segunda-feira, março 31, 2008

Frases & poemitas

"Sou amigo de Platão, mas amo a verdade!" Aristóteles.
"Só sei que nada sei." Sócrates
"Eu, nem isso sei." Pirro de Eleia


POETA MAIOR
A António Machado, poeta, maçon, sevilhano, andaluz, 26 de Julho de 1875, Sevilha a 22 de Fevereiro de 1939, Collioune/França.

Poeta, irmão
A tua terra,
Feita de mar,
Cerzida de verdes,
Paleta d’ocres,
Bordada a branco,
Pontilhada de negro,
Desenhou-te!

Impressiva, marcou teu “poemar”!

Pela campina,
Andaluza,
Ruminam toiros pelos pastos,
Para,
Soberbos, telúricos,
Estrelarem,
Quais actores circenses,
Em tardes,
Humanas,
D’heroísmo gratuito!

A tua poesia,
Luzeira,
Préclara,
Solar,
Semelha uma tarde d’Estio!


António,
Viveste o sonho republicano.
Partiste, destroçado,
À deriva,
Pelos trilhos funestos
Do amargo exílio.


Carregando a dor,
No colo de tua mãe,
Sucumbiste
De tristeza e saudade,
Nos caminhos parados
De “Collioune” a francesa.

António, meu irmão,
A tua memória atravessa
O arco-Íris da Espanha
Toda!

A tua poesia, poeta, essa
Vive no coração da humanidade

Toda!

António Machado,
Em teu louvor,
Seja esse o meu fado,
Eu, caminheiro audaz e sem pudor,
Hei-de reverdecer os antigos trilhos,
Caminhando,
Incipiente e inseguro,
Em silêncio, pela tua poesia

Toda!


Agosto 2006

José Albergaria

terça-feira, março 25, 2008

A beleza

la belleza
solo está
en los ojos
de quiem mira.

(CampoAmor)

segunda-feira, março 17, 2008

liberdades

sou a favor das manifestações quando elas pretendem que algo se mude, para melhor, ou melhor dito, para uma melhoria. Sou a favor das manifestações que tudo recusam, rejeitam e reivindicam liberdades individuais e comportamentais, como proibido proibir, a praia no asfalto, a avaliação pelo sotaque.

Sou a favor das manifestações que querem mudar. Custa-me a compreender as manifestações que querem manter o que está, sabendo que o que está não está certo estar e que há anos atrás combateram por estar. Lembro-me das decisões do Cardia, enquanto ministro da educação e que agora são defendidas, 20 anos depois, depois de tão criticadas, na rua, nas paredes, no parlamento e nos jornais. L'air du temps dá destas coisas.

Lembro-me da "geração rasca" que foi adulterada neste modelo educativo.

Já me custa a compreender manifestações com o gato escondido com o rabo de fora. Manifestações de conteudo de classe ou casta, mnifestações reclamadas de reivindicações meramente profissionais, expressam-se nas palavras de ordem, na expressão mediática como meras manisfestações políticas, do inclemente bota-abaixo, sem uma alternativa, um aceno do bota-acima.

Já muitas vezes, em 30 anos de Democracia ( quase sempre mais formal que participativa, mas sufragada no voto secreto, muitas vezes em contramão ao voto da rua) assistimos a este paradoxo: a ilusão do poder acreditar-se poder real.

O PCP, por exemplo,domina a Fenprof, tem capacidade organizativa, alimenta-se do resentimento, bajula a facilidade, apela ao estômago mais do que à cabeça e ao coração, o PCP, hoje um "produto menor" --nas suas propostas e não no seu direito-- da Democracia ( e não se esquecem os seus contributos para uma resistência ao fascismo, mas que nós, que saibamos, não vivemos no fascismo e as gerações mais novas já foram criadas nos vícios e virtudes da democracia), tem sempre combatido mais os governos de esquerda que os governos de direita, sejam eles liderados por Soares, Guterres ou Sócrates.

Tentar alguém dizer que o PCP, por ele próprio, e pela CGTP não manipulou a manifestação dos professores ou é ingenuidade ou condição de avestruz. Nenhuma organização de classe poderia colocar no Terreiro do Paço 100 mil pessoas. Para o PCP terá sido uma espécie de Festa do Avante! para docentes e afins.

Os professores querem ser avaliados mas ainda não agora. As vitórias de Pirro são proclamadas como grandes vitórias e nem sequer se lemram da célebre frase do aristoircrat latifundiário siciliano de "O Leopardo" de Tommasi Lampedusa, quando diz: " `E preciso mudar qualquer coisa para que tudo fique na mesma".
O que é que a Fenprof e o PCP conseguiram mudar? A qualidade do ensino? A qualidade dos professores? A sua dignificação pedagógica? A sua maior intervenção na comunidade? Ou tratou-se de uma mera reivindicação laboral escondida numa não muito trasparente reivindicação à avaliação, híbrida nas suas vertentes pedagógica e salarial?

( Zé, não sei como é que isto vai chegar ao blogue, pois perdi a primeira versão e não sei se esta chega emcondições. Coisas de aprendiz de blogue. Com o treino vamos lá).
Pedro Castelhano




quarta-feira, março 12, 2008

O sal e a pimenta

Contrariamente a um mito instalado, o sal e a pimenta não têm, ab initio, a intenção de fornecer sabores acrescidos aos alimentos.


A sua importância situava-se, antes da congelação e dos frigorificos, na necessária, quanto vital, urgência na preservação dos alimentos.


Daqui decorreu, durante anos, décadas, séculos mesmo, o enorme papel que o sal teve na nossa economia, nas nossas exportações, na nossa balança comercial.


A epopeia dos Mares, as descobertas, a Expansão marítima, assentou, precisamente, na demanda das especiarias, não para temperar, mas, ao invés, para preservar.


Hoje, o significado virou significante, alterou-se a qualidade da coisa.


Ao misturar o sal, a pimenta, nos produtos alimentares, naqueles idos do medievo, iniciou-se um processo de alteração nos sabores, na textura e no modo de degustar as comidas.


Hoje tem-se em conta o sal nas doenças do século: as hipertensões, os AVC, as maleitas das coronárias, o colesterol e tuti et quanti!


Mas este post não visa, longe disso, circundar a alimentação, os gostos e sabores e, menos ainda, perorar sobre saúde.


As relações humanas carecem, como aprendi nas teorias sobre comunicação e relações interpessoais, de uma dose de tensão, de conflitualidade, de algum sal e pimenta, que renovam e trasmutam as qualidades do próprio relacionamento, de amizade, de companheirismo, de camaradagem, de amor, até.


Quando a relação está confusa ou até mortiça, acrescenta-se um pouco de sal, pimenta a gosto e deixa-se (por vezes é aconselhável, em lume brando, para não se perderem os sucos e as propriedades das matérias primas...


Mas ele há casos, em que já não basta o sal e a pimenta. É necessário outro tipo de condimentos: humildade, frontalidade, lealdade, e, sobretudo, um entendimento universal sobre categorias que são "absolutos", sendo a AMIZADE um deles.


Basta de gastronomia!


José Albergaria

terça-feira, março 11, 2008

E, uma vez mais, a AMIZADE...


AMIZADE

Na vida, nos seus sobressaltos,
Tropeçámos, a cada passo;

No amor, nos seus solavancos,
Tropeçámos, a cada curva;

Na política, nos seus ziguezagues,
Tropeçámos, em cada ciclo;

Na fé, nas suas igrejas,
Tropeçámos, por cada conversão;

Na guerra, nas suas funestas misérias,
Tropeçámos, malgrado o nosso não querer;

Na amizade, amor fraterno,
Tropeçámos, é certo, mas
Nos alevantámos
Sempre!


Agosto 2006


José Albergaria

E porque hoje é terça-feira (dia em que festejamos a amizade) apetece-me falar de Escola Pública...

