira Gomes, que desistiu de ser presidente da Républica e foi para a Argélia, onde morreu; não o fez como António Machado, que se exilou em França,onde veio a morrer,na enxurrada provocada pela derrota da Républica Espanhola às mãos das hordas assassinas da Falange franquista.)
Não. Saramago foi para Lanzarote...porque sim! E ninguém tem nada a ver com tal decisão pessoal, do foro intimo do senhor.
Contudo, já sobre as suas invectivas perorantes, no espaço público, sobre essas "posso" e "quero" falar.
Lanzarote fica longe? Portugal, o de 2008, é inacessível? É dificil ter notícias rigorosas da Pátria?
Quantas manifestações se realizaram nos últimos meses, em Portugal, nos vários sectores, sociais e profissionais (professores, função pública, policias, militares, antigos combatentes, industria automóvel, textéis e etc.)criticando o Governo, os empresários, as chefias militares e policiais?
No Parlamento, as várias oposições quantas e reiteradas vezes, criticaram o governo, os Ministros e os Secretários de Estado? Os jornais, as Rádios, as cadeias televisivas, quantas vezes criticaram a Justiça, os governantes, os políticos? Os criticos literários, asseguraram as recensões dos livros, mas quem critica, séria e qualificadamente aqueles? Poucos, mas a excepção encontra-se representada por António Guerreiro de O Expresso, que muito prezo!
A democracia portuguesa, tirante alguns aspectos menos edificantes, está a funcionar e não se porta mal, mesmo em confronto com as democracias europeias mais antigas e consolidadas.
Então onde é que Saramago foi descobrir o déficite de critica e o aborregamento?
Depois de pouco pensar (Saramago, para mim, não vale sequer uns sapatos de defunto...)descobri: no Partido Socialista e, claramente, no Partido Comunista Português, seu partido de sempre...
Diga-se, por amor à verdade que, no PS sempre se consegue descobrir umas vozes, mais ou menos criticas (Alegre, Ana Gomes, Cravinho, o Neto dos moldes, Mário Soares e mais uns quantos). Mas, aqui, o facto do PS estar no poder, com maioria absoluta, leva outros putativos criticos (António José Seguro, Manuel Maria Carilho e ou até joão Soares...) a deixarem-se silenciar, mas lá estão à espera da "oportunidade". Sim, porque, a critica, também carece de circunstâncias.
E o PCP? Onde está a critica e os criticos? Será que foi para este grémio que Saramago escolheu o "estamos aborregados"? Talvez. Quem sabe?...
Saramago saberá quem são os "sujeitos" que se escondem atrás da critica que fez,mas que, por via disso, ficam sem objecto!
Uma tentativa mais: será o Povo português?!...
Bem dizia Óscar Lopes, o linguista do Porto, militante, de sempre, do PCP, que não gostava muito da ficção de Saramago, porque ela denotava, nomeadamente, uma enorme incultura filosófica.
Estará aqui a explicação para a boutade, para a pesporrência de Dom Saramago? Talvez.
Glosando o Rei de Lanzarote, sempre digo : "Porque no te callas?!
Glosando Almada Negreiros, no seu manifesto anti-Dantas:
" O senhor Saramago não é português. Pum!
O senhor Saramago é espanhol. Pum! Pimba!"
JA
PS - O senhor Saramago conhece a blogoesfera portuguesa?
E, já agora, en passant, conhece o espantoso blog cubano Generacion Y?
Quer mais espirito crítico, quer mais desalinhamento do que neste espaço de liberdade e pluralismo?!Quer menos "aborregamento" do que neste território de confronto, ácido, às vezes, aqui e acolá, insultuoso, mas sempre crítico, sempre a fustigar quem se escolhe para alvo!
Hoje calhou-me em sorte, e com vontade o faço, escolher Dom Saramago para o fustigar, CRITICAR: então não foi usted que pediu um "Porto Ferreira"? Que se pôs a jeito para ser criticado?
