terça-feira, abril 15, 2008
Maio de 1968: a minha tese.
Nâo deixou traços, nem sequer sulcos, nem culturais, nem estruturais,nem sociais, menos ainda nas instituições (salvo, talvez, nas Universidades..., que se massificaram, "democratizaram"!e, nas empresas, no território do exercício da democracia sindical e provocou, então, aumentos salariais!).
Deixou, isso sim, toda uma profusão de "mitemas" cultuados pelas "tribos" de esquerda, ao modo dos sobreviventes da Commune de Paris!Creio mesmo que menos ainda: há poucas marcas literárias, há poucas marcas poéticas, quase nada, ou mesmo nada, na música/canção, quase nada na filmografia e na dramaturgia!
Estive a reler a carta, datada de 8 de Junho de 1968,de Paris, que António José Saraiva enviou ao seu amigo Óscar Lopes, então no Porto e arreigado ao comunismo ortodoxo do PCP, na clandestinidade e, acho-a, do ponto de vista dos factos que então ocorreram - notável!
Começa AJS:
"Tenho estado a assistir a uma coisa que não se vê todos os dias: uma revolução (...)".
Mais adiante, continua ele, AJS, descrevendo as fases do processo: "1.ª fase: Os estudantes conquistam a Universidade [3 a 11 de Maio]. A entrada da polícia na Sorbonne provocou manifestações crescentes no Quartier Latin. Houve centenas de feridos, mas nem um só morto. O grupo que desencandeou isto é o [movimento do 22 de Março]m amálgama de anrquistasm trotsquistasm pro-chineses, guevaristas e'situacionistas'.
2.ª fase: as greves. Inicialmente o PCF condenou os 'excessos' dos estudantes. Mas como as barricadas emocionaram toda a população, a CGT e os outros sindicatos organizaram uma manifestação, a maior de que há memória em Paris [13 de Maio] e declararam a greve geral em paris por 24 horas. No dia 15, espontaneamente, começam grees nas grandes empresas metalúrgicas, que rapidamente se alstraram. Ao fim de 8 dias há em toda a França 10 milhões de grevistas. Mas logo se desenha uma oposição entre o PCF e os estudantes. Na Sorbonne não há aulas, mas comícios políticos permanentes. Os estudantes pretendem fazer a revolução total contra o [capitalismo e a sociedade de consumo]. A CGT por seu lado defende as [reclamações] operárias 'salários, securité social, liberdade sindical'. Há um conflito aberto. Os estudantes são impedidos de entrar nas fábricas pelso piquetes de greve. No entanto muitos operários jovens querem chegar à fala com eles. No dia 24 de Maio, em que o De gaulle propõe o referendum, há 2 manifestações, a dos estudantes e a da CGT. Os estudantes queriam provocar a junção das duas. O PCF evitou-a, alterando à última hora, o itinerário da manifestação da CGT. No dia 24 de Maio novas barricadas, em vários pontos de Paris, que o l'Humanité condena expressamente como sendo obra da pègre (escumalha)."
A carta já vai longa, mas ainda tem mais substância que eu considero fundamental para sustentar a minha tese e para rememorar os FACTOS, esses incontornáveis quanto decisivos no apuramento da VERDADE histórica e da história.
Amanhã voltarei à CARTA de AJS e à minha argumentação.
JA
segunda-feira, abril 14, 2008
"De la Bêtise"
Tenho à cabeceira, faz pouco tempo, um pequenino livro, traduzido para o francês e publicado pelas Editions Allia, "De la Bêtise".
Recomendo-o, vivamente!
Enquanto ele não se deixa ler por "outros", aqui deixo, hoje, um pedaço, amanhã, outros.
Como festejámos o Maio de 68 e a França d'então, deixo-o na lingua traduzida:
"Il n'est pas une seule pensée importante dont la bêtise ne sache aussitôt faire usage; elle peut se mouvoir dans toutes les directions et prendre tous les costumes de la verité. La verité, elle, n'a jamais qu'un seul vêtement, un seul chemin: elle est toujours handicapée. La bêtise dont il s'agit là n'est pas une maladie mentale; ce n'en est pas moins la plus dangereuse des maladies de l'esprit, parce que c'est la vie même qu'elle menace."
As efemérides são para serem festejadas?... Maio de 1968!
As razões?: TODAS elas são boas.
Mas, também, podemos querer NÃO as comemorar e/ou festejar.
Este ano comemora-se os 40 anos do Maio de 1968 que fez "estremecer" a França!
Ando a dar pequenos passos na arte/ciência (ainda persiste esta dicotomia...) que é a História. Paul Ricoeur diz que ELA é, a historiografia,uma NARRATIVA e do dominio da metafora!
Sendo um "apaixonado" da escola de Marc Bloch/Lucien Febvre "Les Annalles", considero, à moda do "meu" mestre José Mattoso (ele não sabe que eu sou seu discipúlo devoto...), que o "apport" dos positivistas actuais (em Portugal são: Vasco Pulido Valente,Maria José Bonifácio, Maria Filomena Mónica, etc...O maior de TODOS, falecido faz pouco tempo, Oliveira Marques!)é da maior importância, porque não diminuem o valor dos FACTOS.
Paul Veyne, o da Nouvelle Histoire, sustenta uma categoria "NOVA" e bem interessante: um fenómeno "ACONTECIMENTAL", o que faz caminho e formata a história!
A pergunta que eu deixo, hoje por aqui - é: Os acontecimentos de Maio de 1968, em Paris e na França (com sequelas em Berlim, Bélgica,Holanda, Portugal e etc...)foram um fenómeno ACONTECIMENTAL? Marcaram, de algum MODO, o DEVIR histórico?
Creio que NÃO!
Amanhã - começo a defender a minha tese!
JA
NB - Cheguei a Paris no dia 13 de Janeiro de 1968.
Em finais de Abril, de 1968, consegui um certificado de doença (num médico do PCF)e deixei de trabalhar para VIVER, intensamente, até ao dia 30 de Maio de 1968 (data em que fui preso em Flins, "à l'aube", quando "tentávamos" tomar de assalto a unidade da Renault de Flins, a mais moderna empresa, à data, do Grupo e pejada de imigrantes OS's)!
Tinha 21 anos quando fui testemunha e protagonista duma "revolução" falhada!
domingo, abril 13, 2008
Ainda & Sempre António Machado
!Oh, la saeta, el cantar
al Cristo de los gitanos,
siempre con sangre en las manos,
siempre por desenclavar!
!Cantar del pueblo andaluz,
que todas las primaveras
anda pidiendo escaleras
para subir a la cruz!
!Cantar de la tierra mia,
que echa flores
al Jesús de la agonia,
y es la fe de mis mayores!
!Oh, no eres tú mi cantar!
!No puedo cantar, ni quiero
a ese Jesús del madero,
sino al que anduvo en el mar!"