Pelas terças-feiras, festejamos a amizade em luzidia tertúlia.

Na tertúlia tudo se questiona, tudo se discute, todas as certezas se tornam relativas.

Respeitamos TODAS as singularidades, TODAS as opiniões, todas as sensibilidades.

Falámos do Sócrates, falámos da Saúde, da Educação, da Segurança.

Não gostámos deste Ministro, daquele Secretário de Estado, daquele Director Geral.

Gostámos de literatura, de cinema, de história e, também, de "gajas", de bom vinho, de boa comida e de viagens.

Discutimos, bastas vezes, como salvar a Pátria.

Mas, como dizia o outro, só nos falta mesmo é "salvá-la!"

Mas, na NOSSA tertúlia, como aqui, neste blog, que agora se recentrou, exclusivamente, para os seus "fundadores", há coisas que não têm discussão, que são ABSOLUTOS:

1/ A LIBERDADE!

2/ A AMIZADE!

É por amor a estes dois princípios indiscutíveis e incontornáveis que temos a LIBERDADE (e o fazemos consistentemente) de escolher os NOSSOS amigos!...

José Albergaria

PS - Não falei de Escola Pública?...impúdico esquecimento!

Hoje já não me calha.

A amizade é SEMPRE mais importante do que TUDO o resto e, mesmo, a SOMA da vida.

sexta-feira, março 07, 2008

Uma ladainha que eu muito gosto

"Chi vó non pó
Chi pó non vó
Chi fá non sá
Chi sá non fá
E cosi vá il
Mondo molto male..."


De autor que eu desconheço.

José Albergaria

Pessimismo versus optimismo

Nestes tempos em que o principio da incerteza e as insanidades dominam os povos, os estados e apoderam-se muitas das vezes dos líderes nacionais, este confronto dual, entre optimistas e pessimistas, adquire contornos impressivos.

Há até aquele trocadilho que vem sempre a calhar nesta disputa entre a qualidade do PESSIMISTA e a bondade do OPTIMISTA:

1- O optimista é um pessimista bem informado;
2- O pessimista não passa dum optimista bem informado.

As abordagens à realidade mutante e actual, podem fazer-se de modos vários.

É, sempre, possível falar e/ou escrever sobre qualquer assunto a partir de sensações, sentimentos, insuficiência de informação. No entanto, em temas de melindre, polémicos, em torno dos quais se foram segregando demasiados preconceitos, é de todo aconselhável prudência e, sobretudo, bom senso.

Ele há entusiasmos que nos levam, quando confrontados, por exemplo, com a História e a historiografia existente sobre o TEMA, a becos sem saída e, às vezes, nos empurram mesmo para uma certa impertinência e agressividade gratuíta.

A questão israelo-arabe, ou, mais precisamente, o confronto belicista israelo-palestino (os antigos filisteus da Biblia)é um desses casos, em torno do qual, recorrentemente, se dizem e fazem muitos disparates...

Quando nos remetemos ao nosso silêncio de incompetência e ignorância...tudo bem! Mas quando falámos, sem termos medo do ridículo,ou de modo irresponsável, aí já a porca torce o rabo.

Como dizia o romântico alemão, que tão bem versificou o "demónio", na alegoria do Dr. Faustus: "Nada é mais terrível que uma ignorância activa", Johann Wolfgang von Goethe.

Com pessimismo me despeço (porque o futuro futurável não se recomenda..)e com optimismo me subscrevo (porque acredito na humana Humanidade...),

José Albergaria

quarta-feira, março 05, 2008

Cruzeiro Seixas: poeta & pintor

Cruzeiro,
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.

Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.

Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Labirinto da Saudade »,
Mínima figura,
Zero Moldura.

Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.

Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em campina d’ameixas.

José Albergaria

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

experiência

josé, penso ter descoberto o caminho das pedras. E já agora começarei a escrever com maior assiduidade. Não vou revelar sequer que o Pina Moura foi cativado (agradável eufemismo) para o PCP , em 1972, pelo Arnaldo Mesquita do Público, antigo jornalista do Diário e que era profundamente sectário. Que eu o diga que tive de o aturar a chamar-me anti-comunista numa campanha eleitoral, creio que em 1983, em que o Vasco Gonçalves, apoiado pelo Borges Coelho ( este bom homem estava fazer o seu papel, sem acreditar no papel que fazia) defendia a independência portuguesa do 1385,como uma revolução marxista. Como o comício foi montado numa gigantesca tenda, creio que na Fernão Magalhães, no Porto, eu titulei a minha peça como "A História foi ao circo". Não gostaram.
Mais tarde, zangaram-se também comigo, porque em "O Jornal" de boa memória, que sendo jornal era semanário, eu fiz um perfil de Alváro Cunhal, intitulando-o de "ABC dos comunistas". O ABC não passava das iniciais do nome do Cunhal: Álvaro Barreirinhas Cunhal.
Agora, que entrei definitivamente no grupo etário daqueles que não têm nome quando são atropelados, os sexagenários dos bares que vão morrendo, desencantados com o futuro, que já relêem mais do que lêem, avessos aos acordos ortográficos, mal sabemos o que havemos de fazer com o nosso passado. Torná-lo futuro? Ou dizermos que a história é a memória do futuro?
São tantas as presenças como os dias que me faltam. As tardes longínquas e melancólicas com o Assis Pacheco no Fim de Século e no Hotel Britânia, as noites longas e sem cansaço, tão só de nostalgia transmontana, de uma ruralidade que não perdíamos, com o Afonso Praça, esse sólido mais líquido que me foi dado conhecer, esse odre de ternura, que passou de mansinho pela vida como se tivesse sempre a pedir desculpa pelo talento que tinha. As noites, longas, muito longas, em que o álcool corria como um regato de afectos contidos, mas sem fim, com o Cardoso Pires, entre o colérico, o iconoclasta, mas o melhor contador de histórias dos bas-fonds desta cidade ( leia-se Lisboa) que tanto amava. O Cardoso Pires, era de ódios e amores. E tinha muito mau perder, como ele próprio confessava.
E depois o Luís, o Sttau Monteiro, o mais admirável e generoso mentiroso que me foi dado conhecer. Escrevia à minha frente a Guidinha, numa Hermes pesada, a correr, que tinha que ir a algum lado. Efabulador, grande cozinheiro na sua casa de Campo de Ourique, inveterado bebedor de gin, homem de muitos encantos, de um charme muito britânico, de uma ironia corrosiva, era, porém, tansbordante nos afectos para os seus amigos. Morreu ainda as últimas rosas não tinham florido.
Hoje, proclamam-se os best-sellers de aeroporto, lidos enquanto se mascam pastilhas; os jornais são economicamente obedientes, reverentes e pouco venerandos; a mediocridade, mas com boas maneiras, é um bom princípio para o sucesso. O país é apenas o reflexo do país, não a sua realidade. Utiliza-se o espelho como se fosse a verdadeira face. A imagem do rosto secundariza o rosto. Querem-nos impôr uma clandestinidade ética, tornar a norma da virtude como um desvio. Um perigoso desvio que deve ser tratado ou combatido.
Querem-nos sem ideologia, assépticos, flor artifical, sem cheiro, mesmo do suor, sem tabaco ( se no céu não se pode fumar, eu não quero ir para o céu, escreveu Mark Twain), tão limpos que querem transformar a cidade num imenso hospital com multidões saudáveis mas proibidas de transgredir.
Querem proibir a transgressão; são os inquisidores do interdito; os que definem a liberdade dos outros, como se a liberdade não fosse um valor individual; que tentam pôr um chip na nossa alma e controlar os nossos sonhos, e isto tudo para que vivamos mais anos a criar mais problemas à Segurança Social.Querem-nos clonados, sejamos novos ou velhos, querem-nos tão iguazinhos a ponto de um dia conseguirem que nós não saibamos quem somos. Apenas eles sabem, nos seus arquivos, o que nós fomos.
Já cá não estarei por certo, quando algumas liberdades e indignações utópicas não passarem de mero estudo académico para teses de doutoramento, tão bem comportadas que até Júlio Dantas vai ser considerado, a par de José Rodrigues dos Santos, um génio injustamente ignorado por esses libertinos cuja memória é proibido recordar...