Eu tenho espirito critico e não estou aborregado. Não lhe parece, Dom Saramago?!
terça-feira, abril 22, 2008
"Os inimigos da democracia"
António Barreto, sociólogo, académico, investigador, fotógrafo, guionista de TV, politíco, publicista, andou mal, mesmo muito mal, na história da carta, suposta e falsa, atribuida ao Vice Almirante Rosa Coutinho e inserta num livro de memórias sobre os anos de brasa em Angola, 75/77 no pós independência nacional daquele país africano.
Aderente da blogoesfera, AB, partilha um mesmo espaço com vários nomes sonantes do Jornalismo e/ou da Opinião publicada: o SORUMBÁTICO.
Tem como colegas de blog: João Paulo Guerra, Baptista Bastos, Joaquim Letria, Nuno Brederode dos Santos, Carlos Pinto Coelho e... Ferreira Fernandes (que publicou naquele Blog as duas crónicas, editadas no DN e que dedicou ao texto de AB, dado à estampa no Público de 13 de Abril.).
António Barreto não tugiu nem mugiu: de que estará à espera?!...
Contudo, e é disto que aqui quero tratar, no passado dia 20 de Abril escreveu um notável texto sobre a crise no PPD/PSD. Aqui deixo um excerto daquela análise.
Disse Barreto:
"Menezes derrotou-se a si próprio como quase ninguém conseguiu derrotar outrem . Sem apelo, sem remédio, sem misericórdia. E sobretudo sem saber o que estava a fazer. Mostrou que também, nos partidos, não apenas nos governos e nos parlamentos, os seus dirigentes caem por si, muitas vezes nem precisam que alguém os derrube. Não mostrou competência. Fez-se de vítima. Acusou os seus correligionários de perseguição e cinismo, coisas que nunca lhe faltaram quando era oposição dentro do partido. Deixou-se influenciar por aqueles assessores, vampiros por procuração, que pedem aos seus príncipes sangue e guerra, mas que são eles próprios incapazes de um gesto de carácter. Usou a demagogia sem contenção. Inventou e cultivou inimigos, pois julgou que era essa a força de um político. Não mostrou ter qualidade de líder ou de homem de estado capaz de destroçar aquela que é a maior fonte de conspiração e intriga do país, o PSD. Fez como os maus estudantes: espalhou-se ao comprido. E como eles reagiu: acusou os outros."
E, contudente, afirma, mais adiante, AB:
"Se excluirmos as tentativas de alguns militares e do PCP, nos anos da revolução de 1974 e 1975, quem ameaçou a democracia foram sempre os democratas. Por incurável demagogia. Por má gestão. Por incapacidade de decisão. Por adiamento de reformas e iniciativas. Por sobreposição de interesses partidários e pessoais aos problemas do país. Por lutas intestinas inúteis e perniciosas. Por demedida ambição de algumas pessoas. Por um grosseiro partidarismo. Por uma irreprimível vaidade de alguns dirigentes. Pela complacência perante a corrupção, a fraude, a irregularidade e o expediente. A derrota de Menezes, em si, é um facto menor da vida portuguesa. (...) Se quiserem encontrar os verdadeiros inimigos da democracia, não é preciso ir procurar muito longe: basta começar pelos partidos e pelos políticos democráticos."
Que irrepreensível análise sobre a crise provocada pela demissão de Filipe Menezes da presidência do PPD/PSD!
Mas esta preocupação de AB - não poderia, ele mesmo, aplicá-la a si próprio?...
Não se poderá, mutantis mutandi, ajustar esta análise ao silêncio confrangedor ao qual AB se remeteu, ainda se remete, quanto à crónica de 13 de Abril?...
Creio bem que sim.
JA
Aderente da blogoesfera, AB, partilha um mesmo espaço com vários nomes sonantes do Jornalismo e/ou da Opinião publicada: o SORUMBÁTICO.
