quarta-feira, agosto 06, 2008

Os Jogos Olimpicos da Era Moderna na China Contemporânea

Os marxistas do PC Chinês continuam devotos das tradições milenares da China.

Sabe-se que cultuam a numerologia.

Para os chineses o 8 é o número de "oiro", o que transporta em si todas as benesses do mundo.

Em que data se vai realizar a abertura dos jogos olímpicos? No dia 8, do mês 8 e do ano...2008 e, provavelmente, iniciar-se-á às 8,00horas!

Mas nem só destas singularidades vivem os Jogos Olimpicos de Beijing.

Veja-se o interessante artigo que o matutino parisiense Le Monde publica hoje. Vai sem tradução, por preguiça minha, mas para desenferrujar o francês de quem não o pratica há muito tempo.


"Pékin sous tension, deux jours avant les Jeux
Valérie Niquet : "Les Jeux pour symboliser l'ouverture de la Chine"

A deux jours de l'ouverture des Jeux olympiques, la tension sécuritaire est montée d'un cran en Chine. Mercredi 6 août, les autorités ont arrêté quatre étrangers, qui défiaient le pouvoir en appelant à un "Tibet libre" devant le stade national, alors que la flamme olympique rentrait à Pékin. Selon l'agence officielle Chine Nouvelle, deux Britanniques et deux Américains ont été interpellés par la police, douze minutes après avoir déployé une première banderole près du "nid d'oiseau". Mais selon le groupe Students for a free Tibet, les militants – trois hommes et une femme – sont restés près d'une heure et demie à côté du stade.

"Nous avons mené cette action pour souligner l'utilisation de ces JO par les autorités chinoises comme outil de propagande", a expliqué Iain Thom, un Ecossais de 24 ans. Les quatre manifestants sont entrés en Chine avec des visas de touristes, a indiqué la police à Chine Nouvelle. Selon
Students for a free Tibet, les quatre militants ont déployé trois banderoles, deux en anglais et une en chinois. "On ne risque pas de les revoir de sitôt", a commenté la directrice de l'ONG, Lhadon Tethong, précisant que cette action, "vigoureusement condamnée" par le comité d'organisation des Jeux, était préparée "de longue date".
UN MÉDAILLÉ DES JEUX D'HIVER PRIVÉ DE VISA
Les autorités chinoises ont déployé d'importants moyens de sécurité autour des sites olympiques, invoquant la menace terroriste. Mais pour certains militants des droits de l'homme, ces mesures visent avant tout à empêcher toute manifestation qui pourrait ternir l'organisation des Jeux. Outre la question du Tibet, Pékin craint que soit remise en cause son engagement au Darfour (Soudan). Mercredi, l'Américain Joey Cheek, médaillé d'or de patinage de vitesse en 2006 et militant de la cause du Darfour, a eu son visa pour la Chine révoqué. "En dépit du fait que j'ai toujours parlé de manière positive de l'idéal olympique et jamais appelé à un boycott ou demandé à un athlète d'enfreindre une règle du CIO, mon visa a été révoqué moins de 24 heures avant mon départ", a déclaré M. Cheek, l'un des co-fondateurs de Team Darfur. Le responsable de l'ambassade de Chine à Washington, qui a prévenu M. Cheek de cette décision, lui a indiqué qu'il n'était "pas tenu d'avancer une raison" pour la révocation de son visa.
Joey Cheek devait se rendre à Pékin pour soutenir plus de 70 athlètes en compétition qui se sont engagés à attirer l'attention pendant les Jeux sur les violences au Darfour et sur le rôle que pourrait jouer la Chine et la communauté internationale pour y mettre fin. "Je suis attristé de ne pas pouvoir assister aux Jeux (...) Le refus de mon visa s'inscrit dans un effort systématique du gouvernement chinois pour contraindre et menacer les athlètes qui s'expriment au nom des populations innocentes au Darfour". Washington a officiellement protesté.
RAPPEL À L'ORDRE
Face au durcissement de ces mesures de sécurité, les partenaires de la Chine haussent le ton. Les Etats-Unis ont ainsi rappelé mardi à la Chine les engagements qu'elle avait pris en se portant candidate à l'organisation des JO, après les brutalités infligées lundi à deux journalistes japonais par la police chinoise. "La Chine avait promis que les journalistes pourraient travailler librement pendant la période menant aux Jeux olympiques et pendant leur durée, a souligné un porte-parole du département d'Etat. La détention et les coups infligés à deux journalistes japonais qui tentaient de faire un reportage sur l'attentat du 4 août à Kashgar contredisent l'esprit des engagements de la Chine."
Masami Kawakita, photographe du quotidien Tokyo Shimbun, et Shinji Katsuta, caméraman de Nippon News Network, ont été interpellés par des policiers paramilitaires lundi soir alors qu'ils tentaient de prendre des images de Kashgar, où a eu lieu un attentat, lundi matin, qui a tué 16 policiers, dans la région à majorité musulmane du Xinjiang. Emmené dans un bâtiment gouvernemental, Masami Kawakita dit avoir été plaqué au sol, le pied d'un policier maintenant sa tête contre terre, puis avoir aussi reçu des coups de pied. De son côté, Chine Nouvelle indique simplement que la police s'est "affrontée" aux journalistes nippons et que "l'antenne locale des affaires étrangères leur a présenté mardi des excuses". Des policiers ont par ailleurs fait irruption dans la chambre d'un photographe de l'AFP, le forçant à effacer les photos qu'il avait prises du site de l'attaque. Mardi, les journalistes en reportage à Kashgar étaient escortés par des policiers en civil."