António Machado
Poesias Completas
Colección Austral
Editorial Espasa Calpe
JA
A Senhora Ministra da Educação
O simpático latinório ajuda-nos a perceber estes meus estados d'alma em relação a conceitos em relação aos quais, de tão usados, já quase ninguém se atarda neles.
Este meu discorrer vem a "despropósito" da presença da actual Ministra da Educação, na passada quinta-feira, 10 de Abril, na Brandoa (não na mítica dos Gatos Fedorentos...), mas na actual e bonita freguesia da Amadora, para inaugurar uma Feira do Emprego, organizada e promovida pela empresa municipal, Escola Intercultural, das Profissões e do Desporto.
O que quero destacar é:
1- A ausência dos grandes meios de comunicação social. Isto não é sequer uma critica, mas uma constatação;
2- A entrega de diplomas de 12.º ano, a adultos que aproveitaram "As novas oportunidades";
3- A ministra sublinhou a importância das autarquias no sucesso escolar, como agentes fundamentais da comunidade educativa (continuo a não gostar da expressão...) e das empresas (falararam, no acto inaugural, entre outros, o Director de Recursos Humanos da Siemens...);
4- A ministra, sublinhou a importância do Programa, pioneiro na Amadora (único no país...)de Formação Profissional para jovens, entre os 12 e os 15 anos, jovens que tinham abandonado o sistema oficial e obrigatório de ensino.
Hoje, lendo a reportagem da UNICA, sobre a Casa Pia ,percebi, finalmente, o interesse da ministra por este programa: ela foi casapiana, ganso!
E isto faz toda a diferença.
A ausência da comunicação social?...ponham-se no lugar deles: trocariamos uma atoarda, um ribombo, um foguetório do escuteiro Màrio Nogueira da FENPROF por um programa de sucesso, que visa "recuperar" jovens para o sistema de ensino e tirá-los da marginalidade e da deliquência? Claro que não.
Mas este programa de formação profissional, 12 - 15, aprovado pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues, apoiado pelo Ministério, com professores, com curricula validados, teria ido p'ra a frente se, a Senhora Ministra da Educação, não tivesse sido casapiana?
Tenho a certeza que não!
Sempre me vem à cabeça, nestas, como noutras circunstâncias, o meu poema preferido, do sevilhano António Machado:"Caminante, son tus huellas/el camino, y nada más;/caminante, no hay camino,/se hace camino al andar./Al andar se hace camino,/ y al volver la vista atrás/se ve la senda que nunca/se ha de volver a pisar/Caminante, no hay camino,/sino estelas en la mar."
Não se pode ter medo dos caminhos nunca percorridos. O desafio é sempre o mesmo: demandar Indias por haver, sempre, esse é o destino e o desafio estratégico!
JA
sábado, abril 12, 2008
"Entre as brumas da memória"

Dum campo de nenúfares, d'entre as brumas da história, do passado,, emergem, poderosas, impressivas, as memórias duma lutadora, católica, que, nessa trincheira travou as lutas que entendeu dever cumprir, nas circunstâncias e no tempo que lhe foram dados viver.
Amigo comum chamou-me a atenção para o percurso civico da Joana Lopes, para o seu Blog e para o seu livro.
No Blog, tenho vindo a navegar faz tempo.
Do livro, que comprei ontem (encontrei-o na FNAC de Alfragide) já quase o devorei.
É um testemunho rico, valioso e que, para a historiografia do século XX, do Salazarismo, particularmente da década de 60 até ao 25 de Abril de 1974, deixa-nos vislumbrar que houve mais resistência ao fascismo para além da do PCP (que, de resto, como a própria autora o faz, TODA a gente reconhece...).
É, para mim, particularmente, interessante a deriva de muitos intelectuais portugueses, católicos militantes, empenhados, comprometidos com a Igreja Católica, que acreditaram, num primeiro momento, que podiam lutar contra o fascismo do próprio interior da Igreja Católica e das suas organizações de leigos: e fizeram-no com argúcia, inteligência e rigor taticisa.
Depois, o afastamento e a procura incessante duma solução "mistica", a partir de múltiplos exemplos de vida, em que não faltou mesmo a do padre guerrelheiro Camilo Torrres (nascido em Bogotá em 3/2/1929 e morto pelo exército colombiano em Santander, a 15/2/1996).
Ainda vou a meio do livro, mas já recordei bastante e aprendi outro tanto.
A "mitografia" dos comunistas, do "Partido", como única força organizada na resistência ao fascismo começa a ruir. Não vem mal, nem ao mundo, nem aos comunistas, que tal aconteça: é a VERDADE acontecimental no seu melhor que começa a esburacar os paredões da mistificação.
Ainda bem que a Joana Lopes conseguiu "roubar" tempo ao seu, dela, tempo, para nos brindar com o seu "testemunho". Que outros, até doutras áreas "ideologicas" o possam fazer.
Estou a gostar muito de a ler. Quando acabar voltarei ele, aqui neste Blog.
Agora, outra questão que me trouxe aqui, hoje, no 1.º Aniversário do Blog da Joana Lopes.
Quando o Professor Emidio Guerreio festejou os seus 100 anos, fizeram-lhe um homenagem, na sua Guimarães natal.
Quando o Edmudo Pedro (o mais jovem comunista a malhar no Campo de Concentração do Tarrafal) festejou os seus oitenta anos, fizeram-lhe uma homenagem na sua Lisboa de adopção.
Quando o antifascista e luareiro Herminio da Palma Inácio, fez oitenta décadas de vida, outra homenagem nacional estralejou.
Quando o médico, Fernando Valle, comemorou o seu centenário, outra homenagem nacional arrebentou.
E já nem estou a falar das homenagens e honrarias que o Estado e a Chancelaria das Comendas e Ordens lhes atribuiu, a cada um deles, pelas causas da Liberdade que abraçaram!
O que aqui quero deixar sugerido é:
1- Porque não aproveitar-se a efeméride próxima, de vida, da cidadã Joana Lopes e organizar-se-lhe uma homenagem, pública e, porque não?, nacional;
2- Nesta homenagem, simbolicamente, seriam honrados as élites católicas que, nos anos de brasa da década de 60 do século XX deram o corpo ao manifesto na luta contrra o fascismo lusitano.
E mais não digo.
JA
PS - Ainda não fui à bruxa nem, por pudor, lá irei...
Andoche Junot
É raro ler um texto com tanta hipocrisia, quando todo um povo começava a ser violado e violentado e as igrejas saqueadas.
Também o bispo do Porto, António José de Castro ( embora mais tarde se arrependa da pastoral da ignomínia e adira à Junta Patriótica do Porto), divulga entre os fiéis do seu rebanho: "Estas tropas que aqui vedes entrar, são nossas aliadas e pacíficas, e quam as manda entrar tem sido prevenido e armado por Deus de poder e sabedoria para as fazer entrar e para as saber dirigir a fim da nossa felicidade, e devemos seguramente confiar no mesmo Senhor que não seja outro o seu destino. Sim, o Immperador dos franceses e Rei de Itália, o Grande Napoleão, não poderia de outro modo servir-se de nós para aumentar a sua glória verdadeira, senão fazendo-nos felizes. Não é crível que na grandeza sem igual do seu coração, no ardente desejo da sua glória, pudesse entrar em Portugal para outro fim. Este grande imperador, elevado sobre o trono dos seus triunfos, tem unido a eles a glória de fazer dominar a nossa santa religião nos seus estados (...)