Pedro Castelhano

terça-feira, fevereiro 19, 2008

E mesmo assim a terra move-se...

O maravilhoso mundo novo da blogosfera está, cada vez mais, mexido e em turbulência histriónica.

A erudição, o pluralismo, o bom-gosto, a qualidade gráfica, as competências técnicas que por aí perpassam - não estão, no entanto, em linha com o necessário bom-senso que um MUNDO como este (libérrimo, sem constrangimentos, sem censuras...)deveria aconselhar.

Na nossa doméstica blogosfera campeia, actualmente, creio mesmo ser lidere d'audiências o "mistério", embrulhado em vários anátemas e confusões ( de conceitos, de categorias, de mundividências, mesmo até de préconceitos e etc.)de: quem s'esconde por trás do nome do bloger Miguel Abrantes que "controla" o Câmara Corporativa.

Portanto, senti-me na ingente necessidade e no urgente dever de cidadania de intervir nesta polémica, não para ajudar quem quer que seja ou contribuir para o que fosse, mas para complicar.

Sim, porque cada um de nós nasceu com uma missão bem definida: enfernizar a vida ao seu semelhante e, quando as coisas estiveram a andar menos mal,é curial inventarmos um drama, quiçá uma tragédia!

Continuamos, em meu entendimento, com aquela velha muleta: eu, je, moi, penso bem; os governos, dum modo geral, não prestam e, em Portugal, é necessário ter linhagem para ir a Ministro (secretário de estado não conta e, menos ainda Director-geral, excepto o "defunto" Paulo Macedo porque pertencia ao Opus Dei!...e era muito competente, tinha mau feitio e trabalhava durante as férias.)

A direita travestida, reciclada, transmutada, bem adaptada à Nova Democracia, produto da "Abrilada de 1974", entende, hoje, que um rapazinho vindo da Covilhã, de Castelo Branco, de Trás-os-Montes (não se sabe bem donde!...), sem curriculo que se apresente, com um percurso académico/profissional um pedaço confuso, com um nome grego, tenha chegado a Primeiro-Ministro de Portugal.

E, espantamento espantoso, o rapazinho trabalha, dedica-se à causa pública, trata do corpo, é determinado, ataca o que está mal em Portugal (nem sempre da melhor maneira...), quer reformar o País e introduzir novos paradigmas (há quem ainda cultue os velhos...)em Portugal e nos portugueses!

Ora bem!, se eu percebo que para a direita isto não seja bem entendido (por que lhe estraga o negócio e lhe rouba os clientes), já para as esquerdas não consigo mesmo perceber a sanha, a ausência de vontade de diálogo, de intenção de alianças (tirando a interrupção da gravidez e, mesmo nesse caso o PCP esteve em desacordo sobre o modus operandi: referendo e/ou votação em sede do Parlamento...) etc.

Os criticos mais descabelados, mais contundentes, mais acérrimos: a esquerdas. As perguntas que se podem fazer: e alternativas? e modo diverso de fazer? e soluções estratégicas? e quem está, neste momento, em Portugal a produzir pensamento para demandar "novas Indias a haver"?

Ora bem, cá estou eu a complicar.

É mesmo de propósito.

Mas estávamos a tentar resolver o mistério, não da estrada de Sintra, mas quem é o gábiru que se esconde atrás do Miguel Abrantes?!

Aqui é que bate o ponto e este ponto é determinente não só para Portugal como destino, mas para o futuro dos portugueses nas próximas, pelo menos, cinco gerações!

Deixo aqui algumas pistas.

Atrás (ou à frente tanto monta...) do tal NOME podem estar:

Hipótese 1 - Domingos Abrantes (dirigente do PCP);
Hipótese 2 - Abrantes Mendes, Juíz e antigo dirigente do futebol;
Hipótese 3- José Manuel Abrantes, antigo administrador da Valorsul;
Hipótese 4- Marquês de Abrantes, Marechal Junot (agora que estamos em tempo de bicentenário das invasões francesas vinha mesmo a calhar...);
Hipótese 5- Marquesa de Abrantes;
Hipótese 6- Abilio Abrantes, antigo patrão da Agenda da RTP;
Hipótese 7- É a que me parece mais provável, José Arantes,que retira um b por timidez e desfaçatez (para quem não se recordar é jornalista e foi assessor de...Cavaco Silva!).

O sete, que é o número dos Mestres, a hipótese, entenda-se, tem toda a probabilidade de ser o gajo que se esconde atrás do dito facinora Miguel Abrantes!É jornalista e foi/é assessor!

Pensando ter dado um contributo decisivo para pensar como salvar a Pátria ...agora só falta mesmo é salvá-la!Mas hoje não me calha tamanha tarefa! Talvez amanhã...


Com o sentimento do dever pátrio cumprido e sustentando que, nesta linha botabaixista,estamos a caminho do V Império, estamos a vislumbrar o futuro radioso e os amanhãs que cantam (admite-se a possibilidade de virem a desafinar...), me subscrevo com os protestos (ou sem...) da minha mais elevada preocupação pelo estado de sitio em que se encontra a blogoesfera,

José Albergaria

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

O mundo novo da blogoesfera...


Por estes dias, meses, quiçá anos, a blogoesfera ganhou uma dimensão, uma qualidade e uma efervescência que condiciona costumes, pensamentos, comportamentos e ainda agendas...culturais, políticas, informativas e opinativas.


Ultimamente, além da nossa, modesta, política portuguesa e aquela que é suposta estar sedeada no Governo, vidé Sócrates (Lei do tabaco, reformas na saúde e no ensino, remodelação governamental...), temos as Primárias nos USA (sobre as quais os bloguistas recorrem, profusamente, a textos e imagens oriundas, no original, dos USA, sem legendas nem dobragem...), temos as efemérides (regícidio, Vieira e etc...), temos o folhetim Carvalho da Silva (fica, ou não fica à frente da CGTP) e, nos últimos dias tivemos o folhetim da "censura" do Expresso em relação a um texto indigente duma presunta colaboradora daquele Semanário - que ninguém conhece.


Em tudo isto vemos emergir, como lama viscosa que se nos cola ao corpo, de modo impressivo, a nossa "alma" nacional, os nossos mitemas, os nossos traumas, as nossas misérias, os nossos sonhos, os "fumos das Indias", o sebastianismo, o Vº Império e quejandos.


Creio que, nestes tempos de desconcerto, faz sentido recuperar o "emblema" do Abrupto do JPP, roubado ao Sá de Miranda "... M'espanto às vezes, outras m'avergonho...".


Releia-se "As Farpas" e percebemos que o patriotismo criticista dos de 70 vale, hoje, o que valia naqueles idos finiseculares (talvez até mais, com a inflação!...): releiam e, depois, ponderem onde estamos como Povo, como comunidade!...


Jorge de Sena (hoje, um mal amado, mas de obrigatória e sã leitura) disse uma coisa espantosa, daquelas mesmo de espantar!:"Camões soube transformar em obra d'arte o povo mais anárquico do mundo...".


Do Padre Vieira, dizem os comentadores encartados que foi um enorme cultor da nossa lingua ( e do latinório, já agora que aqui estamos), que foi travesso, que brigou nos brasís contra a Santa Inquisição e mais blá, blá e blá...Mas Vieira era, também, Jesuita (Companhia que foi inventada para dar combate à Reforma de Martinho Lutero e para demandar os Orientes civilizados, e nasceu na nossa muito amada Espanha/Castela...), e era mestiço, e era cultor duma certa "doudice".
Esta nossa mania de só dizer bem - dos defuntos! Este nosso jeito de pintar os defuntos às cores e, os vivos, sempre a P&B!