JA

O Gato







Alexandre O'Neil é um dos mais irrequietos, introspectivos e irónicos poetas do nosso literário século XX.

A sua qualidade é incontroversa, mas não está na moda. O que me penaliza particularmente. Para o recordar aqui deixo um poema singular desse espantoso lisbia:



Gato


Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!


De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

(Alexandre O'Neil)

JA

terça-feira, agosto 05, 2008

Statue of Freedom


Na cúpula do Capitólio em Wasshington DC encontra-se uma estátua, da autoria do escultor Thomas Crawford, inaugurada em 1863.

O Capitólio é a sede do Congresso dos USA, onde funcionam as duas Câmaras. A Baixa, que integra os Deputados da República e a Alta, onde se encontram os Senadores.

Curiosamente, o plano dos construtores deste edifício, iniciado em 1800 era utilizar mão-de-obra europeia para a conclusão das obras. Contudo as expectativas saíram goradas e tiveram que utilizar mão-de-obra escrava, de afro americanos (como agora se diz).

Mas, o curioso mesmo, o interessante, é a frase que se encontra gravada na base desta estátua,um dos hinos á liberdade que podemos encontrar nos USA.

Quem o recorda é o não menos famoso Herman Melville no seu livro "Mardi: and a voyage thiter". Diz o autor, romancista e ensaísta americano de Nova York: «Na estátua da liberdade encontra-se a seguinte frase:"Nesta república todos nascem livres e iguais." Mas por baixo, em letras mais pequenas, pode ler-se:"Excepto a tribo dos Hamo [dos negros]." esta frase anula a primeira! Oh, republicanos!».

Que fará Barack Hossein Obama, quase negro, se for eleito Presidente desta República, com esta frase?!...

José Albergaria

segunda-feira, agosto 04, 2008

O Arquipélago do Gulag na morte de Alexander Soljenitsine.


No ano de 1972 vivia em Bruxelles, Bélgica. Trabalhava numa livraria, a melhor e mais competente da capital belga: "LIBRIS",na Av. La Toison d'Or.

Apareceu-nos, em fins de 1972, uma oportunidade de "negócio". Um livro, em russo, de Alexander Soljenitsine: "O Arquipélago do Gulag", publicado em Paris na YMCA, dirigida por um russo, amigo do escritor. Para espanto nosso vendemos centenas de exemplares. Ainda havia muitos russos, na época, fugidos à revolução bolchevista.

Essa edição tinha-nos chegado através dum movimento, os SAMIZDAT, hoje completamente ignorado e esquecido. Esse movimento "inorgânico" fazia chegar ao Ocidente escritos, denuncias, noticias da URSS, da outra que, um dia, o jornalista Carlos Fino quis mostrar e que o representante do PCP em Moscovo não autorizou.

Sabe-se a história posterior do jornalista e da URSS.

É impossível parar a marcha da história.

Há-de acontecer na China e na Cuba castrista. Mais cedo ou mais tarde...mas há-de acontecer.

Lembro-me de ter lido "Um dia na vida de Ivan Denisovich", saído em 1962 e já denunciando o Gulag. Lembro-me de ter gostado. Tenho também a sensação que os livros de Alexander Soljenitsine não marcarão a história da literatura russa, menos ainda a mundial, mas ficará na história como um dos homens que mais, impressivamente, denunciou as malfeitorias do comunismo russo e da máquina concentracionária, torcionária, de liquidação massiva dos adversários do regime e da prática da eugenia em direcção a certas nacionalidades, etnias e grupos sociais (militares, intelectuais, poetas, cientistas, linguistas, músicos...).


Isso ficamos, sem sombra de dúvidas, a dever a Alexander Soljenitsine.



José Albergaria

domingo, agosto 03, 2008

A China do século XXI...o feudalismo, a ditadura, a ausência de direitos humanos.

A Republica Popular da China transformou, com o Partido Comunista Chinês a liderar faz quase sessenta anos, a China continental numa das maiores potências emergentes, integrante consistente do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

O poderio económico desta potência (ainda lhe falta o poderio militar e bélico) é, hoje, incomensurável.Ainda não disputa a liderança mundial aos USA, mas está a aproximar-se a passos largos.

Mas, e como estamos de direitos humanos?!...

Não há nomes para zurzir? Não se denuncia (como se faz com Kadhafi, Chavez, Fidel Castro, José Eduardo dos Santos, Mugabe...) em concreto o chefe do governo (?), o chefe do Partido Comunista (?), o Presidente da Assembleia Popular (?)

Mas, o espantoso, é que se trava uma luta deveras interessante, na actualidade na China, entre as forças de progresso (ouviram bem: é assim mesmo que os defensores das liberdades, dos direitos humanos se consideram e nomeiam!)e os senhores "feudais" saídos do império do meio - zelosos do pensamento único, das normas em favor dos apparachiks do Partido,e da criminalização dos "inimigos" do regime, dos não-comunistas.

Mas, em tempos de Internet, como lidam os dirigentes chineses com esta realidade? Como reagem à proximidade de Hong Kong e de Macau?!

Como se defendem dos internautas?! Na China, os internautas, os homens e mulheres progressistas, que lutam em favor dos Direitos Fundamentais do Homem (liberdade, liberdade de pensamento, de expressão, de associação e etc.)como estão a desenvencilhar-se da repressão? Muito dificilmente.

O Presidente da Assembleia Popular afirmou, sem lhe tremer a voz:" Nós temos leis para nos protegermos do mau uso da Internet." Assim mesmo, sem gaguejar.

