quarta-feira, julho 02, 2008

O Mercado das Teorias e a Feira das Opiniões II

Ontem deixei, em suspenso - a questão do marxismo.
Enorme presunção esta de deixar o "marxismo" em suspenso! Mas passemos adiante deste pequeno escolho.
Creio que é o filósofo francês Paul Ricoeur, com um percurso de vida deveras singular e um dos mais próficuos pensadores franceses do século XX, que inventa e define Marx, Nietzsche e Freud como os mestres da "suspeição".
O nosso DS vai utilizar esta abordagem de maneira curiosa e, de algum modo cómica.
O marxismo tem, em si mesma, como teoria, uma abordagem sobre a consciência dos seus próprios opositores: estes estão, obviamente, enganados, porque as suas situações, de classe, os condicionam no sentido de pensarem como os capitalistas.
Esta consciência não passa pois de uma máscara, que esconde os interesses reais. Mas, curiosamente, com o marxista passa-se quase o mesmo e com igual proficiência, mas com uma diferença de monta:"os seus interesses coincidem com os da própria Humanidade".
É a consciência do marxista que está certa. Com a emergência de Marx e do marxismo deixou de haver inocência e, menos ainda, consciência inocente: ela é moral ou imoral. É sobre este pedestal que os comunistas irão "construir a sua superioridade moral!"
Diz o nosso autor,DS,que, na Alemanha, sobretudo depois de 1968 "o marxismo dominava o mercado das teorias na Alemanha, porque era imbatível na área da suspeição ideológica."
É espantoso o facto do marxismo, como TEORIA, ter continuado ainda em alta durante ainda mais de vinte anos, quando desde 1956 (Hungria) e 1968 (Checoslováquia)e mesmo, antes desta datas, já havia denúncias tremendas e seguras, das malfeitorias de Estaline e seus próceres, quando já se conhecia muito da realidade prática em que se atolava o marxismo!
Então, ainda em finais da década de 60, o marxismo tinha uma oferta muito variada dedicada ao "sentido" da vida de cada um, de cada povo e até da humanidade. Cada "cliente", para utilizar o calão de DS, poder recolher um fantástico cenário onde lhe era atribuído e pedido para desempenhar papel de herói e protagonista da história. Os intelectuais (os exemplos são aos milhares e ocorreram em todas as latitudes do planeta)sentiam-no, o marxismo, como uma TEORIA única, complexa, mesmo até holística, e que apelava a uma atitude interveniente, missionária, redentora do homem e da Humanidade. O marxismo punha em linha a sua ascensão e sucesso de vendas, através duma divulgação eficiente, "lançando, simultaneamente, a suspeição sobre o adversário".
Hoje, em que ponto se encontra o marxismo?
Depois do colapso, que teve inicio em 1986, do socialismo real, na Europa Ocidental, o marxismo vai cair numa crise profundíssima. Até então, o marxismo, não se tinha confrontado com a realidade e, menos ainda, com o seu insucesso como TEORIA. Este desfecho, nem os mais "optimistas" conservadores e reaccionários o tinha previsto! Nem mesmo a Senhora de Fátima (que admitiu só a conversão da Rússia bolchevista!...)foi capaz de adivinhar tal desastre!
Este desfecho era, de todo, mais do que imprevisível.
A pergunta que sobrevive e que é de mor pertinência, na actualidade: algum dia o marxismo se irá recompor?
DS, sobre este entreacto, aborda-o com muita prudência: "Se alguma vez irá recompor-se é algo que é difícil prever. talvez assim não aconteça sob a sua forma antiga e é provável que ocorram radicalizações, constituições de seitas e metamorfoses [transfigurações] teóricas. De momento até os observadores do mercado mais qualificados se calam."
JA

terça-feira, julho 01, 2008

O Mercado das Teorias e a Feira das Opiniões I

Dos livros mais estimulantes que alguma vez li.

Este livro escrito pelo alemão Dietrich Schwanitz, a pretexto de que os seus alunos sabiam pouco de história, de literatura e, menos ainda de filosofia é, em meu entendimento, imperdível e ao qual se tem de retornar, uma e outra vez...

A partir de agora vamos chamar-lhe DS, por comodidade minha.

DS sustenta que, com a emergência da modernidade, com o império da razão de Descartes, o pai fundador da filosofia moderna, século XVII, a religião inicia um processo comatoso. As «mundividências» vão apropriar-se do seu lugar. Começam, nas oficinas dos filósofos, a explicar-se o mundo. Entretanto começam a emergir os ismos (liberalismo, darwinismo, marxismo, vitalismo...) produzidos por grupos, gangs de intelectuais, que se propunham preencher as lacunas interpretativas do mundo. Impôs-se então o conceito globalizante de "TEORIA"

Hoje, este mercado das TEORIAS tem feiras, bolsas, PSI20, Nasdac, onde elas se apresentam com taxas cambiais oscilantes. A este mercado preside o mesmo deus que reina em TODOS os outros: a MODA.

Quem se precipitar, quem for primeiro (isso pode-se ver, também, na nossa blogoesfera: o primeiro a comentar, o primeiro a postar, o primeiro a singularizar-se na abordagem de matéria nova...)leva vantagens sobre todos os outros produtores. A moda, toda ela e em qualquer dos sectores que a consideremos vive do desvio que introduz face ao já existente: isto ocorre no vestuário, na música, de algum modo na literatura, hoje menos na pintura e na escultura. Na filosofia, nessa,então, não se percebe bem o que está a ocorrer.

"Existem, afirma DS, portanto, teorias que estão na «moda» e outras que são «águas passadas». Existem rótulos fraudulentos e imitações de artigos de marca, concorrência desleal e material de candonga, períodos de nostalgia, ondas de reciclagem, liquidações totais e pechisbeques; há épocas de ouro e depressões, falências e retomas."

Com a prova de vida, ou de morte, de falência da TEORIA do MARXISMO, que significou a implosão do Socialismo Real na Europa Ocidental(e as acomodações operadas na China...)parece que o Marxismo terá, ele também, como TEORIA de interpretação e de transformação do Mundo, morrido... Mas, dos teóricos encartados actuais, mesmo dos que estão na MODA, quem se arrisca a assinar a CERTIDÃO D'ÓBITO daquela TEORIA?
Parece que ninguém estará disponível para tal!
O marxismo morreu? O marxismo vai ressuscitar? Como? Quando? Com que contornos?

O Cristianismo teve pais fundadores, refundadores, modernizadores,conservadores, reformadores: Santo Agostinho de Ipona, S. Tomás D'Aquino, Lutero, Santo Inácio de Loyola, Josemaria Escrivá de Balaguer e ainda o Irmão Roger fundador duma nova regra e da Comunidade de Taizé...
O marxismo, o comunismo, que, à sua maneira, quis ser "católico" terá os seus refundadores, modernos ou conservadores?
Em próximo poste "atacaremos" esta questão.
JA



segunda-feira, junho 30, 2008

A "renuncia" de Maria Gabriela Llansol...


