terça-feira, junho 17, 2008

Eu, ex-quase tudo, me confesso!

Cavalgando a teoria redentora, a que tudo interpretava, a que tudo descodificava e denunciava, e fazia-o de modo a podermos transformar o mundo, milhares de homens e mulheres lançaram-se à conquista dos céus. Nesse exército eu me inclui durante decénios.
Sabe-se que, em vida de Marx, à questão "se ele era marxista" terá respondido:"Não tenho a certeza".
Comemora-se, nas barricadas comunistas, nestes dias, um aniversário qualquer do Manifesto Comunista. Este texto teve a importância que teve e não é meu propósito aqui discorrer sobre tal.

Importa, hoje, interrogar-me sobre a minha própria deriva "ideológica", "utópica" e, dalgum modo, "ucrónica".

Que me lembre, fui militante comunista na década de sessenta em Portugal, pendurei-me nas barricadas parisienses, no Maio de 68, enfileirei-me, informalmente, no movimento operário católico belga e dedilhei teoria do foco guevarista até ao dia redentor: 25 de Abril 1974! Depois...depois disso aproximei-me do PC onde militei severamente, mas sempre (internamente...) livre pensador e "liberal", anti-estalinista convicto e nunca envergonhado (esse foi o meu compromisso individual, comigo mesmo, mas sempre cúmplice do projecto global do PC). Saí sem bater com portas, em silêncio.

Hoje deambulo pela chamada esquerda democrática, mas sem convicções ou certezas ideológicas, a intervir politicamente (ao modo dos gregos - na polis), fazendo coisas num território municipal, a Amadora, faz quase doze anos. Com o meu contributo -melhorando o espaço público, requalificando o parque escolar, criando ferramentas e projectos para erradicar a pobreza e qualificar os activos humanos.... e, individualmente, dirigindo um Centro de Ciência Viva, participando em órgãos sociais das duas maiores colectividades da cidade e, cuidando da minha formação intelectual, a terminar um curso de história.

Cultuo ainda duas tertúlias, uma de amesendação e degustação báquica e, outra de preocupações humanísticas e espirituais.

Direi mesmo que, hoje, não só não tenho ideologia - como rejeito, por utópica, qualquer ideologia de pensamento ÚNICO: ando a encontrar coisas muito interessantes e em muita gente!

Hoje sou, sem sombra de dúvidas e hesitações - um homem livre, livre pensador e, sobretudo, livre examinista: o meu único guia? a minha consciência! É por isto que continuo a gostar da Internacional que diz, algures: "Messias, Deus, chefes supremos/Nada esperamos de nenhum!"

Começámos, todos os que saímos do comunismo, por fazer a critica a Estaline e ao seu embuste, o estalinismo e o comunismo na Rússia; depois, alguns de nós, atrevemo-nos a buscar em Lenine as razões, as causas, as teses que explicam o que sucedeu na Rússia e em quase TODO o século XX e em quase TODO o planeta.

Hoje, a minha preocupação, é tentar colocar o MARXISMO na posição que merece e que a historiografia, não só a das ideias, está em passe de lho atribuir.(...).

Em livro de Dietrich Schwanitz, Cultura: tudo o que é preciso saber, editado pelas Publicações Dom Quixote, pode ler-se: "Trata-se de exploração porque os capitalistas não pagam aos trabalhadores o valor real do seu trabalho, mas apenas um mínimo estritamente necessário à sobrevivência, embolsando a chamada mais-valia, hoje mais conhecida por valor acrescentado, como seu proveito. Esta tarefa é-lhe facilitada pelo facto de difundirem ideologias que obnubilam a realidade, tais como a das [leis objectivas do mercado]; e como o dinheiro baralha o sentido para os valores, o preço duma mercadoria confunde-se com o seu valor real. Na realidade, porém, ele não passa de mais uma forma de encobrimento de relações de produção injustas. A primeira tarefa do marxista consiste, por isso, na destruição das aparências ideológicas. O modo de reconhecer as ideologias como tais, na opinião de Marx, consiste no facto de os capitalistas venderem os seus interesses de classe como se do interesse de toda a sociedade se tratasse. Por isso, toda a cultura burguesa torna-se suspeita. E assim o marxismo converte-se na alta escola do desmascaramento. Os sistemas simbólicos da civilização são postos a nu. Isto produziu gerações inteiras de detectives que desmascaram Deus e o mundo e fizeram da prova da culpabilidade de opressores encobertos a sua ocupação principal. A suspeita ideológica universal dotou o marxismo de um sistema imunológico, porque converteu qualquer opositor num caso de aplicação da teoria: quem está contra, ou é inimigo de classe ou é vitima da obnubilação ideológica."
Creio eu que, muitos de nós, ex-comunistas já não somos estalinistas (sem sombra de dúvidas); alguns de nós, já abandonámos o Leninismo; mas, quantos de nós colocámos em questão Marx e o marxismo?!...
Hoje, para mim, não se pode compreender as derivas das religiões do Livro (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo) sem questionarmos os "Pais" fundadores daquelas! Particularmente, no caso de Cristianismo, não possível perceber as malfeitorias da Igreja Católica sem interpelar Cristo e as suas injunções. Ou é possível deixá-lo de fora? Creio que não.
Mutatis mutandi, creio eu, que a mesma metodologia se deverá aplicar a Marx. Em toda a extensão da sua teoria? Não sei. Mas, o que penso que, definitivamente, já sei: o que fizeram os seus apóstolos (Lenine, Estaline, Mao e etc...), usando e, provavelmente, abusando das suas teorias, já a história condenou. Isso eu já sei.
Agora, neste interime, tento aprender mais:interrogando-me e interpelando os textos doutros e dos marxistas...também.
Como diz o meu amigo Pedro Castelhano: " O muito sábio não é o que muito sabe...mas, outrossim, o que muito quer aprender."

JA


domingo, junho 15, 2008

Porque hoje é dia de "eurobocejo": uma curta frase vadia.


"Jesus Cristo já morreu, Karl Marx também e eu próprio não me sinto lá muito bem." Anónimo


JA

sexta-feira, junho 13, 2008

Um olhar a P& B

Faz pouco tempo, em "polémica" com António Barreto (a pretexto da recensão dum livro de memórias sobre Angola ao tempo do vice-almirante Rosa Coutinho...como alto-comissário)nomeei AB, entre outros qualificativos, de fotógrafo.

Eu sabia do que falava/escrevia. Não me enganei.

Ultimamente, no Sorumbático, AB tem brindado os seus leitores/expectadores com alguma das suas obras.

Com a devida vénia ao autor e agradecimentos ao blogue onde ele se publica, aqui deixo uma visão, a preto & branco, duma realidade que bem conheço: o bairro 6 de maio, na freguesia da Damaia, na Amadora.
Esta fotografia remete-nos, "claramente", para as abordagens narrativas de R. Barthes na sua obra de referência "A Câmara Clara", sobre a fotografia como estética, memória, discurso e linguagem. Recordo-me bem dum dos conceitos bartiano aí expendidos: "punctum".
Repare-se que esta fotografia de A. Barreto se organiza, toda ela, em torno da figura humana (o punctum estruturador), apanhada em contra-luz e de quem não se consegue perceber os seus contornos singulares, que lhe atribuiriam uma "personalidade", um "nome", remetendo-a, assim, para um certo anonimato, uma não existência - que estigmatiza quase todos os habitantes do que hoje sobra deste bairro.
JA

quinta-feira, junho 12, 2008

"Mágicos?!": claro que sim

Fanada do "Fait-Divers", com a devida vénia, a minha homenagem à "raça" e aos "raçudos" que ontem alinharam por Portugal no jogo contra a República Tcheca!

