sexta-feira, julho 04, 2008
Farc or not farc
leva-me a pensar que o PCP está mais preocupado com os agentes do que com os actos. E quando na próxima Festa do Avante! aparecer uma representação da FARC, convidada pelo PCP, não me venham dizer que se trata do sector político daquela organização terrorista. Até a hipocrisia tem um limite. Um pouco de respeito pelos outros não fazia nada mal.
Rogério Rodrigues
"História a duas vozes": uma discussão necessária. I
Rui Bebiano, historiador com obra publicada, professor, com actividade cívica pública e inequívoca, publicou, em dois blogues de referência em que colabora, empenhadamente, um muito interessante texto do qual transcrevo o essencial, mas que, de modo algum dispensa a sua leitura integral:Nora: «O tempo no qual os positivistas conservavam à distância a história contemporânea parece hoje completamente ultrapassado. Fazer História é fazer história contemporânea.»
Barnavi: «Um dos males que corrói a nossa época é a confusão de papéis entre o historiador e o ideólogo.»
Nora: «A memória incorpora doravante uma reivindicação particularista, subjectiva e peremptória, quando não terrorista.»
Um debate que é para (e que deve) continuar."
Rui Bebiano, in a Terceira Noite e Caminhos da Memória.
Pierre Nora, que eu conheço, é um historiador com créditos firmados na historiografia francesa da Nouvelle Histoire, herdeiros da segunda/terceira fase da Ecóle des Annalles, a de Fernand Braudel.
Barnavi,que eu desconheço de todo, mas como refere Rui Bebiano é um historiador Israelita a trabalhar, também, em Bruxelles.
O objecto da história, o papel do historiador (o escritor de história...) é um problema velhíssimo. Heródoto, Tucídides, Michelet, Hegel e todos os contemporâneos, de que se destacaram, sem sombra de dúvidas Marc Bloch e Georges Duby. No entanto, em meu modesto entendimento, o NOSSO José Mattoso não fica nada mal nesta galeria, A epistemologia da história, a sua problemática imanente, é de longa data e continua a martirizar os historiadores.
quinta-feira, julho 03, 2008
Ingrid Betancourt foi libertada!
Estas foram algumas das imagens, que, ontem, dia 2 de Julho de 2008 correram mundo. Pelas informações veiculadas pelas autoridades colombianas, depois duma bem sucedida operação dos serviços secretos militares, 15 reféns, 3 americanos, 11 membros das forças da ordem colombianas e, a heroína, mulher duma fragilidade que remete para a invocação de Virgem Maria, Ingrid Betancourt, foram libertados! Muitas leituras, interpretações, despautérios e até vitupérios, algumas insanidades irão ser produzidas sobre este acontecimento.
Contudo, o que importa reter, em minha opinião, é que foram resgatados, com vida, 15 pessoas que estavam reféns dos narco-guerrilheiros das FARC
e que, entre eles se encontrava a ex-candidata à Presidência da Colômbia, mulher, aparentemente, frágil, duma coragem inaudita (para aguentar aquele cativeiro de seis anos, em condições inomináveis, é obra!). Nas imagens, que ontem se viram num aeroporto colombiano, percebia-se, claramente, um aproveitamento da ocorrência , porventura excessivo, das autoridades militares e civis colombianas, mas a IMAGEM que dominava, a que se impunha, "esmagadora" era a da heroína, a contragosto, Ingrid Betancourt, que reflectia uma dignidade, uma grandeza (posso não concordar com a sua, dela, invocação da Virgem, a que se encomendava, dia após dia...durante o cativeiro) de que, em meu modesto entendimento, este nosso Mundo insano - andava carecido. Bem haja, Ingrid, por TUDO!
É mais do que justo assinalar aqui (e só falo do que sei e conheço...) que o meu amigo João Tunes e o seu magnifico Água Lisa6 foram dos mais militantes, contundentes e perseverantes, na blogoesfera nacional, a denunciar, a invocar e a exigir a libertação de Ingrid Betancourt. Fica o meu sublinhado e o meu agradecimento à militância de JT.