Internautas, defensores dos direitos humanos deram a cara numa reportagem veemente que passou na nossa RTP2. E o que dizem eles? O Yahoo, o Google, a Microsoft e a Cisco, que têm negócios de ziliões de USD$ com o governo chinês, denuncia, dando as coordenadas dos internautas, facto esse que permite à policia do regime prendê-los (10 anos, 20 anos e mais penas...). A Yahoo e o Google são relapsos nessas práticas. A Cisco, por exemplo, vende tecnologia ultra sofisticada (que vende também ao governo dos USA) para que o governo chinês possa, por exemplo, construi uma muralha infonautica em torno de Hong Kong e Macau - não deixando circular conteúdos que consideram perigosos a partir de sites sedeados nestes territórios. Por exemplo, coloque-se no Google a palavra Tianamen: não aprece NADA, nenhum ficheiro é accionado por esta busca. Acreditam? Acreditem porque é mesmo verdade.

As pressões económicas do Governo chinês sobre as empresas multinacionais e mesmo nacionais, mais instaladas em Hong Kong produzem "maravilhas" de eficácia.

E o mundo continua a girar. Todos os dias se espezinham homens e mulheres progressistas, que querem, simplesmente: liberdade de imprensa, liberdade de expressão e de pensamento...Para o PC Chinês, financiador e amigo do PCP do SG Jerónimo de Sousa, são exigências dos "inimigos" do povo e de classe que só podem, e devem, ser destruídos, aprisionados e, em muitos casos, condenados à morte, com um tiro na nuca. As famílias dos "executados" têm de pagar a bala que foi utilizada na sentença de morte. Não acreditam? Pois, não acreditem porque no não acreditar é que está o ganho...e se podem fazer negócios de ziliões de USD$.

José Albergaria

sábado, agosto 02, 2008

A loucura de Churchill: o Iraque do século XXI.

Os USA, em fim de "festa" bushiana tentam "debalde" consolidar um "governo" autotocne no Iraque, que devastaram e fizeram regredir a tempos imemoriais.

Um historiador inglês, Christopher Catherwood, num trabalho notável de clarividência e rigor histórico retrata a responsabilidade história de Churchill, hà época ministro das colónias e responsável pelo império britânico, na construção do Iraque moderno. Churchil, nos anos 20 do século passado, vai desenhar o Iraque e, nesse redesenho, lá vai encerrar o que se veio transformar numa tragédia inenarrável.

Churchill inventa uma monarquia, a Hachemita, obrigando os curdos sunitas, os árabes sunitas e os xiitas a viver sob o domínio dum único senhor, dum único governante.

Em 1958, perante a degradação da monarquia Hachemita, jovens oficiais, próceres do partido Baath provocam um golpe de estado e transformam a monarquia num regime dos mais sanguinários que se observaram nesta região. O regime liderado, até à invasão dos USA às ordens de Bush e do seu circulo restrito texano, por Saddam Hussein.

Este ditador, como sabemos, foi "julgado" por um tribunal iraquiano, condenado e executado pela forca. A sua execução foi gravada e quase transmitida em directo para todo o mundo.

Espera-se de Barack Obama, se ganhar as eleições em Novembro, que cumpra o que tem vindo a afirmar: a saída do Iraque.

O livro,A Loucura de Churchill, em Portugal foi editado pela Relógio D'Água, na colecção Argumentos.

A não perder.

JA

sexta-feira, agosto 01, 2008

O Mal.


Paul Ricoeur foi, provavelmente, dos filósofos mais produtivos, criativos e sólidos do século XX. Nas academias francesas, alemãs, suiças e americanas sabe-se quão importante ele foi.
Em Portugal não tenho a certeza do que pensam os entendidos.
Sei que o o professor Fernando Catroga, uma das nossas mais luminosas cabeças da historiografia actual, versado numa multitude de assuntos, desde a maçonaria, passando pela morte, até à epistemologia da história, o considera sobremaneira e o cita com assiduidade.
Dum texto saído duma conferência feita em Lausanne em 1985, Le Mal, deixo um pedaçito para aguçar o apetite:
" I . A experiência do mal: entre a censura e a lamentação
O que faz o carácter de enigma do mal é o facto de nós colocarmos sob uma mesma expressão, pelo menos na tradição do ocidente judeo-cristão fenómenos tão dispares, numa primeira aproximação, como o pecado, o sofrimento e a morte.Podemos mesmo dizer que é porque o sofrimento é, constantemente, tomado como termo de referência que a questão do mal se distingue da do pecado e da culpabilidade. Antes de se afirmar o que, no fenómeno do mal cometido e do mal sofrido, aponta em direcção dum enigmática profundidade comum - é preciso insistir na disparidade do principio.
No rigor do termo, o mal moral - o pecado em linguagem religiosa- designa o que faz da acção humana um objecto de imputação, de acusação e de censura."
JA

quinta-feira, julho 31, 2008

Presidente da República demite-se...


A comunicação que Cavaco Silva fará ao país daqui a menos de uma hora poderá bem ser para apresentar a sua resignação...por razões de saúde, ou falta dela.


Esta hipótese é tão plausível quanto o exercicio especulativo de Vítor Dias em o tempo das cerejas.


José Albergaria

Barack Obama: bendito abaixo-assinado.