Disse Vieira: "Todos os que na matéria de Portugal se guiaram pelo discurso erraram e se perderam". Guilherme d'Oliveira Martins disse de Vieira (fora deste afã festeiro..):"A força argumentativa da razão (que tão bem cultivou) havia de se alcançar «com mistura de doudice»."


Alguém disse (creio que é um aforismo popular):"Depois de mim virá quem bem de mim dirá".


Nós, portugueses (dum modo geral...), temos um jeito muito peculiar para a intriga, para o maldizer, para a opinião gratuita (sem sustentação, nem argumentário, nem competência, nem informação que nos valha...)- só porque nos apetece, para cavalgarmos a onda,para, como a gaivota, apontarmos, sempre, para onde sopram os ventos.


Os anarquistas espanhóis, creio que ao tempo da República, nos anos 30 do século passado, tinham um dito, que era todo um programa: "Hay gobierno, soy contra!"


Neste dito, a nossa costela anarquista aí poderia estar plasmada.


Somos, todos,assim? Em demanda do Messias, à espera de D. Sebastião, maldizentes, invejosos, vaidosos, incompetentes,videirinhos, malandros, intriguistas,desconcertantes...Claro que não.


Há notáveis vultos, de antanho e coevos que tinham/têm um outro olhar sobre Portugal e os portugueses: D. Dinis, o Infante D.Pedro (filho de D.João I. Releiam a sua espantosa carta de Bruges...), D.João II, Afonso de Albuquerque, Damião de Góis, o Marquês de Pombal, Almeida Garrett, Alexandre Herculano,D. Pedro V, Oliveira Martins (quase toda a geração de 70)e, mais recentemente, José Mattoso e Eduardo Lourenço.


Na ciência e na tecnologia actuais, temos gigantes (Sobrinho Simões, Professor Quintanilha, Lobo Antunes, Casal Damásio, etc). Temos quase 50 investigadores no CERN, na Suiça. Tesmo tecnologia NOSSA nas aeronaves da NASA e no Programa GPS/Galileu da UE...


Muitos mais NOMES poderia listar, mas estes, poucos, servem só para ilustrar a minha "intenção"...


Estamos bem, como País?

Estamos mal, como Povo?


Depende, do que colocarmos antes, como pressupostos, destas perguntas.


Estamos melhor que no tempo de Salazar? Estamos melhor do que antes de termos aderido à CEE?


Sem sombra de dúvidas e em todos os itenes que utilizarmos. Então, ele há um que é mesmo um absoluto: a Liberdade! Eu sou daqueles que não discuto, nem negoceio, este Bem impressivo, inquestionável e de valor inestimável!


Estamos numa curva apertada do nosso devir como Povo e como Nação? Claro que sim.


O que se está a fazer, em nosso nome, está bem feito? Não sei.


O futuro (uma vez mais, o futuro...) no-lo dirá. A história nos há-de julgar (não só aos governantes,aos actores principais...)a TODOS.


Nestes tempos, em que o principio da incerteza, por todas as razões (e mais uma, que não estamos a ter em conta...)domina todos os tabuleiros - da política até às belas-artes, sustento e defendo com genuina crença - que há razões para ter confiança e acreditarmos que, "amanhã" o mundo poderá ser melhor.


Esta crença, paraliza-me?

Nem um pouco.

Dá-me, outrossim, o ensejo e a vontade de ir a contra-corrente, de não me deixar enredar em sonhos por cumprir, ou em projectos oportunistas, ou em derivas de enriquecimento fácil, ou em carreiras políticas ou de poder, sempre coisa éfemera, para justificar escolhas de passado mal feitas, derrotadas ou mal avaliadas.


Hoje, agora mesmo, quero tentar entender, quero saber,quero experimentar compreender, sem preconceitos, sem vendas para...para, singela ambição, SER MELHOR COMO HOMEM, e em cada dia que passa.


Quero procurar a VERDADE, em qualquer situação (coisa pequena!...) e a luz que ilumina e nos guia pelos trilhos da Humanidade.


José Albergaria


quinta-feira, outubro 04, 2007

Para a ex-Birmânia com amor....


Hoje acordei ao "som" metálico emitido há 50 anos pelo Sputnik, enviado pelas autoridades espaciais soviéticas , da ex-URSS, para a Lua, assinalando então, uma vitória tremenda destes sobre os USA.


Dizem-me que a emergência da Internet, sistema multipolar de envio e recepção de informação, terá sido "inventado" e agilizado pelos USA, como resposta a esta enorme vitória soviética!


Hoje estámos perante um feito notável da Humanidade,histórico, impressivo, que permitio aos astronautas americanos, anos mais tarde, quando alunaram, afirmarem: "Um pequeno passo para o homem, um imenso passo para a Humanidade!".


Pois, deveria ser neste terreno que as humanas criaturas se deveriam situar, trabalhar, procurar, descobrir e, sobretudo, cooperar! Infelizmente assim não é.


O que quero deixar, hoje, aqui, neste modestisssimo blog é uma mensagem, não tão importante quanto aquele som metálico da Sputnik, mas ainda assim merecedor de ser ouvido e em direcção ao povo da ex-Birmânia (Myanamar...parece que é assim que se escreve....), de desejos de Paz, de democracia, de direitos humanos plenos e do fim da ditadura sanguinária, militar e desumana.


Quero ainda desejar que a resposta internacional se mantenha activa e fulgurante, mas que bata onde é fundamental que ocorra: nas autoridades chinesas, que sustentam há décadas este regime inominável, medieval, que carrega milhares de assassinatos, torturas inenarráveis e sem pinga de vergonha!


Que as nossa "preces" bloguistas se cumpra, nesta data fantástica para a Humanidade!


José Albergaria

sexta-feira, setembro 28, 2007

versilibrismo versus surrealismo

Cruzeiro,
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.

Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.

Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Canto do signo »,
Mínima figura,
Zero Moldura.

Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.

Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em ceira d’ameixas.

José Albergaria


quinta-feira, maio 17, 2007

Le metier de vivre

O velho e sábio Césare Pavese sustentava que a vida devia ser considerada como uma profissão e para a qual era urgente e necessário carrear enormes competências!

Cada vez mais corroboro essa acepção!

A vida é mesmo muito dificil de viver. É mérito dela? É incompetência minha? Provavelmente, será uma e outra coisa.

Contudo há situações perante as quais não me conformo.

Os meus amigos, os meus fraternos companheiros, alguns deles, não valorizam a substância das iniciativas, das posições e preferem ajuizar e valorar o modo, o tempo em que elas se desenrolam. E isto, porquê?...

A "alma" dos homens é deveras desconcertante. As motivações dos homens é algo de particularmente "sinuoso".

O que é que nos faz correr, a cada um de nós, no tempo que nos foi dado viver? Às vezes corremos atrás de sombras, de miragens, de coisas virtuais, de poderes enixestitentes, de vaidades, de "panache"!

Por vezes sinto-me desvalido e em desconcerto perante estas situações .

Contudo, começo a vislumbrar uma luz para estas singulares situações.

Hoje estou mais exigente, comigo e, por mor disso, com os outros.

Ele houve tempos em que tanto me fazia.

Hoje, sendo mais tolerante e humilde, tornei-me mais sagaz e arguto na apreciação das situações e dos homens.

Isto é bom, ou é mau? Nem uma coisa, nem outra.

A vida é como ela se dispõe e não como nós sonhámos.

O que me parece necessário, urgente mesmo, é retirar, com prudência e alguma mestria, as devidas ilações e conclusões daquilo que vou vivenciando.