Agora, e ainda, mas sem emoções, comoções, ou espantações, do lado comunista, da Soeiro Pereira Gomes, ou mesmo do lado dos "argutos", severos, contundentes, atentíssimos comentadores da actualidade que flui, os bloguistas (veja-se, a titulo de exemplo o Tempo das Cerejas) "comunistas" remetendo-se a um SILÊNCIO ensurdecedor, quase obsceno, os caracteres dos textos por haver(não confundir com carácter...) e nos espaços dos seus "espaços" noticiosos...zero e infinito, para glosar um romance antigo, que os comunistas "cultuam"!!!, nada.
José Albergaria
* Fotos retiradas da imprensa diária.
Adenda
Resposta a um comentário de Vitor Dias do "Tempo das Cerejas"
"Pareceu-me, que o facto do Vitor Dias ter "reposto" a "verdade" era suficiente para si, era mais do que óbvio para mim e, como o meu espaço de comentários não é censurado, é plural e libérrimo, seria suficiente o seu "esforço" - para os meus leitores.
Parece-lhe que assim não é.
Fica, pois, aqui e agora dito que o bloguista Vitor Dias, comunista, comentou em tempo certo a libertação de Ingrid Betancourt (que saudades do tempo em que você, em nome do PCP, escrevia as Notas de Imprensa"!: já reparou que os seus camaradas, na Nota que enviaram para os OCS escrevem "Bettencourt"?!
Mas, parece-me que a substância, e isto é que importa, não está em linha com o seu poste...temos dissensão à vista?!
Você ressalta, e bem, a dimensão humana e humanitária do acontecimento, da libertação de Ingrid. Os seus camaradas da Direcção do PCP...esses, passam,completamente, ao lado dessa dimensão, que, em meu entender, naquele momento - era a única que importava.
Quanto à direcção do PCP, depois de ler a Nota de Imprensa...mais valera que estivessem calados!
Há quem tenha trocado, o meu "obsceno" silêncio, por "abjecto"!
Sempre atento ao seu prosear em o Tempo das Cerejas,sou com cumprimentos,
José Albergaria"
Vitor Dias,assim já lhe parece bem?...
Nunca tive medo, nem da transparência, nem da "verdade", não a minha,redutora,obviamente, preconceituosa, mas aquela, tal Graal,que os homens honrados, probos e livres - SEMPRE procuram.
A minha praxis decorre duma ética da responsabilidade e duma moral de convicção!
Não me movo, nem pela suspeição infundada, nem pela urgência de "assassinar" os meus adversários...intelectuais e/ou políticos!...
JA
quarta-feira, julho 02, 2008
José Mattoso...meu Mestre.

JA
*Foto tirada do De Rerum Nature, com agradecimentos e devida vénia.
O Mercado das Teorias e a Feira das Opiniões II
terça-feira, julho 01, 2008
O Mercado das Teorias e a Feira das Opiniões I
Este livro escrito pelo alemão Dietrich Schwanitz, a pretexto de que os seus alunos sabiam pouco de história, de literatura e, menos ainda de filosofia é, em meu entendimento, imperdível e ao qual se tem de retornar, uma e outra vez...
A partir de agora vamos chamar-lhe DS, por comodidade minha.
DS sustenta que, com a emergência da modernidade, com o império da razão de Descartes, o pai fundador da filosofia moderna, século XVII, a religião inicia um processo comatoso. As «mundividências» vão apropriar-se do seu lugar. Começam, nas oficinas dos filósofos, a explicar-se o mundo. Entretanto começam a emergir os ismos (liberalismo, darwinismo, marxismo, vitalismo...) produzidos por grupos, gangs de intelectuais, que se propunham preencher as lacunas interpretativas do mundo. Impôs-se então o conceito globalizante de "TEORIA"
segunda-feira, junho 30, 2008
A "renuncia" de Maria Gabriela Llansol...

"2
Renunciei a que alguém, um dia, me chame:«Avó Gabriela».
No entanto, tive um devaneio a noite passada. Eu ouvia planger,
De facto e auditivamente, em texto, o latido surdo
De um cão ruivo pronunciando:«Avó Gabriela». Feliz, Trova
Dava-me a pata e eu dei-lhe para a mão o próprio texto
Ainda no seu estado sonoro cénico.