Os templos estão cheios destes militares que edificam, e que por tudo nos poem interiormente na necessidade de os amarmos como próprios filhos, e exteriormente na obrigação de darmos este testemunho público da nossa satisfação e do seu merecimento. Esperamos que este testemunho fundado já na experiência e conhecimento destas tropas religiosas, pacíficas e bem disciplinadas, vá servir não só para desvanecer aos vossos ânimos qualquer receio que vos pudesse causar a sua entrada, mas também para mostrar a obrigação em que estamos todos de praticar com elas todos os bons ofícios da caridade e de hospitalidade, como se fossem nossas próprias, e ainda mais por se acharem fora do seu país".
Trata-se é certo de uma encomneda de Roma, vinda do Papa que consagrara Napoleão como Imperador. Mas também não era necessário tanto exagero...
Por último, leiamos a pastoral de inconsútil patriotismo do bispo titular do Algarve, José Mátia de Melo, confessor privativo da louca D. Maria I : " É necessário ser fiel aos imutáveis decretos da divina providência e, para o ser, devemos, primeiro que tudo, com coração contrito e humilhado, agradecer-lhes e tantos e tão contínuos benefícios que da sua liberal mão temos recebido, sendo um deles a boa ordem e quietação com que neste reino tem sido recebido um grande exército, o qual, vindo em nosso socorro, nos dá bem fundadas esperanças de felicidade.
Este benefício igualmenmte o devemos à actividade e boa direcção do general em chefe que o comanda, cujas virtudes são por ele há muito tempo conhecidas. Lembrem-se que este exército é de sua majestade o imperador dos franceses e rei de Itália, Napoleão o Grande, que Deus tem destinado para amparar e proteger a religião e fazer a felicidade dos povos. Confiai com segurança neste homem prodigioso, desconhecido de todos os séculos; ele derramará a felicidade da paz, se respeitarem as suas determinações, e se amarem todos, nacionais e estrangeiros, com fraternal caridade. Deste modo a religião e os seus ministros serão respeitados, não serão violadas as clausuras de esposas do Senhor, e todo o povo será feliz, merecendo tão alta protecção".
O bispo do Algarve estava preocupadíssimo com a virtude das 'esposas do senhor' ( freiras em linguagem corrente). A subtância das três homilias tem uma raiz comum: a directriz do Papado para não molestar Napoleão, mesmo que Napoleão molestasse nações inteiras. A real politik do Vaticano consegue conciliar a conciliação com o Poder profano à hipocrisia da justificação do poder sagrado. Hoje como ontem...
Rogério Rodrigues
sexta-feira, abril 11, 2008
O cotejo do Decálogo hebraico com o da vulgata católica
No Catecismo canónico, aprovado pelo Sinodo dos Bispos, assim se encontram eles:
"1 - Primeiro: Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
2- Segundo: Não invocar o Seu santo nome em vão.
3- Terceiro: Guardar os domingos e festas.
4- Quarto:Honrar pai e mãe (e os outros legitimos superiores).
Quinto: Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).
Sexto: Não pecar contra a castidade (em palavras ou em obras).
Sétimo: Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
Oitavo: Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo).
Nono: Não desejarás a a mulher do próximo.
Décimo: Não cobiçarás as coisas alheias."
Cá estamos nós.
Observe-se,por exemplo,a "misogenia", desajustada aos nossos tempos, do Nono mandamento.
Se se consegue perceber o mandamento fundador, o hebraico, que inclui a mulher num listing determinante para a sobrevivência da comunidade, por inteiro, naqueles tempos de deserto,hoje não se consegue alcançar o objecto deste preceito.
JA
Os 10 Mandamentos...hebraicos, II.
Tinhamos parado no 4.º.
Retomemos, então, a partir do 5.º.
"5- Honra o teu pai e a tua mãe, de modo que os teus dias se prolonguem sobre a terra que YHVH, teu Deus, te deu.
6- Não assassinarás [ou cometer homicídio, em hebraico lo tir cá.vit].
7- Não cometerás adultério [em hebraico lo tin-àf]
8- Não furtarás.
9 Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
10 - Não cobiçarás [em hebraico, lo thahh.módh] a casa do próximo, nem a mulher do teu próximo, nem o seu escravo, nem a sua escrava, nem o seu touro, nem o seu jumento, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo..."
Fim de edição.
Um nota singular: os 10 Mandamentos, recebidos por Moisés, foram entregues no Monte Sinai ao povo hebreu, às tribos d'Israel, por Du's, através de Moshé, mas separadamente do restante da TORÁ (ensinamentos).
Em hebraico, o número de letras dos 10 Mandamentos (os originais) é igual a 613, igualando o número de ensinamentos da TORÁ e, somados entre si, 6+3+1=10!
Quem se interesse pela numerologia e pela simbólica dos números...tem aqui um imenso campo de especulação e de interpelações!
Os 10 Mandamentos estruturam-se e dividem-se em versículos. Flávio Josefo, o grande historiador do Povo Judeu, é o primeiro a dividir, a arrumar os versículos e, de certo modo, é o "inventor" do Decálogo Biblico. A sua proposta vai ser "revista" por outros, nomeadamente pelo futuro doutor da Igreja Cristica: Santo Agostinho. É esta divisão que há-de ser "canonizada" e presidirá, depois, à criação da vulgata católica, que, muitos de nós, aprendemos na "catequese"!
J.A.
quinta-feira, abril 10, 2008
Os 10 Mandamentos...hebraicos.
Hoje, apetece-me discorrer um pedaço sobre os 10 Mandamentos, não os da vulgata católica, mas sobre os originais, os hebraicos, entregues a Moisés e que serviram para estabelecer a Aliança entre YHVH e as tribos de Israel na fuga da diáspora no Egipto.
Estes Mandamentos estão vertidos no livro biblico do Êxodo 20:2-17 e repetidos no Deuterónimo 5:6-21.
Moisés "recebeu" as Tábuas no monte Horebe, na peninsula do Sinai quando encaminhava as tribos para a terra prometida d'Israel.
Aqui ficam:
"1- Eu sou YHVH, teu Deus [Elo.hím], que te fez sair da terra do Egipto, da casa dos escravos. Não terás outros deuses que ME [o Deus de Abraão]desafiem.
2-Não farás imagem esculpida [em hebraico péshel, equivalente a ídolos],que se pareça com o que há em cima nos céus, nem na terra, nem na águas por debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes prestarás culto, porque eu, YHVH, teu deus, sou Deus zeloso "Deus que exige devoção exclusiva" ou "Deus ciumento"; em hebraico El qan,ná e em grego Theós zelotes], e que pune o erro dos pais nos filhos até à terceira geração e ainda sobre a quarta geração dos que me odeiam, mas que uso da benevolência até à milésima geração dos que me amam e que cumprem os meus Mandamentos.