Tem como colegas de blog: João Paulo Guerra, Baptista Bastos, Joaquim Letria, Nuno Brederode dos Santos, Carlos Pinto Coelho e... Ferreira Fernandes (que publicou naquele Blog as duas crónicas, editadas no DN e que dedicou ao texto de AB, dado à estampa no Público de 13 de Abril.).
António Barreto não tugiu nem mugiu: de que estará à espera?!...
Contudo, e é disto que aqui quero tratar, no passado dia 20 de Abril escreveu um notável texto sobre a crise no PPD/PSD. Aqui deixo um excerto daquela análise.
Disse Barreto:
"Menezes derrotou-se a si próprio como quase ninguém conseguiu derrotar outrem . Sem apelo, sem remédio, sem misericórdia. E sobretudo sem saber o que estava a fazer. Mostrou que também, nos partidos, não apenas nos governos e nos parlamentos, os seus dirigentes caem por si, muitas vezes nem precisam que alguém os derrube. Não mostrou competência. Fez-se de vítima. Acusou os seus correligionários de perseguição e cinismo, coisas que nunca lhe faltaram quando era oposição dentro do partido. Deixou-se influenciar por aqueles assessores, vampiros por procuração, que pedem aos seus príncipes sangue e guerra, mas que são eles próprios incapazes de um gesto de carácter. Usou a demagogia sem contenção. Inventou e cultivou inimigos, pois julgou que era essa a força de um político. Não mostrou ter qualidade de líder ou de homem de estado capaz de destroçar aquela que é a maior fonte de conspiração e intriga do país, o PSD. Fez como os maus estudantes: espalhou-se ao comprido. E como eles reagiu: acusou os outros."
E, contudente, afirma, mais adiante, AB:
"Se excluirmos as tentativas de alguns militares e do PCP, nos anos da revolução de 1974 e 1975, quem ameaçou a democracia foram sempre os democratas. Por incurável demagogia. Por má gestão. Por incapacidade de decisão. Por adiamento de reformas e iniciativas. Por sobreposição de interesses partidários e pessoais aos problemas do país. Por lutas intestinas inúteis e perniciosas. Por demedida ambição de algumas pessoas. Por um grosseiro partidarismo. Por uma irreprimível vaidade de alguns dirigentes. Pela complacência perante a corrupção, a fraude, a irregularidade e o expediente. A derrota de Menezes, em si, é um facto menor da vida portuguesa. (...) Se quiserem encontrar os verdadeiros inimigos da democracia, não é preciso ir procurar muito longe: basta começar pelos partidos e pelos políticos democráticos."
Que irrepreensível análise sobre a crise provocada pela demissão de Filipe Menezes da presidência do PPD/PSD!
Mas esta preocupação de AB - não poderia, ele mesmo, aplicá-la a si próprio?...
Não se poderá, mutantis mutandi, ajustar esta análise ao silêncio confrangedor ao qual AB se remeteu, ainda se remete, quanto à crónica de 13 de Abril?...
Creio bem que sim.
JA
segunda-feira, abril 21, 2008
A ética jornalística existe?
António Barreto, a 13 de Abril, no Público, foi notícia, na blogoesfera e no DN, por más razões: o ter dado eco a uma carta "assinada" pelo Vice Almirante Rosa Coutinho, ao tempo em que era Alto Comissário em Angola, falsa, fabricada em 1975 , divulgada a partir de Joanesburgo .
O autor do "embuste" já se denunciou, faz tempo. É por isto, que, o jornalista do DN, Ferreira Fernandes escreveu, e cito: (...) "é falsa...porque sim."
Em carta enviada ao Provedor do Leitor do jornal em questão, um jornalista português, mas que tem nacionalidade angolana, Artur Queirós, já denunciou o embuste e pediu, ao Director do Jornal e ao publicista em questão, para se retratatrem, cada um a seu modo, correspondendo ao seu grau de responsabilidade...no "incidente".
Até agora, nada aconteceu. Nem um, nem o outro, entenderam que o deviam fazer: estarão a gerir o tempo? A ética dos jornalistas, e das pessoas de bem, aconselharia que tivesse sido já este domingo, mas esperemos - para ver!...