Com a pata sobre o texto, parecia o ícone do quinto evangelista."
Uf! está dita a renuncia, desconcertante e perturbadora renuncia, da Maria Gabriela Llansol...
JA
domingo, junho 29, 2008
E o Sacro Império Romano - foi derrotado!
Nas disputas pelo titulo de Império e de imperador, na longa história do Alto Medievo europeu, emergiu,após a "renascença" carolíngia, em que Carlos Magno, rei dos francos, se sagrou Imperador, pela mão e pelo bordão de Leão III, um outro império, o da Rhinlândia, ao tempo de Ótão, com o beneplácito papal: surgindo então o Sacro Império Romano, uma espécie de sociedade por quotas, entre a Germânia e o papado de Roma. Esta urgência, necessidade, que alguns réis tinham do beneplácito Papal assenta num dos maiores embustes da história do Papado da igreja católica: o Édito de Constantino, documento apócrifo, que bem jeito deu ao Papado...
Hoje, dia 29 de Junho de 2008, na Viena de Strauss, os alemães levaram não só um baile (podia ser uma valsa,mas pareceu-me mais um pasodoble)de bola, como a sociedade que mantêm com o Bento XVI, o cardeal Ratzinger, foi, elegantemente, cilindrada pelos "povos" da Ibéria (veja-se as várias auriflamas com que outros tantos jogadores se drapejaram...no final do jogo).
Por tudo isto, e mais o que não se pode descrever em palavras, que viva a Selecção de Futebol de Espanha e mais TODOS os representantes dos povos da Ibéria que a integravam!
JA
sábado, junho 28, 2008
"O Começo De Um Livro É Precioso"
Uma, e outra vez, sempre, Maria Gabriela Llansol. Deste "precioso" livro, com desenhos de Ilda David, um pequenino trecho...para degustarem, saborearem e para concluirmos, todos, que bem escreve a Maria Gabriela e quão "mágica" é a arte de dizer, escrevendo!
" 1
O começo de um livro é precioso. Muitos começos são preciosíssimos.
Mas breve é o começo de um livro - mantém o começo perseguindo. Quando este se prolonga, um livro seguinte se inicia.
Basta esperar que a decisão de intimidade se pronuncie.
Vou chamar-lhe fio ____linha, confiança, crédito, tecido."
JA
Salvador Allende: chileno, socialista e...maçon.
A 26 de Junho de 1908 nasceu Salvador Allende, que viria a dirigir um Governo de Unidade Popular, na sua pátria, o Chile, do cobre e dos nitratos adubeiros.Foi assassinado pelas hordas de Augusto Pinochet, seu Chefe de Estado Maior General da Forças Armadas do Chile (as mais constitucionalistas e civilistas da Latino América), que assaltaram o Palácio da La Moneda a 11 de Setembro de 1973. Salvador Allende morreu, bravamente, com armas na mão, na defesa do mandato democrático que o Povo do Chile lhe tinha atribuído.
Allende constituiu um Aliança de Unidade Popular, que integrava o seu, dele, Partido Socialista e, entre outros, o lendário Partido Comunista do Chile, também de Neruda e dirigido por Luís Córvalan.
Allende era um homem duma imensa humanidade, socialista, laico e maçon (gostava muito de assumir esta sua condição de pedreiro-livre, livre pensador e livre examinista). Esta condição não o impediu de coisa alguma na política. Muito pelo contrário. Tolerante, como sempre foi, abriu-se às várias possibilidades para criar um Chile independente, progressivo e melhor. Perdeu. Falhou. Foi derrotado por um golpe patrocinado pelos USA e pela CIA e executado por Augusto Pinochet.
Fez unidade com os comunistas. Os tempos eram outros. Os tempos, após o golpe do General Pinochet foram outros, ainda mais desconcertantes.
Luís Córvalan, SG do PC Chile foi libertado das masmorras de Pinochet, por troca com dissidentes soviéticos e chegou a Moscovo em, se a memória não me atraiçoar, Outubro de 1979.