3-Não usarás o nome de YHVH, teu Deus, em vão [ou "de modo fítil", blasfémia] pois YHVH não considerará impunes os que usarem o seu nome em vão.
4-Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o Sábado [em hebraico, shab.báth]de YHVH, teu Deus.Nesse dia não farás trabalho algum. Nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está adentro das tuas portas. Porque em seis dias fez YHV o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há e ao sétimo dia descansou. Por isso o YHVH abençoou o dia do Sábado e o santificou."
Fico-me por aqui.
Amanhã continuarei até ao décimo.
Só YVHV é que laborou seis dias seguidos! Eu não posso tanto.
José Albergaria
quarta-feira, abril 09, 2008
O visual
Por vezes, ao acordar, mirando o espelho, não gostámos do que vemos.
Hoje, o Aqueduto Livre não gostou de se ver ao espelho.
Foi recauchutar-se e, com a promessa de, hoje em diante, discorrer, todos os dias, como soe dizer-se em "blogês": sobre o que lhe der na veneta.
José Albergaria
segunda-feira, março 31, 2008
Frases & poemitas
"Só sei que nada sei." Sócrates
"Eu, nem isso sei." Pirro de Eleia
POETA MAIOR
A António Machado, poeta, maçon, sevilhano, andaluz, 26 de Julho de 1875, Sevilha a 22 de Fevereiro de 1939, Collioune/França.
Poeta, irmão
A tua terra,
Feita de mar,
Cerzida de verdes,
Paleta d’ocres,
Bordada a branco,
Pontilhada de negro,
Desenhou-te!
Impressiva, marcou teu “poemar”!
Pela campina,
Andaluza,
Ruminam toiros pelos pastos,
Para,
Soberbos, telúricos,
Estrelarem,
Quais actores circenses,
Em tardes,
Humanas,
D’heroísmo gratuito!
A tua poesia,
Luzeira,
Préclara,
Solar,
Semelha uma tarde d’Estio!
António,
Viveste o sonho republicano.
Partiste, destroçado,
À deriva,
Pelos trilhos funestos
Do amargo exílio.
Carregando a dor,
No colo de tua mãe,
Sucumbiste
De tristeza e saudade,
Nos caminhos parados
De “Collioune” a francesa.
António, meu irmão,
A tua memória atravessa
O arco-Íris da Espanha
Toda!
A tua poesia, poeta, essa
Vive no coração da humanidade
Toda!
António Machado,
Em teu louvor,
Seja esse o meu fado,
Eu, caminheiro audaz e sem pudor,
Hei-de reverdecer os antigos trilhos,
Caminhando,
Incipiente e inseguro,
Em silêncio, pela tua poesia
Toda!
Agosto 2006
José Albergaria
terça-feira, março 25, 2008
segunda-feira, março 17, 2008
liberdades
Sou a favor das manifestações que querem mudar. Custa-me a compreender as manifestações que querem manter o que está, sabendo que o que está não está certo estar e que há anos atrás combateram por estar. Lembro-me das decisões do Cardia, enquanto ministro da educação e que agora são defendidas, 20 anos depois, depois de tão criticadas, na rua, nas paredes, no parlamento e nos jornais. L'air du temps dá destas coisas.
Lembro-me da "geração rasca" que foi adulterada neste modelo educativo.
Já me custa a compreender manifestações com o gato escondido com o rabo de fora. Manifestações de conteudo de classe ou casta, mnifestações reclamadas de reivindicações meramente profissionais, expressam-se nas palavras de ordem, na expressão mediática como meras manisfestações políticas, do inclemente bota-abaixo, sem uma alternativa, um aceno do bota-acima.
Já muitas vezes, em 30 anos de Democracia ( quase sempre mais formal que participativa, mas sufragada no voto secreto, muitas vezes em contramão ao voto da rua) assistimos a este paradoxo: a ilusão do poder acreditar-se poder real.
O PCP, por exemplo,domina a Fenprof, tem capacidade organizativa, alimenta-se do resentimento, bajula a facilidade, apela ao estômago mais do que à cabeça e ao coração, o PCP, hoje um "produto menor" --nas suas propostas e não no seu direito-- da Democracia ( e não se esquecem os seus contributos para uma resistência ao fascismo, mas que nós, que saibamos, não vivemos no fascismo e as gerações mais novas já foram criadas nos vícios e virtudes da democracia), tem sempre combatido mais os governos de esquerda que os governos de direita, sejam eles liderados por Soares, Guterres ou Sócrates.
Tentar alguém dizer que o PCP, por ele próprio, e pela CGTP não manipulou a manifestação dos professores ou é ingenuidade ou condição de avestruz. Nenhuma organização de classe poderia colocar no Terreiro do Paço 100 mil pessoas. Para o PCP terá sido uma espécie de Festa do Avante! para docentes e afins.
Os professores querem ser avaliados mas ainda não agora. As vitórias de Pirro são proclamadas como grandes vitórias e nem sequer se lemram da célebre frase do aristoircrat latifundiário siciliano de "O Leopardo" de Tommasi Lampedusa, quando diz: " `E preciso mudar qualquer coisa para que tudo fique na mesma".
O que é que a Fenprof e o PCP conseguiram mudar? A qualidade do ensino? A qualidade dos professores? A sua dignificação pedagógica? A sua maior intervenção na comunidade? Ou tratou-se de uma mera reivindicação laboral escondida numa não muito trasparente reivindicação à avaliação, híbrida nas suas vertentes pedagógica e salarial?
( Zé, não sei como é que isto vai chegar ao blogue, pois perdi a primeira versão e não sei se esta chega emcondições. Coisas de aprendiz de blogue. Com o treino vamos lá).
Pedro Castelhano
quarta-feira, março 12, 2008
O sal e a pimenta
Contrariamente a um mito instalado, o sal e a pimenta não têm, ab initio, a intenção de fornecer sabores acrescidos aos alimentos. terça-feira, março 11, 2008
E, uma vez mais, a AMIZADE...
Na vida, nos seus sobressaltos,
Tropeçámos, a cada passo;
No amor, nos seus solavancos,
Tropeçámos, a cada curva;
Na política, nos seus ziguezagues,
Tropeçámos, em cada ciclo;
Na fé, nas suas igrejas,
Tropeçámos, por cada conversão;
Na guerra, nas suas funestas misérias,
Tropeçámos, malgrado o nosso não querer;
Na amizade, amor fraterno,
Tropeçámos, é certo, mas
Nos alevantámos
Sempre!
Agosto 2006
E porque hoje é terça-feira (dia em que festejamos a amizade) apetece-me falar de Escola Pública...
Na tertúlia tudo se questiona, tudo se discute, todas as certezas se tornam relativas.
Respeitamos TODAS as singularidades, TODAS as opiniões, todas as sensibilidades.
