sábado, agosto 23, 2008

Não é que precisem de saber, mas vou tirar uma semana sabática...







Para quê? Para me deliciar com muitos livros, alguma escrita para os meus alunos de património histórico e artístico e...muita praia, mar e bué da peixe!
Vou ali...e volto quando quiser. Topam?
JA

Ex-maoistas e os J.O. de Pequim


Os maoistas portugueses sonhavam com uma China imune ao capitalismo Hoje, vituperam-na porque, aderindo ao capitalismo, mantém o totalitarismo do partido único e o desprezo pelos Direitos do Homem, algo que para eles, maoistas portugueses, na altura não passava de pruridos burgueses.
Já a posição do PCP é também curiosa: detestavam a China porque a China detestava a Rússia. Hoje detestam a Rússia, mas fizeram as pazes com a China, não porque a praxis chinesa entrasse em consonância com as teorias do PCP, mas porque a China assenta numa pujança económica, invejável para quem se proclamava do ideário comunista. Haverá outras razões mais vulgares e circunstanciais, mas esse é o caminho que não quero percorrer.
Os Jogos Olímpicos são uma lição de hipocrisia, onde se batem recordes de ausência de ética, com a real politik com direito a muitas medalhas de ouro. Que querem? A política já é instrumento da economia e não o contrário.
Os ex-maoistas preferem hoje a economia à ideologia. Estão consonantes, não com o seu tempo de combate e esperança, mas com o seu tempo de importância social e indisfarçável bem estar económico. Tam´bém se cria barriga na alma.
E quem os pode condenar? Ninguém, a não ser eles próprios quando se miram ao espelho.
O João Carlos Espada perdeu a memória. Dirá que foi na estrada de Damasco. O José Manuel Fernandes sofre de amnésia. Dirá que foi devido ao olhar fulminante de Belmiro.
Ao menos oPacheco Pereira faz o seu exorcismo, intelectual perdido no seu próprio labirinto, tentando descobrir, qual Santo Agostinho, os caminhos do mal do maoismo e do seu caminho, coleccionando livros, revistas, programas e perfis, como borboletas secas no museu da história, elaborando, para tanto, um catálogo exaustivo e demorado das várias e algumas raras espécies de maoismo. Tem tempo e muita inquietação intelectual, se não, diria que esta descida às cavernas do embuste, tinha algo de mórbido.
Regressando aos Jogos Olímpicos: na Grécia representavam a expressão da cidadania, da polis; em Pequim, a expressão total do Estado. Aqueles eram o culto à liberdade; estes, o hino à economia.
Quando um povo não é livre, como é o caso do povo chinês, os seus Jogos Olímpicos não podem ser livres, ainda que aceites e participados por países livres e outros menos livres ou mesmo não livres, em nome de interesses que ultrapassam o princípio universal da Liberdade e o ideal olímpico do desporto, um momento e espaço de paz em tempo de guerra.
Rogério Rodrigues

Mulheres emigrantes

Mulheres férteis, como elas caminham pelos caminhos secos!
De pernas robustas e seios amplos, de mãos fortes, transportam pesos antes de anoitecer.
Falam que ninguém as entende. São de outro tempo. Mulheres férteis e parideiras, na quietude das montanhas. À noite, suadas, regressam a casa. Sem alegria, mas pedaços de carne aos gritos que o cansaço amortece.