Em Novembro de 1989, ainda com Augusto Pinochet a Presidente do Chile (exerceu o mandato usurpado, de 11 de Setembro de 1973 a 11 de Março de 1990), o ditador da RDA, Eric Honecker, depois do derrube do muro de Berlim, demite-se de todos os cargos que detinha no Estado e no Partido (que se confundiam) e "foge" para Moscovo (ainda com Gorbatchov).
Aqui chegado instala-se na embaixada do Chile de Pinochet, onde pede exilio e estadia nela durante 232 dias, pedindo e negociando o seu envio para Santiago, juntamente com sua mulher.
É já com o sucessor de Pinochet (eleito com o beneplácito deste...), Patrício Aylwin Azócar, democrata-cristão, advogado, que o ditador da RDA, Eric Honecker, desembarca em Santiago do Chile, nos princípios de Julho de 1990!
Malhas que a diplomacia tece?!...Talvez. É mesmo provável que assim tenha sido, mas que é deveras desconcertante...é-o!
JA
PS - A foto foi fanada ao Tempo das Cerejas (os meus agradecimentos e a devida vénia), que recordou a efeméride...e bem, mas de modo diverso do meu.
Maria Gabriela Llansol: Amar Um Cão.

Já me confessei, uma vez.A escrita de Maria Gabriela Llansol teve, para mim, a dimensão da revelação!
Cada vez que me intrometo na sua, dela, escrita, o sentimento persiste, avassalador, fulgoroso:revelação!
Deixo-vos, a todos, particularmente, aos meus amigos que gostam e/ou têm cães, um naco dum livro deveras singular, "Desenhos A Lápis Com Fala -Amar Um Cão-":"_____houve uma breve hesitação da parte de quem transportava o recém-nascido________o meu cão Jade, há muito tempo; muito, e com grande intensidade, aconteceu durante esse tempo breve em que Jade foi deixado suspenso sobre um medronheiro, sem mãe visível, num berço nem celeste,
nem terrestre. No lugar que toda a planta acolhe, e que o entregara ao medronheiro,
sentia sobre si uma incidência animal alada,
que nem era verdadeiramente pássaro,
nem verdadeiramente quadrúpede.
Era um fio de voz soando à altura do corpo musical que compunha a mata, um choro que coincidia com a convulsão das primeiras gotas de chuva; um sentimento ténue envolvia a cabeça emergindo do verde, e as pequeninas patas, saídas de um pano de baptista, não comoviam
a planta lenhosa,
já habituada a palpitações e folhas.
mas o ritmo novo que, pouco a pouco, não se identifi-
cava com a chuva, e tornava vermelho de tempo activo a
atmosfera, fez erguer o medronheiro sobre si mesmo
«que ser tão frágil mais alto que eu».
Se o ar não tivesse uma densidade leve, teria quebrado
Jade. Jade, que acabara de nascer sobre as bagas purpúreas dos medronhos,
e o ruído dos ramos partidos, já pensava. Um pensa-
mento de leite subia nos sítios pedregosos, fora do local da casa, e da cerca com cerros e penhascos. Ele trazia
nos olhos um instrumento azul para medir o diâmetro do sol, e dos astros; lia-se neles uma linguagem que só
mais tarde, muito mais tarde, encontraria equivalente
na boca:
«o meu pai não existe fora da descrição do Sol; cami-
nho através da murta, do aderno, da aroeira, e avistei
esta serra em que memória vê primeiro o porto de nas-
cer;mal nasci, situei-me, em vida interior, em face do
mar; ergo para a minha dona os meus olhos frágeis,
opondo-me a uma adversária que, de certeza, me ama:
faço-lhe pedidos
luta comigo;
dá-me a sensação de ter saído vencido, mas com rebeldia.»"
quinta-feira, junho 26, 2008
E esta Turquia merece entrar na Europa?!