"Change We Can Believe In
An Open Letter to Barack Obama
30.7.2008
Dear Senator Obama,

We write to congratulate you on the tremendous achievements of your campaign for the presidency of the United States.Your candidacy has inspired a wave of political enthusiasm like nothing seen in this country for decades. In your speeches, you have sketched out a vision of a better future-in which the United States sheds its warlike stance around the globe and focuses on diplomacy abroad and greater equality and freedom for its citizens at home-that has thrilled voters across the political spectrum. Hundreds of thousands of young people have entered the political process for the first time, African-American voters have rallied behind you, and many of those alienated from politics-as-usual have been re-engaged.You stand today at the head of a movement that believes deeply in the change you have claimed as the mantle of your campaign. The millions who attend your rallies, donate to your campaign and visit your website are a powerful testament to this new movement's energy and passion.This movement is vital for two reasons: First, it will help assure your victory against John McCain in November. The long night of greed and military adventurism under the Bush Administration, which a McCain administration would continue, cannot be brought to an end a day too soon. An enthusiastic corps of volunteers and organizers will ensure that voters turn out to close the book on the Bush era on election day. Second, having helped bring you the White House, the support of this movement will make possible the changes that have been the platform of your campaign. "
No tempo das cerejas Vitor Dias chama a atenção para uma carta aberta, abaixo-assinada por um grupo de intelectuais americanos (uns mais conhecidos que outros...)e publica a lista de "exigências" que este grupo faz ao Senador e candidato democrata Barack Obama. Remete a leitura da versão integral da carta para um outro blogue "papéis de alexandria".
Não dominando convenientemente o inglês, sempre deu para me aperceber da importância deste texto e ainda da introdução que aqui deixo, com os agradecimentos a Vitor Dias.
Sublinhei aquilo que me pareceu de mor importância na dita carta e, sobretudo, aquilo que eu destaquei e os abaixo assinados denominaram First e Second razões para Barack Obama ser eleito e derrotar Mc Cain em Novembro.
José Albergaria

Da corrupção...

O eng. João Cravinho politico no pós 25 de Abril de 1974, próximo do MES, Sampaísta militante, foi ainda Ministro das Obras Públicas e do Planeamento no governo de António Guterres.
Creio que trabalhou, no consulado de Marcello Caetano, num gabinete de estudos onde ombreou com António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa...entre outros.
Ainda deputado, nesta legislatura que agora corre, elegeu a "corrupção" de estado para legislar contra ela.
Entretanto, demitiu-se para ocupar um lugar de topo numa instituição em Londres (por convite do eng.º Sócrates). A semana passada, em entrevista, em simultâneo, para a RTP2, Radio Renascença e Público criticou intempestivamente os seus camaradas do grupo parlamentar do PS por terem desvirtuado (segundo ele) o seu projecto de lei e, sobretudo, pela composição da Comissão que vai apreciar os "casos" de corrupção... As reacções violentas e acaloradas de Alberto Martins, lidere parlamentar do PS são conhecidas e vieram introduzir um mor ruído nesta debate tão importante quanto do maior interesse para a saúde da nossa democracia.
O combate à corrupção de estado está envolto, quase sempre, num manto diáfano de hipocrisias, inverdades e, sobretudo, muita intoxicação, manobras dilatórias e mais umas quantas armas de arremesso.
De quando em vez há umas operações bem sucedidas, mas as mais das vezes fica tudo em águas de bacalhau.
Os processos que morreram, ou se encontram em processo de cadaverização...são mais que muitos, mal grado haverem figuras como Maria José Morgado, creio eu que Procuradora Adjunta do PGR, que lutam braviamente para trazer para a ribalta responsáveis e criminosos desse tipo de práticas.
Mas ele há um aspecto incontornável, em meu entendimento: a "corrupção", no sentido vulgar que se lhe atribui faz parte do sistema e é inerente ao exercício do poder, de qualquer cor que ele se vista.
E aqui não há excepções.
Este fenómeno é transverso; toca todas as instituições, todos os partidos políticos, todas as igrejas, todos os clubes de futebol...
Faz pouco tempo, um estudante, finalista de sociologia elaborou um estudo sobre os financiamentos dos partidos políticos - nas autarquias. Nuno Guedes, jornalista e repórter conceituado do Radio Clube Português chegava a conclusões interessantes. Mas, por exemplo, excluía o PCP de práticas de "angariação questionável" de fundos e o BE não entrava no estudo porque não tinha, à época, qualquer autarquia (viria a ter Salvaterra de Magos).
Ora são conhecidos dossiers "interessantes" de "financiamento" do PCP em Loures, em V.F. de Xira, no Montijo, no Barreiro, na Amadora, nomeadamente. E desses dossiers é muito simples retirar conclusões expressivas...
Veja-se quem são os urbanizadores e/ou construtores que dominam o "ordenamento" do território "naquele" período determinado e percebe-se... Veja-se, por exemplo, nas campanhas eleitorais os meios (publicidade estática, folhetos, cartazes, carros de som...) que cada formação partidária utiliza...sabe-se os preços de mercado e chegar-se-á, sem dificuldade, às somas e às desconformidades...entre gastos e receitas.
O que ocorreu em Loures, com o célebre dossier do "cartão de crédito" que o Presidente da Câmara à época (1994-1997) se atribuiu e utilizou para fazer compras pessoais, pagar despesas pessoais e adquirir bens artísticos (num célebre leilão de quadros numa sede partidária em Lisboa...) ilustra alguma cultura de impunidade e perversão que reina no seio de alguns "eleitos". Este processo foi "julgado" e foi mandado arquivar porque "não ultrapassava o valor de 1 500,00€, 300 contos"!
Foi óbvio e compreensível para todos a atitude do edil, que aproveitando uma reformatação do território de Loures, com a criação do Município de Odivelas, reeleito para o mandato 1998-2001, que se demitiu...
Que eu saiba nunca se fez, aprofundadamente e cirurgicamente, a investigação e o escrutínio de comportamentos e práticas passíveis de serem observadas á luz da ética do serviço público e da moral republicana, da república! E o estado tem meios para o fazer! Sempre os teve. A justiça pode-o fazer (neste momento, no apito dourado, na operação furacão, está a fazê-lo). Hoje a legislação já permite alguma eficiência no controlo das despesas e nas limitações e justificações nas angariações de fundos...mas , ainda assim, pode, sempre, dar-se a volta.
Sustento que, leis a mais, só atrapalham. O estado tem de defender o seu bom nome com os meios que tem (e são bastantes). Por vezes, andar á procura da perfeita lei...é distrair-nos daquilo que é essencial.
O favorecimento de estado, não passível de ser controlado,impossível de ser escrutinado, tem a ver com solidariedades grupais, tribais e partidárias...que, muitas das vezes, permite a chamada engenharia social, a reconstrução e/ou construção de grupos empresariais: isto sabe-se, tanto no plano nacional, no plano regional (veja-se o grupo de Jaime Ramos, na Madeira, construído em 12 anos, a partir dum negócio de sanitas!), como até no plano municipal.
Agora, o "negócio indevido", a participação "ilegítima em negócio" o "peculato", o "peculato de uso", praticada por detentores de cargos públicos, com mandato electivo, ou não, entre outras situações,isso é crime e, como tal deve ser punido.E tem de ser punido, exemplarmente.
José Albergaria