Ele há pessoas que não nos merecem (não na direcção pesporrente ou vaidosa que pode sugerir esta formulação) no sentido que são pura perda de tempo e não nos acrescentam nada, nem como homens, nem como cidadãos, nem como seres munidos de inteligência e sensibilidade.

Le metier de vivre é deveras exigente e não aceita férias ou dispensa: é para ser vivido às mãos cheias e com imensa alegria!


Albergaria

terça-feira, abril 03, 2007

Lluis Argemí d'Abadal (1945-2007)


Catedrático do Departament d’Història i Institucions Econòmiques de la Universitat de Barcelona, Lluis Argemí foi um dos maiores especialistas de História do Pensamento Económico das Universidades catalã e espanhola. Homem de elevada coerência cívica e intelectual, era um democrata, movido por profundas concepções solidárias e fraternas. Ingressou no PSUC, nos anos 70, resistindo à ditadura na clandestinidade.
Com Ernest Lluch, já falecido, publicou, em 1985, o livro Agronomía y Fisiocracia en España, obra de referência da história do pensamento económico espanhol. Posteriormente, daria à estampa Agricultura e Ilustración, em 1988, e La revolución agrícola, em 1993, obras que o consagrariam como um académico de invulgar qualidade. Colaborou em várias revistas científicas, de que se destacam a History of Political Economy e a Économies et Societés.
Companheiro inseparável de Ernest Lluch, que viria a morrer assassinado pela ETA, em 2000, viria a publicar com este autor um conjunto notável de textos abordando a difusão na Europa, na Espanha e na Catalunha do pensamento fisiovrático, da Ilustração, do Enciclopedismo, do industrialismo e do Krausismo.
Para ele o trabalho científico tinha necessariamente uma dimensão universal, o que o levava a partilhar as suas informações com os seus pares e discípulos. Leitor compulsivo, analisava ao detalhe os textos que lhe entregavam, não se coibindo de os criticar, sempre com um sentido pedagógico, fraterno e formativo.
Esperava que ele pudesse vir a integrar o júri das minhas provas de doutoramento. Infelizmente um tumor cerebral, impediu-me de concretizar este desejo.
Até sempre, Lluis
Alcino Pedrosa

sexta-feira, março 23, 2007

Ainda a "velha" senhora: A Amizade!


Esta senhora, de quando em vez, tropeça, ensarilha-se, enrola-se e, por vezes, coloca-nos embaraços quase metafisicos.


Isto vem a pretexto de situações,que ocorrem, quando menos esperámos e que são, por surpreendentes - deveras singulares.


Dum modo geral, os meus amigos pautam-se por um muito razoável despojamento em relação aos bens materiais, uma serenidade de "velhos" sábios quando às grandezas e misérias das humanas gentes, uma relativização absoluta quanto a variabilidade das "verdades" e, sobretudo um enorme apaziguamento quanto às CAUSAS DOS POVOS!


Têm,contudo, um outro enorme "defeito": já não cultuam vaidades pessoais, nem fisicas nem intelectuais.


Ora isto é verdade para quase todos eles, mas, de quando em vez, lá tropeçámos NUM que descarrila, que se deixa adormecer nos braços da vaidade e de algum quase adormecimento intelectual.


A pretexto de quê? Vá-se lá saber!...


Outro dia recebemos, tivemos entre nós, um notável "velho", dum imenso saber e de um despojamento duma vida inteira: o Edmundo Pedro.


Sempre que a sua consciência lho ditava, lá deixava tudo para trás: mulher, filhas, emprego, negócio, o que fosse.


Esta "destemperança" pagou-a, não raras vezes, no tempo do fascismo, com a prisão, com a tortura, com a perda da liberdade, da sua liberdade.


O convivio que com ele tivemos, na tertúlia de geometria variável, foi de mor satisfação: pessoas reencontraram-se, afectos andaram no ar, memórias alegres e bisonhas cruzaram-se para alegrarem a "velha" senhora, a Amizade!


É por estas coisas aconteceram que, cada vez mais, insistentemente, acredito no VALOR absoluto da AMIZADE e dos AMIGOS que, como mo disse um, recentemente: "Os amigos são como as árvores: se andarmos em torno duma árvore, ela encará-nos sempre de frente. Tal e qual os amigos e a amizade".


Albergaria

quinta-feira, março 01, 2007

Pequenina crónica de tempos revoltos


Há momentos em que nos assalta um sentimento estranho de perplexidade, de estupefacção, de perturbação, face a comportamentos, a silêncios, a atitudes, a actos, a acções e/ou omissões, aparentes ou reais, a situações difusas, mal percebidas, apenas entreabertas ou claramente perceptíveis.


Isto vem a propósito duma experiência recente, vivida entre amigos, construtores numa mesma "fraternitas".


Uma decisão, insuficientemente explicada e explicitada, provocou-me uma imensa vontade, necessidade e urgência de provocar uma ruptura, não só epistemológica, mas consistente, substantiva, funcional e, porventura, sem eu me dar conta de tal, até organizacional.


Isto foi construido, por mim, a partir dum certo ângulo de visão, numa perspectiva racional, assente em pressupostos quase inabaláveis e desenvolvido com uma lógica interna coesa, irreductível e quse inatacável.


Mas, e os "mas", no processo histórico, são, de quando em vez,decisivos e determinantes, olvidei-me da dimensão dos "afectos" que incorporam, SEMPRE, as "fraternitas". Erro grosseiro e sem remédio.


Os afectos, os de sinal positivo e os outros, de sinal contrário, quase que submergiram, por completo, a iniciativa "oposicionista".


Lição n.º 1

Nunca, nas "fraternitas" se deve olvidar os afectos, o calor dos sentimentos e a sua eficiência nas dinâmicas grupais;

Lição n.º 2

Nunca devemos assumir "absolutos". A nossa "verdade" nunca deve ser confundidda com a VERDADE.

Lição n.º 3

A humildade nunca fez mal a ninguém, nem à saúde, nem à psique.

Lição n.º4

Deve-se SEMPRE considerar e ter em conta as lições n.ºs 1, 2 e 3.


Contudo, mesmo quando, por impossibilidade material e espiritual, não detemos, nem TODA a verdade, nem a VERDADE, sabe MUITO bem tropeçármos na AMIZADE dos amigos!


Albergaria




quinta-feira, janeiro 25, 2007

há dias

Há dias em que apetece
anoitecer mais cedo
por recear o brilho
dos olhos dos gatos.

Há dias em que não apetece morrer
de tão cansados da vida
que até nem importa viver.

Há dias sem um sorriso
apenas o mudo sinal da pedra
em que te recolhes
como gota de névoa
em manhã de montanha.

Há dias sem palavras contadas
com rosas de murmúrios
nos lábios feridos
com luzes e lumes
e fogos fátuos
aquecendo a nudez do teu corpo
na cama branca
dos silêncis mais antigos.

Há dias de vozes estranhas
envoltas no musgo do mal.

Mas há aquele sorriso que liberta
a criança presa no sótão da memória.

E então não há deuses nem palavras~
de soar longo
que nos prendam as mãos brtancas
e nos confundam os caminhos
que serenos não soubemos encontrar.

Pedro Castelhano

Reflexões destemperadas

*Já fui o maior do Mundo porque não sabia que o mundo era tão pequeno

#Já fui o maior ridículo porque pensava que as pessoas me levavam a sério

#Já fui jovem quando ainda não sabia que estava a envelhecer.

*Já tive amigos que se perderam porque se enganaram nos caminhos da amizade

*Quando toca um piano lembro-me sempre do sino da minha aldeia. Nunca ouvi o sino da minha aldeia. Mas lembro-me. Um dia quando não ouvir o piano, hei-de ouvir o sino da minha aldeia.

*Quando alguém morrer fico à porta do cemitério sempre na esperança de ser o último a entrar.

*Não há palavras para tanto sofrimento quando há tanto sofrimento sem palavras.