terça-feira, junho 24, 2008
Em louvor da Irlanda

segunda-feira, junho 23, 2008
Ainda o Tratado de Lisboa, o Instituto do Referendum e a "Ideia de Europa"




1- A REPÚBLICA DA IRLANDA, O TRATADO DE LISBOA E O FUTURO DESTE
O Tratado de Lisboa após a votação referendária na Irlanda, idependente dos ingleses desde 1922, católica, mas com seis condados a Norte, maioritariamente protestantes, ainda integrantes do Reino Unido, sofreu um abalo. Mas,contrariamente ao que se propala,creio eu, não está morto...menos ainda, enterrado.
Os irlandeses gostam tanto de referenda como de cerveja, de literatura e de música.
Pequeno país, com 4 milhões de habitantes na República da Irlanda e 2 milhões na Irlanda do Norte, têm, nada menos, do que quatro prémios Nobel da literatura: Yeats, Bernard Shaw, Samuel Beckett e Seamus Heaney e conta, ainda, na sua história literária, com Bram Stoker, Jonathan Swift, Oscar Wild e, o genial, James Joyce, cujo personagem central (o Ulisses actual)deu dia festivo:Bloomsday (creio eu que é assim que se grafa...). Na música contemporânea: U2, Sinead o'Connor, The Pogues, Bob Geldorf, Van Morisson, The Cranberries. E ainda o actor Peter O'Tool e o pintor Francis Bacon .Nos EUA 70 milhões de pessoas reinvindicam a sua origem irlandesa. Com a adesão à CEE muitos membros da diáspora irlandesa retornaram e milhares de polacos aqui se vieram instalar. Na década de 90, com os apoios comunitários, a Irlanda cresce ao ritmo de 7,2% ao ano. As previsões para 2008 rondam os 2,3%!...
Recuperando o gosto irlandês pelos referenda e a Europa, vemos o seguinte: em 1972 decidiram aderir à CEE, via referendum; referendaram o Acto Único Europeu, o Tratado de Maastricht e o de Nice. Este foi rejeitado uma vez e, à segunda - foi aceite!
Os 27 países aderentes da UE, em Lisboa, durante a presidência portuguesa, negociaram, entre si, com cedências várias (a mais notória foi a que foi protagonizada então pelos gémeos polacos...) assinaram o dito protocolo do Tratado de Lisboa e, depois, deveriam, em cada um dos países, ratificá-lo, do modo que entendessem. À data, 19 países confirmaram o Tratado. A Irlanda rejeitou-O pela via do reeferendum popular.
A pergunta que se coloca: temos um problema na UE ou, ao invés, têm os irlandeses um problema para resolver?!...A resposta a esta pergunta vai ser determinante para o Tratado de Lisboa.
Eu, pessoalmente, não consegui vislumbrar o que quer que fosse, de "muito" gravoso no Tratado de Lisboa. Isto é assim , como eu sustento, porque a UE vai no bom caminho da consolidação dos adquiridos desde o Tratado de Roma (vivemos em paz, estámos a ganhar massa critica no mundo e precisamos de reformas políticas comunitárias para contarmos mais ainda no concerto das nações). O Tratado de Lisboa tem quase TUDO para a Europa poder CONTAR...de facto!
Então porque é que os irlandese votaram NÃO? Um estudo de opinião, já realizado despois do referendum, aponta para o seguinte:
a/ Cerca de 22% dos NÃO fizeram-no porque desconheciam o conteúdo essencial do Tratado de Lisboa; b/Cerca de 12% dos NÃO fizeram-no para assegurarem a "identidade" irlandesa;c/ A desconfiança em relação à classe política nacional é reponsável por cerca de 5% de NÃO. Acresce a isto alguns tremendos disparates de Brian Cowen, em plena campanha, que terá afirmado não ter sequer lido o texto do Tratado de Lisboa e, mesmo o actual Comissário Irlandês afirmou, e cito "ninguém no seu perfeito juízo" quereria ler o Tratado de Lisboa! Com militantes e arautos destes...para que precisavam os irlandeses de eurocépticos para ganhar o NÃO?!...