Revoltas no tempo, continuam férteis, mas já usam óculos de sol, roupas justas e adivinham e provocam o prazer da sedução nas esplanadas. Já são outras, sendo as mesmas. Já carregam sacos plásticos de supermercado, à falta de outros pesos: a merenda para a segada, o cântaro para a água. Só as mãos continuam rudes e ásperas, mesmo quando cobertas de anéis. Anos a lavar escadas e roupa em urbes estranhas e longínquas. Femmes de ménage.
Mas são mulheres férteis, ainda que depiladas e com idas ao cabeleireiro. A terra já lhes e os áridos caminhos foram substituídos por áridas e negras estradas. Já não se lavam no rio, e já foram à praia.
Mulheres férteis do meu país, corpos espessos e pesados, no meu imaginário de criança.
'Ó virgens que passais ao sol poente/ pelas estradas ermas a cantar.'
António Nobre já não mora aqui.
Desenvoltas, as mulheres do meu país apreciam mais o Tony Carreira e Quim Barreiros e enternecem-se com os filhos a falar o francês dos pobres, aprendido nas periferias de Paris.
Melhor as férteis que as fúteis. E ei-las que partem reconciliadas com o passado porque já o esqueceram.
Rogério Rodrigues

Suplica ao Vento

Súplica ao Vento



Ao vento, no crepúsculo ao vento
os lugares mudam-se para outro lugar
rápidos sinais de que precisamos de partir.

Ao vento, roupa branca ao vento
quem nos dera regressar à nudez dos puros
com o corpo feito para a eternidade
incorruptível e belo.

Ao vento, grão a grão que se levanta o vento
lágrimas secas de quando anoitece.

Ao vento, sossega o vento que a noite é longa
e os restos do dia ainda não chegaram à praia.

Ao vento, que quer tempo a correr
mais depressa que o vento.

Ao vento, amores de passagem
como se passar não fora ficar.

Ao vento, a memória parada
como pedra triturada pelo vento
mármore de mão translúcida
frescura de afago sem aroma que o vento leva.

Ao vento, criaturas de deus oculto
de som sem eco e secura sem alívio.

Ao vento, nesta noite em que choramos
com o incêndio que alastra, abrasa
e queima e fulmina, ao vento implora:
pára, por favor pára que quero recolher as cinzas.

Pedro Castelhano

Em Agosto...."A Maria Silenciosa".


Roubei este titulo ao jornalista do Expresso, Filipe Santos Costa, que, num trabalho inteligente e criativo, faz um "calembour" notável com a Maria e a maioria...
Interroga-se o jornalista, e bem, como é que nenhum líder antes dela, Manuela Ferreira Leite, tenha pensado : "Um líder da oposição que não fala."
Castro Almeida, ex secretário de estado da educação de MFL, ao tempo em que ela foi ministra de Cavaco Silva para a educação, atribui-lhe, a ela, esta "pomposa, quanto eloquente" frase:
"Se uma pessoa tem duas orelhas e uma boca é porque deve ouvir o dobro do que fala."
Aí está a líder do maior partido da oposição, MFL, em linha com os nossos puritanos da blogoesfera que se surpreendem pela "excessiva produção" dos nossos bloguistas e por um excesso de falatório, ruídos e incompetências, violando a regra sagrada do silêncio sabático a praticar no mês "canicular", que é o Agosto.
Aprendam, pois, com MFL, que é competente, de boas famílias e senhora do seu nariz, com um ética incontornável e que se remete (vá-se lá saber porquê...), segundo membros da sua tribo partidária, a um estrondoso, inconsequente e ineficiente "silêncio".
José Albergaria

Em Agosto...postes mil 6.


"NADA FAZ REALÇAR MAIS A AUTORIDADE DO QUE O SILÊNCIO, ESPLENDOR DOS FORTES E REFÚGIO DOS FRACOS."
Charles De Gaulle, estadista e militar francês
JA

Em Agosto...postes mil 5.


"O SILÊNCIO É UM DOS ARGUMENTOS MAIS DIFÍCEIS DE REFUTAR."
Josh Billings, humorista americano
JA

Em Agosto...postes mil 4.


"O SILÊNCIO É O PARTIDO MAIS SEGURO DE QUEM CONFIA EM SI MESMO."
François de La Rochefoucauld, escritor francês
JA

Em Agosto...postes mil 3.