*Se os deuses soubessem o que se passa entre os humanos, não seriam deuses mas também não
quereriam ser humanos.

*Soldado de Esparta vai dizer aos teus chefes que o Continente já abriu. Perdeste a guerra.

*Um adjectivo agrediu um substantivo. A TLBS está a dirimir há tanto tempo o combate que tudo vai acabar num advérbio de modo.

*Não há nada como um assobio quando um surdo-mudo tenta desvendar os nossos lábios.

Pedro Castelhano em hora de pecado sem castigo.

domingo, janeiro 21, 2007

As Memórias de Edmundo Pedros



Edmundo Pedro, homem de elevada coerência cívica e intelectual, com uma vida inteira dedicada à luta pela liberdade e democracia, apresentou, dia 18 de Janeiro, o primeiro volume do seu seu livro de memórias "Um Combate pela Liberdade". Obra de referência para todos os que se interessam pela história contemporânea portuguesa, este livro vale também pelo exemplo de vida, que constitui a biografia do seu autor.
Preso pelo regime Salazarista quando tinha apenas 17 anos, foi deportado para o Tarrafal, juntamente com o seu pai . Ainda tentou, por várias vezes, fugir da prisão mas nunca conseguiu, só abandonando o campo de concentração, com o fim da II Grande Guerra, na sequência da amnistia de 1945. Regressou a Portugal com 27 anos, minado pela tuberculose, mas a sua vontade de lutar contra o Estado Novo não esmoreceu.
Participou nas revoltas de 1959 e do quartel de Beja, na sequência da qual foi preso e condenado a três anos e oito meses de prisão. Já, depois do 25 de Abril, desempenhou um papel importante na defesa da democracia, tendo sido a ele que, em nome do PS, o general Ramalho Eanes mandou entregar um lote de armas para defender as sedes do partido que estavam a ser alvo dos ataques da esquerda radical . A história não terminaria aí, valendo posteriormente a Edmundo algumas agruras e injustiças, que ele não mereceia. Hoje, tal como nesses tempos, Edmundo prefere manter o silêncio, que, np entanto, não esconde as mágoas que ainda sente: " o mal que me fizeram não tem remédio”, relembra amíude.
Não pude estar presente, por motivos profissionais, no lançamento do livro. Orgulho-me que ele o tenha feito. E mais do que isso, orgulho-me de ser Amigo deste Homem, que considero (e me considera) Irmão
Alcino Pedrosa

terça-feira, janeiro 16, 2007

Armando de Castro (1918-199)


Por aqui se tem falado de obras de referência. Aproveito o mote para falar de autores referência. Homens exemplares, paradigma de um modelo de cidadania, que ultrapassa em muito os constrangimentos políticos e ideológicos. Armando de Castro: anti-fascista, democrata, académico notável, investigador de créditos firmados; cidadão do mundo; exemplo de tolerância. Atributos que não são excessivos para qualificar este militante do PCP, que se assumiu como um homem de elevada coerência cívica e intelectual.
Na Universidade obteve uma formação histórica e jurídica e aprendeu a reflectir criticamente sobre a sociedade e o conhecimento. Estas linhas de rumo marcaram todo o seu percurso de cidadão e de cientista. Não teve outro objectivo, na sua investigação, que não fosse partilhar o seu saber, os resultados das suas investigações e as conclusões a que chegava.
Os seus trabalhos mais notáveis desdobram-se por três áreas científicas: a História, sobretudo a História Económica, a Economia Política e a Gnoseologia e Epistemologia.
Na história, ainda hoje constituem referência obrigatória a mais de uma dezena de volumes em que sistematizous os séculos XII a XV, bem como muitos outros trabalhos sobre o período restante, com particular destaque para os séculos XIX e XX, deixando em aberto o sonho de fazer uma história económica Portugal.
Na Economia Política, trabalhou alguns dos temas mais árduos dos seus fundamentos teóricos, tendo sido um dos pioneiros em Portugal no tratamento sistemático da teoria do valor, marcando, além do mais, uma época com os seus estudos sobre a inflação.
A Epistemologia, entendida como ciência do conhecimento científico, esteve sempre presente nos seus trabalhos de investigação. Ao fazer a história da Idade Média interroga-se sobre os rumos da investigação a fazer; ao estudar o fundamentos da Economia Política encontra as mesmas problemáticas. Em todos estes caminhos sempre esteve a par do que em Portugal e no Mundo se fazia sobre as problemáticas em que trabalhava, estando sempre aberto ao novo. Ou não tivesse sido Ele um cidadão com uma dimensão Universal

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Em louvor do Rogério Rodrigues


"Gibbon


Se há livro de cabeceira - porque, em muitos sítios já não há cabeceira, nem mesinha-de-cabeceira - que me acompanha e que leio e releio ao acaso, sempre com enorme prazer, é a obra de Gibbon Declínio e Queda do Império Romano.

Há neste livro, obra magna de um académico e parlamentar inglês do século XVII (eu creio que é XVIII, mas...), uma escrita sobre a história, as suas personalidades e ventos, tão diferente no que se vê e considera importante que o livro imediatamente - à primeira frase - me retira com proveito do século XX. Flutuando por uma das escritas mais fascinantes da lingua inglesa, transportando-me para a história, ou seja, para o que não é do meu tempo. Há nas suas personagens - porque não se trata verdadeiramente de um livro de história, mas de um livro sobre o teatro da humanidade - uma dignidade antiga, que pode ser o teatro da humanidade -, uma dignidade antiga, que pode ser de todos os tempos, menos do nosso. Nós sabemos que é mais feita de ficção do que de realidade, porque também sabemos como já para o olhar de Gibbon também tudo aquilo pareciam «antiguidades».
É verdade que Gibbon estava no século XVIII (cá está, o século correcto...)a falar sobre os «Romanos», ou seja, sobre cerca de dois mil anos de história ocidental, e a nossa cabeça actualmente vive em 30 ou 40, e a nossa cultura mediática vive quanto muito ao ano, quando não é à semana. É verdade que, escrevendo essencialmente sobre o período do «declínio», Gibbon fala dos últimos mais de míl anos que vão dos Antoninos à queda de Bizâncio.
Mas já repararam que, habituados que estamos à precaridade do nosso tempo e à sua rapidez, é muito tempo? Que ainda havia «romanos», que por acaso eram gregos, quando se iniciaram os Descobrimentos? E que só passaram seiscentos anos - quase nada - desde que Constantino Paleólogo participou na última missa na Catedral de Santa Sofia, um ou dois dias antes de se tornar mesquita e ele desaparecer para sempre, talvez adormecido numa das muralhas da cidade? E já repararam que menos tempo nos separa da entrada triunfante de Maomé II - de quem Gibbon diz que, para além do turco, falava árabe, persa, caldeu, latim e grego - na cidade de Constantino do que os mil anos que tinham passado desde que os bárbaros entraram em Roma?
Em muitas páginas do Declínio e Queda, a nostalgia pelo passado, não com saudade - porque Gibbon sabia que esse passado era pior do que o seu presente -, mas como meditação sobre o tempo, é o principal pano de fundo onde se movem as personae. Mas o tempo, ou a história, se se quiser, é o principal actor quando Gibbon relata um diálogo ocorrido, no século XV, entre o «douto Poggio» e um amigo, dois romanos modernos, membros da cúria papal, que sobem ao monte Capitolino e contemplam as «ruínas de Roma». No meio do matagal estavam as velhas glórias de Roma, cobertas de vinhas, cercadas por quintais, já parcialmente integradas em construções modernas, para que as sólidas pedras de mármore eram roubadas. Porcos e bois passeavam no Fórum e o lixo cobria os bancos dos senadores. O tempo também a eles pregava partidas: tinham já passado mais de novecentos anos desde a «queda», e eles olhavam o fim do império com maior distância do que a que hoje nos separa deles.