2- DO INSTITUTO DO REFERENDUM
As discussões que temos travado, em Portugal, em torno deste instituto dava para um tratadista de direito se deleitar na escrita duma SUMA. Estou certo disso.A nossa Constituição de 1976 não foi referendada( na Irlanda foi); as sucessivas revisões, também o não foram (na Irlanda qualquer revisão tem de ser referendada);a regionalização, determinação constitucional desde o texto de 1976 - não tem de ser referendada; o Prof. Marcelo, ao tempo Presidente do PPD/PSD, empurrou o eng.º Guterres, então chefe do governo, para uma revisão constitucional (não referendada)"manhosa" que obriga a referendum a "regionalização em concreto"; e então o referendum sobre a IVG? Já não nos lembrámos que, no primeiro, por pesporrência e incompetência das "esquerdas", acrescida da deriva "católica" do chefe do governo e SG do PS à época, o eng.º Guterres, o NÃO ganhou! E o que se fez, após tal desaire? repetiu-se o Refrendum (se bem que o PC achava que não era necessário porque o Parlamento tinha legitimidade, mais que suficiente - para aprovar a despenalização da IVG: lembram-se?...). Entretanto, repetiu-se o referendum e...naturalmente, o SIM venceu!
Quantos Tratados internacionais, foram, ao longo da nossa história nacional e da Europa, em particular, referendados pelos Povos? A última versão da Concordata, celebrada com o Vaticano, foi referendada?!...Os acordos, vários, celebrados, recentemente, entre o engº Sócrates e o Presidente Chavez foram...referendados?!
Eu sei que esta sucessão de perguntas pode parecer ingénua ou até, as perguntas, um pedaço tolas. Mas, nunca, nunca mesmo, fez mal perguntar.
Há, pois, dois faróis que iluminaram e continuam a iluminar a nossa Europa: um está em Atenas e, o outro, malgrado TODOS os disparates históricos cometidos pelos próceres do judaísmo e do cristianismo e, agora, do Islamismo, continua firme em Jerusalém.
Johan Polak, judeu holandês, responsável do Instituto Nexus e livreiro em Amsterdão, Athenaeum, em Spui,dizia: "George Steiner tem razão. Culturalmente, a Europa do século XX retrocedeu até à Idade Média. E, tal como os mosteiros de então, é nosso dever preservar a herança cultural e transmiti-la por todos os canais que tenhamos à nossa disposição."
Os responsáveis do Nexus Institute, em vésperas da presidência holandesa de 2004, convidaram Georges Steiner para pronunciar uma lição magistral, A DÉCIMA LIÇÃO, e que se deveria "centrar" na questão "de saber se a Europa continua ou não a ser uma boa ideia e qual é realmente a importância e relevância política do ideal europeu de civilização."
George Steiner, judeu, formado nos USA,retornado à Europa no pós guerra, mas homem de muito mundo e duma erudição enorme, pensador da cultura, com obra vastissima, começa a sua Lição intitulada "A ideia da Europa" desta maneira soberba: "A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequenatdos pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. [...] Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da 'ideia da Europa.'" E termina dum modo não menos esplendoroso: "Com a queda do marxismo na tirania bárbara e na nulidade económica, perdeu-se um grande sonho de - como Trotsky proclamou - o homem comum seguir as pisadas de Aristóteles e Goethe. Liberto de uma ideologia falida, o sonho pode, e deve, ser sonhado novamente. É porventura apenas na Europa que as fundações necessárias de literacia e o sentido da vulnerabilidade trágica da condition humaine poderiam constituir-se como base.É entre os filhos frequentemente cansados, divididos e confundidos de Atenas e Jerusalém que poderíamos regressar à convicção de que 'a vida não reflectida' não é, efectivamente, digna de ser vivida. Pode ser que estas palavras sejam insensatas, que seja demasiado tarde. Espero que não, só porque estou a dizer estas palavras na Holanda, onde Baruch Espinoza viveu e pensou."
Lembremo-nos que este Baruch, não é mais, nem menos, que o "nosso" Bento, filho de judeus da Vidigueira, expulsos, acolhidos na Holanda reformista, mas que foi expulso, por ser livre pensador, da Sinagoga de Amsterdão!
Conclusão (mais do que provisória)
O poste vai longo. Porventura não tem a actualidade que o assunto merecia e mereceu na blogoesfera. Mas preferi que a espuma dos dias, das paixões em carne viva, esmorecessem - p'ra "opinar".