Albergaria

Ainda Manuel Alegre e a federação das esquerdas

Em poste anterior discorria, eu, sobre interesses repentinos, serôdios e até desconcertantes sobre os pobres e a pobreza em Portugal e, a linhas tantas tropecei num poste do João Tunes:


1/ "O que continua a surpreender em Manuel Alegre é a sua capacidade de irritar, irritando sempre mais e alargando permanentemente o leque dos irritados. A alergia relativamente a Alegre contamina hoje, nas esquerdas, muita e variada gente, cada vez mais gente e gente que, objectiva e subjectivamente, só contra Alegre se consegue identificar como sendo da mesma margem da política. Usando os mais díspares argumentos mas confluindo na rejeição de Alegre, na depreciação de Alegre ou na subestimação de Alegre, aqui lavrando no erro de o julgar fácil de calar. Porque em Alegre, cada vez mais, há sempre qualquer coisa para embirrar, seja de fundo ou de pormenor. Talvez passe por aqui o germinar da unidade operacional da esquerda, das esquerdas, destas esquerdas sedentas de uma irritação comum de estimação que as (re)mobilize. Se tanto conseguir, Manuel Alegre, em exemplo de simetria carismática por uma unificação de rejeições de que nem Sócrates se conseguirá gabar, poderá rir-se de ter desempenhado um útil papel para que as esquerdas se unam e decidam governar pela esquerda, afastando, finalmente, o pesadelo incómodo que, volta e meia, lhes invade o sono da inércia do equilíbrio impotente entre as vetustas incompatibilidades. Façam-no e, estou certo, Alegre vai deixar de irritar. " João Tunes

Decidi, no meu poste comentar este outro do João Tunes:

2/" Entretanto, ia este meu poste já longo e vem o João Tunes e zás: "Ponham a mesa e sirvam-se!"diz o João Tunes - que anda toda a gente irritada com o Manuel Alegre e, cada vez mais. Sugere mesmo (se bem entendi...) que se possa, em torno da irritação em crescendo e em torno do poeta, criar uma plataforma de entendimento entre as várias esquerdas...percebi bem? Não tenho a certeza. Vai daí fui ao Dicionário da Língua Portuguesa editado pela Academia das Ciências e, no brevete irritação encontro o seguinte:1.Estado de pessoa perturbada, enervada por algo que a contraria ou incomoda e que tende a manifestar-se de forma agressiva;estado de irritado. Agastamento. O discurso demagógico e repetitivo do orador causou-lhe tal irritação que por pouco não lhe gritou que se calasse.(Fernanda de Castro, Raiz, p. 26).Ora aqui está uma "trouvaille": a IRRITAÇÃO como Plataforma, doutrina, ideologia, programa, logótipo e, mesmo até, campanha eleitoral. Que líder para dirigir este Partido (sim - porque é preciso um partido!)? Claro, o irascível, o colérico, o exaltado vate, o aristocrata, o sereníssimo príncipe: Manuel Alegre! "O sabão irrita a vista. O fumo irrita a garganta. A pele irrita-se com detergentes." O Manuel Alegre consegue irritar TODA a esquerda portuguesa! É obra!" Zé Albergaria

O João Tunes adendou, ao seu poste, o comentário àquele, meu:
3/ "Adenda: Não
Zé Albergaria, não entendeste o que escrevi quando me colocas como defensor da ideia “que se possa, em torno da irritação em crescendo e em torno do poeta, criar uma plataforma de entendimento entre as várias esquerdas...”. O que aventei foi o contrário, a factibilidade, por simetria de dinâmica de irritação, de um projecto a modos que unificador, mas contra o poeta, usando o poeta como bode expiatório (não é para isso que servem os poetas?), que inclua um leque de convergentes com o Zé Casanova, o Zé Lello, o Zé Saramago, o Zé Sócrates, o neófito Zé Miguel Júdice, todos os Zés de esquerda, mobilizando o Zé Povinho para a “esquerda unida”. Quanto à ideia de que acredito em algo construído “em torno do poeta”, pensava eu que soubesses que se gosto de “entornar” - sem excessos que tirem o paladar, o odor e o gosto, matando a sensualidade do vinho -, procuro, para isso, o bom se não puder ser o melhor. Não propriamente pelo néctar mas mais pelo "resveratrol", pois a idade não perdoa. Saber sobre a minha pessoa não adianta grande coisa, tempo perdido será, mas, sabe-lo bem, de um amigo tudo se espera." João Tunes

Tinha prometido uma penitência: aqui vai ela.

Quando se lê depressa e mal, arriscámo-nos a borregar. Foi o que me aconteceu.

Depois, e ainda, esta mania, este tique malfadado, de procurar, como diz a Julia Kristeva, intertextualidades naquelas narrativas que se lêem: só podem dar em desastre, as mais das vezes.

O João, sempre arguto, rigoroso e atento, percebeu que o meu exercício sofreu desse pecado maior, acrescendo um outro: o nosso mútuo conhecimento interveio (sem que eu me desse conta...mas interveio)levou-me a ter como assente, de ciência certa e exacta, que tinha percebido o pensamento e a posição do meu amigo.

Puro e doloroso erro!

Puz-me a jeito e levei com a vergasta da Adenda do JT:"Não Zé Albergaria, não entendeste o que escrevi...".

É da vida.

Mas não me fica mal reconhecê-lo por que, o João Tunes, merece-o; por que, o João Tunes, é credor da minha consideração e respeito intelectuais;por que, o João Tunes, é homem de muito saber e erudição e, por que, o João Tunes, é meu particular, velho, estimado e venerado amigo e, como ele diz, e bem:(...)" dum amigo tudo se espera."

Aqui fica o reparo e a penitência.

Zé Albergaria

NB - Imagem fanada ao JT no Água Lisa6.

terça-feira, junho 10, 2008

"Morrer é só não ser visto/é perder-se na curva da estrada"

Acabei, agorinha mesmo, de ler o interessante quanto desconcertante livro de Filipe Nunes Vicente(na blogoesfera FNV).
Li a recensão que dele fez o Expresso, José Mário Silva.
Globalmente, a critica é certeira e merece o meu assentimento. Contudo, já discordo quando aquele se lhe refere, ao livro de FNV, nos seguintes termos:"Talvez por isso, FNV recorre, de um modo sistemático (e em certos casos excessivo), a inúmeras referências filosóficas e literárias...)" O que espanta , neste caso, é que é o próprio FNV a avisar, na espécie de prefácio a que ele chama Incubação:"Se nestas histórias aparecem referências literárias e filosóficas (...) O meu trabalho -tentar ajudar quem perdeu (ou quem se perdeu)-exige muito mais que o manuseio de meia dúzia de técnicas psicopterapeûticas. Ao longo dos anos fui-me socorrendo do que leio e do que aprendo, de quem sabe muito."
Este livro fala do tempo, da inexorabilidade da finitude, da perda e, ainda assim da morte.
Eu, que perdi dois filhos (um, por adopção e outro, de sangue) percebi, mesmo muito bem, a espantosa Definição, a página 83,sem referentes literários e/ou filosóficos, mas de um irredutível impacte:"Não deve ser nada de inultrapassável, todos os dias milhares de pais vêem morrer os seus filhos. Algum tempo depois voltam a rir, a trabalhar, a fazer sexo convictamente, a ir de férias. Pois voltam: mas já não são os mesmos."
Só por esta Definição teria comprado o livro. Somente por esta Definição teria lido o livro. Exclusivamente, por esta Definição teria falado do livro, aqui e agora.
O livro é, no entanto, bastante mais do que isto. Mesmo muito mais que isto.
FNV fala muito, e ainda, da velhice (não fosse ele um cultor das literaturas clássicas!), do tempo, da vida como tragédia, do desconcerto da relativização das coisas.
Ele há duas frases que eu gosto de utilizar nestas circunstâncias e nestes temas:
1/ Os velhos já não têm futuro, caminham para ele às arrecuas - porque só conseguem vislumbrar o passado. Aqui, nem o pensamento de Séneca, a que FNV recorre no seu livro "Só podemos estar seguros do nosso passado" tem algum tipo de efeito balsâmico;
2/Ninguém quer chegar a velho, nem morrer novo.
Em meu entendimento, depois de se ler este singular livro, saboreia-se bem melhor a prosa e os postes de FNV, no incontornável Mar Salgado.
Zé Albergaria
Adenda
O titulo é uma citação, de memória e livre, dum poema do Pessoa.
Ele há uma coisa que me intriga. Diz-se, dum homem que perdeu mulher, por morte, que é viúvo; diz-se, duma criança, que perdeu pai, por morte, que é órfão,
E, quem perdeu filho, por morte, como se diz?
Não se diz.
Porquê?
Talvez por que seja inominável tal occorrência...
Contudo, em francês diz-se: "un pére desenfanté"!
Ele há mistérios que só os linguístas e um qualquer psi podem explicar. Pode ser. Vou acreditar que sim.

quinta-feira, junho 05, 2008

"O diabo quanto está prestes a morrer - vira sacristão!"