quarta-feira, julho 30, 2008

Carlos Oliveira...uma vez mais.


Ando a revisitar um dos maiores e mais proficúos poetas do século XX.
Hoje inclassificável, do ponto de vista das taxionomias ideológicas que espartilharam artistas, escritores, músicos e homens nos idos de 60.
O que sobra é a beleza do poetar do homem da Gandara, a quem Cardoso Pires e Augusto Abelaira, entre outros, lhe dedicaram admiração, respeito e, sobretudo, muita amizade.
Para partilhar, aqui vos deixo uma:
"LÁGRIMA
A cada hora
o frio
que o sangue leva ao coração
nos gela como o rio
do tempo aos derradeiros glaciares
quando a espuma dos mares
se transformar em pedra.
Ah no deserto
do próprio céu gelado
pudesses tu suster ao menos na descida
uma estrela qualquer
e ao seu calor fundir a neve que bastasse
à lágrima pedida
pela nossa morte.
Carlos Oliveira
Obras
Editorial Caminho"
JA

Rafa Nadal: o tenista do povo.


Confesso-me um pequeno apreciador de ténis.
Confesso-me um grande admirador do catalão Rafael Nadal, amante dos merengues e sobrinho duma velha glória do futebol espanhol, o defesa Nadal.
Ver Rafael Nadal nos courts, a bater-se por cada ponto, com pancadas demolidoras, duma precisão teleguiada, a bola a cair em ínfimos espaços do campo...é quase uma epifania.
O ténis deste jogador tem, além do mais uma dimensão estética: os movimentos, as recepções, as pancadas de ataque, as deslocações dele e dos adversários...únicos!
O último confronto, com o ainda número 1 ATP, Roger Federer, em inglaterra, no mítico court de Wimbledon - foi uma espécie de combate de titãs...um hino á modalidade, que sei elitista, mas que eu, modesto "pequeno-burguês", também aprecio.
JA

terça-feira, julho 29, 2008

Carlos de Oliveira: trabalho poético.


Dos maiores poetas do século XX.
Normalmente agrupado nos neorealistas, a sua estética coloca-o no grupo dos poetas hoje já clássicos e de leitura e fruição obrigatórias.
Deixo aqui um poema, do seu Trabalho Poético e publicado nas Obras de Carlos de Oliveira da chancela da Editorial Caminho.
"CANTIGA DO ÓDIO
O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?
Carlos de Oliveira"
JA

segunda-feira, julho 28, 2008

Se uma abelha incomoda...um enxame impede o acesso aos arquivos do PCP!












Numa extensa e não tão interessante entrevista como se poderia expectar a José Pacheco Pereira( menos por responsabilidade de JPP do que pela do jornalista, que poderia ter aprofundado alguns filões...)há um aspecto notável - ao qual não resisto ao pecado da transcrição:
"Pergunta: Mas o PCP não o deixa entrar no seu arquivo!
Resposta:Não. A última resposta que tive foi de Carlos Carvalhas era que o arquivo tinha uma infestação de abelhas. Eu disse-lhe que não me importava de ir vestido de apicultor mas...Acho que o PCP mudará a atitude e tenho de reconhecer que muitos militantes, até históricos, têm uma atitude diferente da do passado, mas está muito longe de permitir a investigação necessária. Os arquivos do PCP são a última grande fonte de história contemporânea ainda fechada."
Fazendo a transliteração da história do elefante para a duma abelha, fácil é concluir que um enxame consegue a proeza de impedir o acesso "à última grande fonte de história contemporânea."
JA

Quem disse que o bolivariano não tinha sentido de humor?


A edição, de hoje, do El País, na capa, publica esta foto magnifica.
O único mistério que subsiste: Hugo Chavez não revelou quem lhe tinha oferecido a camisola.
E ele há quem diga que o bolivariano não tem sentido de humor!...
JA

domingo, julho 27, 2008

O Verão está a devastar neurónios na blogooesfera.