Em contraponto, aprecie-se a tomada de posição do Director de O Expresso, o jornalista Henrique Monteiro, sobre a notícia dada no Expresso Digital, sobre o "falso" internamento de Pinto da Costa, no Hospital da Luz, "vitima" de um AVC. Esta tomada de posição ocorreu na edição de 19 de Abril.
Em substãncia, diz Henrique Monteiro: a noticia era falsa, não foram cumpridos os protocolos da ética jornalista, instaurou-se um inquérito para apuramento de responsabilidades, já se pediu desculpas às pessoas ofendidas e penalizadas!
Henrique Monteiro revelou-se uma pessoa de bem (eu já o sabia e, portanto, não me surpreendeu), probo e, como jornalista, praticante duma Ética irrepreensível.
Fica aqui, neste modesto blog, o registo de que a Ética jornalística existe e, para os lado de O Expresso está de boa saúde. Quanto ao Público, ainda vou esperar para ver...
JA
O autor do "embuste" já se denunciou, faz tempo. É por isto, que, o jornalista do DN, Ferreira Fernandes escreveu, e cito: (...) "é falsa...porque sim."
Em carta enviada ao Provedor do Leitor do jornal em questão, um jornalista português, mas que tem nacionalidade angolana, Artur Queirós, já denunciou o embuste e pediu, ao Director do Jornal e ao publicista em questão, para se retratatrem, cada um a seu modo, correspondendo ao seu grau de responsabilidade...no "incidente".
Até agora, nada aconteceu. Nem um, nem o outro, entenderam que o deviam fazer: estarão a gerir o tempo? A ética dos jornalistas, e das pessoas de bem, aconselharia que tivesse sido já este domingo, mas esperemos - para ver!...
Em contraponto, aprecie-se a tomada de posição do Director de O Expresso, o jornalista Henrique Monteiro, sobre a notícia dada no Expresso Digital, sobre o "falso" internamento de Pinto da Costa, no Hospital da Luz, "vitima" de um AVC. Esta tomada de posição ocorreu na edição de 19 de Abril.
Em substãncia, diz Henrique Monteiro: a noticia era falsa, não foram cumpridos os protocolos da ética jornalista, instaurou-se um inquérito para apuramento de responsabilidades, já se pediu desculpas às pessoas ofendidas e penalizadas!
Henrique Monteiro revelou-se uma pessoa de bem (eu já o sabia e, portanto, não me surpreendeu), probo e, como jornalista, praticante duma Ética irrepreensível.
Fica aqui, neste modesto blog, o registo de que a Ética jornalística existe e, para os lado de O Expresso está de boa saúde. Quanto ao Público, ainda vou esperar para ver...
JA
staline e igreja
Sem me querer envolver na polémica sobre o stalinismo -pensando eu que a existência e defesa do dogma não são boas conselheiras -sempre me apetece dizer que o estalinismo e-porque não?-- o leninismo, têm na sua prática similitudes com o catolicismo. Têm os seus mártires, seja do nazismo e fascismo, seja dos imperadores romanos, têm as suas certezas como absolutas e que hão-de vencer no futuro, mesmo que o presente seja de derrotas. Staline estudou para pope ( padre), a Passionaria ( santa maria das Astúrias que deu o nome de guerra a Dolores Ibarruri) era uma devota até à sua reconversão já próximo da idade adulta; Cunhal teve, por parte da sua mãe, uma esmerada educação católica . Ambas as crenças ou dogmas admitem que a principal razão lhes pertence. Mataram em nome da razão e da fé ( fosse ela 'revolucionária' ou apenas religiosa), na Inquisição e no Goulag, acreditaram-se sempre como vanguardas, seja na luta contra os infiéis, seja no combate a todos aqueles que acreditam e acreditaram que as "liberdades colectivas","amplas liberdades" no eufemismo, não podem de modo algum esmagar, como esmagaram, as liberdades individuais. Milhões de mortos seja nas fogueiras dos torquemadas ou nos nos campos de concentração estalinistas, retiram a qulquer um deles (Igreja ou comunismo que nunca chegou a haver) qualquer superioridade moral, qualquer dimensão ética, enquanto colectivos e instituições. Não ponho eu em causa que na Igreja Católica, quer nos partidos comunistas, não haja excelentes pessoas, de irrepreensível conduta. O que está em causa não é qualidade do indivíduo, o que está em causa é uma ideologia que, em seu nome, pode levar um homem bom a matar outro homem bom. Um carrasco pode ser um pai exemplar, que não significa que deixe de ser carrasco; um homem livre, vítima do carrasco, pode não ser um pai exemplar, o que não significa que deixe de ser um homem capaz de ser livre. Ao nazismo e ao fascismo, na sua barbárie, devemos acrescentar o "comunismo" de Staline, na sua necessidade de matar os outros, em nome de uma utopia em que ele próprio não acreditava. Podemos acrescentar Pol Pot, a Coreia de Norte, a China e tantos e tantos atentados à dignidade humana.