Ora aqui está uma bela duma frase! Mas, mais do que isso, uma muito interessante metáfora! Onde a comprei? Há pouco tempo, na mercearia dum velho e sagaz sindicalista de Castanheira de Pera.
Trocávamos umas ideias sobre a actualidade política, governativa, oposicionista, situacionista (como gosta de firmar o João Tunes) e, ainda, em torno dalgumas personalidades com percursos erráticos...
Hoje, nos políticos, nos líderes religiosos, mesmo até nos artistas e intelectuais, cada vez valorizo mais o porte humanista, a ética dos valores e a moral da responsabilidade.
Incomoda-me pouco as doutrinas, menos ainda as ideologias (salvo aquelas que atentam contra o Homem e contra a Humanidade, como é óbvio) e ainda menos o posicionamento geométrico: esquerda, centro e direita!
Houve tempos em que me pesavam os preconceitos: o gajo é de direita? não presta!
Hoje escrutino mais e com mor rigor os da minha geografia (esquerda) do que os que andam por outras paragens! Complexos? Provavelmente.
Mas andámos a vender e a dar, a rodo, a nossa superioridade moral e, quando nos demos conta, estávamos atolados, até ao pescoço, no maior embuste do século XX! Houve quem percebesse isso mais cedo que outros. É verdade.
Mas, em meu entender, ninguém fez ainda, com serenidade, com agudeza, com rigor e, sobretudo, com isenção e veracidade (evito a palavra verdade, por ser um absoluto e, acho eu, intangivel!) a análise da responsabilidade ética e moral dos que, como eu, ladainhámos pelo marxismo e pelo comunismo. E os que andaram (e alguns ainda andam...) pelo trotsquismo e pelo maoismo?...esses, nem falar se pode por que, na maioria dos casos, se acolheram no regaço apaziguador do PS e ou do PPD/PSD e...prontos: limpos e álvares como aquela roupa que migrava de Lisboa p'ra Caneças. Lembram-se?
Isto tudo vem a propósito da Festa promovida pelo BE para o Teatro da Trindade e realizada no passado dia 3 de Junho.
A Joana Lopes (acrescente-se-lhe os comentários que por lá foram postados...) hoje, disse, praticamente, tudo que havia para dizer sobre este tópico (mesmo os seus sentimentos que perpassam pelo texto).
As posições recentes de Manuel Alegre, de Mário Soares lembram-me, perdoe-se-me a ousadia e algum despudor, a metáfora que utilizo no titulo deste post.
Mas, curiosamente, o VELHO CDS, a pretexto da Moção de censura ao Governo do eng.º Sócrates, o seu argumentário "cristão", preocupados com o desemprego, as desigualdades, o custo de vida e dos combústiveis, a pobreza e tuti e quanti, também o deslocam p'ra debaixo desta metáfora.
De repente, "toda" a gente, descobriu o filão da pobreza, das desigualdades sociais, das iniquidades na distribuição da pouca riqueza que, ainda assim, vamos criando, das dificuldades importadas de fora (preço do crude, entrada no comércio mundial da China, especulações financeiras e créditos mal parados nos EUA, guerra no Iraque...) e....o vencedor é: ninguém! Porquê? Porque o que os move são as sondagens, que dão o BE e o PC a subirem. Lembram-se que a MFL quando da disputa para Presidente do PSD dizia, mais ou menos, isto: "É preciso credibilizar o PSD, criticando a ausência de políticas sociais proactivas do governo de modo a travar a subida eleitoral da esquerda, do BE e do PC".
Nesta situação, como se comporta o PCP? Como sempre. Sobre esta matéria não digo mais nada, por que o João Tunes ("Como será o traseiro da Anabela da esquerda triste") e o Rui Bebiano ("A Festa como delito") disseram o que havia p'ra dizer.
Entretanto, Ia este meu post já longo e vem o João Tunes e zás: "Ponham a mesa e sirvam-se!"
Diz o João Tunes - que anda toda a gente irritada com o Manuel Alegre e, cada vez mais. Sugere mesmo (se bem entendi...) que se possa, em torno da irritação em crescendo e em torno do poeta, criar uma plataforma de entendimento entre as várias esquerdas...percebi bem? Não tenho a certeza.
Vai daí fui ao Dicionário da Lingua Portuguesa editado pela Academia das Ciências e, no brevete irritação encontro o seguinte:1.Estado de pessoa perturbada, enervada por algo que a contraria ou incomoda e que tende a manifestar-se de forma agressiva;estado de irritado. Agastamento. O discurso demagógico e repetitivo do orador causou-lhe tal irritação que por pouco não lhe gritou que se calasse.(Fernanda de Castro, Raiz, p. 26).
Ora aqui está uma "trouvaille": a IRRITAÇÃO como Plataforma, doutrina, ideologia, programa, logotipo e, mesmo até, campanha eleitoral. Que líder para dirigir este Partido (sim - porque é preciso um partido!)? Claro, o irascível, o colérico, o exaltado vate, o aristocrata, o sereníssimo príncipe: Manuel Alegre! "O sabão irrita a vista. O fumo irrita a garganta. A pele irrita-se com detergentes." O Manuel Alegre consegue irritar TODA a esquerda portuguesa! É obra!

JA


terça-feira, junho 03, 2008

Ainda o Teatro da Trindade

O meu carissimo João Tunes no seu Água Lisa 6 decidiu comentar o meu post anterior, o que muito me apraz. Como ainda não aprendi a fazer aqui publico, de seguida, o seu comentário e por inteiro:

"Com a devida vénia na intromissão, julgo haver aqui um equívoco que não é de somenos. É que começa-se por se falar em dinâmicas de transformação (comportando, é verdade, mais mortes que nascimentos) do painel partidário e acaba-se a cristalizar os actuais partidos como se fossem blocos monolíticos intransformáveis. Isto, no exacto momento em que a esquerda atingiu o ponto de saturação dos bloqueios dos partidos de esquerda. O que prenuncia mudanças. Incertas, mas mudanças. Acima, ou ao lado, das forças que querem conservar posições conquistadas e enquistadas.

Nos partidos de esquerda, só o PCP tem o direito a ser considerado um partido consequentemente conservador, ou seja, partido de ontem, hoje e amanhã. Que, na situação presente, lhe vai permitir crescer uns pontos e uns deputados. Pela mera conjuntura do crescimento do protesto não estruturado num projecto de superação, apenas cavalgando uma onda de radicalismo anarco-populista de fachada anti-socialista. Mas esse crescimento vai gerar a sua próxima crise: ao engordar em votos e em presença parlamentar vai conflituar-se não com outros, muito menos com a burguesia, mas com a sua própria doutrina (revolucionária, não democrática). Crescer sem capacidade para influenciar e transformar, sem ser alternativa e alheio a política de alianças, o previsto crescimento eleitoral do PCP é como engordar um animal para o exibir como bicho de companhia.