Falámos do Sócrates, falámos da Saúde, da Educação, da Segurança.
Não gostámos deste Ministro, daquele Secretário de Estado, daquele Director Geral.
Gostámos de literatura, de cinema, de história e, também, de "gajas", de bom vinho, de boa comida e de viagens.
Discutimos, bastas vezes, como salvar a Pátria.
Mas, como dizia o outro, só nos falta mesmo é "salvá-la!"
Mas, na NOSSA tertúlia, como aqui, neste blog, que agora se recentrou, exclusivamente, para os seus "fundadores", há coisas que não têm discussão, que são ABSOLUTOS:
1/ A LIBERDADE!
2/ A AMIZADE!
É por amor a estes dois princípios indiscutíveis e incontornáveis que temos a LIBERDADE (e o fazemos consistentemente) de escolher os NOSSOS amigos!...
José Albergaria
PS - Não falei de Escola Pública?...impúdico esquecimento!
Hoje já não me calha.
A amizade é SEMPRE mais importante do que TUDO o resto e, mesmo, a SOMA da vida.
sexta-feira, março 07, 2008
Uma ladainha que eu muito gosto
Chi pó non vó
Chi fá non sá
Chi sá non fá
E cosi vá il
Mondo molto male..."
De autor que eu desconheço.
José Albergaria
Pessimismo versus optimismo
Há até aquele trocadilho que vem sempre a calhar nesta disputa entre a qualidade do PESSIMISTA e a bondade do OPTIMISTA:
1- O optimista é um pessimista bem informado;
2- O pessimista não passa dum optimista bem informado.
As abordagens à realidade mutante e actual, podem fazer-se de modos vários.
É, sempre, possível falar e/ou escrever sobre qualquer assunto a partir de sensações, sentimentos, insuficiência de informação. No entanto, em temas de melindre, polémicos, em torno dos quais se foram segregando demasiados preconceitos, é de todo aconselhável prudência e, sobretudo, bom senso.
Ele há entusiasmos que nos levam, quando confrontados, por exemplo, com a História e a historiografia existente sobre o TEMA, a becos sem saída e, às vezes, nos empurram mesmo para uma certa impertinência e agressividade gratuíta.
A questão israelo-arabe, ou, mais precisamente, o confronto belicista israelo-palestino (os antigos filisteus da Biblia)é um desses casos, em torno do qual, recorrentemente, se dizem e fazem muitos disparates...
Quando nos remetemos ao nosso silêncio de incompetência e ignorância...tudo bem! Mas quando falámos, sem termos medo do ridículo,ou de modo irresponsável, aí já a porca torce o rabo.
Como dizia o romântico alemão, que tão bem versificou o "demónio", na alegoria do Dr. Faustus: "Nada é mais terrível que uma ignorância activa", Johann Wolfgang von Goethe.
Com pessimismo me despeço (porque o futuro futurável não se recomenda..)e com optimismo me subscrevo (porque acredito na humana Humanidade...),
José Albergaria
quarta-feira, março 05, 2008
Cruzeiro Seixas: poeta & pintor
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.
Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.
Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Labirinto da Saudade »,
Mínima figura,
Zero Moldura.
Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.
Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em campina d’ameixas.
José Albergaria
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
experiência
Mais tarde, zangaram-se também comigo, porque em "O Jornal" de boa memória, que sendo jornal era semanário, eu fiz um perfil de Alváro Cunhal, intitulando-o de "ABC dos comunistas". O ABC não passava das iniciais do nome do Cunhal: Álvaro Barreirinhas Cunhal.
Agora, que entrei definitivamente no grupo etário daqueles que não têm nome quando são atropelados, os sexagenários dos bares que vão morrendo, desencantados com o futuro, que já relêem mais do que lêem, avessos aos acordos ortográficos, mal sabemos o que havemos de fazer com o nosso passado. Torná-lo futuro? Ou dizermos que a história é a memória do futuro?
São tantas as presenças como os dias que me faltam. As tardes longínquas e melancólicas com o Assis Pacheco no Fim de Século e no Hotel Britânia, as noites longas e sem cansaço, tão só de nostalgia transmontana, de uma ruralidade que não perdíamos, com o Afonso Praça, esse sólido mais líquido que me foi dado conhecer, esse odre de ternura, que passou de mansinho pela vida como se tivesse sempre a pedir desculpa pelo talento que tinha. As noites, longas, muito longas, em que o álcool corria como um regato de afectos contidos, mas sem fim, com o Cardoso Pires, entre o colérico, o iconoclasta, mas o melhor contador de histórias dos bas-fonds desta cidade ( leia-se Lisboa) que tanto amava. O Cardoso Pires, era de ódios e amores. E tinha muito mau perder, como ele próprio confessava.
E depois o Luís, o Sttau Monteiro, o mais admirável e generoso mentiroso que me foi dado conhecer. Escrevia à minha frente a Guidinha, numa Hermes pesada, a correr, que tinha que ir a algum lado. Efabulador, grande cozinheiro na sua casa de Campo de Ourique, inveterado bebedor de gin, homem de muitos encantos, de um charme muito britânico, de uma ironia corrosiva, era, porém, tansbordante nos afectos para os seus amigos. Morreu ainda as últimas rosas não tinham florido.
Hoje, proclamam-se os best-sellers de aeroporto, lidos enquanto se mascam pastilhas; os jornais são economicamente obedientes, reverentes e pouco venerandos; a mediocridade, mas com boas maneiras, é um bom princípio para o sucesso. O país é apenas o reflexo do país, não a sua realidade. Utiliza-se o espelho como se fosse a verdadeira face. A imagem do rosto secundariza o rosto. Querem-nos impôr uma clandestinidade ética, tornar a norma da virtude como um desvio. Um perigoso desvio que deve ser tratado ou combatido.
Querem-nos sem ideologia, assépticos, flor artifical, sem cheiro, mesmo do suor, sem tabaco ( se no céu não se pode fumar, eu não quero ir para o céu, escreveu Mark Twain), tão limpos que querem transformar a cidade num imenso hospital com multidões saudáveis mas proibidas de transgredir.
Querem proibir a transgressão; são os inquisidores do interdito; os que definem a liberdade dos outros, como se a liberdade não fosse um valor individual; que tentam pôr um chip na nossa alma e controlar os nossos sonhos, e isto tudo para que vivamos mais anos a criar mais problemas à Segurança Social.Querem-nos clonados, sejamos novos ou velhos, querem-nos tão iguazinhos a ponto de um dia conseguirem que nós não saibamos quem somos. Apenas eles sabem, nos seus arquivos, o que nós fomos.
Já cá não estarei por certo, quando algumas liberdades e indignações utópicas não passarem de mero estudo académico para teses de doutoramento, tão bem comportadas que até Júlio Dantas vai ser considerado, a par de José Rodrigues dos Santos, um génio injustamente ignorado por esses libertinos cuja memória é proibido recordar...
Pedro Castelhano
terça-feira, fevereiro 19, 2008
E mesmo assim a terra move-se...