Quero rematar com mais uns quantos singulares pensamentos.
Hérodoto de Halicarnasso, o pai fundador da História, terá afirmado algo que incorpora os espirito e a essência da cultura europeia, ainda hoje: "Todos os anos, enviamos a África os nossos navios, com risco de vidas e de gastos, para perguntar:'Quem são vocês? Quais as vossas leis? Qual é a vossa lingua?' Eles nunca enviaram qualquer navio a interrogar-nos."
Nada nem ninguém, hoje, por mais correcto politicamente que queira ser - consegue destruir esta pergunta. O Farol de Atenas continua a brilhar esplendorasamente!
Steiner conta que esteve na África do Sul, em casa de Nadine Gordimer, em vésperas do fim do Appartheid, numa recepção com gente do ANC e convidados. Steiner decidiu interpelar um dirigente negro, sobre a ausência de mortandade contra os brancos,naqueles dias de euforia... Um dirigente negro do ANC retorquiu-lhe: "Eu posso responder. Os cristãos têm os evangelhos, vocês, judeus, têm o Talmude, o Antigo Testamento, o Mishnah, os meus camaradas comunistas a esta mesa têm Das Kapital. Nós, negros, não temos nenhum livro."
Geoge Steiner dixit: Só os néscios ignoram a importância da tradição, do facto e do conhecimento. Hölderlin:«Wir sind nur Original, weil wir nichts wissen.»*
*«Só somos originais, porque não sabemos nada.»
Zé Albergaria
terça-feira, junho 17, 2008
Eu, ex-quase tudo, me confesso!
Cavalgando a teoria redentora, a que tudo interpretava, a que tudo descodificava e denunciava, e fazia-o de modo a podermos transformar o mundo, milhares de homens e mulheres lançaram-se à conquista dos céus. Nesse exército eu me inclui durante decénios. Importa, hoje, interrogar-me sobre a minha própria deriva "ideológica", "utópica" e, dalgum modo, "ucrónica".
Que me lembre, fui militante comunista na década de sessenta em Portugal, pendurei-me nas barricadas parisienses, no Maio de 68, enfileirei-me, informalmente, no movimento operário católico belga e dedilhei teoria do foco guevarista até ao dia redentor: 25 de Abril 1974! Depois...depois disso aproximei-me do PC onde militei severamente, mas sempre (internamente...) livre pensador e "liberal", anti-estalinista convicto e nunca envergonhado (esse foi o meu compromisso individual, comigo mesmo, mas sempre cúmplice do projecto global do PC). Saí sem bater com portas, em silêncio.
Cultuo ainda duas tertúlias, uma de amesendação e degustação báquica e, outra de preocupações humanísticas e espirituais.
Direi mesmo que, hoje, não só não tenho ideologia - como rejeito, por utópica, qualquer ideologia de pensamento ÚNICO: ando a encontrar coisas muito interessantes e em muita gente!
Hoje sou, sem sombra de dúvidas e hesitações - um homem livre, livre pensador e, sobretudo, livre examinista: o meu único guia? a minha consciência! É por isto que continuo a gostar da Internacional que diz, algures: "Messias, Deus, chefes supremos/Nada esperamos de nenhum!"
Começámos, todos os que saímos do comunismo, por fazer a critica a Estaline e ao seu embuste, o estalinismo e o comunismo na Rússia; depois, alguns de nós, atrevemo-nos a buscar em Lenine as razões, as causas, as teses que explicam o que sucedeu na Rússia e em quase TODO o século XX e em quase TODO o planeta.
Hoje, a minha preocupação, é tentar colocar o MARXISMO na posição que merece e que a historiografia, não só a das ideias, está em passe de lho atribuir.(...).
JA
domingo, junho 15, 2008
sexta-feira, junho 13, 2008
Um olhar a P& B
Faz pouco tempo, em "polémica" com António Barreto (a pretexto da recensão dum livro de memórias sobre Angola ao tempo do vice-almirante Rosa Coutinho...como alto-comissário)nomeei AB, entre outros qualificativos, de fotógrafo. 