Nem o PS nem o Bloco são partidos estáticos e muito menos homogéneos. O PS, exaurida a praxis governativa da sua asa direita, a situacionista-clientelista, tem de deslizar para a esquerda. Até porque não suporta, em simultâneo, o efeito de uma credibilização da direita (o que MFL, muito provavelmente, vai dar ao PSD) e um desgaste à esquerda com hemorragias de votos a caírem nos regaços parasitas do BE e do PCP. Para esta viagem pendular e impositiva - mais dia, menos dia – resta ao PS as ajudas de Alegre e de Soares. O Bloco, se crescer (e é fundamental, para a esquerda, que cresça nas próximas eleições e, se possível, mais que o PCP), vai ter de se responsabilizar, tornar-se um partido adulto, assumindo a fase do fazer, representando, dentro ou fora, a ponta esquerda da asa esquerda do PS. E é aqui que, mais uma vez (reproduzindo a cena das últimas eleições presidenciais), a chave se chama ou chamará Manuel Alegre (neste campo, seca-se a influência de Soares, enquanto guru). Até lá, se lá chegarmos, não sendo tempo da coisa, há que testar a coisa. Amanhã no Trindade, com "canto livre" e sem casamento na vista dos binóculos, será uma forma, como qualquer outra, de alguns aprenderem que quem não se conhece não se namora."

Como sempre, muito bem argumentado.

Contudo, em minha modesta opinião, as coisas, as dinámicas partidárias são, quase sempre, correlatas de equivalentes sociais, económicos, políticos, culturais e, por que não, dependentes de personagens com dimensão histórica, com carisma. Coisa impensável de aceitação no PC, mas mais do que aceitável no PS. Não sei como andam os bloquistas nesta matéria,do papel do individúo na história, mas Louçã já "demonstrou" que o marxismo começa a ser objecto da historiografia, menos da análise política e, menos ainda da praxis política, teoria para a acção.

É provável que o PC ainda esteja a viver da força fantasmática de Cunhal(!) avivada por uma "deriva" internacionalista inenarrável, como tão bem o João Tunes o documenta, e bastamente, no seu blogue (China, Tibete, FARC colombianas, Cuba, Venezuela, ma non tropo...).

Onde a minha perplexidade se mantém, e porventura o que nos divide, é o putativo liderante da "coisa": Manuel Alegre.

Eu teimo em ter memória. Ainda ontem, numa homenagem a Benard da Costa, como cronista de jornais, reencontrei "velhos" combatentes, sindicalistas. Falámos do ontem, do hoje e, ainda um pedaço do amanhã.

Quando o velho Soares tinha responsabilidades governativas tratava os sindicalistas da tendência socialista da intersindical como títeres do PC. Alguns deles, em desespero, iam falar com o Alegre - que lhes repetia, então, os sentimentos e opiniões do líder bem querido, secundando-o por inteiro. E falámos, sobretudo de questões sociais, de desigualdades, de má partição da riqueza.

Recordo-me ainda,e com algum azedume o faço, do Manuel Alegre, secretário de estado da comunicação social (não sei se a designação está correcta) dum governo do Soares: foi ele que encerrou o Século, sem cuidar do futuro dos trabalhadores (alguns suicidaram-se) e sem curar, nomeadamente, de preservar o acervo fotográfico do primeiro e imenso repórter português:Joshua Benoliel.Dezenas de caixas com "negativos" daquele fotografo desapareceram para sempre. Deste desastre queixou-se-me, tempos depois, a "directora" do Arquivo Nacional de Fotografia.

Pois aqui está: acho que à "coisa" faltará, desde logo, o líder federante e federativo.

Gosto muito do Alegre, contista e prosador. Do poeta, tem dias. Do político, digo-o sinceramente, não me comove, não me convence e, menos ainda, me mobiliza para o que quer que ele pense que pode fazer, ou vir a fazer, na política em Portugal.

Não imagino sequer o Manuel Alegre a ser, desculpe-se-me a metáfora, a Maria Antonieta Macciochi portuguesa, uma convicta e sólida gramsciana, que liderou, em tempos (creio, se a memória não me atraiçoar, no pós maios e junhos de 68...), em Itália, um movimento que, na altura acompanhei com algum interesse e atenção: Il Manifesto.Não creio que as figuras que acompanham o Alegre na publicidade do evento do Trindade, Alegro e Soeiro, tenham essa vocação liderante.

Veremos o que há-de, ou não, sair do Trindade. Talvez um namoro oficializado, com foto de compromisso? Talvez.

Não vem mal ao mundo e menos ainda aos que vão ao Trindade por modo de se conheceram, para poderem (ou não) namorarem, que eu pense desta maneira e que não cultue os méritos políticos do bardo.

A vida, assim como a amizade, não se fazem só de assentimentos. Fazem-se de caráter, de honestidade, de frontalidade, de consciência, de ética e de valores. Isto tudo tem o João Tunes que baste e eu faço-o, todos os dias, por merecer.

JA
Adenda
O João Tunes contra argumentou, e bem.
O que se me oferece dizer sobre a questão da pureza e dos puros, socorrendo-me de pensamento alheio, aqui fica:
1/ "É próprio do homem comum ser exigente com os outros. Mas é próprio do homem superior ser exigente consigo próprio." Marco Aurélio, estoico romano;
2/ " Á marginalidade dos puritanos, sempre preferi a pureza dos marginais.", anónimo.
É evidente que as minhas razões, em relação ao Manuel Alegre, não se esgotam nas que aduzi na minha argumentação. Há mais, diferentes e doutra ordem. Mas, por razões de contenção e eficiência - centrei-me nas que escolhi.
A conversa, como sempre, com o meu particular e venerado João Tunes está boa, mas creio que valerá mais - retomá-la após a iniciativa do Trindade e com ideias mais claras sobre as perspectivas da "Nova Esquerda"!
JA

segunda-feira, junho 02, 2008

Vida e Morte dos Partidos Politicos



Hoje, na politica portuguesa, há muita gente que já percorreu vários partidos, crenças politicas e, aqui e acolá, até crenças religiosas e filosóficas. Há muita gente que mudou, que se bandeou dum para o outro lado.

Há quem considere com desdém estas situações. Há quem considere a figura do Cunhal como o paradigma da coerência: porque, sempre, acreditou no marxismo e no comunismo, como solução par Portugal e até para a humanidade.

Mas a vida é bem diferente destas crenças. Proponho um exercicio: quantos partidos, grupos, havia à data do 25 de Abril de 1974? Quantos havia à data do 25 de Novembro de 1975? Quantos há hoje? E quantos havia na 1.ª República, em 1910? E quantos havia em 1870?

As sociedades europeias e ocidentais, malgrado opiniões dispersas, que anunciam o fim de quase tudo, continuam a pensar que os partidos são o modo adequado de representação de interesses, de ideias, mesmo até de valores morais.

Mantem-se mesmo, também contra ideias pouco consistentes, uma dicotomia que emergiu de modo singular na Assembleia Nacional saida da revolução francesa, no século XVIII: esquerda versus direita. Durante muito tempo a esquerda foi equiparada a "liberalismo" nos costumes, a progresso social, a equidade, a pacifismo, a mudança; ao invés, a direita, era equiparada a conservadorismo, a imobilismo, a belicismo, a auroritarismo, nomeadamente.

Despois da implosão da união soviética e dos seus satélites na europa ocidental e da sua aliança defensiva, o pacto de varsóvia, tudo, ou quase tudo se alterou, na Europa e no Mundo.

Ora bem, se o mundo mudou, o nosso olhar sobre ele teve de se trasformar. Óbvio.

Contudo, há quem não pense assim. Ele há gente que, uma vez mais, tenta adequar a realidade à sua doutrina, aos seus esquemas mentais.

Em Portugal assiste-se, hoje, a uma disputa curiosa. Quem é, verdadeiramente, de esquerda? Quem lidera, de facto, a esquerda, em Portugal? Há uma só esquerda? Ou, ao invés, existem várias esquerdas? E, então, quem lidera a esquerda?

No terreno temos o PS, o PCP, o BE e, dispersos, os Renovadores, ex-comunistas (há alguns que continuam no PC: veja-se o que ocorreu, recentemente, no seio do movimento Não Apaguem a Memória e as consequências que isso provocou numa deliberação da AR para a museulização do Aljube, deixando-se cair a exigência da criação dum memorial na antiga sede da PIDE!) e vários ex muita coisa (ml, PRP, frentistas de vários matizes).