O João Tunes dono do Água Lisa6 (não tendo sido o único...) tem autoridade moral para defender hoje Barack Hossein (não estou certo da grafia destes dois nomes; Barack=Baruc=Bento;Hossein=Hussein) Obama - porque desde sempre assinalou neste candidato, bem antes dele ser nomeado pelos Democratas,um discurso NOVO, a anunciar NOVOS TEMPOS, mesmo quando Obama não conseguia entrar no eleitorado da senhora Clinton: afro-americanos, pobres, pequena burguesia,etc
Foi, pois, sem surpresa que li, no Água Lisa6, um lúcido poste subordinado a um titulo não menos sugestivo: "Quo Vadis anti-americanismo?"
Para enquadrar o meu poste cito de seguida a parte daquele que o João Tunes escreveu:
"Mas Obama não só não entusiasma os anti-americanos de véspera (que diziam que não eram contra a América mas só contra Bush) como a frieza quanto às mudanças que ele pode ou vai operar, aumenta. Fenómeno estranho. Para já, provisoriamente e até melhor entendimento, concluo que os mais genuínos entre a esquerda europeia anti-americana, enquanto Obama estagia para Presidente, está a estagiar para o novo confronto pós-Bush, ou seja, independentemente de quem é Presidente, a América é e será o Império do Mal. Até que a esquerda europeia substitua, na América, a esquerda americana?"

Eu, modesto aprendiz do espírito critico, da análise politica e modestíssimo comentador de factos, ocorrências e outras minudências considerei este texto duma meridiana clareza e a merecer comentário e reflexão...mas para mais adiante, quando os dados (confronto directo entre Obama e Mc Cain) estiverem lançados e os programas respectivos conhecidos.

Puro engano. Dois companheiros bloguistas decidiram interpelar o texto do João Tunes. Eu diria até: decidiram atropelar o poste do João Tunes.

Vejam só.

O Lutz, que sendo alemão (é o que consta...)tem um português de primeiríssima água e um pensamento critico assaz criativo, postou, na caixa de comentários do Água Lisa6 esta pérola que de seguida vos deixo ler (o João Tunes já lhe respondeu, vergastando-o q.b.):

"De Lutz a 25 de Julho de 2008 às 18:54
Como é problemático falar de entidades tão genéricas como a "esquerda" ou a "esquerda europeia", ou também "anti-americanismo"!Pode ser-se de esquerda sem ser anti-imperialista? Há quem dirá que não, a começar pelos que ainda choram a derrocada do império da esquerda. Mas deixamos este de parte, cujo anti-imperialismo não passa de uma mentira hipócrita.Mas há os outros. Eu, por exemplo. Não sou imperialista, não gosto de impérios, e ao mesmo tempo não tenho dúvidas de que a América de hoje é um império. Terei que deduzir disto que não posso ser senão um anti-americano?Vê-se aqui que o rótulo "anti-americano", é uma denúncia injusta e desonesta, um anti-imperialista, uma pessoa anti-imperialismo-americano, não é necessariamente um anti-americano."

Eu, cá para mim, sustento que este prosear só se pode explicar pelo efeito devastador dos raios solares sobre os neurónios de Lutz. Vão para a praia a horas inconvenientes. Deixam-se bombardear pelos raios ultra violetas...e, vejam só, no que dá?!...Incompreensível.

Mas, o melhor ainda estava para vir. A "piéce de resistance" viria no cinzento (ás vezes veste-se de cor, quando publica as belíssimas telas de Fernand Léger), no ortodoxo blogue do "anti-comunista" terciário (porque ainda é membro do Comité Central)Vítor Dias, o Tempo das Cerejas.

Publico todo o poste, até para instrução das gerações vindouras, tal a qualidade do texto, da análise e do espírito critico que lhe subjaz.

Leiam, meditem e, se possível, critiquem-no.

Aqui vai, com titulo e tudo:

"Um para Obama,
quatro para Mc Cain

Acabo de ler na blogosfera um inenarrável exercício de mistificação, guerra à independência de juizo e combate ao espírito crítico expostos nos seguintes termos finais por quem deve achar que a história americana vai começar com Obama e que o passado não nos ensinou nada:
«(...) Obama não só não entusiasma os anti-americanos de véspera (que diziam que não eram contra a América mas só contra Bush) como a frieza quanto às mudanças que ele pode ou vai operar, aumenta. Fenómeno estranho. Para já, provisoriamente e até melhor entendimento, concluo que os mais genuínos entre a esquerda europeia anti-americana, enquanto Obama estagia para Presidente, está a estagiar para o novo confronto pós-Bush, ou seja, independentemente de quem é Presidente, a América é e será o Império do Mal. Até que a esquerda europeia substitua, na América, a esquerda americana ?».(*) [sublinhados meus]Absolutamente intimidado por este responso e raspanete e não desejando ser blasfemo em relação a essa nova religião política chamada Obamania, apresso-me a deixar aqui apenas um cartoon sobre Obama logo largamente abafado e compensado por QUATRO sobre John Mc Cain. Será que assim serei perdoado ?


(*) Para se perceber que há cabeças que também fazem o papel de cataventos, sublinhe-se entretanto que o autor destas doutas sentenças quando, com obsessiva frequência, escreve sobre os problemas ou fracassos das experiências do chamado «socialismo real», sempre põe o acento tónico não nas personalidades mas nas questões estruturais do sistema e da sua ideologia."

Então esta nótula de rodapé...ela é todo um programa!

Vejam só o que um modesto poste do João Tunes, de mor actualidade, aceite-se, mas ainda assim modesto, provocou? Dois feridos graves na blogoesfera...e não são pequenos.