A erudição, o pluralismo, o bom-gosto, a qualidade gráfica, as competências técnicas que por aí perpassam - não estão, no entanto, em linha com o necessário bom-senso que um MUNDO como este (libérrimo, sem constrangimentos, sem censuras...)deveria aconselhar.
Na nossa doméstica blogosfera campeia, actualmente, creio mesmo ser lidere d'audiências o "mistério", embrulhado em vários anátemas e confusões ( de conceitos, de categorias, de mundividências, mesmo até de préconceitos e etc.)de: quem s'esconde por trás do nome do bloger Miguel Abrantes que "controla" o Câmara Corporativa.
Portanto, senti-me na ingente necessidade e no urgente dever de cidadania de intervir nesta polémica, não para ajudar quem quer que seja ou contribuir para o que fosse, mas para complicar.
Sim, porque cada um de nós nasceu com uma missão bem definida: enfernizar a vida ao seu semelhante e, quando as coisas estiveram a andar menos mal,é curial inventarmos um drama, quiçá uma tragédia!
Continuamos, em meu entendimento, com aquela velha muleta: eu, je, moi, penso bem; os governos, dum modo geral, não prestam e, em Portugal, é necessário ter linhagem para ir a Ministro (secretário de estado não conta e, menos ainda Director-geral, excepto o "defunto" Paulo Macedo porque pertencia ao Opus Dei!...e era muito competente, tinha mau feitio e trabalhava durante as férias.)
A direita travestida, reciclada, transmutada, bem adaptada à Nova Democracia, produto da "Abrilada de 1974", entende, hoje, que um rapazinho vindo da Covilhã, de Castelo Branco, de Trás-os-Montes (não se sabe bem donde!...), sem curriculo que se apresente, com um percurso académico/profissional um pedaço confuso, com um nome grego, tenha chegado a Primeiro-Ministro de Portugal.
E, espantamento espantoso, o rapazinho trabalha, dedica-se à causa pública, trata do corpo, é determinado, ataca o que está mal em Portugal (nem sempre da melhor maneira...), quer reformar o País e introduzir novos paradigmas (há quem ainda cultue os velhos...)em Portugal e nos portugueses!
Ora bem!, se eu percebo que para a direita isto não seja bem entendido (por que lhe estraga o negócio e lhe rouba os clientes), já para as esquerdas não consigo mesmo perceber a sanha, a ausência de vontade de diálogo, de intenção de alianças (tirando a interrupção da gravidez e, mesmo nesse caso o PCP esteve em desacordo sobre o modus operandi: referendo e/ou votação em sede do Parlamento...) etc.
Os criticos mais descabelados, mais contundentes, mais acérrimos: a esquerdas. As perguntas que se podem fazer: e alternativas? e modo diverso de fazer? e soluções estratégicas? e quem está, neste momento, em Portugal a produzir pensamento para demandar "novas Indias a haver"?
Ora bem, cá estou eu a complicar.
É mesmo de propósito.
Mas estávamos a tentar resolver o mistério, não da estrada de Sintra, mas quem é o gábiru que se esconde atrás do Miguel Abrantes?!
Aqui é que bate o ponto e este ponto é determinente não só para Portugal como destino, mas para o futuro dos portugueses nas próximas, pelo menos, cinco gerações!
Deixo aqui algumas pistas.
Atrás (ou à frente tanto monta...) do tal NOME podem estar:
Hipótese 1 - Domingos Abrantes (dirigente do PCP);
Hipótese 2 - Abrantes Mendes, Juíz e antigo dirigente do futebol;
Hipótese 3- José Manuel Abrantes, antigo administrador da Valorsul;
Hipótese 4- Marquês de Abrantes, Marechal Junot (agora que estamos em tempo de bicentenário das invasões francesas vinha mesmo a calhar...);
Hipótese 5- Marquesa de Abrantes;
Hipótese 6- Abilio Abrantes, antigo patrão da Agenda da RTP;
Hipótese 7- É a que me parece mais provável, José Arantes,que retira um b por timidez e desfaçatez (para quem não se recordar é jornalista e foi assessor de...Cavaco Silva!).
O sete, que é o número dos Mestres, a hipótese, entenda-se, tem toda a probabilidade de ser o gajo que se esconde atrás do dito facinora Miguel Abrantes!É jornalista e foi/é assessor!
Pensando ter dado um contributo decisivo para pensar como salvar a Pátria ...agora só falta mesmo é salvá-la!Mas hoje não me calha tamanha tarefa! Talvez amanhã...
Com o sentimento do dever pátrio cumprido e sustentando que, nesta linha botabaixista,estamos a caminho do V Império, estamos a vislumbrar o futuro radioso e os amanhãs que cantam (admite-se a possibilidade de virem a desafinar...), me subscrevo com os protestos (ou sem...) da minha mais elevada preocupação pelo estado de sitio em que se encontra a blogoesfera,
José Albergaria
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
O mundo novo da blogoesfera...

quinta-feira, outubro 04, 2007
Para a ex-Birmânia com amor....

sexta-feira, setembro 28, 2007
versilibrismo versus surrealismo
Vezeiro, useiro.
Cruzado
Usado, dado.
Seixas,
Seixo, rolado,
Lado.
Aix-en-provence,
Matisse,
Tisse,
« O Canto do signo »,
Mínima figura,
Zero Moldura.
Mestre,
“Mores maior”,
Versilibrismo,
Surrealismo.
Cruzeiro,
Estro mor,
Primeiro, poeta rimático,
Seixas
Pintor prismático,
Em ceira d’ameixas.
José Albergaria
quinta-feira, maio 17, 2007
Le metier de vivre
Cada vez mais corroboro essa acepção!
A vida é mesmo muito dificil de viver. É mérito dela? É incompetência minha? Provavelmente, será uma e outra coisa.
Contudo há situações perante as quais não me conformo.
Os meus amigos, os meus fraternos companheiros, alguns deles, não valorizam a substância das iniciativas, das posições e preferem ajuizar e valorar o modo, o tempo em que elas se desenrolam. E isto, porquê?...
A "alma" dos homens é deveras desconcertante. As motivações dos homens é algo de particularmente "sinuoso".
O que é que nos faz correr, a cada um de nós, no tempo que nos foi dado viver? Às vezes corremos atrás de sombras, de miragens, de coisas virtuais, de poderes enixestitentes, de vaidades, de "panache"!
Por vezes sinto-me desvalido e em desconcerto perante estas situações .
Contudo, começo a vislumbrar uma luz para estas singulares situações.
Hoje estou mais exigente, comigo e, por mor disso, com os outros.
Ele houve tempos em que tanto me fazia.
Hoje, sendo mais tolerante e humilde, tornei-me mais sagaz e arguto na apreciação das situações e dos homens.
Isto é bom, ou é mau? Nem uma coisa, nem outra.
A vida é como ela se dispõe e não como nós sonhámos.