Depois da última eleição para a Presidência da República, em torno de Manuel Alegre estará nascer (não se sabe bem o quê...) qualquer coisa. No próximo dia 3 de Junho vai realizar-se um encontro, com cantigas (canto livre?!...) que vai reunir Bloquistas, pintassilguistas e alegristas!...Este encontro já está a provocar muito desconforto, particularmente, no PS e por arrastamento, no PC.

Isto vai dar pano para mangas nas discussões a haver no seio das esquerdas portuguesas. Há muita gente, de esquerda, sobretudo gente que saiu do PC, que não se reconhecendo nem no PS, nem no PC (por maioria de razão...) anda à procura da sigla exacta, da doutrina adequada, da ferramenta bruta para destruir o neoliberalisno e o desenfreado monetarismo que enloqueceu o mundo.

Mas encontrá-la, em meu entender, é como a Queste del Saint Graal e a lenda do rei Artur, rei dos bretões.

Agora, o que se passa em Portugal é quase do dominio da ficção.

O PC é, provavelmente, o único na Europa que não se "reformou" e...sobe nas sondagens e continua a manter quase uma hegemonia no Movimento Sindical e influência nas policias, na magistratura e na administração pública, central e local. Os trotsquistas (IV internacional posadistas, Ernest Mandel, etc) uniram-se aos hiperestalinistas da UDP, mais uns quantos transfugas do MRPP e criaram o BE. Este grupo tem bons desempenhos parlamentares e tem vindo a subir, em número de deputados e, recentemente, nas sondagens.

Só mesmo em Portugal, para a emergêwncia de tais fenómenos.

Mas o que vai sair do teatro da Trindade, amanhã? Não faço a minima das ideias, mas que irá alimentar as discussões no seio da esquerda portuguesa, isso não tenho a menor dúvida. É, de resto, interessante notar quem, na blogoesfera, deu destaque a este acontecimento...

Vamos esperar para ver o que dali saltará. Seria desajustado esgrimir o quer que fosse em relação a este encontro feito de bloquistas, alegristas, pintassilguistas, ex-comunistas, etc.

Refundação da esquerda? Procura de caminhos novos? Mas, como tão bem disse o poeta de Sevilha "caminheiro/não há caminhos/o caminho faz-se a andar", provavelmente, dali não sairá nada de novo. Ou, talvez, uma enorme azia para o PS e para o PC.

Sente-se que a esquerda (ou, melhor dito, as esquerdas) continua a preserverar nos mesmos erros de sempre: não conseguem federar-se, porque são o resultado de divisões profundas e históricas e nenhum dos partidos quer dar o passo em direcção ao outro, porque se transformaram, cada um deles, em concorrentes do mesmo espaço social, político e eleitoral! Esta é que é a verdade!

O que me parece é que, se a história anda aos ziguezagues, daqui a cinquenta anos não haverá nem BE, nem PS, nem PC, ....Isto deveria tornar a esquerda mais humilde e mais prudente.

Mas, o que me conforta é que nas bandas das direitas a mesma coisa irá ocorrer. Provavelmente, até mais cedo do que no outro campo político:veja-se as votações que ocorreram sábado passado no PSD.




JA

sexta-feira, maio 30, 2008

Dixit Pacheco Pereira!


"Quem esteja atento aos órgãos de comunicação pode aperceber-se de um novo mecanismo de formação da opinião jornalística, da opinião dos profissionais do jornalismo, cujo impacto no produto final, no jornal, na rádio, na televisão, é decisivo. Esse novo mecanismo são os blogues, agora com novos aspectos. Podemos considerar que houve uma Fase 1: o mundo dos jornalistas ia buscar temas e inspiração aos blogues, mais ou menos à socapa, sem citar ou citando contrariados, numa relação de hostilidade contra os blogues, tidos ou como adversários ou como exemplo de um subjornalismo, sem crédito e a que não se devia ir sem pinças e máscara. Hoje estamos na Fase 2: os jornalistas não só mergulharam no mundo dos blogues como se tornaram autores de blogues, absolutamente idênticos aos outros blogues, tribais, opinativos, obcecados pelas audiências, manifestando com clareza ódios e amores, ligando-se e desligando-se entre si, e transportando para os jornais as lógicas e movimentos típicos da blogosfera. Quem parece estar a “ganhar” na blogosfera, passa a “ganhar” nos jornais, pela razão simples que os artífices de um ou outro mundo são os mesmos e a ferida narcisista, como se sabe a mais profunda no meio dos blogues, passa a ser também a ferida no meio dos jornais.Esta é uma péssima evolução para os dois lados, para os blogues e para os media. Por um lado, porque marca o fim da relativa independência dos blogues da agenda jornalística, assim como o enfraquecimento da crítica nos blogues aos media tradicionais (agora criticar um jornal é criticar o blogue dos jornalistas desse jornal), e, por outro, é transportar para as redacções ainda mais do mesmo, opiniões ligeiras e fáceis, cinismo para os outros, amiguismo para os nossos, campanhas que prolongam as campanhas nos blogues, lugares comuns que ninguém contesta, nem analisa, mas são as buzzwords na moda na blogosfera. Tudo isto já existia e não é novo, mas diluía-se mais no conjunto do anonimato jornalístico. Podia ser motivo de conversa no Snob, mas agora é a persona do jornalista(s) no seu blogue(s) que também está em causa. E o narcisismo cresce exponencialmente e radicaliza a postura, piorando o trabalho jornalístico. A única vantagem é que se percebe melhor, muito, muito melhor."


Texto publicado na Sábado de 29 de Maio p.p. e no Abrupto de 30 de Maio, hoje e assinado José Pacheco Pereira.. Suger~se a sua leitura integral, sobretudo o interessante a "lagartixa e o jacaré" dedicado ao taticismo do PCP e creio aí ter vislumbrado algum carinho e compreensão pelos comunistas portugueses!...Temos conversão à vista? Não o creio. Ou, talvez, na eventualidade do PSL ganhar a presidência do PPD/PSD isso possa vir a acontecer. O futuro a deus pertence. A seguir com atenção o percusoi no futuro imediato de JPP...

Este JPP, deve ser da idade e, claro,da crise do PSD - está, cada vez mais, "sabão" sobre TUDO e, ainda, coisa nenhuma!

Agora varre, do alto das suas competências, os blogues e a blogoesfera e encontra-os corrompidos, viciados e formando uma enorme FRENTE, não se sabe bem quem ela integra, não se sabe bem quem a dirige, mas diz Pacheco: "A única vantagem é que se percebe melhor, muito, muito melhor."

Este Pacheco perde-se, sempre, por uma boa (ou mesmo má!) teoria da conspiração.

Eu creio que, no texto acima, postado no Abrupto d'hoje e na Sábado d'ontem, visa, claramente, o CORTA FITAS e o CINCO DIAS (suposição minha, que a mim só responsabiliza) no que aos jornalistas concerne e, depois, refere-se a TODOS os outros blogues, menos o Abrupto, depreendo eu!

O JPP tem, quase sempre, um mérito: anda à frente das coisas. Quando nenhum político, historiador, académico, erudito, tinha blogue - ele inventou o ABRUPTO. Hoje, que a blogoesfera está, à semelhança da comunicação social, cheia de lixo, o aristocrata JPP insurge-se e critica, quase à molhada, a blogoesfera.

Deste JPP não gosto!

Quando se arma em detentor da verdade absoluta, a dele,, em ungido duma qualquer religião, em pesporrente ditador d'ideias e d'opiniões, fico fora de mim. Acho que ele é bem melhor do que isto que se revela no que escreveu sobre os blogues e a blogoesfera.

Ás vezes JPP parece aquele velho militante ml que, do mundo só tem certezas e olha para ele como um ente imutável, sem dinâmica, sem vida própria com ados aliatórios e incógnitas que tornam, as mais das vezes, as equações da vida e das coisas quase sem solução.

Eu sei, como gosta de dizer um amigo que, eu e o JPP, temos em comum que "a humildade faz mal à saúde", mas não viria mal ao mundo e, muito menos, para o JPP se este, de quando em vez, lhe desse uma pedacito d'uso.