Naquele magnifico livro "O começo de um livro é precioso", Maria Gabriela renúncia, explicita e expressamente. De que modo o faz? Assim:
"2
Renunciei a que alguém, um dia, me chame:«Avó Gabriela».
No entanto, tive um devaneio a noite passada. Eu ouvia planger,
De facto e auditivamente, em texto, o latido surdo
De um cão ruivo pronunciando:«Avó Gabriela». Feliz, Trova
Dava-me a pata e eu dei-lhe para a mão o próprio texto
Ainda no seu estado sonoro cénico.
Com a pata sobre o texto, parecia o ícone do quinto evangelista."

Uf! está dita a renuncia, desconcertante e perturbadora renuncia, da Maria Gabriela Llansol...

JA



domingo, junho 29, 2008

E o Sacro Império Romano - foi derrotado!

Nas disputas pelo titulo de Império e de imperador, na longa história do Alto Medievo europeu, emergiu,após a "renascença" carolíngia, em que Carlos Magno, rei dos francos, se sagrou Imperador, pela mão e pelo bordão de Leão III, um outro império, o da Rhinlândia, ao tempo de Ótão, com o beneplácito papal: surgindo então o Sacro Império Romano, uma espécie de sociedade por quotas, entre a Germânia e o papado de Roma.

Esta urgência, necessidade, que alguns réis tinham do beneplácito Papal assenta num dos maiores embustes da história do Papado da igreja católica: o Édito de Constantino, documento apócrifo, que bem jeito deu ao Papado...

Hoje, dia 29 de Junho de 2008, na Viena de Strauss, os alemães levaram não só um baile (podia ser uma valsa,mas pareceu-me mais um pasodoble)de bola, como a sociedade que mantêm com o Bento XVI, o cardeal Ratzinger, foi, elegantemente, cilindrada pelos "povos" da Ibéria (veja-se as várias auriflamas com que outros tantos jogadores se drapejaram...no final do jogo).

Por tudo isto, e mais o que não se pode descrever em palavras, que viva a Selecção de Futebol de Espanha e mais TODOS os representantes dos povos da Ibéria que a integravam!

JA


sábado, junho 28, 2008

"O Começo De Um Livro É Precioso"

Uma, e outra vez, sempre, Maria Gabriela Llansol.


Deste "precioso" livro, com desenhos de Ilda David, um pequenino trecho...para degustarem, saborearem e para concluirmos, todos, que bem escreve a Maria Gabriela e quão "mágica" é a arte de dizer, escrevendo!


" 1
O começo de um livro é precioso. Muitos começos são preciosíssimos.
Mas breve é o começo de um livro - mantém o começo perseguindo. Quando este se prolonga, um livro seguinte se inicia.
Basta esperar que a decisão de intimidade se pronuncie.
Vou chamar-lhe fio ____linha, confiança, crédito, tecido."

JA

Salvador Allende: chileno, socialista e...maçon.

A 26 de Junho de 1908 nasceu Salvador Allende, que viria a dirigir um Governo de Unidade Popular, na sua pátria, o Chile, do cobre e dos nitratos adubeiros.

Foi assassinado pelas hordas de Augusto Pinochet, seu Chefe de Estado Maior General da Forças Armadas do Chile (as mais constitucionalistas e civilistas da Latino América), que assaltaram o Palácio da La Moneda a 11 de Setembro de 1973. Salvador Allende morreu, bravamente, com armas na mão, na defesa do mandato democrático que o Povo do Chile lhe tinha atribuído.

Allende constituiu um Aliança de Unidade Popular, que integrava o seu, dele, Partido Socialista e, entre outros, o lendário Partido Comunista do Chile, também de Neruda e dirigido por Luís Córvalan.

Allende era um homem duma imensa humanidade, socialista, laico e maçon (gostava muito de assumir esta sua condição de pedreiro-livre, livre pensador e livre examinista). Esta condição não o impediu de coisa alguma na política. Muito pelo contrário. Tolerante, como sempre foi, abriu-se às várias possibilidades para criar um Chile independente, progressivo e melhor. Perdeu. Falhou. Foi derrotado por um golpe patrocinado pelos USA e pela CIA e executado por Augusto Pinochet.

Fez unidade com os comunistas. Os tempos eram outros. Os tempos, após o golpe do General Pinochet foram outros, ainda mais desconcertantes.

Luís Córvalan, SG do PC Chile foi libertado das masmorras de Pinochet, por troca com dissidentes soviéticos e chegou a Moscovo em, se a memória não me atraiçoar, Outubro de 1979.

Em Novembro de 1989, ainda com Augusto Pinochet a Presidente do Chile (exerceu o mandato usurpado, de 11 de Setembro de 1973 a 11 de Março de 1990), o ditador da RDA, Eric Honecker, depois do derrube do muro de Berlim, demite-se de todos os cargos que detinha no Estado e no Partido (que se confundiam) e "foge" para Moscovo (ainda com Gorbatchov).

Aqui chegado instala-se na embaixada do Chile de Pinochet, onde pede exilio e estadia nela durante 232 dias, pedindo e negociando o seu envio para Santiago, juntamente com sua mulher.

É já com o sucessor de Pinochet (eleito com o beneplácito deste...), Patrício Aylwin Azócar, democrata-cristão, advogado, que o ditador da RDA, Eric Honecker, desembarca em Santiago do Chile, nos princípios de Julho de 1990!

Malhas que a diplomacia tece?!...Talvez. É mesmo provável que assim tenha sido, mas que é deveras desconcertante...é-o!

JA

PS - A foto foi fanada ao Tempo das Cerejas (os meus agradecimentos e a devida vénia), que recordou a efeméride...e bem, mas de modo diverso do meu.

Maria Gabriela Llansol: Amar Um Cão.


Já me confessei, uma vez.A escrita de Maria Gabriela Llansol teve, para mim, a dimensão da revelação!

Cada vez que me intrometo na sua, dela, escrita, o sentimento persiste, avassalador, fulgoroso:revelação!

Deixo-vos, a todos, particularmente, aos meus amigos que gostam e/ou têm cães, um naco dum livro deveras singular, "Desenhos A Lápis Com Fala -Amar Um Cão-":


"_____houve uma breve hesitação da parte de quem transportava o recém-nascido________o meu cão Jade, há muito tempo; muito, e com grande intensidade, aconteceu durante esse tempo breve em que Jade foi deixado suspenso sobre um medronheiro, sem mãe visível, num berço nem celeste,
nem terrestre. No lugar que toda a planta acolhe, e que o entregara ao medronheiro,
sentia sobre si uma incidência animal alada,
que nem era verdadeiramente pássaro,
nem verdadeiramente quadrúpede.

Era um fio de voz soando à altura do corpo musical que compunha a mata, um choro que coincidia com a convulsão das primeiras gotas de chuva; um sentimento ténue envolvia a cabeça emergindo do verde, e as pequeninas patas, saídas de um pano de baptista, não comoviam
a planta lenhosa,
já habituada a palpitações e folhas.
mas o ritmo novo que, pouco a pouco, não se identifi-
cava com a chuva, e tornava vermelho de tempo activo a
atmosfera, fez erguer o medronheiro sobre si mesmo
«que ser tão frágil mais alto que eu».