"É MELHOR TER A BOCA FECHADA E DEIXAR OS OUTROS PENSAREM QUE SOMOS TONTOS, DO QUE ABRIR A BOCA E ACABAR COM A DÚVIDA."
Mark Twain, escritor e jornalista americano
JA

Em Agosto...postes mil 2.


"O SILÊNCIO É A VIRTUDE DOS TOLOS".
Francis Bacon, filósofo inglês.
JA

Em Agosto...postes mil 1.


" O SILÊNCIO É UM AMIGO VERDADEIRO QUE NUNCA TRAI".
Confúcio, pensador chinês
JA

sexta-feira, agosto 22, 2008

Da superioridade moral...na blogoesfera.

Sendo novato na blogoesfera, sendo mesmo incompetente (ou com poucas competências...), NUNCA me interroguei sobre o por quê das coisas, ou porque é que as "pessoas" escrevem, postam pensamentos, desenhos, música, opiniões, dislates, vitupérios e, aqui e acolá, até insultos e ofensas.

Já escrevi sobre o que penso disto.

Escrevo, em bom rigor, primeiro em o MAPRIL e, agora, aqui, em o AQUEDUTO LIVRE vai já para quase três anos.

Isto não me dá nenhum tipo de estatuto, nem sequer qualquer tipo de autoridade ou singularidade. Escrevo porque me apetece, porque me dá prazer e, como dizia Lenine, tenho prazer em ver-me publicado.

Mas ele há internautas que se publicam em publicações académicas, em jornais, em revistas e, talvez por isso, a sua "compulsão" para o bloganço tenha outras motivações. Entendo isso.

Agora tentarem fazer teoria, ideologia, até regras para o espaço libérrimo da blogooesfera...vai um passo de gigante.

A mim sempre me incomodaram os moralistas, os puritanos...então, esses, abomino-os! E logo que topo um certo auto convencimento misturado com uma espécie de "superioridade moral"...aí fico mesmo em brasa.

Na blogooesfera, como em tudo na vida, cada um come do que pode e como pode.

Se deixou de gostar...só me parece haver um caminho: mudar de restaurante!

Depois...tiques elitistas! passo-me dos carretos.

Porque não se fala disto? Porque não se enfoca desta maneira?Porque é que a blogoesfera é do povo e não dos ungidos?Porque é que os "indigentes" intelectuais também têm blogues e "arrotam" postas, ou postes, de pescada?

Eu, meus caros superiores e moralistas, escrevo porque me apetece, quando me apetece, comento, aqui e acolá (cada vez menos...porque me tenho sentido "não bem vindo!").

A DEMOCRACIA é mesmo o PODER do Povo, de TODOS...e não só de alguns. A blogoesfera coloca-nos nesse território da UTOPIA.

Ele há quem não tenha percebido tal coisa!

É pena!

Eu, por mim, nesta questão, estarei SEMPRE ao lado do POVO!

José Albergaria

Verdade, mentira e truques no desporto olímpico...


Segundo noticia o periódico El pais, o Comité Olímpico Internacional instou a Federação Internacional de Ginástica para averiguar a "verdadeira" idade das ginastas chinesas que se encontram na foto e que foram medalhadas em Beijing.
Apareceram discrepâncias em público quanto à verdadeira idade das ditas ginastas.
As normas olímpicas exigem que as ginastas perfaçam 16 anos durante o ano olímpico.
Sobre esta situação terão sido veiculadas informações sobre as ditas ginastas apontando para uma realidade etária diversa: há quem sustente que terão menos de 14 anos.
O COI e a Federação Internacional de Ginástica estão a averiguar.
Até prova cabal e em contrário, as ginastas e a Federação Chinesa de Ginástica presumem-se inocentes...
JA

quinta-feira, agosto 21, 2008

Nelson Evora: da Costa do "Marfim" para o "Ouro" em Beijing!