Um, o Lutz, arguto, sagaz, assertivo (até aquando do confronto futebolístico da Alemanha contra Portugal foi frontal e virulento...mas sempre inteligente)e sempre com um sentido critico apurado. Desta vez, vá-se lá saber porquê, espalhou-se completamente e ao comprido. E teve mesmo recidiva. O João Tunes repondeu-lhe e ele insistiu com uma desculpa/explicação toda ela esfarrapada!

Já o Vítor Dias?!...nem sei o que diga.

Em Portugal, na nossa blogoesfera nacional, até que pode ser um caso do foro psicológico. Mantém uma relação de "ódio" com o João Tunes, uma relação de "suspeição" permanente para com o pensamento de João Tunes e, mais ainda, uma vontade permanente de o destruir por que, para ele, é um consabido e "avinagrado" inimigo a abater.Se fosse na velhinha URSS, ao tempo de Estaline, como seria, Vítor Dias?...Como é que se resolvia estas contradições, entre o pensamento justo (o SEU) e as posições burguesas, dos inimigos de classe,as do João Tunes?

È que nem preciso de explicitar a resposta!

Mas, o que me espantou mesmo, foi a nota de rodapé. Então o Vítor Dias zurze no João Tunes porque, ele, quando ataca, critica, analisa, os universos comunistas (os que implodiram e os que ainda, caducos, feudais, persistem)"põe o acento tónico não nas personalidades, mas nas questões estruturais do sistema e da sua ideologia".

Mas, "camarada" Vítor Dias, já reparou, que isso, dito assim e por si, não pode deixar de ser considerado um elogio!

O marxismo sempre considerou determinante a estrutura, as infraestruturas, as classes, o modo de produção, as relações de propriedade, a propriedade dos meios de produção, a luta de classes e, isso sustentado numa ideologia: o materialismo dialecto e o materialismo histórico.

Marx e os marxistas, os seu próceres, sempre dedicaram pouca massa cinzenta ao papel do individuo na história, mas , ainda assim, alguns, poucos, lhe dedicaram páginas interessantes...

Agora, você criticar o João Tunes por hipervalorizar o papel de Barack Obama no futuro do USA?! Nem queria acreditar!

Quantos milhares de caracteres dedicou já o João Tunes a tentar perceber o papel de Estaline,Fidel Castro, Álvaro Cunhal, no seu tempo, nos seus países respectivos, e não só?!...

Acho mesmo, que o Verão está a devastar neurónios e, as primeira vitimas importantes e visíveis, Lutz e o "nosso" bloguista do tempo das cerejas, culto, quase sempre bem informado, cosmopolita, erudito, mas, insistentemente, comunista e, repetitivamente, marxista ortodoxo ( eu não devia estar a "mimá-lo" com elogios ou a atribuir-lhe qualidades...porque ele não gosta, quando tal vem dos "inimigos"), Vítor Dias.

José Albergaria

sábado, julho 26, 2008

ALDA LARA, poeta angolana.


"ALDA LARA (1930-1962)Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque. Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962. Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Muito nova veio para Lisboa onde concluiu o 7º ano dos liceus. Freqüentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prêmio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra e nesse caminho reuniu e publicou já um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais ou revistas, incluindo a Mensagem (CEI). Figura em: Antologia de poesias angolanas, Nova Lisboa, 1958; amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, nº 3, Lisboa1959; Antologia da terra portuguesa - Angola, Lisboa, s/d (196?)1; Poetas angolanos, Lisboa, 1962; Poetas e contistas africanos, S.Paulo, 1963; Mákua 2 - antologia poética, Sá da Bandeira, 1963; Mákua 3, idem; Antologia poética angolana, Sá da Bandeira, 1963; Contos portugueses do ultramar - Angola, 2º vol, Porto, 1969. Livros póstumos: Poemas, Sá da Bandeira, 1966; Tempo de chuva, Lobito, 1973.
Da poeta angolana, escolhi o poema Testamento, extraído do livro Poesia Africana de Língua Portuguesa, p. 67-68. Organizado por Maria Alexandre Dáskalos, Lívia Apa e Arlindo Barreiros. Publicado no Rio de Janeiro, por Lacerda Editores em co-edição com a Academia Brasileira de Letras, em 2003.
TESTAMENTO
À prostituta mais nova
do bairro mais velho e escuro,
deixo os meus brincos, lavrados
em cristal, límpido e puro...


E àquela virgem esquecida
rapariga sem ternura,
sonhando algures uma lenda,
deixo o meu vestido branco,
o meu vestido de noiva,todo tecido de renda...


Este meu rosário antigo
ofereço-o àquele amigo
que não acredita em Deus...


E os livros, rosários meus
das contas de outro sofrer,
são para os homens humildes,
que nunca souberam ler.


Quanto aos meus poemas loucos,
esses, que são de dor sincera e desordenada...
esses, que são de esperança,
desesperada mas firme,
deixo-os a ti, meu amor...


Para que, na paz da hora,
em que a minha alma venha
beijar de longe os teus olhos,


vás por essa noite fora...
com passos feitos de lua,
oferecê-los às crianças
que encontrares em cada rua...

Postado por zantonc "
Meu leitor, do Rio de Janeiro, poeta e Professor de literatura, Zantoc de seu nome de guerra na blogoesfera mandou-me o endereço de dois blogues seus.
Um, "Poemargens, onde publica "indiscriminadamente", sem critério aparente, poesia da lusofonia, da Hispânia e da latino América.
Voltarei mais vezes ao seu convivo e, em breve, à sua voz poética, bem interessante por sinal.
Hoje deixo aqui este poema impressivo, duma poeta angolana, falecida, prematuramente...
JA
PS - O texto, entre aspas e que encima este poste é da responsabilidade do meu recente amigo Zantoc.