Se o ar não tivesse uma densidade leve, teria quebrado
Jade. Jade, que acabara de nascer sobre as bagas purpúreas dos medronhos,
e o ruído dos ramos partidos, já pensava. Um pensa-
mento de leite subia nos sítios pedregosos, fora do local da casa, e da cerca com cerros e penhascos. Ele trazia
nos olhos um instrumento azul para medir o diâmetro do sol, e dos astros; lia-se neles uma linguagem que só
mais tarde, muito mais tarde, encontraria equivalente
na boca:
«o meu pai não existe fora da descrição do Sol; cami-
nho através da murta, do aderno, da aroeira, e avistei
esta serra em que memória vê primeiro o porto de nas-
cer;mal nasci, situei-me, em vida interior, em face do
mar; ergo para a minha dona os meus olhos frágeis,
opondo-me a uma adversária que, de certeza, me ama:
faço-lhe pedidos
luta comigo;
dá-me a sensação de ter saído vencido, mas com rebeldia.»"

Não fiqueis perplexos com o arrimo, arrumo, gráfico deste desconcertante naco de prosa Llansoliana. Ela é muito, mesmo muito, gráfica, quase pictórica.

Os espaços em branco que ela ocupa, ou liberta, fazem parte intrinseca do seu pulsar narrativo, da sua prosódia e aliteração. É mesmo asssim. Tal e qual.


Zé Albergaria

quinta-feira, junho 26, 2008

E esta Turquia merece entrar na Europa?!


A Turquia do futebol, que derrotou a República Checa, a Croacia e se bateu, bravamente, contra a fria e eficiente Alemanha, e só foi abatida pela nossa selecção, não só merece estar na Europa, como lá esteve de plenissimo direito!
Quanto ao outro processo, do alargamento da UE e da compatibilização da Turquia, regime, instituições e etc, já as coisas piam mais fino. No entanto, eu, por todas as razões e mai'la dimensão histórica do dossier, gostaria de ver a Turquia, laica, porta de entrada (e saida) do mundo islãmico, na Europa económica, social, política e, ainda, cultural: Istambul, como o Bósforo, é feita de várias correntes!
JA

terça-feira, junho 24, 2008

Em louvor da Irlanda


Nestes tempos conturbados em que a Irlanda e os irlandeses, os que votaram, os que se abstiveram, os que votaram NÃO e os que votaram SIM - no referendum ao Tratado de Lisboa, têm andado nas bocas do mundo ocidental e europeu por "más" razões ou expúrias questões, esqueci-me do Bloomsday.
Em viagem por um dos meus blogues preferidos, o de Pierre Assouline, jornalista do Le Monde e critico literário, "roubei-lhe" a referência à efeméride.
O herói do Ulisses de Joyce tem o patronímio Bloom e, num dia bem contado, faz a sua "viagem", ao modo homérico, na Dublin de James Joyce. É de tal modo bemquisto, tanto a obra como o personagem que, a data da sua viagem, o 16 de Junho é comemorado, em Dublin, em toda a Irlanda e nomeado de Bloomsday, em honra e louvor do herói joyciano.
Adrede a este facto a singularidade de, na história inglesa haver um dia, o Bloodsday, dia sangrento ou, como ficou registado, "o dia do juízo final" e que, dito, um e outro,este e aquele, têm sonoridades que semelham e que se confundem...
Como diz George Steiner, é pela cultura que a Europa pode e será viável.Em nome dessa cultura, quase universal, aqui fica, um pedaço fora do tempo da efeméride, o meu preito de menagem a James Joyce e á Irlanda.
JA

segunda-feira, junho 23, 2008

Ainda o Tratado de Lisboa, o Instituto do Referendum e a "Ideia de Europa"































1- A REPÚBLICA DA IRLANDA, O TRATADO DE LISBOA E O FUTURO DESTE

O Tratado de Lisboa após a votação referendária na Irlanda, idependente dos ingleses desde 1922, católica, mas com seis condados a Norte, maioritariamente protestantes, ainda integrantes do Reino Unido, sofreu um abalo. Mas,contrariamente ao que se propala,creio eu, não está morto...menos ainda, enterrado.

Os irlandeses gostam tanto de referenda como de cerveja, de literatura e de música.

Pequeno país, com 4 milhões de habitantes na República da Irlanda e 2 milhões na Irlanda do Norte, têm, nada menos, do que quatro prémios Nobel da literatura: Yeats, Bernard Shaw, Samuel Beckett e Seamus Heaney e conta, ainda, na sua história literária, com Bram Stoker, Jonathan Swift, Oscar Wild e, o genial, James Joyce, cujo personagem central (o Ulisses actual)deu dia festivo:Bloomsday (creio eu que é assim que se grafa...). Na música contemporânea: U2, Sinead o'Connor, The Pogues, Bob Geldorf, Van Morisson, The Cranberries. E ainda o actor Peter O'Tool e o pintor Francis Bacon .

Nos EUA 70 milhões de pessoas reinvindicam a sua origem irlandesa. Com a adesão à CEE muitos membros da diáspora irlandesa retornaram e milhares de polacos aqui se vieram instalar. Na década de 90, com os apoios comunitários, a Irlanda cresce ao ritmo de 7,2% ao ano. As previsões para 2008 rondam os 2,3%!...

Recuperando o gosto irlandês pelos referenda e a Europa, vemos o seguinte: em 1972 decidiram aderir à CEE, via referendum; referendaram o Acto Único Europeu, o Tratado de Maastricht e o de Nice. Este foi rejeitado uma vez e, à segunda - foi aceite!

Os 27 países aderentes da UE, em Lisboa, durante a presidência portuguesa, negociaram, entre si, com cedências várias (a mais notória foi a que foi protagonizada então pelos gémeos polacos...) assinaram o dito protocolo do Tratado de Lisboa e, depois, deveriam, em cada um dos países, ratificá-lo, do modo que entendessem. À data, 19 países confirmaram o Tratado. A Irlanda rejeitou-O pela via do reeferendum popular.

A pergunta que se coloca: temos um problema na UE ou, ao invés, têm os irlandeses um problema para resolver?!...A resposta a esta pergunta vai ser determinante para o Tratado de Lisboa.

Eu, pessoalmente, não consegui vislumbrar o que quer que fosse, de "muito" gravoso no Tratado de Lisboa. Isto é assim , como eu sustento, porque a UE vai no bom caminho da consolidação dos adquiridos desde o Tratado de Roma (vivemos em paz, estámos a ganhar massa critica no mundo e precisamos de reformas políticas comunitárias para contarmos mais ainda no concerto das nações). O Tratado de Lisboa tem quase TUDO para a Europa poder CONTAR...de facto!

Então porque é que os irlandese votaram NÃO? Um estudo de opinião, já realizado despois do referendum, aponta para o seguinte:

a/ Cerca de 22% dos NÃO fizeram-no porque desconheciam o conteúdo essencial do Tratado de Lisboa; b/Cerca de 12% dos NÃO fizeram-no para assegurarem a "identidade" irlandesa;c/ A desconfiança em relação à classe política nacional é reponsável por cerca de 5% de NÃO. Acresce a isto alguns tremendos disparates de Brian Cowen, em plena campanha, que terá afirmado não ter sequer lido o texto do Tratado de Lisboa e, mesmo o actual Comissário Irlandês afirmou, e cito "ninguém no seu perfeito juízo" quereria ler o Tratado de Lisboa! Com militantes e arautos destes...para que precisavam os irlandeses de eurocépticos para ganhar o NÃO?!...