Que seja d'ouro.
Nelson Évora será sempre campeão.
Este atleta é feito daquela massa e nervo com que se fazem os campeões.
Parabéns.
JA

NB - Sem querer puxar a costela clubística...o Benfica já leva, esta ano, duas medalhas olímpicas.

O Património histórico e artístico: o saque e o vandalismo.


Desde as campanhas napoléonicas ao norte da Europa, à Itália, à Mesopotâmia, ao Egipto, passando pelas campanhas hitlerianas na segunda guerra mundial e, recentemente, a invasão do Iraque pela coligação USA/UK que a questão do "direito" de saque sobre o património artístico dos países ocupados e dos povos dominados se coloca na "ordem do dia".
Mas nunca como durante a revolução francesa e sob o directório esta questão foi tão debatida. Os "revolucionários" argumentava que a República era o "sétimo céu" a excelência dos regimes, e Paris a "nova Atenas" para onde deviam "viajar" todos, ou os que se acha por bem, os exemplares do génio antigo , do renascimento e já algum produzido pelas Luzes (então ao trabalho).
Uma voz, em França (Schiller também; e Goethe de igual modo), uma única e sonorosa voz se levantou contra essa "gula": Quatremére de Quincy. Este realista, sempre a ponto de ser guilhotinado, em pleno terror, ousou questionar o que políticos, militares e vultos da cultura defendiam então: trazer o que de belo foi feito para o Museu Universal (hoje. Louvre).
A discussão foi deveras sinuosa e complexa. Mas o que a história reteve é que a França (os seus políticos e militares) saquearam os Paises Baixos(sobretudo a Bélgica e trouxeram para Paris quase tudo os que os flamengos produziram), saquearam o Egipto, a Mesopotâmia, a Grécia e a Itália (particularmente, Roma).
Quatremére de Quincy, em sete cartas dirigidas ao seu amigo e classicista Miranda, um hispânico de alta erudição sustenta a sua indignação e as suas teses, particularmente no que diz respeito ao saque feito na Itália.
Na primeira carta cita, profusamente, Polibio, o historiador romano, que zurze nos seus contemporâneos e o fez do modo seguinte, e cito: "Se os romanos, no seu sistema de conquista das nações, só lhes tivessem subtraído o ouro e a prata, eles não seriam criticáveis; porque, para controlar esses povos era preciso retirar-lhes os meus de resistirem. Mas para todas as outras coisas, seria mais glorioso deixar-lhes onde elas estavam, mesmo com o desejo que elas provocavam, e colocar a nossa pátria, não na abundância e na beleza desses quadros e estátuas, mas na severidade dos costumes e na nobreza dos sentimentos. De resto, desejo que os conquistadores futuros aprendam com estas reflexões a não esvaziarem as cidades que eles submeterão e a não utilizarem as calamidades cometidas sobre os outros como ornamento da sua pátria." Este pedaço de prosa é retirado, ou foi retirado, da História da República Romana, livro IX de Políbio.
Este é o programa que Quatremére de Quincy vai desenvolver para fustigar os saqueadores de século XIX, os seus contemporâneos e os seus compatriotas.
Vale a pena ler esta sete cartas, que pode bem ser um Manifesto para a preservação, a defesa e qualificação não só do Património das Nações, mas daquele outro que HOJE é considerado MUNDIAL, pertença da Humanidade. Devemos isso, em meu bom entender, a este enorme francês, realista, reaccionário como se diz ainda, mas com uma visão de progresso e de futuro que poucos, à época defenderam...com risco da própria vida.
Leiam estas cartas`a Miranda escritas (mas sem nunca terem "obtido" resposta: é um mistério bem guardado...), porque ler faz bem à saúde e torna-nos melhores, como pessoas e como cidadãos.
José Albergaria

Neste mundo tão cinzento e perturbador...uma BOA noticia.