Acho que JPP ficou muito mal nesta fotgrafia de criticismo e, por que não, de empirocriticismo em direcção dos blogues e dos blogues de jornalistas, que saltam duns para os outros meios de comunicação social. Então não foi o JPP o primeiro a saltar dos meios de comunicação social (DN e, depois, Público e Sábado) para o Abrupto e vice versa?!...

Bem mal anda Frei Pantaleão, que prega:- Faz o que eu digo. Não faças o que eu faço!.

JA
PS - Tenho andado a "fanar" bonecos na blogoesfera e, nem sequer me tenho dado ao cuidado de listar aqui os créditos fotográficos. Aqui ficam os agradecimentos: o Corta Fitas, o Barbearia do Senhor Luís,o Câmara Corporativa, o Água Lisa 6, o Terceira Noite, o Mundo Perfeito, nomeadamente.

quinta-feira, maio 29, 2008

Os laranjas vão a votos


No próximo Sábado, 31 de Maio, a tribo laranjinha vai escolher o líder para disputar, em 2009 (?) eleições contra José Sócrates(?). Poderá ser. Não tenho bem a certeza.

Dos quatro candidatos em presença, eu que não sou PSD (mas que considero de mor importância o que acontec neste partido), já o disse, foge-me a preferência para PPC. Porquê? Porque tive a possibilidade de com ele conviver um pedaço, enquanto ele foi vereador da Câmara da Amadora, de 1998 a 2001 e porque o acho urbano, civilizado, culto (sem ser erudito), moderado, delicado e, sobretudo, não tem os tiques de predador político! Isso para mim é bom.

O debate de ontem, na SIC, foi, para mim, esclarecedor. O único candidato que emerge com um discurso estrurturado, autónomo do PS , distinto do PS, alternativo à praxis do governo PS - é o de PPC.

Nas "alegações" finais, nessas então, foi mesmo confrangedor ouvir MFL e PA.

Já PSL esteve razoável no tom e no modo como se dirigiu, e bem, para a câmara que a SIC lhe ofereceu.

O único, em meu modesto parecer, que conjugou o modo, o tom e a substância de forma impressiva, consistente e tranquila, nem mais, esse mesmo: Pedro Passos Coelho.

Se fosse militante do PSD, não teria qualquer tipo de dúvidas: votava PPC.

Como, nesta contenda, sou somente português e mero observador, espero que a tribo do PPD e a do PSD escolham bem, por amor de Portugal.

JA

quarta-feira, maio 28, 2008

O velho Soares e a sua, dele, recente, sensibilidadade para com os pobres!


Todos sabemos que Mário Soares nunca conviveu bem com, pelo menos, duas coisas:

1/ As linguas. Ele há estórias que nunca mais acabam sobre o modo cómico com que o velho Soares dava tratos de polé à lingua que foi de Cervantes e à lingua que Moliére tão bem cultuou;

2/Os números e a economia. Contava-se que, quando ia a "despacho" a Belém,como primeiro-ministro e ao tempo do general Eanes, vinha de lá, completamente, exausto, porque o PR trazia para as reuniões "montanhas" de dossiers, com anotações e muitos deles relacionavam-se com a economia. Desabafo de Soares:"Safa. Eu venho aqui para discutir política e não para discutir números e/ou dossiers." Todos sabemos isto.

Então, agora, de repente, o velho Soares converteu-se ao gosto dos contabilistas, contabilistas esses que, durante TODA a sua vida política activa ele vergastou e...não ouvia?! Agora gosta de números, mas, como sempre, continua a não ter jeito nenhum para lidar com eles.
Quando primeiro-ministro, lembram-se, Soares teve de enfrentar uma vibrante crise (com FMI e tudo!) e havia, há época, fome, miséria e suicídios na Peninsula de Setúbal. O Bispo da igreja católica daquela diocése, Manuel Martins - denunciava, vigorosamente, essa realidade. Mário Soares reagia, não menos vigorosamente e acusava o Bispo de estar feito com os comunistas! Nem mais. É só puxarmos pelas memórias...elas vêm todas, agarradinhas como numa réstea de cebolas...
Agora, o velho Soares assume um discurso social, é amigo do peito do líder da CGTP (e DOUTOR em Sociologia!) e avisa o seu Partido de sempre (pai fundador) o PS - que deve preocupar-se mais com os pobres, as classes mais desprotegidas. Aponta o dedo ao engº Sócrates e anuncia uma crise social profunda, quiçá mesmo tumultos!

A mim não me incomoda, pelo contrário, mesmo ao arrepio dos números e duma análise fina dos mesmos (sugiro uma visita a post's recentes no Câmara Corporativa) discursos sobre desigualdades, exploração, miséria, fome e, também, vidas a serem vividas acima das possibilidades de cada um (veja-se um interessante post em O Mundo Perfeito), com derivas para um consumismo compulsivo e alarve!

Mas, com sinceridade o digo, perturba-me que seja o velho Soares a escrevinhar sobre este tópico! Ele nunca teve sensibilidade social, nunca se preocupou em fazer o bem aos pobres: sabe-se dalguma iniciativa sobre esta temática da família Soares? A Fundação Mário Soares tem alguma preocupação neste terreno? O colégio Moderno, propiedade da família Soares, tem algum programa de ajuda aos mais desfavorecidos? No quadro da conversão recente de Maria Barroso ao catolicísmo, conhece-se alguma incíativa concreta dela, no quadro que fosse da caridade cristã em relação aos pobres?...

O problema das desigualdades, em Portugal, é um problema sério.
Os governos, este e os outros, antes deste e, os outros que virão depois dele, tem, deveriam ter tido, e terão de se preocupar com esta funesta realidade.

É óbvio que sim!

Mas, a mim, incomoda-me,provoca-me mesmo algum desconforto, por que tenho memória, que tenha sido o velho Soares a ter direito a aberturas de telejornais e outros palcos depois do artigo que escrevinhou no DN. É da vida, como gostava de dizer o outro engº.
Acho legitima a dor dos desiludidos, acho pungente o sofrimento dos que descobriram, tardiamente, os grandes embustes do século XX, mas desconforta-me o falar "grosso" dalguns conversos,assim como as picardias dalguns cristãos-novos...como se não tivessem passado!
Já dizia, e cito de memória, o velho Ortega y Gasset: "O homem é ele e as suas circunstâncias. E temos de cuidar delas para que se possam cumprir".
É a esta luz, creio eu, que devem ajuizar-se os homens e as suass acções.

JA

terça-feira, maio 27, 2008

Ainda o Novo Aeroporto Internacional de Lisboa


Ontem, José Pacheco Pereira, no Rádio Clube Português, a pretexto duma reunião a decorrer entre o Governo e 16 autarquias, supostamente "afectadas" com a "deslocalização" do novo aeroporto - da OTA para CANHA, disse, mais ou menos isto: "Foi devido à teimosia do actual Governo de José Sócrates que se criaram expectativas legitimas numa região que, agora, é necessário ressarcir..."

Eu já o disse e volto a dizer: gosto do historiador, gosto do intelectual, gosto até do homem (conheço-o mal, mas tenho amigos comuns).
Já quando JPP veste os andrajos de militante partidário (cada vez está menos, mas, de quando em vez, lá lhe foge a pena/boca para a chicana militante!)é um desastre!

A "teimosia" do actual governo em relação à OTA?!... Já contei bué da vezes esta história, mas lá terá de ser uma vez mais.