2- DO INSTITUTO DO REFERENDUM

As discussões que temos travado, em Portugal, em torno deste instituto dava para um tratadista de direito se deleitar na escrita duma SUMA. Estou certo disso.

A nossa Constituição de 1976 não foi referendada( na Irlanda foi); as sucessivas revisões, também o não foram (na Irlanda qualquer revisão tem de ser referendada);a regionalização, determinação constitucional desde o texto de 1976 - não tem de ser referendada; o Prof. Marcelo, ao tempo Presidente do PPD/PSD, empurrou o eng.º Guterres, então chefe do governo, para uma revisão constitucional (não referendada)"manhosa" que obriga a referendum a "regionalização em concreto"; e então o referendum sobre a IVG? Já não nos lembrámos que, no primeiro, por pesporrência e incompetência das "esquerdas", acrescida da deriva "católica" do chefe do governo e SG do PS à época, o eng.º Guterres, o NÃO ganhou! E o que se fez, após tal desaire? repetiu-se o Refrendum (se bem que o PC achava que não era necessário porque o Parlamento tinha legitimidade, mais que suficiente - para aprovar a despenalização da IVG: lembram-se?...). Entretanto, repetiu-se o referendum e...naturalmente, o SIM venceu!

Quantos Tratados internacionais, foram, ao longo da nossa história nacional e da Europa, em particular, referendados pelos Povos? A última versão da Concordata, celebrada com o Vaticano, foi referendada?!...Os acordos, vários, celebrados, recentemente, entre o engº Sócrates e o Presidente Chavez foram...referendados?!

Eu sei que esta sucessão de perguntas pode parecer ingénua ou até, as perguntas, um pedaço tolas. Mas, nunca, nunca mesmo, fez mal perguntar.


A Europa, A IDEIA DE EUROPA, não tanto a das geografias, mas a da hitória e da cultura, no sentido que os românticos alemães lhe emprestaram, Kultur, foi desenhada, à moda do berço da nossa civilização, a Mesopotâmia, por dois rios. Esta, pelo Tigre e o Eufrates. Aquela, a nossa Europa, foi desenhada pelo duplo poema épico, A Illíade e a Odisseia, de Homero, aedo cego e a Biblia, escrita por deus, invisivel e que não pode ser reproduzido.

Há, pois, dois faróis que iluminaram e continuam a iluminar a nossa Europa: um está em Atenas e, o outro, malgrado TODOS os disparates históricos cometidos pelos próceres do judaísmo e do cristianismo e, agora, do Islamismo, continua firme em Jerusalém.

Johan Polak, judeu holandês, responsável do Instituto Nexus e livreiro em Amsterdão, Athenaeum, em Spui,dizia: "George Steiner tem razão. Culturalmente, a Europa do século XX retrocedeu até à Idade Média. E, tal como os mosteiros de então, é nosso dever preservar a herança cultural e transmiti-la por todos os canais que tenhamos à nossa disposição."


Os responsáveis do Nexus Institute, em vésperas da presidência holandesa de 2004, convidaram Georges Steiner para pronunciar uma lição magistral, A DÉCIMA LIÇÃO, e que se deveria "centrar" na questão "de saber se a Europa continua ou não a ser uma boa ideia e qual é realmente a importância e relevância política do ideal europeu de civilização."

George Steiner, judeu, formado nos USA,retornado à Europa no pós guerra, mas homem de muito mundo e duma erudição enorme, pensador da cultura, com obra vastissima, começa a sua Lição intitulada "A ideia da Europa" desta maneira soberba: "A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequenatdos pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. [...] Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da 'ideia da Europa.'" E termina dum modo não menos esplendoroso: "Com a queda do marxismo na tirania bárbara e na nulidade económica, perdeu-se um grande sonho de - como Trotsky proclamou - o homem comum seguir as pisadas de Aristóteles e Goethe. Liberto de uma ideologia falida, o sonho pode, e deve, ser sonhado novamente. É porventura apenas na Europa que as fundações necessárias de literacia e o sentido da vulnerabilidade trágica da condition humaine poderiam constituir-se como base.É entre os filhos frequentemente cansados, divididos e confundidos de Atenas e Jerusalém que poderíamos regressar à convicção de que 'a vida não reflectida' não é, efectivamente, digna de ser vivida. Pode ser que estas palavras sejam insensatas, que seja demasiado tarde. Espero que não, só porque estou a dizer estas palavras na Holanda, onde Baruch Espinoza viveu e pensou."

Lembremo-nos que este Baruch, não é mais, nem menos, que o "nosso" Bento, filho de judeus da Vidigueira, expulsos, acolhidos na Holanda reformista, mas que foi expulso, por ser livre pensador, da Sinagoga de Amsterdão!

Conclusão (mais do que provisória)

O poste vai longo. Porventura não tem a actualidade que o assunto merecia e mereceu na blogoesfera. Mas preferi que a espuma dos dias, das paixões em carne viva, esmorecessem - p'ra "opinar".

Quero rematar com mais uns quantos singulares pensamentos.

Hérodoto de Halicarnasso, o pai fundador da História, terá afirmado algo que incorpora os espirito e a essência da cultura europeia, ainda hoje: "Todos os anos, enviamos a África os nossos navios, com risco de vidas e de gastos, para perguntar:'Quem são vocês? Quais as vossas leis? Qual é a vossa lingua?' Eles nunca enviaram qualquer navio a interrogar-nos."

Nada nem ninguém, hoje, por mais correcto politicamente que queira ser - consegue destruir esta pergunta. O Farol de Atenas continua a brilhar esplendorasamente!

Steiner conta que esteve na África do Sul, em casa de Nadine Gordimer, em vésperas do fim do Appartheid, numa recepção com gente do ANC e convidados. Steiner decidiu interpelar um dirigente negro, sobre a ausência de mortandade contra os brancos,naqueles dias de euforia... Um dirigente negro do ANC retorquiu-lhe: "Eu posso responder. Os cristãos têm os evangelhos, vocês, judeus, têm o Talmude, o Antigo Testamento, o Mishnah, os meus camaradas comunistas a esta mesa têm Das Kapital. Nós, negros, não temos nenhum livro."

Geoge Steiner dixit: Só os néscios ignoram a importância da tradição, do facto e do conhecimento. Hölderlin:«Wir sind nur Original, weil wir nichts wissen.»*
*«Só somos originais, porque não sabemos nada.»




Zé Albergaria


terça-feira, junho 17, 2008

Eu, ex-quase tudo, me confesso!

Cavalgando a teoria redentora, a que tudo interpretava, a que tudo descodificava e denunciava, e fazia-o de modo a podermos transformar o mundo, milhares de homens e mulheres lançaram-se à conquista dos céus. Nesse exército eu me inclui durante decénios.
Sabe-se que, em vida de Marx, à questão "se ele era marxista" terá respondido:"Não tenho a certeza".
Comemora-se, nas barricadas comunistas, nestes dias, um aniversário qualquer do Manifesto Comunista. Este texto teve a importância que teve e não é meu propósito aqui discorrer sobre tal.