O diário de referência El Pais noticia que a Unesco e a Fundação Aga Khan vão patrocinar o inicio dos trabalhos, com especialistas de vários países, para a construção de um Museu subaquático no porto este de Alexandria, a norte do Cairo, de modo a desenharem o projecto financeiro e o projecto técnico - para se poder visitar os objectos, embarcações, estátuas, etc, depositados no fundo do mar - sem necessitarmos de os deslocarmos para a superfície. É um projecto revolucionário que recoloca a discussão sobre a importância de não "arrancar" ao seu habitat as peças históricas que contam a aventura humana: a boa, a positiva e a predadora.
Neste Agosto nem só de "más" ou inquinadas noticias vivemos nós.
JA

terça-feira, agosto 19, 2008

Perspectivas da Guerra Civil.


Ando de volta dum livro interessante quanto perturbador.
Já, praticamente, toda a gente escreveu sobre ele: Mário Vargas Llosa, Rui Bebiano, João Barrento....e etc.
Mas, ainda assim, arrisco-me a postar o meu comentário de leitura deste livro com um titulo fortemente ambíguo
Hanz Magnus Enzensberger é alemão, é poeta, é velho e escreveu um livro impressivo sobre a devastadora guerra molecular, civil (só porque não é praticada por militares...) que, coincidindo com a implosão do império soviético -adquiriu expressões e libertou energias inauditas, devastadoras, praticadas por perdedores (qualquer tipo que possamos ou queiramos imaginar: apoiantes dum clube de futebol, tribo, grupo, etnia, militantes partidários, grupos com preferências sexuais...)e em qualquer território ou geografia física, cultural, religiosa e humana e sem precisarem de ideologias ou de justificações....
Retiro do livro uma passagem que vale um tratado:
"Outra tentativa de explicação, a mais deprimente de todas, tem a ver com o crescimento desmedido da população mundial. Já em 1950, Hannah Arendt tinha avançado a ideia de que a a facilidade com que os regimes totalitários haviam conseguido impor a sua lógica assassina estaria relacionada com este rápido crescimento e consequente perda de território e pátria por parte das massas que, em termos de categorias utilitárias, se tornam de facto «supérfluas». É como se o valor atribuído à vida humana, própria e alheia, decaísse à medida que aumenta o número de habitantes da Terra.
Não é fácil compreender esta ideia. No entanto, não são necessários dados estatísticos referentes à migração e aos refugiados, para ver como o planeta se tornou pequeno. É algo que está diante dos nossos olhos, todos os dias. A permanente visão dos desempregados, dos sem-abrigo, da decadência das megalópoles, dos navios e campos de refugiados a abarrotar vêm mostrar ao inconsciente que já somos demasiados, e a reacção cega a este facto é psicótica - começamos a matar indiscriminadamente os que nos rodeiam."
Veja-se a "guerra" travada na Geórgia, compagine-se as declarações dos responsáveis russos e georgianos e percebe-se o alcance deste pedaço dum livro que foi escrito em 1993 e, em minha opinião, não perdeu qualquer tipo de consistência de análise e de actualidade.
A ler: imperdível.
JA

segunda-feira, agosto 18, 2008

Que seja de Prata: Vanessa Fernandes será sempre campeã!

É desta massa e desta fibra que se fazem campeões.

Vanessa Fernandes devia, obrigatoriamente, ser "estudada" por todos quantos têm responsabilidades no desporto luso.

Para quê?

Para perceberem como se trabalha (veja-se a dupla espantosa que faz com o pai, o "velho" Venceslau Fernandes...): como com ciência e disciplina aplicados ao talento que é Vanessa Fernandes...dá sempre RESULTADOS!

Antes dela tivemos a Rosa Mota, o Carlos Lopes e o fenómeno Fernando Mamede.

Aqui bem perto temos a Espanha que explodiu em termos desportivos...e de resultados. Como?

Porque é que o nosso inefável e mefistófilo secretario de estado do desporto não vai estagiar com o seu homólogo, para nos trazer a resposta?!...