O tempo é enganador quando ultrapassa as nossas vidas, e prega-nos partidas na memória. E nos tempos de «queda» ainda é mais enganador, misturando vencidos e vencedores, locais e batalhas, gente do seu tempo e anacronismos. Gente perdida pelo declínio, fora da sua terra e do seu tempo, resistindo a uma história impiedosa, como essas mulheres bizantinas, parentes da melhor nobreza imperial, vagamente recolhidas nos conventos quando escapavam de ir parar a algum hárem, tentando publicar livros em grego, manter a sua fé ortodoxa, salvar as relíquias de uma opulência passada, quando não resgatar os filhos e parentes, reféns do sultão ou de qualquer potentado menor da Sérvia ou na Trebizonda.
No Declínio e Queda são o tempo e a dignitas que me atraem, a maneira nobre e desprendida, com todas as qualidades, defeitos e paixões, como esses homens feitos em pó, sepultados não se sabe onde, passearam o seu amor pelos homens, pela história, pelas letras, pela lei, pelo vinho, pelas mulheres, pelos rapazes, pela música, ou mais comummente pela crueldade. Porque aqui a dignitas é também o tempo, porque a gente percebe logo que se trata de virtudes dos «antigos», que também já não há hoje, porque todos os tempos, menos o nosso, são clássicos. E era certamente o que Gibbon também desejava: em plenas luzes, descreveu uma história com demasiadas trevas, as do tempo que já passou."

Notabilissimo texto de José Pacheco Pereira, retirado sem autorização, mas com a devida vénia, de "Desesperada Esperança e outros textos", dado à estampa pela notícias editorial, no ano de 1999.

Em louvor do Rogério Rodrigues?...porque sei, de fonte segurissima, que aquele livro, o do Gibbon é também um dos seus livros de cabeceira.

Este post é uma espécie de prenda de ano novo para o
Rogério, com a suave esperança de:

1- O poder ler amiúde, na versão Pedro Castelhano ou na do próprio, neste Blog, que lhe deve o nome;

2- Que, um dia, me possa também assumir como leitor apaixonado, dleitado e agradecido da «Queda».

Albergaria

quinta-feira, novembro 30, 2006

O teatro do mundo


Hoje, pela tarde velada
uma mulher, velha
foi cremada.


Há pouco, poucochinho,
nasceu um menino.
Os pais, premunidos
nomeram-no "Salvador"!


Desígnios (in)sensatos
carregam os nomes!


O poeta dixit:
-"Morrer é só deixar de ser visto."


Tempestiva exactidão
encerrou o poeta
nesta humana asserção!


A mulher cremada
que se foi
não mais será vista.


O "neno"
o nasciturno
será mostrado
redentor da humana espécie!


E assim figurámos
na morte
e no nascer,
o teatro do mundo
e da Humanidade!


Albergaria

terça-feira, novembro 28, 2006

Hoje apeteceu-me!


"Canto as armas e o varão que nos primórdios veio das costas de Tróia para Itália e para as praias de Lavínio, fugitivo por força do destino, e muito padeceu na terra e no mar por violência dos deuses supernos, devido ao ressentimento da cruel Juno; muito também sofreu na guerra, até fundar uma cidade e introduzir os deuses no Lácio; daqui provêm a raça Latina, os antepassados albanos e as muralhas da grandiosa Roma."

E já está. Assim começa a aventura de Eneias, em debandada de Tróia, escapando aos ditames da Guerra e aos percalços da viagem...

No tempo do Imperador Octávio Augusto, um notabilissimo poeta, Virgilio, decide "construir" (ao modo futuro de Camões para a epopeia maritima de quinhentos)uma poema para narrar o nascimento de Roma, a imperial, a bela, a sumptuosa, a imensa e, depois, a decadente.

Os mitos fundadores são persistentes e, quando contados à maneira de Homero, vivem eternamente e permitem recordar, por milénios, a memória do heróis, dos pusilânimes, dos eruditos, dos poetas, dos filósofos, dos deuses e da galeria mitológica persitentes.

Hoje, num tempo voraz, veloz,onde se consome TUDO e tudo é descartável, que conforto e que apaziguamento encontrámos nestas imorredouras ´páginas de Virgilio: voltem em elas, às de Homero tambem e às de Cicero, e porque não às de Ovidio e ao sentencioso Horácio.

Não vos pareça pretensão descabelada esta diatribe literária, mas sabe tão bem voltar às fontes primordiais!

Albergaria

quarta-feira, novembro 08, 2006

Que bom ler o amigos!


Gostei desse grito: salvem o blog. Ou, citando:"não deixem morrer o blog".

É verdade que, todos os dias, nascem e morrem blog's.

É exacto que campeia, hoje em dia, uma discussão brava sobre o espaço da blogoesfera: é um espaço de cidadania activa?...é um território de democracia directa?...é um terreno pantanoso, onde impera a irresponsabilidade, a sordidez do anonimato, a ininputabilidade dos cobardes?...

Eu creio que é tudo isto - e ao mesmo tempo.

Contudo, pelos nossos blog's posso eu discorrer, a nossa experiência bloguista é um pedaço mais do que tudo aquilo que referi.

Nós cultivámos aquele espirito de meados do século passado, a tertúlia de café, de bairro, de rua, de prédio,literária, política, cultural e cultual. O blog permite-nos, quando o queremos, manter a tertúlia viva, refrescada e quase on-line.

Permite-nos ainda partilhar gostos e desgostos, opiniões e palpites, preconceitos e ingenuidades, generosidades e alguma maldicência e cultuar o saber, o fino trato, a elegância da frase e do poema...e do chiste!

Assim tem sido e assim há-de continuar a ser, por muito tempo!

Eu tenho-o assumido pelo gosto da amizade fraterna, pelas cumplicidades literárias e do saber e, sobretudo pelo sabor da escrita e, ainda e também, pelo prazer de me ver "publicado"! É um pequenissimo prazer, mas saborei-o, sempre, com mor deleite.

Por aqui me quedo, com o firme propósito de continuar a escrever nesta casa que é nossa e, não por acaso, se nomeia Aqueduto Livre!

Albergaria

terça-feira, novembro 07, 2006

para reflectir:o desemprego da população juvenil


Em todo o mundo, 300 milhões de jovens vivem abaixo do limiar de pobreza
Um em cada quatro jovens em todo o mundo, cerca de 300 milhões de pessoas, vive abaixo do limiar da pobreza, segundo um relatório da Organização Internacional de Trabalho. O número de jovens entre 15 e 24 anos que estão desempregados aumentou de 74 milhões, em 1995, para 85 milhões, no ano passado, o que representa um crescimento de 14,8 por cento. Segundo a OIT, as taxas de desemprego nos jovens são apenas a ponta do iceberg dos problemas que os jovens enfrentam no mercado laboral e não oferecem uma imagem completa dos desafios por enfrentar. A população juvenil cresceu 13,2 por cento entre 1995 e 2005, enquanto a disponibilidade de empregos para este segmento da população só registou um crescimento de 3,8 por cento. Como consequência, os jovens desempregados representam 44 por cento do total de desempregados no mundo.
O documento regista também "um preocupante" aumento no número de jovens que não trabalha nem estuda. Na verdade, o acesso à educação continua a ser um problema para muitos jovens e o analfabetismo ainda é um desafio importante em muitos países em desenvolvimento.

AP

PS. NÃO DEIXEM MORRER O BLOG

Aqueduto Livre

Aqueduto Livre

quarta-feira, outubro 04, 2006

Ainda e sempre...a RELIGIÂO!


Em veneração a José Leite de Vasconcelos e como modo de intervir neste necessário diálogo e urgente aliança entre civilizações, mas também nesta "disputa" entre religiões, deixo-vos aqui uma notável transcrição do livro, daquele autor, "Religiões da Lusitânia":

"Ninguém duvida que, no viver de um povo, um dos elementos mais importantes é a religião.