Importa, hoje, interrogar-me sobre a minha própria deriva "ideológica", "utópica" e, dalgum modo, "ucrónica".

Que me lembre, fui militante comunista na década de sessenta em Portugal, pendurei-me nas barricadas parisienses, no Maio de 68, enfileirei-me, informalmente, no movimento operário católico belga e dedilhei teoria do foco guevarista até ao dia redentor: 25 de Abril 1974! Depois...depois disso aproximei-me do PC onde militei severamente, mas sempre (internamente...) livre pensador e "liberal", anti-estalinista convicto e nunca envergonhado (esse foi o meu compromisso individual, comigo mesmo, mas sempre cúmplice do projecto global do PC). Saí sem bater com portas, em silêncio.

Hoje deambulo pela chamada esquerda democrática, mas sem convicções ou certezas ideológicas, a intervir politicamente (ao modo dos gregos - na polis), fazendo coisas num território municipal, a Amadora, faz quase doze anos. Com o meu contributo -melhorando o espaço público, requalificando o parque escolar, criando ferramentas e projectos para erradicar a pobreza e qualificar os activos humanos.... e, individualmente, dirigindo um Centro de Ciência Viva, participando em órgãos sociais das duas maiores colectividades da cidade e, cuidando da minha formação intelectual, a terminar um curso de história.

Cultuo ainda duas tertúlias, uma de amesendação e degustação báquica e, outra de preocupações humanísticas e espirituais.

Direi mesmo que, hoje, não só não tenho ideologia - como rejeito, por utópica, qualquer ideologia de pensamento ÚNICO: ando a encontrar coisas muito interessantes e em muita gente!

Hoje sou, sem sombra de dúvidas e hesitações - um homem livre, livre pensador e, sobretudo, livre examinista: o meu único guia? a minha consciência! É por isto que continuo a gostar da Internacional que diz, algures: "Messias, Deus, chefes supremos/Nada esperamos de nenhum!"

Começámos, todos os que saímos do comunismo, por fazer a critica a Estaline e ao seu embuste, o estalinismo e o comunismo na Rússia; depois, alguns de nós, atrevemo-nos a buscar em Lenine as razões, as causas, as teses que explicam o que sucedeu na Rússia e em quase TODO o século XX e em quase TODO o planeta.

Hoje, a minha preocupação, é tentar colocar o MARXISMO na posição que merece e que a historiografia, não só a das ideias, está em passe de lho atribuir.(...).

Em livro de Dietrich Schwanitz, Cultura: tudo o que é preciso saber, editado pelas Publicações Dom Quixote, pode ler-se: "Trata-se de exploração porque os capitalistas não pagam aos trabalhadores o valor real do seu trabalho, mas apenas um mínimo estritamente necessário à sobrevivência, embolsando a chamada mais-valia, hoje mais conhecida por valor acrescentado, como seu proveito. Esta tarefa é-lhe facilitada pelo facto de difundirem ideologias que obnubilam a realidade, tais como a das [leis objectivas do mercado]; e como o dinheiro baralha o sentido para os valores, o preço duma mercadoria confunde-se com o seu valor real. Na realidade, porém, ele não passa de mais uma forma de encobrimento de relações de produção injustas. A primeira tarefa do marxista consiste, por isso, na destruição das aparências ideológicas. O modo de reconhecer as ideologias como tais, na opinião de Marx, consiste no facto de os capitalistas venderem os seus interesses de classe como se do interesse de toda a sociedade se tratasse. Por isso, toda a cultura burguesa torna-se suspeita. E assim o marxismo converte-se na alta escola do desmascaramento. Os sistemas simbólicos da civilização são postos a nu. Isto produziu gerações inteiras de detectives que desmascaram Deus e o mundo e fizeram da prova da culpabilidade de opressores encobertos a sua ocupação principal. A suspeita ideológica universal dotou o marxismo de um sistema imunológico, porque converteu qualquer opositor num caso de aplicação da teoria: quem está contra, ou é inimigo de classe ou é vitima da obnubilação ideológica."
Creio eu que, muitos de nós, ex-comunistas já não somos estalinistas (sem sombra de dúvidas); alguns de nós, já abandonámos o Leninismo; mas, quantos de nós colocámos em questão Marx e o marxismo?!...
Hoje, para mim, não se pode compreender as derivas das religiões do Livro (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo) sem questionarmos os "Pais" fundadores daquelas! Particularmente, no caso de Cristianismo, não possível perceber as malfeitorias da Igreja Católica sem interpelar Cristo e as suas injunções. Ou é possível deixá-lo de fora? Creio que não.
Mutatis mutandi, creio eu, que a mesma metodologia se deverá aplicar a Marx. Em toda a extensão da sua teoria? Não sei. Mas, o que penso que, definitivamente, já sei: o que fizeram os seus apóstolos (Lenine, Estaline, Mao e etc...), usando e, provavelmente, abusando das suas teorias, já a história condenou. Isso eu já sei.
Agora, neste interime, tento aprender mais:interrogando-me e interpelando os textos doutros e dos marxistas...também.
Como diz o meu amigo Pedro Castelhano: " O muito sábio não é o que muito sabe...mas, outrossim, o que muito quer aprender."

JA


domingo, junho 15, 2008

Porque hoje é dia de "eurobocejo": uma curta frase vadia.


"Jesus Cristo já morreu, Karl Marx também e eu próprio não me sinto lá muito bem." Anónimo


JA

sexta-feira, junho 13, 2008

Um olhar a P& B

Faz pouco tempo, em "polémica" com António Barreto (a pretexto da recensão dum livro de memórias sobre Angola ao tempo do vice-almirante Rosa Coutinho...como alto-comissário)nomeei AB, entre outros qualificativos, de fotógrafo.

Eu sabia do que falava/escrevia. Não me enganei.

Ultimamente, no Sorumbático, AB tem brindado os seus leitores/expectadores com alguma das suas obras.

Com a devida vénia ao autor e agradecimentos ao blogue onde ele se publica, aqui deixo uma visão, a preto & branco, duma realidade que bem conheço: o bairro 6 de maio, na freguesia da Damaia, na Amadora.
Esta fotografia remete-nos, "claramente", para as abordagens narrativas de R. Barthes na sua obra de referência "A Câmara Clara", sobre a fotografia como estética, memória, discurso e linguagem. Recordo-me bem dum dos conceitos bartiano aí expendidos: "punctum".
Repare-se que esta fotografia de A. Barreto se organiza, toda ela, em torno da figura humana (o punctum estruturador), apanhada em contra-luz e de quem não se consegue perceber os seus contornos singulares, que lhe atribuiriam uma "personalidade", um "nome", remetendo-a, assim, para um certo anonimato, uma não existência - que estigmatiza quase todos os habitantes do que hoje sobra deste bairro.
JA

quinta-feira, junho 12, 2008

"Mágicos?!": claro que sim

Fanada do "Fait-Divers", com a devida vénia, a minha homenagem à "raça" e aos "raçudos" que ontem alinharam por Portugal no jogo contra a República Tcheca!