JA

domingo, agosto 17, 2008

A cerâmica chinesa: o sistema económico, os direitos dos trabalhadores...o paraíso!






















A RTP2, hoje, em horário nobre, passou uma reportagem, a vários títulos, eloquente e interessante.

Um produtor francês de Armagnac, da Borgonha e de vinhos franceses entrou no mercado chinês faz quase quinze anos.

Exportava o seu Armagnac e o seus vinhos para o imenso mercado chinês, mas não podia trazer as mais-valias financeiras realizadas para França.
Dedicou-se então a comprar, a importar para França, móveis antigos, rusticos, que decoravam e ocupavam pequenas casas de pequeno-burgueses fustigados pela revolução cultural (uns mortos; outros expatriados) - cujas casas foram abandonadas. Umas foram ocupadas por empréstimo. Outras foram mesmo "apossadas" em definitivo.

Estes móveis tradicionais, lacados, decorados com desenhos notáveis, estão a ser "comprados" e retirados das casas modestas, de bairros tradicionais das grandes urbes (a desaparecerem) e restaurados por uma pequena empresa chinesa, cujos 20 marceneiros especializadíssimos não têm mãos a medir: o mercado francês "engole" toda a produção.

Outro momento ímpar da reportagem: uma visita do nosso "franciú" a uma empresa de cerâmica tradicional. Começa por nos dizer que a visita é excepcional, porque os modelos que ali se fazem são monopólio dos clientes e não podem ser mostrados na fase de fabrico; as técnicas tradicionais aí utilizadas (a moldagem; o banho no caulino - o que lhe dá aquela brancura singular depois da cozedura; e os desenhos...) são guardados como segredos de estado. Os trabalhadores trabalham das 8,00h da manhã até às 22,00h. Têm duas horas para almoço e duas para jantar. Qualquer das refeições é por conta do patrão. Tem bilhar e televisão para se divertirem. Descansam ao domingo e acumulam, por cada mês de trabalho, dois dias de férias. Dormem em camaratas de vinte trabalhadores (homens e mulheres apartados; não há casais). Ganham o equivalente a 150,00€ por mês. Cada peça de cerâmica vende-se no mercado dos USA e na Europa a quarenta vezes o preço a que ela sai da fábrica!
O "patrão" chinês diz que não á ambicioso, mas que sonha com acrescentar NOVOS desenhos e padrões à sua cerâmica. Diz que o mercado é que manda. Neste momento tem 300 trabalhadores e expecta, no final do ano (pressão do mercado exige...) ter cerca de 2 000 concentrados no complexo fabril...que recorda o século XVIII e XIX europeus!...

O nosso "franciú" à medida que a câmara nos vai mostrando isto tudo, as condições de trabalho e vida dos trabalhadores - tem um comentário espantoso: "Em França já tivemos estas condições. Agora já não. Os chineses também deixarão de ter estas condições..." Quando? E a China não é comunista? Não são os trabalhadores que estão no poder? Não é a ditadura do proletariado?

Reportagem imperdível. Sugestão: deveria ser passada, também, na "escola de quadros" do PCP e discutida pelos "camaradas" Ruben de Carvalho e Vítor Dias, que, por estes dias, têm louvaminhado os sucessos e o bem fazer dos chineses e da China!

José Albergaria

Rafa d'ouro!

Numa final olímpica, quase sem história, o "menino" de Palma de Maiorca, levou o OURO para casa, consagrando-se , de facto e sem sombra de contestação - como o MELHOR do Mundo!

O chileno Gonzalez, o terramoto, ainda se bateu, bravamente, no segundo set. Mas, no "tie break", não teve argumentos para um super-confiante Rafael Nadal.

O terceiro set foi quase um "passeio" para o espanhol. Em três set's e o OURO estava no colo de Rafael Nadal.

Os heróis e os campeões fazem-se desta "massa", de muito trabalho, bastante sacrifício e de talento natural.

JA