1- O 1.º Governo de A.Guterres, 1995, "iniciou" os estudos para a localização do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa. Os técnicos que então trabalharam no estudo - foram recuperar um outro, encomendado ainda por Salazar (na década de 60 do século passado)e concluido em 1969, ao tempo já de Caetano. Os locais então escolhidos, pasme-se!: 1/Rio Frio; 2/OTA.
2-O Relatório entregue ao eng.º Guterres apontavam, uma vez mais, dois locais e na mesma ordem daquele de Caetano:1/Rio Frio;2/OTA.
3- Entretanto, as exigências da CEE no que concerne aos estudos de impacte ambiental, iriam chumbar, em definitivo, Rio Frio. Sobrava, sem sombra de pecado (há época quem barafustou contra a OTA? JPP não foi de certeza absoluta!) a OTA.
4-Quando em 2000 o eng.º Guterres se foi embora, deixou o "dossier" Novo Aeroporto Internacional de Lisboa pronto e...com a OTA como local a implantar o dito(já lá estava uma Base Militar...).
5-O PPD/PSD ganha as eleições e forma governo. O primeiro-ministro Durão Barroso entrega em Bruxelles o dossier Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, com localização...OTA! Para este dossier foi pedido celeridade máxima, tendo em vista a importãncia estratégica do equipamento!
6-Durão Barroso vai embora para a Presidência da UE e deixa o governo entregue a Santana Lopes...
7- Em 2005 o PS ganha as eleições e o engº José Sócrates mantém a urgência do Novo Aeroporto e mantém a localização: OTA!

Depois, depois, já TODOS sabemos a história.

É óbvio que, qundo em 1995/96 o engº Guterres decide a localização da OTA, teve de criar constrangimentos na "região" de modo a garantir a exequibilidade da construção do dito equipamento...constrangimentos que se mantiveram nos governos de Durão Barroso, de Santana Lopes e de José Sócrates: contas feitas, mais ou menos, durante dez anos!

Onde é que JPP vê a "teimosia" deste governo como responsável do que quer que seja em relação a este dossier?!

Quando lhe foge o pé para a chinela militante, oposicionista, demolidora, desgastante, ele é o diabo, em figura de gente!


JA

segunda-feira, maio 26, 2008

Ainda Ossip E. Mandelstam

Hoje, mais que nunca, é ensurdecedor o que o "Bruit des Temps" provoca.

O judeu Mandelstam, "assassinado" por Staline num GOULAG qualquer, quase esquecido, deveria voltar a ser lido, relido, treslido, mesmo! E porquê? Eu ajudo:

"Siècle mien, ô mienne bête, qui saura
Fixer le fond de tes prunelles?
Qui de son sang recollera
Des deux siécles les vertèbres?"

Da sua prefaciadora em francês, Nikita Struve, do Le Bruit des Temps, roubo e traduzo:

"A prosa de Mandelstam é como que uma chuva de grãos que devem germinar no espirito criador do leitor.
Aprendamos com Mandelstam a arte dificil de escutar o ruido do tempo."

Neste tempo cadaveroso de desastres naturais, de fomes, de pandemias, de guerras inomináveis, de assalto à mão armada nos hidrocarburos e nos combústiveis deles derivados é bom escutar Mandelstam!

JA

domingo, maio 25, 2008

Ainda a sonorosa campanha "anti" GALP

Esta, do sonorosa, só aparece aqui porque, o Água Lisa 6, João Tunes, fez a fineza de "inventar" um Hino para a dita campanha.

Esta campanha, com balão e tudo, tem vindo a ser tocada pelo excelente, quanto leal, frontal e homem de enorme carácter Luís Novais Tito, da barbearia do senhor Luís.

O João Tunes, na sua "barbearia", no comentário a um comentário diz, simplesmente, isto, falando do LNT: "O melhor bloger da blogoesfera!". É a minha convicção, também.

Posto isto, vamos ao que importa.

O Luís escolheu a GALP como responsável pela alta dos combustíveis a nível nacional e, acha ele, deviamos, TODOS, boicotar a dita companhia e abastecer os nossos carros na vizinha Espanha e/ou nas concorrentes (esta parte é da minha responsabilidade, mas se não formos à GALP, aonde vamos?...). É uma tese...e, ainda, uma Campanha!

Creio que o João Tunes (que é homem que sabe deste metier...somente por que esteve mais de 30 anos neste negócio...E isto não é um argumento de autoridade: é um facto.) já explicou as razões, os factos, de LNT ter escolhido mal este alvo.

LNT insiste, e aqui tem todo o direito de perserverar no alvo (e, eu, digo - no erro), colocando algumas perguntas ao João Tunes. Improcedente. Quem está convencido que, à partida e, também, à chegada, tem razão - muito dificilmente o argumentário do outro o fará retroceder, ou reconsiderar. Portanto, LNT insiste no seu alvo, a abater: a GALP!

Não vem mal ao mundo que assim seja. Contudo podiamos fazer um outro exercicio. Podiamos procurar outros caminhos.

1- Imaginemos que, o nosso país, como a Venezuela, tinha petróleo, até para dar - como eles fazem aos amigos cubanos. Imaginemos que era a GALP que tinha a concessão, a gestão e a posterior distribuição. Aqui, a GALP controlava TODO o processo de construção dos preços. Aqui seria, plenamente, avaliada pelos preços que colocava no mercado interno. Aqui, sim, se estivéssemos perante preços especulativos (como , anos a fio, ocorreu com a construção para habitação...e ninguém montou campanhas) faria sentido zurzir e montar boicotes.

2-Imaginemos que, o país, já estava mais avançado nas duas vertentes importantes desta problemática das energias:
2.a- A eficiência energética, a poupança (dos dez estádios de futebol construidos para o Euro 2004, com fundos comunitários e apoios das autarquias locais, nenhum deles "investiu" na eficiência energética, nenhum deles utiliza a energia solar!) que se reflectiria na factura dos hidrocarburos, obviamente;
2.b-A criação de energias alternativas às derivadas dos hidrocarburos: solar, eólica, ondas do mar, gaz natural (aqui não estamos muito mal, por que estámos a importar da Argélia e,creio eu que, também, da Venezuela e não estamos dependentes da GAZPROM e dos seus preços especulativos!), biodiesel, biogás.

3-Imaginemos um outro modelo económico, que não estivesse assente no automóvel, nas auto-estradas e que, portanto, não estivesse a aquecer o mercado dos combustíveis.

Ora podiamos, pois, imaginar outros caminhos, outros alvos atingir. E não estamos em plena utopia. A Alemanha, a Dinamarca, a Suécia (entre outros...), países que não têm petróleo - estão em bom andamento para uma certa independência energética em relação aos hidrocarburos. Creio que, na Alemanha, todas as frotas de transportes colectivos (em quase TODOS os seus Land's) funciona a biogás. Como país, Portugal, podiamos, perfeitamente, copiar. Sobre esta problemática há muita, mesmo muita informação.

Depois, ele há mesmo coisas de espantar, o consumo privado, em 2007, aumentou, em termos absolutos, em Portugal, em relação a 2006.

Pois. Ele há várias maneiras de discutir estas problemáticas. Sem paixão, sem argumentos consistentes, com informações rigorosas, com competência, com vontade de contribuir para se encontrar soluções, com posturas justicialistas. Ele há várias maneiras de falar de hidrocarburos. Ele há mesmo quem sustente (o antigo Presidente da Comissão Energética da ONU, um académico português) que os hidrocarburetos estarão, ao ritmo de crescimento de consumo mundial expectável, completamente exauridos, em 2050! Não acreditam? Quem viverá ,verá!

Portanto, em meu modesto saber, há outros caminhos, outras Indias a haver, nesta problemática do consumo versus consumidor de combustíveis: eficiência energética, poupança, alternativas energéticas aos hidrocarburos, nomeadamente.

Boicotes à GALP?! Pois, se calhar, a GALP funciona, aqui, nesta campanha, como um espelho que, ao invés de reflectir a realidade, distorce-a, simplesmente. Pode bem ser!
Finalmente, sugeria que se lesse e ouvisse, com muita atenção, o que anda a dizer (entrevista ao RCP, à SIC noticias, nomeadamente) o actual Presidente da PARTEX que é, provavelmente, na actualidade, quem mais sabe, em Portugal, de energias e de hidrocarburos.

Abraço fraterno ao LNT e, desde já, quero marcar ida à sua barbearia, para cavaquearmos sobre...tudo e alguma outra coisa que nos aprouver então.