Albergaria

Ainda Manuel Alegre e a federação das esquerdas

Em poste anterior discorria, eu, sobre interesses repentinos, serôdios e até desconcertantes sobre os pobres e a pobreza em Portugal e, a linhas tantas tropecei num poste do João Tunes:


1/ "O que continua a surpreender em Manuel Alegre é a sua capacidade de irritar, irritando sempre mais e alargando permanentemente o leque dos irritados. A alergia relativamente a Alegre contamina hoje, nas esquerdas, muita e variada gente, cada vez mais gente e gente que, objectiva e subjectivamente, só contra Alegre se consegue identificar como sendo da mesma margem da política. Usando os mais díspares argumentos mas confluindo na rejeição de Alegre, na depreciação de Alegre ou na subestimação de Alegre, aqui lavrando no erro de o julgar fácil de calar. Porque em Alegre, cada vez mais, há sempre qualquer coisa para embirrar, seja de fundo ou de pormenor. Talvez passe por aqui o germinar da unidade operacional da esquerda, das esquerdas, destas esquerdas sedentas de uma irritação comum de estimação que as (re)mobilize. Se tanto conseguir, Manuel Alegre, em exemplo de simetria carismática por uma unificação de rejeições de que nem Sócrates se conseguirá gabar, poderá rir-se de ter desempenhado um útil papel para que as esquerdas se unam e decidam governar pela esquerda, afastando, finalmente, o pesadelo incómodo que, volta e meia, lhes invade o sono da inércia do equilíbrio impotente entre as vetustas incompatibilidades. Façam-no e, estou certo, Alegre vai deixar de irritar. " João Tunes

Decidi, no meu poste comentar este outro do João Tunes:

2/" Entretanto, ia este meu poste já longo e vem o João Tunes e zás: "Ponham a mesa e sirvam-se!"diz o João Tunes - que anda toda a gente irritada com o Manuel Alegre e, cada vez mais. Sugere mesmo (se bem entendi...) que se possa, em torno da irritação em crescendo e em torno do poeta, criar uma plataforma de entendimento entre as várias esquerdas...percebi bem? Não tenho a certeza. Vai daí fui ao Dicionário da Língua Portuguesa editado pela Academia das Ciências e, no brevete irritação encontro o seguinte:1.Estado de pessoa perturbada, enervada por algo que a contraria ou incomoda e que tende a manifestar-se de forma agressiva;estado de irritado. Agastamento. O discurso demagógico e repetitivo do orador causou-lhe tal irritação que por pouco não lhe gritou que se calasse.(Fernanda de Castro, Raiz, p. 26).Ora aqui está uma "trouvaille": a IRRITAÇÃO como Plataforma, doutrina, ideologia, programa, logótipo e, mesmo até, campanha eleitoral. Que líder para dirigir este Partido (sim - porque é preciso um partido!)? Claro, o irascível, o colérico, o exaltado vate, o aristocrata, o sereníssimo príncipe: Manuel Alegre! "O sabão irrita a vista. O fumo irrita a garganta. A pele irrita-se com detergentes." O Manuel Alegre consegue irritar TODA a esquerda portuguesa! É obra!" Zé Albergaria

O João Tunes adendou, ao seu poste, o comentário àquele, meu:
3/ "Adenda: Não
Zé Albergaria, não entendeste o que escrevi quando me colocas como defensor da ideia “que se possa, em torno da irritação em crescendo e em torno do poeta, criar uma plataforma de entendimento entre as várias esquerdas...”. O que aventei foi o contrário, a factibilidade, por simetria de dinâmica de irritação, de um projecto a modos que unificador, mas contra o poeta, usando o poeta como bode expiatório (não é para isso que servem os poetas?), que inclua um leque de convergentes com o Zé Casanova, o Zé Lello, o Zé Saramago, o Zé Sócrates, o neófito Zé Miguel Júdice, todos os Zés de esquerda, mobilizando o Zé Povinho para a “esquerda unida”. Quanto à ideia de que acredito em algo construído “em torno do poeta”, pensava eu que soubesses que se gosto de “entornar” - sem excessos que tirem o paladar, o odor e o gosto, matando a sensualidade do vinho -, procuro, para isso, o bom se não puder ser o melhor. Não propriamente pelo néctar mas mais pelo "resveratrol", pois a idade não perdoa. Saber sobre a minha pessoa não adianta grande coisa, tempo perdido será, mas, sabe-lo bem, de um amigo tudo se espera." João Tunes

Tinha prometido uma penitência: aqui vai ela.

Quando se lê depressa e mal, arriscámo-nos a borregar. Foi o que me aconteceu.

Depois, e ainda, esta mania, este tique malfadado, de procurar, como diz a Julia Kristeva, intertextualidades naquelas narrativas que se lêem: só podem dar em desastre, as mais das vezes.

O João, sempre arguto, rigoroso e atento, percebeu que o meu exercício sofreu desse pecado maior, acrescendo um outro: o nosso mútuo conhecimento interveio (sem que eu me desse conta...mas interveio)levou-me a ter como assente, de ciência certa e exacta, que tinha percebido o pensamento e a posição do meu amigo.

Puro e doloroso erro!

Puz-me a jeito e levei com a vergasta da Adenda do JT:"Não Zé Albergaria, não entendeste o que escrevi...".

É da vida.

Mas não me fica mal reconhecê-lo por que, o João Tunes, merece-o; por que, o João Tunes, é credor da minha consideração e respeito intelectuais;por que, o João Tunes, é homem de muito saber e erudição e, por que, o João Tunes, é meu particular, velho, estimado e venerado amigo e, como ele diz, e bem:(...)" dum amigo tudo se espera."

Aqui fica o reparo e a penitência.

Zé Albergaria

NB - Imagem fanada ao JT no Água Lisa6.

terça-feira, junho 10, 2008

"Morrer é só não ser visto/é perder-se na curva da estrada"