Domina os actos mais simples, como os mais complicados; tanto leva ao heroísmo como ao aviltamento; por ela se luta, e por ela se morre.

Limitada ao que nela há de poético, é como um luar que alumia a consciência dos crentes, e os mantém em paz; transformada em fanatismo, origina todos os horrores, e infunde aos que a abraçam instintos de feras.

Medianeira entre o natural e o sobrenatural, produz nos homens uma espécie de abstração da realidade, em que eles, pelo misticismo, se tornam loucos, ou se julgam inspirados.

Quantos bens podem atribuir-se à religião!

Quantos males a não têm por causa!"

Fim de citação.

Albergaria

terça-feira, outubro 03, 2006

Se um Arsenal incomoda...dois arsenalistas!?...

É com um misto de ternura e de algum egoismo clubístico que me lanço nesta "brincadeira".

Agora o que é de "espantação", mesmo de ficarmos boquiabertos: 2 derrotas seguidas do fequepê, e logo de dois arsenalistas...não passaria pela cabeça do mais do empedernido benfiquista.

Mas aquilo que é (que foi) tem muita força e não há volta a dar!

Aos portistas, convictos e menos militantes, desejo bons resultados europeus e...menos bons nas lides nacionais.


Albergaria

sexta-feira, setembro 22, 2006

O Fernando Carneiro, desta vez, PASSOU-SE...completamente!


Eu, porventura, deverei ser o mais recente amigo do Fernando.

Talvez seja o que em menos boas condições estarei para dele falar.

Não é esse o exercício que me proponho.

Quero antes "exorcizar" o facto de nunca mais poder ver o Fernando e ouvi-lo, tremendista, zurzir nos que andavam mal na Maçonaria.

O Rogério trouxe-o (assim como ao Grego e ao Bandarra) à nossa tertúlia Mapriliana, ainda.

O pouco convivio que com ele tive bastou para perceber duas coisas fundamentais:

A-Que ele gostava de mim e que me honrou com a sua amizade;
B-Que eu muito gostei dele.

O Fernando tinha características que o fizeram único no seu vivenciar e que eu cedo me apercebi:

1- Era um homem de enorme carácter e mau feitio;
2- Sempre, amigo de seu amigo;
3- Sem vaidades mundanas e dum despojamento total;
4- Duma enorme coragem fisica, associada, sempre, a uma moral impoluta;
5- Duma honradez e probidade únicas;
6- Duma lealdade que roçava a perfeição;
7- Tremendista e de constantes rupturas...;
8- Duma fraternidade perfeita, sempre praticada, na perspectiva que o António Arnaut sublinhava: "Fraternidade é a solidariedade com amor!"

Guardo dele a memória duma aura de tranquilidade,de alegria primaveril e de preocupação com a "casa", como ele dizia do Palácio do Grémio Lusitano.

O Rogério, uma vez mais, levou-me, de surpresa, a almoçar com o Fernando. Fomos a uma esplanada, ali para Belèm. Comemos sardinhas e bebemos um belo tinto. O Fernado ainda bebeu um Whisk. Era Abril e os pólens andavam em desatino, o que nos fazia espirrar em ridiculo frenesim!

Fui sabendo dele, do seu fenecimento fisico, mas sempre preocupado com a "casa".

As noticias que o Rogério nos trazia - anunciavam o desfecho que ocorreu a 16 de Setembro de 2006: o Fernando iniciava o caminho para o Oriente Eterno,lugar onde a luz nunca esmorece!

Para nós, maçons, acreditámos que o Fernando começou um novo caminho, caminhando em direcção ao absoluto, através duma heuristica perfeita que permite a descoberta da verdade absoluta, da palavra perdida,do Santo Graal da Humanidade.

Desta vez, o Fernando PASSOU-SE completamente.

Como disse o Fernando Pessoa "morrer é só deixar de ser visto".

Nunca mais veremos o Fernando Carneiro, mas pelas recentes experiências, o Fernando merece estar SEMPRE entre nós. Terça-feira, no Porcalho, lá esteve ele na tertúlia amadorense. Soube que o viram, quinta-feira passada, na tertúlia moçambicana, na Tia Matilde...

Os homens, como o Fernando Carneiro,não morrem, não se esquecem...são perenes...como a Maçonaria a quem ele tanto venerou e a quem ele tanto deu (sem nunca nada dela requisitar...).

Lá, no Oriente Eterno onde, de certeza, já te recompuzestes do cansaço que, recentemente, te abalou já participas em animadas discussões...espero que bebas uns quantos copos à saúde dos teus amigos, nos quais modestamente me incluo.

Bem hajas, meu Ir:.pelo que contigo aprendi e pela amizade com que me honrástes.

Um triplo abraço fraterno,

Albergaria

quarta-feira, setembro 13, 2006

A morte do Senhor MAPRIL

Por um dia de Verão, de um qualquer ano passado, deambulavámos, eu e o António, em demanda dum lugar para refeiçoar.

Tropeçamos, nesta demanda, numa cave esconsa, aonde se acedia por escada vetusta. O lugar era meio lúgubre, semeado de mesas, dalguns armários, de balcão antigo e uma Registadora saída da década de sessenta do Século XX.

Amesendamo-nos e, no tempo dum ai, prantou-se, garboso, ao nosso lado, sujeito um pedaço untuoso (mais gordo de carnes, de andar cansado, arrastado...), propondo-nos uma suculenta ementa. Comemos, bebemos, gostámos e voltámos...um sem fim de vezes.

Entretanto, construimos uma tertúlia, de geometria variável, com um núcleo duro, mas ao qual se vieram, ao longo das semanas, acrescentando gente de imensa qualidade intelectual e, alguns, poucos, de enorme humanidade (de muito carácter e de moral impoluta).

O dia da refrega era às quartas-feiras (isto antes do nosso praeclaro edil se comprometer com a cidade e reunir nesse dia - quase em todas as semanas), passando, depois, para as terças-feiras.

Desta tertúlia resultaram muitas e importantes coisas. Virou mesmo Blog - o qual foi crismado de Sr. MAPRIL, em honra do dono daquele lugar de amesendação requintada e de comeres e beberes de muita qualidade.

Ao longo dos tempos fomo-nos afeiçoando ao Senhor (acima designado de untuoso...). Umas vezes zangados com os preços e com as distrações do Senhor, que nos tratava como se fossemos gente de enormes cabedais, mas que não nos perdoava nem um seitil!

Um sábado, igual a qualquer um destes dias, soubemos que tinha, o Senhor MAPRIL, vendido o BONDE.

De repente ficámos orfãos do lugar tertuliano.

Dias inteiros percorremos a cidade em demanda de lugar tertuliano, que nos merececesse. Hoje estamos apaziguados e temos já lugar agradável, de qualidade mastigatória.

Mas, ao que vem esta prosa, descozida, sem prosódia minima que a mereça aos olhos dos prováveis leitores?

No outro dia, o Rogério, apanhado de supetão, soube que: - O Mapril morreu!

Como dizia, e bem, o poeta:- Morrer é só não ser visto!

Pois, nunca mais poremos os olhos em cima do Sr. Mapril.


Quero, pois, terminando este prosear, dizer ao Sr. Mapril, lá onde estiver, que muito lhe agradeço aquele contentamento que resultava sempre da deglutição daquele cozido que nunca mais iremos saborear; aquele bola de coelho que era simplesmente divina; aquele rosbife, com alcaparras, que fazia o contentamento do Rogério; aquele leite creme, que fazia o meu contentamento...e aquele espectáculo de luz e sabores - que se derretiam daqueles impantes crépes Suzette!

Tudo isto e o mais que não recordo já - lho agradeço do fundo do coração, Senhor Mapril.

José Albergaria