Penso que os pedidos de perdão sobre um passado não são suficientes se não forem claramente condenados por uma prática presente. Que me interessa que se condene Staline se se continuam a utilizar métodos stalinistas ( não obviamente com o terror e a morte, que os tempos são outros e o poder é outro); que me importa que o Papa peça desculpa por Galileu, pelos queimados na Inquisição, pelas guerras que fomentou, se, nos seus métodos, já sem Inquisição nem poder temporal, continua, porém, a tentar impor valores morais ( tão dogmáticos que não permitem a dúvida), a sociedades profanas, seja ela qual for a sua ideologia, e a condicionamentos e restrições das liberdades individuais?
Vivemos um tempo de inquietação e dúvida, sem certezas, apenas com algumas convicções, com a necessidade de um aprofundamento ideológico em que o religioso não esmague o laico, ainda que a espiritualidade aprofunde o conhecimento do homem. As religiões inquietam, sejam elas quais forem, no Médio Oriente, nos USA ou, mesmo na Europa, porque querem condicionar a política e servir de freio e constrangimento à liberdade do homem, ao seu pensamento e ao seu protesto.
P.S.( post scriptum): Eu vi com estes olhos que a terra há-de comer, uma fotografia de dois dirigentes sorridentes: Mário Nogueira e Luís Filipe Meneses. Às vezes uma imagem vale muitas palavras. Tudo o resto é poeira, no argumento do efémero, para esconder a essência do acto.
R.R.
Penso que os pedidos de perdão sobre um passado não são suficientes se não forem claramente condenados por uma prática presente. Que me interessa que se condene Staline se se continuam a utilizar métodos stalinistas ( não obviamente com o terror e a morte, que os tempos são outros e o poder é outro); que me importa que o Papa peça desculpa por Galileu, pelos queimados na Inquisição, pelas guerras que fomentou, se, nos seus métodos, já sem Inquisição nem poder temporal, continua, porém, a tentar impor valores morais ( tão dogmáticos que não permitem a dúvida), a sociedades profanas, seja ela qual for a sua ideologia, e a condicionamentos e restrições das liberdades individuais?
Vivemos um tempo de inquietação e dúvida, sem certezas, apenas com algumas convicções, com a necessidade de um aprofundamento ideológico em que o religioso não esmague o laico, ainda que a espiritualidade aprofunde o conhecimento do homem. As religiões inquietam, sejam elas quais forem, no Médio Oriente, nos USA ou, mesmo na Europa, porque querem condicionar a política e servir de freio e constrangimento à liberdade do homem, ao seu pensamento e ao seu protesto.
P.S.( post scriptum): Eu vi com estes olhos que a terra há-de comer, uma fotografia de dois dirigentes sorridentes: Mário Nogueira e Luís Filipe Meneses. Às vezes uma imagem vale muitas palavras. Tudo o resto é poeira, no argumento do efémero, para esconder a essência do acto.
R.R.
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