Acabei, agorinha mesmo, de ler o interessante quanto desconcertante livro de Filipe Nunes Vicente(na blogoesfera FNV).
Li a recensão que dele fez o Expresso, José Mário Silva.
Globalmente, a critica é certeira e merece o meu assentimento. Contudo, já discordo quando aquele se lhe refere, ao livro de FNV, nos seguintes termos:"Talvez por isso, FNV recorre, de um modo sistemático (e em certos casos excessivo), a inúmeras referências filosóficas e literárias...)" O que espanta , neste caso, é que é o próprio FNV a avisar, na espécie de prefácio a que ele chama Incubação:"Se nestas histórias aparecem referências literárias e filosóficas (...) O meu trabalho -tentar ajudar quem perdeu (ou quem se perdeu)-exige muito mais que o manuseio de meia dúzia de técnicas psicopterapeûticas. Ao longo dos anos fui-me socorrendo do que leio e do que aprendo, de quem sabe muito."
Este livro fala do tempo, da inexorabilidade da finitude, da perda e, ainda assim da morte.
Eu, que perdi dois filhos (um, por adopção e outro, de sangue) percebi, mesmo muito bem, a espantosa Definição, a página 83,sem referentes literários e/ou filosóficos, mas de um irredutível impacte:"Não deve ser nada de inultrapassável, todos os dias milhares de pais vêem morrer os seus filhos. Algum tempo depois voltam a rir, a trabalhar, a fazer sexo convictamente, a ir de férias. Pois voltam: mas já não são os mesmos."
Só por esta Definição teria comprado o livro. Somente por esta Definição teria lido o livro. Exclusivamente, por esta Definição teria falado do livro, aqui e agora.
O livro é, no entanto, bastante mais do que isto. Mesmo muito mais que isto.
FNV fala muito, e ainda, da velhice (não fosse ele um cultor das literaturas clássicas!), do tempo, da vida como tragédia, do desconcerto da relativização das coisas.
Ele há duas frases que eu gosto de utilizar nestas circunstâncias e nestes temas:
1/ Os velhos já não têm futuro, caminham para ele às arrecuas - porque só conseguem vislumbrar o passado. Aqui, nem o pensamento de Séneca, a que FNV recorre no seu livro "Só podemos estar seguros do nosso passado" tem algum tipo de efeito balsâmico;
2/Ninguém quer chegar a velho, nem morrer novo.
Em meu entendimento, depois de se ler este singular livro, saboreia-se bem melhor a prosa e os postes de FNV, no incontornável Mar Salgado.
Zé Albergaria
Adenda
O titulo é uma citação, de memória e livre, dum poema do Pessoa.
Ele há uma coisa que me intriga. Diz-se, dum homem que perdeu mulher, por morte, que é viúvo; diz-se, duma criança, que perdeu pai, por morte, que é órfão,
E, quem perdeu filho, por morte, como se diz?
Não se diz.
Porquê?
Talvez por que seja inominável tal occorrência...
Contudo, em francês diz-se: "un pére desenfanté"!
Ele há mistérios que só os linguístas e um qualquer psi podem explicar. Pode ser. Vou acreditar que sim.

quinta-feira, junho 05, 2008

"O diabo quanto está prestes a morrer - vira sacristão!"

Ora aqui está uma bela duma frase! Mas, mais do que isso, uma muito interessante metáfora! Onde a comprei? Há pouco tempo, na mercearia dum velho e sagaz sindicalista de Castanheira de Pera.
Trocávamos umas ideias sobre a actualidade política, governativa, oposicionista, situacionista (como gosta de firmar o João Tunes) e, ainda, em torno dalgumas personalidades com percursos erráticos...
Hoje, nos políticos, nos líderes religiosos, mesmo até nos artistas e intelectuais, cada vez valorizo mais o porte humanista, a ética dos valores e a moral da responsabilidade.
Incomoda-me pouco as doutrinas, menos ainda as ideologias (salvo aquelas que atentam contra o Homem e contra a Humanidade, como é óbvio) e ainda menos o posicionamento geométrico: esquerda, centro e direita!
Houve tempos em que me pesavam os preconceitos: o gajo é de direita? não presta!
Hoje escrutino mais e com mor rigor os da minha geografia (esquerda) do que os que andam por outras paragens! Complexos? Provavelmente.
Mas andámos a vender e a dar, a rodo, a nossa superioridade moral e, quando nos demos conta, estávamos atolados, até ao pescoço, no maior embuste do século XX! Houve quem percebesse isso mais cedo que outros. É verdade.
Mas, em meu entender, ninguém fez ainda, com serenidade, com agudeza, com rigor e, sobretudo, com isenção e veracidade (evito a palavra verdade, por ser um absoluto e, acho eu, intangivel!) a análise da responsabilidade ética e moral dos que, como eu, ladainhámos pelo marxismo e pelo comunismo. E os que andaram (e alguns ainda andam...) pelo trotsquismo e pelo maoismo?...esses, nem falar se pode por que, na maioria dos casos, se acolheram no regaço apaziguador do PS e ou do PPD/PSD e...prontos: limpos e álvares como aquela roupa que migrava de Lisboa p'ra Caneças. Lembram-se?
Isto tudo vem a propósito da Festa promovida pelo BE para o Teatro da Trindade e realizada no passado dia 3 de Junho.
A Joana Lopes (acrescente-se-lhe os comentários que por lá foram postados...) hoje, disse, praticamente, tudo que havia para dizer sobre este tópico (mesmo os seus sentimentos que perpassam pelo texto).
As posições recentes de Manuel Alegre, de Mário Soares lembram-me, perdoe-se-me a ousadia e algum despudor, a metáfora que utilizo no titulo deste post.
Mas, curiosamente, o VELHO CDS, a pretexto da Moção de censura ao Governo do eng.º Sócrates, o seu argumentário "cristão", preocupados com o desemprego, as desigualdades, o custo de vida e dos combústiveis, a pobreza e tuti e quanti, também o deslocam p'ra debaixo desta metáfora.
De repente, "toda" a gente, descobriu o filão da pobreza, das desigualdades sociais, das iniquidades na distribuição da pouca riqueza que, ainda assim, vamos criando, das dificuldades importadas de fora (preço do crude, entrada no comércio mundial da China, especulações financeiras e créditos mal parados nos EUA, guerra no Iraque...) e....o vencedor é: ninguém! Porquê? Porque o que os move são as sondagens, que dão o BE e o PC a subirem. Lembram-se que a MFL quando da disputa para Presidente do PSD dizia, mais ou menos, isto: "É preciso credibilizar o PSD, criticando a ausência de políticas sociais proactivas do governo de modo a travar a subida eleitoral da esquerda, do BE e do PC".
Nesta situação, como se comporta o PCP? Como sempre. Sobre esta matéria não digo mais nada, por que o João Tunes ("Como será o traseiro da Anabela da esquerda triste") e o Rui Bebiano ("A Festa como delito") disseram o que havia p'ra dizer.
Entretanto, Ia este meu post já longo e vem o João Tunes e zás: "Ponham a mesa e sirvam-se!"
Diz o João Tunes - que anda toda a gente irritada com o Manuel Alegre e, cada vez mais. Sugere mesmo (se bem entendi...) que se possa, em torno da irritação em crescendo e em torno do poeta, criar uma plataforma de entendimento entre as várias esquerdas...percebi bem? Não tenho a certeza.
Vai daí fui ao Dicionário da Lingua Portuguesa editado pela Academia das Ciências e, no brevete irritação encontro o seguinte:1.Estado de pessoa perturbada, enervada por algo que a contraria ou incomoda e que tende a manifestar-se de forma agressiva;estado de irritado. Agastamento. O discurso demagógico e repetitivo do orador causou-lhe tal irritação que por pouco não lhe gritou que se calasse.(Fernanda de Castro, Raiz, p. 26).
Ora aqui está uma "trouvaille": a IRRITAÇÃO como Plataforma, doutrina, ideologia, programa, logotipo e, mesmo até, campanha eleitoral. Que líder para dirigir este Partido (sim - porque é preciso um partido!)? Claro, o irascível, o colérico, o exaltado vate, o aristocrata, o sereníssimo príncipe: Manuel Alegre! "O sabão irrita a vista. O fumo irrita a garganta. A pele irrita-se com detergentes." O Manuel Alegre consegue irritar TODA a esquerda portuguesa! É obra!