O que me parece necessário, urgente mesmo, é retirar, com prudência e alguma mestria, as devidas ilações e conclusões daquilo que vou vivenciando.
Ele há pessoas que não nos merecem (não na direcção pesporrente ou vaidosa que pode sugerir esta formulação) no sentido que são pura perda de tempo e não nos acrescentam nada, nem como homens, nem como cidadãos, nem como seres munidos de inteligência e sensibilidade.
Le metier de vivre é deveras exigente e não aceita férias ou dispensa: é para ser vivido às mãos cheias e com imensa alegria!
Albergaria
terça-feira, abril 03, 2007
Lluis Argemí d'Abadal (1945-2007)

Catedrático do Departament d’Història i Institucions Econòmiques de la Universitat de Barcelona, Lluis Argemí foi um dos maiores especialistas de História do Pensamento Económico das Universidades catalã e espanhola. Homem de elevada coerência cívica e intelectual, era um democrata, movido por profundas concepções solidárias e fraternas. Ingressou no PSUC, nos anos 70, resistindo à ditadura na clandestinidade.
Com Ernest Lluch, já falecido, publicou, em 1985, o livro Agronomía y Fisiocracia en España, obra de referência da história do pensamento económico espanhol. Posteriormente, daria à estampa Agricultura e Ilustración, em 1988, e La revolución agrícola, em 1993, obras que o consagrariam como um académico de invulgar qualidade. Colaborou em várias revistas científicas, de que se destacam a History of Political Economy e a Économies et Societés.
Companheiro inseparável de Ernest Lluch, que viria a morrer assassinado pela ETA, em 2000, viria a publicar com este autor um conjunto notável de textos abordando a difusão na Europa, na Espanha e na Catalunha do pensamento fisiovrático, da Ilustração, do Enciclopedismo, do industrialismo e do Krausismo.
Para ele o trabalho científico tinha necessariamente uma dimensão universal, o que o levava a partilhar as suas informações com os seus pares e discípulos. Leitor compulsivo, analisava ao detalhe os textos que lhe entregavam, não se coibindo de os criticar, sempre com um sentido pedagógico, fraterno e formativo.
Esperava que ele pudesse vir a integrar o júri das minhas provas de doutoramento. Infelizmente um tumor cerebral, impediu-me de concretizar este desejo.
Até sempre, Lluis
Alcino Pedrosa
sexta-feira, março 23, 2007
Ainda a "velha" senhora: A Amizade!

quinta-feira, março 01, 2007
Pequenina crónica de tempos revoltos

quinta-feira, janeiro 25, 2007
há dias
anoitecer mais cedo
por recear o brilho
dos olhos dos gatos.
Há dias em que não apetece morrer
de tão cansados da vida
que até nem importa viver.
Há dias sem um sorriso
apenas o mudo sinal da pedra
em que te recolhes
como gota de névoa
em manhã de montanha.
Há dias sem palavras contadas
com rosas de murmúrios
nos lábios feridos
com luzes e lumes
e fogos fátuos
aquecendo a nudez do teu corpo
na cama branca
dos silêncis mais antigos.
Há dias de vozes estranhas
envoltas no musgo do mal.
Mas há aquele sorriso que liberta
a criança presa no sótão da memória.
E então não há deuses nem palavras~
de soar longo
que nos prendam as mãos brtancas
e nos confundam os caminhos
que serenos não soubemos encontrar.
Pedro Castelhano
Reflexões destemperadas
#Já fui o maior ridículo porque pensava que as pessoas me levavam a sério
#Já fui jovem quando ainda não sabia que estava a envelhecer.
*Já tive amigos que se perderam porque se enganaram nos caminhos da amizade
*Quando toca um piano lembro-me sempre do sino da minha aldeia. Nunca ouvi o sino da minha aldeia. Mas lembro-me. Um dia quando não ouvir o piano, hei-de ouvir o sino da minha aldeia.
*Quando alguém morrer fico à porta do cemitério sempre na esperança de ser o último a entrar.
*Não há palavras para tanto sofrimento quando há tanto sofrimento sem palavras.
*Se os deuses soubessem o que se passa entre os humanos, não seriam deuses mas também não
quereriam ser humanos.
*Soldado de Esparta vai dizer aos teus chefes que o Continente já abriu. Perdeste a guerra.
*Um adjectivo agrediu um substantivo. A TLBS está a dirimir há tanto tempo o combate que tudo vai acabar num advérbio de modo.
*Não há nada como um assobio quando um surdo-mudo tenta desvendar os nossos lábios.
Pedro Castelhano em hora de pecado sem castigo.
domingo, janeiro 21, 2007
As Memórias de Edmundo Pedros

Edmundo Pedro, homem de elevada coerência cívica e intelectual, com uma vida inteira dedicada à luta pela liberdade e democracia, apresentou, dia 18 de Janeiro, o primeiro volume do seu seu livro de memórias "Um Combate pela Liberdade". Obra de referência para todos os que se interessam pela história contemporânea portuguesa, este livro vale também pelo exemplo de vida, que constitui a biografia do seu autor.
Preso pelo regime Salazarista quando tinha apenas 17 anos, foi deportado para o Tarrafal, juntamente com o seu pai . Ainda tentou, por várias vezes, fugir da prisão mas nunca conseguiu, só abandonando o campo de concentração, com o fim da II Grande Guerra, na sequência da amnistia de 1945. Regressou a Portugal com 27 anos, minado pela tuberculose, mas a sua vontade de lutar contra o Estado Novo não esmoreceu.
Participou nas revoltas de 1959 e do quartel de Beja, na sequência da qual foi preso e condenado a três anos e oito meses de prisão. Já, depois do 25 de Abril, desempenhou um papel importante na defesa da democracia, tendo sido a ele que, em nome do PS, o general Ramalho Eanes mandou entregar um lote de armas para defender as sedes do partido que estavam a ser alvo dos ataques da esquerda radical . A história não terminaria aí, valendo posteriormente a Edmundo algumas agruras e injustiças, que ele não mereceia. Hoje, tal como nesses tempos, Edmundo prefere manter o silêncio, que, np entanto, não esconde as mágoas que ainda sente: " o mal que me fizeram não tem remédio”, relembra amíude.
Não pude estar presente, por motivos profissionais, no lançamento do livro. Orgulho-me que ele o tenha feito. E mais do que isso, orgulho-me de ser Amigo deste Homem, que considero (e me considera) Irmão
Alcino Pedrosa
terça-feira, janeiro 16, 2007
Armando de Castro (1918-199)

Por aqui se tem falado de obras de referência. Aproveito o mote para falar de autores referência. Homens exemplares, paradigma de um modelo de cidadania, que ultrapassa em muito os constrangimentos políticos e ideológicos. Armando de Castro: anti-fascista, democrata, académico notável, investigador de créditos firmados; cidadão do mundo; exemplo de tolerância. Atributos que não são excessivos para qualificar este militante do PCP, que se assumiu como um homem de elevada coerência cívica e intelectual.