Quanto valem duas imagens?...




Se uma imagem vale bem cem palavras...perguntei: e quanto valem duas imagens?
Neste caso em apreço, dos encontros, em Madrid, do Presidente Chavez com o Rey Juan Carlos e com o Chefe do Governo Zapatero - já sabemos. Todos os media deram a noticia: Chavez vai vender à Espanha cada barril de crude venezuelano a 100,00USD!
JA

Diplomacia e negócios

O meu amigo João Tunes e dono do blogue Água Lisa6 comentou esta problemática a partir dum poste que eu dediquei ao assunto.
Desse poste isolei a parte onde, porventura, se encerrará alguma discordância entre mim e o João Tunes:

"não está a contar o filme exibido e que todo o mundo viu. Em Angola, Sócrates fez um elogio rasgado à política de Dos Santos e ao MPLA, com Chavez, permitiu que o venezuelano se permitisse intimidade viscosa de amigos políticos e autorizou que Kadafi o apertasse contra o peito numa representação de intimidade politicamente obscena. E Sócrates não disse uma palavrinha (de Luís Amado nada a esperar nesse sentido, pois nunca tivemos um chefe de diplomacia tão dogmatizado no “nim”, cada vez mais lembrando o cinzentismo burocrático do velho e ido Gromiko) a reafirmar os princípios da democracia, das liberdades e dos direitos humanos. Tudo foi, princípios democráticos incluídos, o que o governo português embrulhou na tecnocracia dos negócios. E é isto, não outra coisa, o que está mal. A merecer um saudável protesto, não para fazer uma manifestação a exigir a demissão do governo mas para que não se repita (e em nosso nome)." Fim de citação.
Creio ser este o "ponto" em que, aparentemente, estaremos em desacordo.
Não é.
No fundamental, na substância da critica e dos reparos, estou quase de acordo.
O que eu, sobretudo, não concordo é com facto de muitos comentadores (terá vindo mesmo a senhora Presidente do PSD dizer que mais valia o primeiro-ministro ter ido visitar PME´S do que andar de roda dos senhores dos petróleos!)terem passado ao lado dos alvos das visitas do engº José Sócrates, não terem relatado os resultados "objectivos" das mesmas e terem "hipervalorizado" declarações de circunstância e de conveniência, e as manifestações de "intimidade viscosa" e "intimidade politicamente obscena".
Claro que essas "declarações" e essas "intimidades" me perturbam e desconfortam, mas...
Quanto a Zapatero e à senhora Merkl o problema tem a ver com a importância de cada um dos seus países, com o valor de cada uma destas realidades sociais, económicas, demográficas, tecnológicas - que nos deixam a milhas da Espanha e da Alemanha.
Nós só conseguimos altear a voz quando temos condições para tal. Por exemplo quando tivemos a Presidência da UE.
E, mesmo assim, fazemo-lo, sempre, com discrição e a propósito, como foi, também, o caso da senhora Merkl antes de se deslocar à latino América...e durante a estadia.
Desde a crise do Rey de Espanha do "por que no te callas, hombre", quem tem intermediado nas relações NECESSÁRIAS de Zapatero com Chavez...foi, nem mais nem menos, o "nosso" José Sócrates.
A diplomacia é, nas relações externas dos Estados, o que de mais sinuoso, viscoso, inumano e surreal existe...
Veja-se o dossier Tibete; o dossier Birmânia;o dossier Coreia do Norte; veja-se o infindável dossier "Palestina"; veja-se o dossier Guantanamo; veja-se o dossier direitos humanos em Cuba;veja-se as FARC da Colômbia e etc; e etc; e etc.
Não estou a querer fugir a nenhuma discussão, não estou a querer contornar nenhuma dificuldade, não estou a querer "defender", em nome da sacrossanta diplomacia económica, ou realpolitik, farsantes como Eduardo dos Santos, Chavez ou Kadafhi.
O que eu quis dizer e em jeito de conclusão:
1/ Foram deveras importantes, para o interesse nacional, as visitas de José Sócrates a Angola, à Argélia,à Venezuela (e a visita de Chavez a Portugal)e à Líbia;
2/As declarações verbais, os salamaleques, os cumprimentos e os abraços efectuados por Sócrates (não sendo do meu particular apreço e entusiasmo)foram-no de circunstância e conveniência;
3/A diplomacia tem instrumentos hierarquizados (as notas; as recomendações; as declarações conjuntas...); não me apercebi que tivessem havido "Declarações Conjuntas" e, no caso de as terem elaborado - não me apercebi de nenhum apoio "explicito" do Governo português àqueles regimes "em concreto".
Foi isto que eu quis afirmar.
José Albergaria
PS - Depois...depois, ele há o "estilo" José Sócrates que não agrada a muita gente.
Eu, já o afirmei, convivo melhor com os pré-socráticos, mas tenho de reconhecer que este nosso primeiro-ministro tem obtido alguns sucessos e, em particular, nas relações internacionais.
Objectivamente.

sexta-feira, julho 25, 2008

Porque hoje é sexta-feira, é Verão e quase não acontece nada...

O anticomunismo foi coisa que andou na moda, teve o seu tempo e, de quando em vez, lá reaparece...às vezes, sob a forma de anedota.
"Quantos tipos de anticomunismo existem?
Três:
1/Primário;
2/Secundário;
3/Terciário.
O primário é o de direita;
o secundário é o de extrema esquerda;
e o terciário...é o do Comité Central."
De autor desconhecido, século XX.
JA