José Albergaria (JA)
PS - A flag da Turquia? Depois explico e fá-lo-ei no contexto do alargamento da UE e da possível entrada daquela.

sábado, maio 24, 2008

Frases vadias

"O universo, todo ele, é escrito em linguagem matemática.", Galileu.

"Nem tudo o que conta é contável. Nem tudo o que é contável conta.",
Einstein

"As pessoas toleram um engano, não toleram é ser enganadas.", De Gaulle.

"É próprio do homem comum ser exigente com os outros. Mas é próprio do homem superior ser exigente consigo mesmo.",
Marco Aurélio

JA

sexta-feira, maio 23, 2008

"Obviamente...expulso-o!"

Foi, mais ou menos, isto que Pedro Santana Lopes (já faz como os velhos: anda em direcção ao futuro às arrecuas...Porquê? porque só tem passado!) terá dito, em entrevista recente, sobre o seu correlegionário José Pacheco Pereira: " Se for eleito Presidente do PPD/PSD nestas eleições, obviamente, expulso-o. Cavaco Silva também expulsou militantes."

Lá pelo PPD andam todos, ou quase, de candeias ás avessas!

Enquanto for assim, o PPD/PSD está transformado numa espécie de abono de familia para José Sócrates. Este agradece. Mas o país, esse, coitado, padece!

JA

quarta-feira, maio 21, 2008

EXPO 98: dez anos!


Hoje "comemora-se" os dez anos da Expo 98.

Foi a última Expo universal do milénio.

Os "inventores" desta façanha: António Mega Ferreira e Vasco da Graça Moura!

Que "deus" os guarde e preserve, nas respectivas vertentes culturais e intelectuais, que muito prezo.

Requalificou toda zona oriental de Lisboa ( ao tempo, completamente, abandonada e degradada) e criou equipamentos culturais, multiusos e outros de excelência).

Fica aqui registada a efeméride e o sucesso da ocorrência.

JA

terça-feira, maio 20, 2008

Foi você que pediu uma ERC para a blogoesfera?

Nos meios jornalisticos, tanto nas redacções, na tribo dos jornalistas, como nos outros sectores das respectivas empresas de comunicação (jornais, revistas, radios, canais de tv e etc) discutiu-se e, a cada passo (quebra de sigilo judicial, entorses à lei...)volta-se a discutir a existência da ERC. Quando esta entidade emite pareceres e ou relatórios, o país quase que se divide em torno daqueles.

Não sei se Miguel Sousa Tavares defende a ERC ou não.
Não sei se MST defende a autoregulação.
Não sei se MST esteve atento à sentença, recente, do tribunal europeu para os direitos humanos, na qual condenou o estado português e os tribunais portugueses quanto ao julgamento do jornalista (actual director do CM e antigo sub director do Público) Eduardo Dâmaso. Aquele tribunal comunitário considera que não se privilegiou a liberdade de expressão, pilar essencial das nossas democracias e se considerou de mor importância o bom nome do político e de um modo enviesado e redutor o que deve ser, ou não, considerado de interesse público.

Interessante notar que, quase em simultâneo, um Procurador Geral Adjunto, na revista técnica da Procuradoria Geral da Républica, considerava que, os tribunais, em Portugal, tendencialmente, consideravam, nos pleitos jornalistas versus politicos, o interesse privado, particular em detrimento do interesse público e publicado, da liberdade de expressão.

Agora, MST, dá conta dum assunto que ocorreu num blog, duma senhora professora, a partir duma frase (que aquela lhe imputou)e como, a partir deste incidente, se desencandeou TODO um "movimento" tendente a um assassinato de carácter em que a vitima seria, obviamente,ele próprio, MST.

Na última edição do Expresso, de 17 de maio p.p.,na sua página habitual, MST dá conta do desconforto que este movimento lhe causou e aproveita para zurzir na blogoesfera (recomenda-se a leitura da opinião de MST)e de tal modo o fez que, fatalmente, iria criar "escola" na própria blogoesfera.

Já há, pelo menos, dois blog's a tratar do assunto...um, num sentido e, o outro num sentido que eu partilho.

O que se me oferece dizer sobre o assunto:

1- A blogoesfera é, de facto, um mundo libérrimo, plural e sem constrangimentos (nem politicos, nem económicos, nem sociais, nem ideológicos);
2- Rege-se, como todas as acividades humanas, pelas leis da necessidade e utilidade sociais e é condicionada, também, pelas leis de mercado (há blog's com muitos leitores; outros, nem por isso e, outros ainda têm de fechar badanas e janelas...);
3-Há blog's de referência, há blog's generalistas, há blog's especializados, há...;
4-Há gente como o Pacheco Pereira, o António Barreto, o Nuno Brederode dos Santos (antigo colunista do Expresso, "afastado" desse Semanário sem se perceber bem o porquê...Não foi, certamente, por falta de qualidade comentatória!),o João Paulo Guerra, o Pedro Santana Lopes, o Joaquim Vieira, Provedor dos leitores do Público, que têm banca na blogoesfera (há muitos mais, tão importantes quantos os destes nomes sonantes, mas que seria dispiciendo aqui listar)e para os seus blog's respectivos fornecem colaboração regular;
5- Há blog's, como o Generacion Y, duma cubana, que registou 4 milhões de visitantes em 2007 e, para cada post seu, recebe, em média, 3 mil comentários. Ganhou, recentemente, um prémio do El Pays, Ortega y Gasset, para imprensa na internet. A editora deste blog foi considerada pela revista Times entre as 100 personalidades com mais influência em todo o mundo.

MST pede (não tenho bem a certeza se é isto que quer, mas pareceu-me...)uma ERC para a blogoesfera!Sou contra. A auto regulação tem funcionado, e bem!A blogoesfera tem demonstrado que tal é possível e eficiente, sem penalidades, nem julgamentos, nem crispações. Cada bloger aprende a "defender-se" e a "atacar" com razoabilidade e bom senso. Assim pudesse ocorrer lá fora, no mundo do papel, das rádios e das tv's!

MST andou bem, parece-me, em relatar um caso, em que se fez "mau" uso da blogoesfera e em que o visado foi o próprio. Muito bem.

MST andou mal, quando, a partir deste incidente, entendeu dever atacar, à molhada, toda a blogoesfera.

Disse.

JA

PS - José António Soares de Albergaria
Residente em Loures/Lisboa/Portugal
BI - 712635
Trabalho em Amadora
Benfiquista
Ateu
Livre examinista
Esquerda, ex-comunista
Heterosexual
Email -
josealbergaria@gmail.com

segunda-feira, maio 19, 2008

Ainda a carta apócrifa do Vice Almirante Rosa Coutinho

Depois de leitura de obra de referência sobre História Contemporânea de Portugal (Circulo dos Leitores), mas datada, de Medeiros Ferreira, tinha afirmado que, o Vice Almirante Rosa Coutinho NUNCA tinha sido Alto Comissário em Angola.

ERRADO!

De facto, creio que com data de 27 de Novembro de 1974, em diploma legal da Presidência da República, assinado pelo General Costa Gomes, era criado para Angola um Governo Provisório, com competências definidas e integrando a figura do seu mais alto responsável, em representação de Portugal: Alto Comissário. E nomeava-se, logo no mesmo diploma, o Vice Almirante Rosa Coutinho para ocupar tal cargo - mudando-se de Presidente da Junta Governativa para o nóvel cargo então criado.

O Vice Almirante Rosa Coutinho era, pois, Alto Comissário do Governo Provisório de Angola à data da carta apócrifa (22 de Dezembro de 1974). Foi-o durante pouco tempo:dois meses. Mas, o que é facto - é que o foi!

Aqui fica a correcção e o meu pedido de desculpas a TODOS quantos "acusei" de não terem feito os trabalhos de casa (no rol dos quais me incluia)e, nomeadamente, ao jornalista Joaquim Vieira, Provedor dos leitores do Público a quem dirigi o reparo e que, amavelmente, o publicou no blog do Provedor.

Um agradecimento ao Augusto de Sousa que, delicadamente, me forneceu a informação e me permitiu a correcção.

José Albergaria