JA


terça-feira, junho 03, 2008

Ainda o Teatro da Trindade

O meu carissimo João Tunes no seu Água Lisa 6 decidiu comentar o meu post anterior, o que muito me apraz. Como ainda não aprendi a fazer aqui publico, de seguida, o seu comentário e por inteiro:

"Com a devida vénia na intromissão, julgo haver aqui um equívoco que não é de somenos. É que começa-se por se falar em dinâmicas de transformação (comportando, é verdade, mais mortes que nascimentos) do painel partidário e acaba-se a cristalizar os actuais partidos como se fossem blocos monolíticos intransformáveis. Isto, no exacto momento em que a esquerda atingiu o ponto de saturação dos bloqueios dos partidos de esquerda. O que prenuncia mudanças. Incertas, mas mudanças. Acima, ou ao lado, das forças que querem conservar posições conquistadas e enquistadas.

Nos partidos de esquerda, só o PCP tem o direito a ser considerado um partido consequentemente conservador, ou seja, partido de ontem, hoje e amanhã. Que, na situação presente, lhe vai permitir crescer uns pontos e uns deputados. Pela mera conjuntura do crescimento do protesto não estruturado num projecto de superação, apenas cavalgando uma onda de radicalismo anarco-populista de fachada anti-socialista. Mas esse crescimento vai gerar a sua próxima crise: ao engordar em votos e em presença parlamentar vai conflituar-se não com outros, muito menos com a burguesia, mas com a sua própria doutrina (revolucionária, não democrática). Crescer sem capacidade para influenciar e transformar, sem ser alternativa e alheio a política de alianças, o previsto crescimento eleitoral do PCP é como engordar um animal para o exibir como bicho de companhia.

Nem o PS nem o Bloco são partidos estáticos e muito menos homogéneos. O PS, exaurida a praxis governativa da sua asa direita, a situacionista-clientelista, tem de deslizar para a esquerda. Até porque não suporta, em simultâneo, o efeito de uma credibilização da direita (o que MFL, muito provavelmente, vai dar ao PSD) e um desgaste à esquerda com hemorragias de votos a caírem nos regaços parasitas do BE e do PCP. Para esta viagem pendular e impositiva - mais dia, menos dia – resta ao PS as ajudas de Alegre e de Soares. O Bloco, se crescer (e é fundamental, para a esquerda, que cresça nas próximas eleições e, se possível, mais que o PCP), vai ter de se responsabilizar, tornar-se um partido adulto, assumindo a fase do fazer, representando, dentro ou fora, a ponta esquerda da asa esquerda do PS. E é aqui que, mais uma vez (reproduzindo a cena das últimas eleições presidenciais), a chave se chama ou chamará Manuel Alegre (neste campo, seca-se a influência de Soares, enquanto guru). Até lá, se lá chegarmos, não sendo tempo da coisa, há que testar a coisa. Amanhã no Trindade, com "canto livre" e sem casamento na vista dos binóculos, será uma forma, como qualquer outra, de alguns aprenderem que quem não se conhece não se namora."

Como sempre, muito bem argumentado.

Contudo, em minha modesta opinião, as coisas, as dinámicas partidárias são, quase sempre, correlatas de equivalentes sociais, económicos, políticos, culturais e, por que não, dependentes de personagens com dimensão histórica, com carisma. Coisa impensável de aceitação no PC, mas mais do que aceitável no PS. Não sei como andam os bloquistas nesta matéria,do papel do individúo na história, mas Louçã já "demonstrou" que o marxismo começa a ser objecto da historiografia, menos da análise política e, menos ainda da praxis política, teoria para a acção.

É provável que o PC ainda esteja a viver da força fantasmática de Cunhal(!) avivada por uma "deriva" internacionalista inenarrável, como tão bem o João Tunes o documenta, e bastamente, no seu blogue (China, Tibete, FARC colombianas, Cuba, Venezuela, ma non tropo...).

Onde a minha perplexidade se mantém, e porventura o que nos divide, é o putativo liderante da "coisa": Manuel Alegre.

Eu teimo em ter memória. Ainda ontem, numa homenagem a Benard da Costa, como cronista de jornais, reencontrei "velhos" combatentes, sindicalistas. Falámos do ontem, do hoje e, ainda um pedaço do amanhã.

Quando o velho Soares tinha responsabilidades governativas tratava os sindicalistas da tendência socialista da intersindical como títeres do PC. Alguns deles, em desespero, iam falar com o Alegre - que lhes repetia, então, os sentimentos e opiniões do líder bem querido, secundando-o por inteiro. E falámos, sobretudo de questões sociais, de desigualdades, de má partição da riqueza.

Recordo-me ainda,e com algum azedume o faço, do Manuel Alegre, secretário de estado da comunicação social (não sei se a designação está correcta) dum governo do Soares: foi ele que encerrou o Século, sem cuidar do futuro dos trabalhadores (alguns suicidaram-se) e sem curar, nomeadamente, de preservar o acervo fotográfico do primeiro e imenso repórter português:Joshua Benoliel.Dezenas de caixas com "negativos" daquele fotografo desapareceram para sempre. Deste desastre queixou-se-me, tempos depois, a "directora" do Arquivo Nacional de Fotografia.

Pois aqui está: acho que à "coisa" faltará, desde logo, o líder federante e federativo.

Gosto muito do Alegre, contista e prosador. Do poeta, tem dias. Do político, digo-o sinceramente, não me comove, não me convence e, menos ainda, me mobiliza para o que quer que ele pense que pode fazer, ou vir a fazer, na política em Portugal.

Não imagino sequer o Manuel Alegre a ser, desculpe-se-me a metáfora, a Maria Antonieta Macciochi portuguesa, uma convicta e sólida gramsciana, que liderou, em tempos (creio, se a memória não me atraiçoar, no pós maios e junhos de 68...), em Itália, um movimento que, na altura acompanhei com algum interesse e atenção: Il Manifesto.Não creio que as figuras que acompanham o Alegre na publicidade do evento do Trindade, Alegro e Soeiro, tenham essa vocação liderante.

Veremos o que há-de, ou não, sair do Trindade. Talvez um namoro oficializado, com foto de compromisso? Talvez.

Não vem mal ao mundo e menos ainda aos que vão ao Trindade por modo de se conheceram, para poderem (ou não) namorarem, que eu pense desta maneira e que não cultue os méritos políticos do bardo.

A vida, assim como a amizade, não se fazem só de assentimentos. Fazem-se de caráter, de honestidade, de frontalidade, de consciência, de ética e de valores. Isto tudo tem o João Tunes que baste e eu faço-o, todos os dias, por merecer.

JA
Adenda
O João Tunes contra argumentou, e bem.
O que se me oferece dizer sobre a questão da pureza e dos puros, socorrendo-me de pensamento alheio, aqui fica:
1/ "É próprio do homem comum ser exigente com os outros. Mas é próprio do homem superior ser exigente consigo próprio." Marco Aurélio, estoico romano;
2/ " Á marginalidade dos puritanos, sempre preferi a pureza dos marginais.", anónimo.
É evidente que as minhas razões, em relação ao Manuel Alegre, não se esgotam nas que aduzi na minha argumentação. Há mais, diferentes e doutra ordem. Mas, por razões de contenção e eficiência - centrei-me nas que escolhi.
A conversa, como sempre, com o meu particular e venerado João Tunes está boa, mas creio que valerá mais - retomá-la após a iniciativa do Trindade e com ideias mais claras sobre as perspectivas da "Nova Esquerda"!
JA