Na Universidade obteve uma formação histórica e jurídica e aprendeu a reflectir criticamente sobre a sociedade e o conhecimento. Estas linhas de rumo marcaram todo o seu percurso de cidadão e de cientista. Não teve outro objectivo, na sua investigação, que não fosse partilhar o seu saber, os resultados das suas investigações e as conclusões a que chegava.
Os seus trabalhos mais notáveis desdobram-se por três áreas científicas: a História, sobretudo a História Económica, a Economia Política e a Gnoseologia e Epistemologia.
Na história, ainda hoje constituem referência obrigatória a mais de uma dezena de volumes em que sistematizous os séculos XII a XV, bem como muitos outros trabalhos sobre o período restante, com particular destaque para os séculos XIX e XX, deixando em aberto o sonho de fazer uma história económica Portugal.
Na Economia Política, trabalhou alguns dos temas mais árduos dos seus fundamentos teóricos, tendo sido um dos pioneiros em Portugal no tratamento sistemático da teoria do valor, marcando, além do mais, uma época com os seus estudos sobre a inflação.
A Epistemologia, entendida como ciência do conhecimento científico, esteve sempre presente nos seus trabalhos de investigação. Ao fazer a história da Idade Média interroga-se sobre os rumos da investigação a fazer; ao estudar o fundamentos da Economia Política encontra as mesmas problemáticas. Em todos estes caminhos sempre esteve a par do que em Portugal e no Mundo se fazia sobre as problemáticas em que trabalhava, estando sempre aberto ao novo. Ou não tivesse sido Ele um cidadão com uma dimensão Universal
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Em louvor do Rogério Rodrigues

"Gibbon
Se há livro de cabeceira - porque, em muitos sítios já não há cabeceira, nem mesinha-de-cabeceira - que me acompanha e que leio e releio ao acaso, sempre com enorme prazer, é a obra de Gibbon Declínio e Queda do Império Romano.
Há neste livro, obra magna de um académico e parlamentar inglês do século XVII (eu creio que é XVIII, mas...), uma escrita sobre a história, as suas personalidades e ventos, tão diferente no que se vê e considera importante que o livro imediatamente - à primeira frase - me retira com proveito do século XX. Flutuando por uma das escritas mais fascinantes da lingua inglesa, transportando-me para a história, ou seja, para o que não é do meu tempo. Há nas suas personagens - porque não se trata verdadeiramente de um livro de história, mas de um livro sobre o teatro da humanidade - uma dignidade antiga, que pode ser o teatro da humanidade -, uma dignidade antiga, que pode ser de todos os tempos, menos do nosso. Nós sabemos que é mais feita de ficção do que de realidade, porque também sabemos como já para o olhar de Gibbon também tudo aquilo pareciam «antiguidades».
É verdade que Gibbon estava no século XVIII (cá está, o século correcto...)a falar sobre os «Romanos», ou seja, sobre cerca de dois mil anos de história ocidental, e a nossa cabeça actualmente vive em 30 ou 40, e a nossa cultura mediática vive quanto muito ao ano, quando não é à semana. É verdade que, escrevendo essencialmente sobre o período do «declínio», Gibbon fala dos últimos mais de míl anos que vão dos Antoninos à queda de Bizâncio.
Mas já repararam que, habituados que estamos à precaridade do nosso tempo e à sua rapidez, é muito tempo? Que ainda havia «romanos», que por acaso eram gregos, quando se iniciaram os Descobrimentos? E que só passaram seiscentos anos - quase nada - desde que Constantino Paleólogo participou na última missa na Catedral de Santa Sofia, um ou dois dias antes de se tornar mesquita e ele desaparecer para sempre, talvez adormecido numa das muralhas da cidade? E já repararam que menos tempo nos separa da entrada triunfante de Maomé II - de quem Gibbon diz que, para além do turco, falava árabe, persa, caldeu, latim e grego - na cidade de Constantino do que os mil anos que tinham passado desde que os bárbaros entraram em Roma?
Em muitas páginas do Declínio e Queda, a nostalgia pelo passado, não com saudade - porque Gibbon sabia que esse passado era pior do que o seu presente -, mas como meditação sobre o tempo, é o principal pano de fundo onde se movem as personae. Mas o tempo, ou a história, se se quiser, é o principal actor quando Gibbon relata um diálogo ocorrido, no século XV, entre o «douto Poggio» e um amigo, dois romanos modernos, membros da cúria papal, que sobem ao monte Capitolino e contemplam as «ruínas de Roma». No meio do matagal estavam as velhas glórias de Roma, cobertas de vinhas, cercadas por quintais, já parcialmente integradas em construções modernas, para que as sólidas pedras de mármore eram roubadas. Porcos e bois passeavam no Fórum e o lixo cobria os bancos dos senadores. O tempo também a eles pregava partidas: tinham já passado mais de novecentos anos desde a «queda», e eles olhavam o fim do império com maior distância do que a que hoje nos separa deles.
O tempo é enganador quando ultrapassa as nossas vidas, e prega-nos partidas na memória. E nos tempos de «queda» ainda é mais enganador, misturando vencidos e vencedores, locais e batalhas, gente do seu tempo e anacronismos. Gente perdida pelo declínio, fora da sua terra e do seu tempo, resistindo a uma história impiedosa, como essas mulheres bizantinas, parentes da melhor nobreza imperial, vagamente recolhidas nos conventos quando escapavam de ir parar a algum hárem, tentando publicar livros em grego, manter a sua fé ortodoxa, salvar as relíquias de uma opulência passada, quando não resgatar os filhos e parentes, reféns do sultão ou de qualquer potentado menor da Sérvia ou na Trebizonda.
No Declínio e Queda são o tempo e a dignitas que me atraem, a maneira nobre e desprendida, com todas as qualidades, defeitos e paixões, como esses homens feitos em pó, sepultados não se sabe onde, passearam o seu amor pelos homens, pela história, pelas letras, pela lei, pelo vinho, pelas mulheres, pelos rapazes, pela música, ou mais comummente pela crueldade. Porque aqui a dignitas é também o tempo, porque a gente percebe logo que se trata de virtudes dos «antigos», que também já não há hoje, porque todos os tempos, menos o nosso, são clássicos. E era certamente o que Gibbon também desejava: em plenas luzes, descreveu uma história com demasiadas trevas, as do tempo que já passou."
Notabilissimo texto de José Pacheco Pereira, retirado sem autorização, mas com a devida vénia, de "Desesperada Esperança e outros textos", dado à estampa pela notícias editorial, no ano de 1999.
Em louvor do Rogério Rodrigues?...porque sei, de fonte segurissima, que aquele livro, o do Gibbon é também um dos seus livros de cabeceira.
Este post é uma espécie de prenda de ano novo para o
Rogério, com a suave esperança de:
1- O poder ler amiúde, na versão Pedro Castelhano ou na do próprio, neste Blog, que lhe deve o nome;
2- Que, um dia, me possa também assumir como leitor apaixonado, dleitado e agradecido da «Queda».
Albergaria
